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Mortos em série de tornados no sul dos EUA ultrapassam 250

28/04/2011 – 17h00

 

Tornados e tempestades devastadoras atingiram o sul dos Estados Unidos e mataram ao menos 259 pessoas em sete Estados, na mais violenta sequência de ciclones a atingir o país em quase quatro décadas.

Os tornados –mais de 160 no total– encontrou tempestades vindas do oeste para leste nos últimos dias, ampliando a destruição. Em algumas áreas, bairros inteiros ficaram alagados, carros foram revirados, e árvores foram arrancadas, derrubando a rede elétrica.

Dusty Compton/The Tuscaloosa News/Associated Press

Tornado passa por Tuscaloosa, no Alabama, Estado mais atingido pelo mau tempo que varre o sul dos EUA

Tornado passa por Tuscaloosa, no Alabama, Estado mais atingido pelo mau tempo que varre o sul dos EUA

Ao menos 162 pessoas morreram no Alabama, o Estado mais afetado, que sofreu "grande destruição de propriedades", segundo disse o governador Robert Bentley.

A pior devastação aconteceu na cidade universitária de Tuscaloosa, onde um grande tornado de 1,6 quilômetro de largura matou ao menos 15 pessoas, incluindo estudantes.

"Era o som de uma serra elétrica. Você conseguia ouvir os destroços atingindo coisas. Tudo o que tenho agora são algumas roupas e ferramentas que eram muito pesadas para serem levadas pela tempestade. Não parece real", disse o estudante Steve Niven, 24.

O presidente americano, Barack Obama, que declarou situação de emergência no Estado e ordenou ajuda federal, vai visitar o Alabama nesta sexta-feira para avaliar os danos e se encontrar com o governador.

Caroline Summers/Associated Press

Moradores tentam recolher pertences após tornado destruir casas em Tuscaloosa, no Alabama

Moradores tentam recolher pertences após tornado destruir casas em Tuscaloosa, no Alabama

"Nossos corações estão com todos aqueles que foram afetados por esta devastação e estamos de prontidão para continuar a ajudar o povo do Alabama", disse Obama em mensagem no Twitter na quinta-feira.

Segundo estimativas preliminares, autoridades estatais registraram 32 mortos em Mississippi, 30 em Tennessee, 11 no Arkansas, 14 na Geórgia, oito em Virgínia e dois na Louisiana.

"Acreditamos que o número vai aumentar", disse o governador Bentley em teleconferência com o administrador da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências, Craig Fugate.

A usina nuclear de Browns Ferry, no Alabama, deve ser fechada por alguns dias, possivelmente semanas, enquanto trabalhadores consertam as linhas de transmissão que foram danificadas. Cerca de 1 milhão de pessoas no Alabama ficaram sem energia.

O chefe da agência de emergência disse ser muito cedo para confirmar o número total de mortos, e as autoridades estão concentrando os esforços em resgate e recuperação.

MAU TEMPO

Tornados são comuns no sul e no meio-oeste dos Estados Unidos, mas raramente são tão devastadores.

Lojas, shopping centers, drogarias e postos de gasolina foram destruídos em parte de Tuscaloosa, uma cidade com cerca de 95 mil habitantes na região central de Alabama.

"Jamais tivemos um evento climático desta dimensão em nossa história", disse a Autoridade do Vale do Tennessee, uma empresa estatal que fornece eletricidade a nove milhões de pessoas em sete Estados.

Bentley também declarou estado de emergência e disse estar destacando 2.000 guardas nacionais. Os governadores de Arkansas, Mississippi e Tennessee também declararam estado de emergência.

"Estamos concentrados em busca e resgate. Vamos fazer tudo para encontrar os que estão presos e os que não encontramos ainda", disse Bentley à CNN.

"Todo mundo diz que (um tornado) parece um trem, e comecei a ouvir o trem", disse à Reuters Anthony Foote, morador de Tuscaloosa cuja casa foi gravemente danificada. "Corri e pulei dentro da banheira e a casa começou a sacudir. Depois os vidros começaram a se estilhaçar."

Dupla americana simula milagre de Moisés; divisão do mar teria sido no Nilo

 

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR INTERINO DE CIÊNCIA

Segundo o texto bíblico, "um forte vento leste" soprando sobre o mar teria aberto as águas para Moisés e os israelitas que fugiam do Egito. Agora, dois cientistas dizem que o "milagre" é compatível com as leis da física.

 

Carl Drews, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA, e Weiqing Han, da Universidade do Colorado em Boulder, traçam um cenário que eles consideram "relativamente próximo" do descrito no livro do Êxodo, o segundo da Bíblia.

Em artigo recente na revista científica "PLoS One", eles estimam que um vento de velocidade próxima de 100 km/h, soprando sobre a desembocadura do rio Nilo por 12 horas, teria sido suficiente para empilhar as águas e abrir uma passagem com alguns quilômetros de largura.

Drews e Han chegaram a essa conclusão com simulações, em computador, do comportamento do líquido, e levando em conta como seria a topografia do Egito no fim da Idade do Bronze (por volta de 1250 a.C.). Essa é a época mais aceita para a suposta fuga dos escravos israelitas, liderados pelo profeta Moisés.

Um detalhe importante para que a análise dê certo é que, de acordo com essa hipótese, a travessia dos fugitivos não teria acontecido no mar Vermelho atual.

MAR DE CANIÇOS

A maioria dos estudiosos do texto bíblico considera que a melhor tradução para o termo original hebraico, "Yam Suph", não é "mar Vermelho", mas sim "mar de Caniços". A expressão seria uma referência, portanto, não ao mar entre a África e a Arábia, mas a uma área pantanosa (daí os caniços, plantas aquáticas) onde o Nilo encontra o mar Mediterrâneo.

Acontece que as simulações de como era o delta do Nilo nessa época, levando em conta as rochas e sedimentos da região, indicam a presença de um grande braço do rio, o qual se conectava com uma lagoa salobra, o chamado lago de Tânis.

O vento leste descrito no Êxodo, portanto, teria feito recuar as águas rasas (com cerca de 2 m de profundidade) do braço do Nilo e do lago, o que, em tese, teria permitido a passagem de Moisés e seu povo para longe dos guerreiros do faraó.

EXEMPLOS MODERNOS

Além das simulações e dos dados geológicos, os cientistas citam a ocorrência de fenômenos parecidos em épocas recentes. O vento conseguiu façanha parecida em 2006 e 2008 no lago Erie, nos EUA. No fim do século 19, oficiais britânicos viram algo do tipo acontecer no próprio Nilo (leia texto abaixo).

Como tudo que cerca o lado histórico dos textos bíblicos, a pesquisa já nasce polêmica. Drews, por exemplo, fez algo pouco comum em outros artigos científicos: declarou, logo no início do estudo, que poderia ter conflitos de interesse sobre o tema, já que é cristão e tem um site no qual defende a compatibilidade entre ciência e fé.

Nem ele nem Han dizem ter provado a veracidade do Êxodo. Toda a história da fuga dos israelitas do Egito, aliás, é muito contestada por arqueólogos e historiadores.

Gente como o arqueólogo Israel Finkelstein lembra, primeiro, que não há menções ao épico nos registros egípcios nem artefatos ligados à migração de 40 anos de Moisés e hebreus no deserto.

Em segundo lugar, tanto a língua quanto os artefatos dos povos que formariam mais tarde o reino de Israel são praticamente idênticos aos dos povos que já habitavam a antiga terra de Canaã (hoje dividida entre judeus e palestinos), supostamente invadida pelos israelitas.

Por isso, muitos arqueólogos apostam que o povo de Israel teria surgido dentro da própria Canaã, a partir de tribos que já viviam por lá.

Editoria de Arte / Folhapress/Editoria de Arte / Folhapress

Arqueólogos desenterram estátua de faraó com 13 m de altura

28/04/2011 – 15h47

DA ASSOCIATED PRESS

Arqueólogos retiraram, de um templo funerário ao sul da cidade de Luxor (Egito), uma das maiores estátuas do faraó egípcio Amenhotep 3º.

A estátua, com 13 metros de altura, fazia par com uma outra posta na entrada do mortuário com 3.400 anos, que fica na margem oeste do rio Nilo, onde é executada uma grande escavação –o local concentra tumbas dos maiores faraós egípcios.

Supreme Council of Antiquities/Associated Press

A estátua de Amenhotep 3º fazia par com outra posta na entrada de um templo com 3.400 anos

A estátua de Amenhotep 3º fazia par com outra posta na entrada de um templo com 3.400 anos

Formada por sete grandes blocos de quartzito, a peça só não é completa porque lhe falta a cabeça, que foi descoberta em 1928 e sumiu novamente.

O supervisor Abdel-Ghaffar Wagdi disse que há ainda duas outras estátuas de divindades a serem localizadas no sítio.

Amenhotep 3º, avó de Tutancâmon, que se tornaria posteriormente um dos mais famosos da história, governou o Egito no século 14 a.C.

O templo passou por enchentes e um terremoto em 27a.C., mas ainda é possível ver algumas de suas paredes erguidas.