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MÚSICA NA IGREJA – UM MAPA PREOCUPANTE

Preletor: Lourenço Stelio Rega

Uma análise sobre a formação dos líderes

Há algum tempo tenho me preocupado com o mapa da situação da música em nossas igrejas e o cenário que tem se construído nos últimos anos. Muitos cursos de música sacra nos seminários têm sido encerrados ao longo desse tempo. Ao que me parece sobram apenas três seminários, dos maiores, que ainda oferecem alguma modalidade de cursos de música sacra (Seminário do Norte, Seminário do Sul e Teológica de São Paulo). Em Janeiro passado, fiz uma pesquisa entre pastores aqui no Estado de São Paulo e os resultados amplificam ainda mais as preocupações. Tentei fazer a pesquisa em nível nacional, mas isso não deu ainda certo. Espero que o novo presidente da Ordem de Pastores me consiga um espaço lá em Foz do Iguaçu para isso. A pesquisa aqui em São Paulo alcançou cerca de 13% de igrejas do Estado, representando algo em torno de 16 mil membros. Vejamos alguns dados apurados e alguns comentários iniciais:

– A igreja possui ministro de música? 69,7% responderam que não. Isso indica um campo aberto de oportunidades.

– Tempo em que a igreja tem ministro de música: de 1 a 5 anos: 37,5%; de 6 a 10 anos: 30%; de 16 a 20 anos: 2,5%; de 21 a 25 anos: 5%. A maior parte das respostas indica que a experiência da presença de ministros de música nas igrejas é recente, indicando também um bom espaço de oportunidades de trabalho.

– Se não há ministro de música, há alguém que dirige a área de música? 73% responderam que sim e, destes, 69,8% são os próprios membros da igreja. Por um lado, isso indica que as igrejas procuram solução dentro de seu próprio ambiente. Por outro, em termos de demanda, os seminários deverão se preocupar em alcançar o membro de igreja que deseja se preparar para melhor servir na área. Mas isso necessariamente não significa que a pessoa deseja ser um ministro de música sacra no sentido estrito da palavra. Em outras palavras, temos aqui um possível indicador de alteração de público-alvo para os cursos.

– Se a igreja não tem ministro de música, qual o nome adotado para a função? Coordenador do Ministério de Música, Diretor da Equipe de Louvor, Diretor de Música, Dirigente de Cânticos, Dirigente de Música, Líder de Louvor, Líder de Música, etc. Isso também pode indicar que, na ausência ou impossibilidade de se ter um ministro de música, as igrejas se amoldaram às soluções internas, isto é, se não é possível ter um ministro de música, quem pode fazer a área funcionar? A continuar essa situação, é possível estimar que a figura do ministro possa estar sendo substituída, pelo menos em termos de resultados, por outras funções. No caso, sem muito custo para as igrejas. Todas estas informações também podem ser sinalizadoras da alteração do público-alvo para nossos cursos de música.

– Se a igreja utiliza hinário, qual é o utilizado? Cantor Cristão 45% e HCC 38%. Interessante.

– Na liturgia da igreja normalmente há hinos (42,2%) e cânticos avulsos (55,5%). Isso pode indicar uma alteração para uma liturgia mais aberta ou mesmo contemporânea. Mais um sinalizador de alteração nos objetivos das igrejas quanto ao estilo de música.

– Qual o tipo de liturgia adotado pela igreja? Tradicional: 18,1%; contemporânea: 31%; aberta (sem restrições): 14,6%; mista: 33,9%. Mais um indicador de alteração no tipo de capacitação para pessoal que atua na área de música na igreja (veja que não utilizei a expressão “ministro de música”).

– A sua igreja tem: coro (31,2%); conjunto vocal (39,2); orquestra (8,9%).

– O pastor acha importante ter um ministro de música? 82,9% afirmaram que sim. Isso pode indicar a necessidade de maior qualificação para aqueles que atuam na área.

– Estes dados quantitativos foram obtidos com respostas alternativas objetivas. Os itens a seguir foram de respostas livres:

– Quais atitudes são esperadas de um ministro de música? Relacionamento; integração de pessoas; ser afinado com o ministério pastoral e com a Bíblia; transmissão do amor de Deus; integridade na conduta; comprometimento com a igreja, não apenas ser um especialista musical; organização; ser líder em sua família; apoiador e parceiro do ministério pastoral; pastoreio da área de música; liderança empática; interlocução.

– Quais afeições são esperadas: ser afável, agradável, paciente, amigável, dinâmico, carinhoso, brando, não arrogante, não elitista, tratável.

– Quais conhecimentos são esperados: Bíblia; teologia; eclesiologia; pastoreio; filosofia do ministério; músico como ensinador; música; variadas formas de música; equipar outros; liderar equipe; técnica musical; instruir outros ao serviço; ensinar o básico de instrumentos.

– O que se espera em geral de ministro de música? Que a igreja cresça por meio da música; que a igreja adore a Deus somente; ensinar adoração; formar conjuntos; cuidar do culto juntamente com o pastor; cultivar bom repertório; criar cursos de música; gestão da área de música; desenvolver projetos para a área musical; visitação aos membros da área de música; ampliar a visão da igreja na área de música e louvor.

Nestes últimos itens a ênfase não é propriamente com a música em si ou com o lado artístico do ministro, mas com a vida da igreja, com relacionamentos, com a convivência no ministério. Houve destaque também no cuidado em ser mais ministro e menos artista.

Isso pode indicar também profunda alteração na formação do ministro de música ou líder da área na igreja. A música como arte é importante, mas ficou demonstrado que mais importante é a vida e atitudes do ministro. Recentemente escrevi aqui nesta coluna um artigo intitulado “Síndrome de artista”, aplicado a qualquer tipo de líder, mas que pode lembrar perfeitamente este fenômeno.

Como foi possível demonstrar, está havendo alteração do perfil do público alvo para os cursos de música sacra. Assim, alterando-se o perfil do público alvo, há a alteração nos interesses, em consequência nos objetivos educacionais, tudo isso indica a necessidade de alteração na matriz curricular, estrutura e duração dos cursos de música sacra.

Neste sentido, há algumas variáveis que temos de considerar, entre elas: (1) o que as igrejas esperam dos alunos egressos dos cursos tem demonstrado ser diferente do que os seminários tem formado; (2) o que seria o ideal na formação destes egressos e que nem sempre as igrejas podem ter ciência. Isto para que possamos também gerar ideais futuros com segurança para as igrejas; e, (3) o nível técnico dos candidatos aos cursos de música.

Neste último item o que temos visto é que o nível técnico dos ingressantes deixa a desejar. Muitos tocam “por ouvido” ou por cifras. Mas, afinal, na prática para a igreja o importante é fazer as coisas funcionarem. Se a pessoa toca por cifras ou “por ouvido” pouco importa, se o som, a música “sai” e o povo pode cantar. Mas, do ponto de vista de atendimento, penso que isso é mais uma oportunidade que o seminário pode ter para oferecer capacitação e nivelamento aos candidatos. Em outras palavras é menos problema e mais solução.

Temos ainda que considerar o crescimento do uso de artes cênicas na igreja e outras alternativas que estão sendo descobertas.

No semestre passado, conversando com uma professora da área de música, lhe perguntei sobre a idade média mínima de participantes nos encontros periódicos de ministros de música. A resposta dela foi: cerca de 40 anos. Será que a figura do ministro de música está em fase de extinção? Será que as associações desta área não estão se ocupando em discutir o tema com profundidade e com dados de campo (do chão da igreja) para realimentar o ministério de música na igreja? Será que estão procurando diálogo com as ordens de pastores para lidar com o tema? Será que estão buscando meios para despertar novos ministros, novas vocações na área?

Com estes dados em mãos e buscando apoio e consultoria de alguns ministros de música que estão considerando estes novos cenários, aqui em São Paulo, na Faculdade Teológica Batista de São Paulo (Teológica), buscando manter a qualidade do curso, estamos num demorado e profundo processo de REINVENÇÃO do curso de música sacra, pois, não há mais como se manter um curso nos moldes tradicionais, ensinando música erudita, clássica, lírica, sem considerar estes novos cenários e as variáveis que acima alistei. Espero que consigamos algum resultado, antes de pensarmos em fechar também o curso de música. Pelo menos estamos tentando.

Pr. Lourenço Stelio Rega
Teólogo, educador e escritor

Data: 20/12/2011 08:25:08

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Artigos

Na Holanda, igrejas estão fechando as portas

 

Há anos o número de fiéis está em declínio. A tendência toma conta de toda a Europa Ocidental. A Igreja Protestante perde sozinha, a cada ano, cerca de 60 mil fiéis na Holanda.
A Igreja está sofrendo um êxodo drástico na Holanda. Com duas igrejas fechando a cada semana, um homem se tornou o principal consultor do país sobre como reaproveitar as construções antes sagradas. Algumas são demolidas, enquanto outras encontram nova vida como mesquitas, lojas e até mesmo centros de recreação.
Os bancos da igreja são vendidos de acordo com o tamanho. Os menores, com 3,6 metros de comprimento, podem ser comprados por 40 euros, enquanto os mais longos, de 6 metros, por 60 euros. Os fiéis da cidade holandesa de Bilthoven já levaram 17 bancos de seu santuário.
Os bancos não serão um problema, diz Marc de Beyer. Mas o órgão e a pia batismal, pesando centenas de quilos, no fundo da igreja, serão mais difíceis.
Marc de Beyer é um historiador da arte em Utrecht, localizada a meia hora de trem de Amsterdã, mas alguém poderia chamá-lo de liquidante. Ele é o homem que fecha as igrejas. Quando uma paróquia é dissolvida, quando uma igreja é fechada, De Beyer está lá. E ele tem muito a fazer.
Ainda existem cerca de 4.400 igrejas na Holanda. Mas, a cada semana, aproximadamente duas fecham as portas para sempre. Isso afeta principalmente os católicos, que serão forçados a ficar sem metade de suas igrejas nos próximos anos.
“E está apenas começando”, diz De Beyer.
Sua voz ecoa no prédio abobadado, onde a fraca luz de outono entra diagonalmente pelas janelas. De Beyer está atrás de um bloco do tamanho de um freezer. Até 1º de julho de 2006, ele era o altar da Igreja de São Lourenço, em Bilthoven, ao norte de Utrecht. Mas naquele dia a igreja se tornou um imóvel no mercado e o altar, onde os fiéis foram abençoados, casaram e lamentaram, se transformou em um pedaço de cimento.
Inicialmente, foi discutida a conversão da igreja em um centro comunitário. Mas os católicos queriam vendê-la rapidamente e uma empresa comprou a propriedade consagrada. No ano que vem, São Lourenço será demolida, dando espaço a 62 apartamentos.
“Arquitetonicamente, a perda é suportável”, diz De Beyer. A igreja foi construída nos anos 60, quando as comunidades católicas em Bilthoven e De Bilt cresciam tão rapidamente que os dois distritos passaram a precisar de três igrejas. Ela foi construída de forma rápida e simples.
Bancos vazios

Há anos o número de fiéis está em declínio. A tendência toma conta de toda a Europa Ocidental, com igrejas também sendo forçadas a fechar na França e na Bélgica. Mas na Holanda, o recuo do cristianismo na sociedade tem sido particularmente drástico. A Igreja Protestante perde sozinha, a cada ano, cerca de 60 mil fiéis. Nesse ritmo, ela deixará de existir por lá até 2050, calculam representantes da Igreja.
A tendência tem levado a fusões de igrejas de várias comunidades. São Lourenço, em Bilthoven, consolidou sua congregação com a de oito outras igrejas. Mas nenhuma dessas amálgamas precisa de mais do que uma igreja, um órgão e um altar. Todos os outros cálices, cruzes e bancos precisam ser descartados. O problema, diz De Beyer, é que itens sagrados particularmente não vendem bem. Os prédios, ao contrário, encontram rapidamente novos locatários.
Em Helmond, cerca de 80 quilômetros ao sul de Bilthoven, um supermercado se mudou para uma antiga igreja em 2001. Uma livraria abriu em uma antiga igreja dominicana em Maastricht, enquanto igrejas em Utrecht e Amsterdã foram transformadas em mesquitas. Dentre os 17 milhões de habitantes da Holanda, cerca de 850 mil praticam o islamismo. Ainda assim, muitas outras igrejas serão simplesmente demolidas.
De Beyer vem fechando igrejas nos últimos três anos. Ele estava presente quando um “plano estratégico” foi desenvolvido para transformar o Convento de Santa Catarina em um museu. Juntamente com a fundação para o patrimônio de arte religiosa, ele também escreveu um manual com instruções para o fechamento de uma igreja em seis passos – do inventário ao espólio. O guia foi distribuído entre as diferentes paróquias a partir de abril e, em breve, será traduzido para o inglês.
‘A melhor solução’

Recentemente, De Beyer participou de um simpósio na Alemanha e logo falará na Bélgica. Afinal, as igrejas não estão morrendo apenas na Holanda. Quando ele chega ao ponto 5.4 em seu manual, intitulado “demolição”, as pessoas frequentemente precisam recuperar o fôlego, ele diz.
“Mas quando uma igreja tem pouco propósito, valor emocional ou importância histórica, essa pode ser a melhor solução”, acrescenta De Beyer.
Ainda assim, De Beyer vê a si mesmo como um salvador de templos. Ele quer preservar o valor delas. Suas instruções visam ajudar a distinguir entre o que tem valor e o que não tem. Ele frequentemente visita as igrejas para fornecer orientação e apoio. Bancos e Bíblias costumam ser vendidos para os membros da congregação.
“Os altares frequentemente encontram um novo lugar no Leste Europeu”, diz De Beyer. “Há grande demanda lá, porque novas igrejas estão sempre sendo construídas.”
Há poucas semanas, uma paróquia em Arnheim decidiu por um uso totalmente novo para sua igreja, que permaneceu vazia por cinco anos. No final de novembro, a Igreja de São José reabriu como um parque para skatistas, com rampas e obstáculos na nave, cobrando 3,50 euros para passar o dia praticando entre imagens santas. Desde então, o número de frequentadores da igreja tem sido respeitável.

Data: 28/12/2011 08:00:00

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Ciência Noticias

Cientistas descobrem espécies em respiradouro de vulcão sob o Índico

 

Rebecca Morelle

Repórter de Ciência da BBC News

Atualizado em  28 de dezembro, 2011 – 13:50 (Brasília) 15:50 GMT

Pesquisadores da Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, capturaram imagens impressionantes em um dos pontos mais inóspitos do fundo do Oceano Índico.

As imagens, capturadas com a ajuda de um robô na Cadeia de Montanhas Submarinas do Sudoeste Índico, foram feitas enquanto os cientistas pesquisavam as aberturas de vulcões submarinos, no fundo do oceano.

Descobertos em 1977, estes respiradouros hidrotermais são fissuras no fundo do oceano que expelem água muito quente, rica em minerais. Apesar das temperaturas altíssimas, estas áreas podem abrigar ecossistemas variados.

A equipe de cientistas britânicos se concentrou nas aberturas do sudoeste índico porque esta cadeia está ligada à Cadeia de Montanhas do Oceano Atlântico e à Cadeia Central Índica, locais onde a vida marinha já foi bem documentada.

Imagem capturada por robô submarino (Cortesia: Universidade de Southampton)

Cientistas usaram robô submarino para capturar imagens (Cortesia: Universidade de Southampton)

Nesta nova pesquisa, os cientistas da Universidade de Southampton encontraram moluscos, crustáceos, mexilhões e outras criaturas. Em seguida, eles compararam estas criaturas com as encontradas em respiradouros vulcânicos de cadeias submarinas vizinhas.

"Eu esperava (encontrar por) lá algumas semelhanças com o que sabemos do Atlântico, e algumas semelhanças com o que sabemos das aberturas do Oceano Índico, mas também encontramos animais que não são conhecidos em nenhuma daquelas áreas, e isto foi uma grande surpresa", disse o professor Jon Copley, pesquisador-chefe do projeto.

Encruzilhada

A área pesquisada pelos cientistas é diferente das outras, pois tem menos atividade vulcânica do que outras cadeias submarinas, com menos respiradouros.

Para capturar as imagens, os pesquisadores usaram um robô submarino chamado Kiel 6000, do Instituto de Ciências Marinhas de Leibniz, na Alemanha. As descobertas do robô surpreenderam os cientistas.

"Este lugar é uma verdadeira encruzilhada em termos de espécies de respiradouros no mundo todo", disse Copley.

"Uma (das descobertas) foi um tipo de caranguejo yeti. Existem atualmente duas espécies descritas de caranguejo yeti conhecidas no Oceano Pacífico, e (esta última descoberta) não é como as outras, mas é o mesmo tipo de animal, com braços longos e cabeludos", afirmou.

Imagem capturada por robô submarino (Cortesia: Universidade de Southampton)

Pesquisadores encontraram espécies desconhecidas

"Também (encontramos) alguns pepinos-do-mar, desconhecidos dos respiradouros do Atlântico ou da Cadeia Central Índica, mas conhecidos no Pacífico."

"Temos ligações com várias partes diferentes do mundo aqui", disse o cientista.

Diversidade

A diversidade das criaturas encontradas também surpreendeu os cientistas.

"Em muitos outros campos com respiradouros, nesta zona quente, você encontra animais que frequentemente são de apenas um tipo: na Cadeia do Atlântico é apenas camarão. Mas aqui vimos três ou quatro ao mesmo tempo", disse Copley.

As descobertas devem ajudar os pesquisadores a descobrir mais sobre como as criaturas se movem de abertura em abertura. Estes respiradouros têm vida curta e, se as criaturas que habitam a área não tiverem a habilidade de se mover de um sistema para outro, a vida nestas regiões seria extinta.

Imagem capturada por robô submarino (Cortesia: Universidade de Southampton)

Diversidade de espécies surpreendeu cientistas

Apesar destas descobertas, os pesquisadores temem pelo futuro da região.

A China conseguiu uma licença para explorar o potencial de mineração destes respiradouros, concedida pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA, sigla em inglês), entidade que regula a exploração nos oceanos.

"Seria muito prematuro começar a perturbar (as espécies da região) antes de descobrirmos totalmente o que vive lá", afirmou o cientista.