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Os humanos inventaram a matemática ou ela é uma parte fundamental da existência?

Por Julio Batista

Créditos: FlashMovie / Getty Images.

Por Sam Baron
Publicado no The Conversation

Muitas pessoas pensam que a matemática é uma invenção humana. Para essa forma de pensar, a matemática é como uma linguagem: ela pode descrever coisas reais no mundo, mas não “existe” fora da mente das pessoas que a usam.

Porém, a escola de pensamento pitagórica da Grécia antiga tinha uma visão diferente. Seus proponentes acreditavam que a realidade é fundamentalmente matemática.

Mais de 2.000 anos depois, filósofos e físicos estão começando a levar essa ideia a sério.

Como argumento em um novo estudo, a matemática é um componente essencial da natureza que dá estrutura ao mundo físico.

Abelhas e hexágonos

As abelhas nas colmeias produzem favos hexagonais. Por quê?

De acordo com a ‘conjectura do favo de mel’ na matemática, os hexágonos são a forma mais eficiente para alinhar o plano. Se você deseja cobrir totalmente uma superfície usando ladrilhos de formato e tamanho uniformes, enquanto mantém o comprimento total do perímetro no mínimo, hexágonos são a forma ideal a ser usada.

Charles Darwin concluiu que as abelhas evoluíram para usar essa forma porque ela produz as maiores células para armazenar mel para a menor entrada de energia para a produção de cera.

A conjectura do favo de mel foi proposta pela primeira vez na antiguidade, mas só foi provada em 1999 pelo matemático Thomas Hales.

Cigarras e números primos

Aqui está outro exemplo. Existem duas subespécies das chamadas cigarras periódicas norte-americanas que vivem a maior parte de suas vidas no solo. Então, a cada 13 ou 17 anos (dependendo da subespécie), as cigarras surgem em grandes enxames por um período de cerca de duas semanas.

Por que são 13 e 17 anos? Por que não 12 e 14? Ou 16 e 18?

Uma explicação apela para o fato de que 13 e 17 são números primos.

Imagine que as cigarras têm uma variedade de predadores que também passam a maior parte de suas vidas no solo. As cigarras precisam sair do solo quando seus predadores estão adormecidos.

Suponha que existam predadores com ciclos de vida de 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9 anos. Qual é a melhor maneira de evitar todos eles?

P1 – P9 representam predadores cíclicos. A linha numérica representa anos. As lacunas destacadas mostram como as cigarras de 13 e 17 anos conseguem evitar seus predadores. Crédito: Sam Baron.

Bem, compare um ciclo de vida de 13 anos e um ciclo de vida de 12 anos. Quando uma cigarra com um ciclo de vida de 12 anos sai da terra, os predadores de 2, 3 e 4 anos também estarão fora da terra, porque 2, 3 e 4 se dividem igualmente em 12.

Quando uma cigarra com um ciclo de vida de 13 anos sai do solo, nenhum de seus predadores sairá do solo, porque nenhum de 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 ou 9 se divide igualmente em 13. O mesmo é válido para 17.

Parece que essas cigarras evoluíram para explorar fatos básicos sobre os números.

Criação ou descoberta?

Assim que começarmos a procurar, será fácil encontrar outros exemplos. Desde a forma de filmes de sabão ao design de engrenagens em motores, até a localização e o tamanho das lacunas nos anéis de Saturno, a matemática está em toda parte.

Se a matemática explica tantas coisas que vemos ao nosso redor, então é improvável que a matemática seja algo que criamos. A alternativa é que os fatos matemáticos sejam descobertos: não apenas por humanos, mas por insetos, bolhas de sabão, motores de combustão e planetas.

O que Platão pensava?

Mas se estamos descobrindo algo, o que é?

O antigo filósofo grego Platão tinha uma resposta. Ele achava que a matemática descreve objetos que realmente existem.

Para Platão, esses objetos incluíam números e formas geométricas. Hoje, podemos adicionar objetos matemáticos mais complicados, como grupos, categorias, funções, campos e anéis à lista.

Platão também defendia que os objetos matemáticos existem fora do espaço e do tempo. Mas tal visão apenas aprofunda o mistério de como a matemática explica qualquer coisa.

A explicação envolve mostrar como uma coisa no mundo depende da outra. Se os objetos matemáticos existem em um reino separado do mundo em que vivemos, eles não parecem capazes de se relacionar com nada físico.

Entrando no pitagorismo

Os antigos pitagóricos concordavam com Platão que a matemática descreve um mundo de objetos. Mas, ao contrário de Platão, eles não achavam que os objetos matemáticos existiam além do espaço e do tempo.

Em vez disso, eles acreditavam que a realidade física é feita de objetos matemáticos da mesma forma que a matéria é feita de átomos.

Se a realidade é feita de objetos matemáticos, é fácil ver como a matemática pode desempenhar um papel na explicação do mundo ao nosso redor.

Na última década, dois físicos montaram defesas significativas da posição pitagórica: o cosmologista sueco-americano Max Tegmark e a física e filósofa australiana Jane McDonnell.

Tegmark argumenta que a realidade é apenas um grande objeto matemático. Se isso parece estranho, pense na ideia de que a realidade é uma simulação. Uma simulação é um programa de computador, que é uma espécie de objeto matemático.

A visão de McDonnell é mais radical. Ela pensa que a realidade é feita de objetos matemáticos e mentes. A matemática é como o Universo, que é consciente, passa a se conhecer.

Defendo uma visão diferente: o mundo tem duas partes, matemática e matéria. A matemática dá forma à matéria e a matéria dá substância à matemática.

Os objetos matemáticos fornecem uma estrutura para o mundo físico.

O futuro da matemática

Faz sentido que o pitagorismo esteja sendo redescoberto na física.

No século passado, a física tornou-se cada vez mais matemática, voltando-se para campos de investigação aparentemente abstratos, como a teoria dos grupos e a geometria diferencial, em um esforço para explicar o mundo físico.

À medida que a fronteira entre a física e a matemática se confunde, fica mais difícil dizer quais partes do mundo são físicas e quais são matemáticas.

Mas é estranho que o pitagorismo tenha sido negligenciado pelos filósofos por tanto tempo.

Eu acredito que isso está prestes a mudar. Chegou a hora de uma revolução pitagórica, que promete alterar radicalmente nossa compreensão da realidade.

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Atlantes: Os Deuses da Antiguidade

 

 

Mapa da Atlântida de Platão: uma ilha no meio do Atlântico que desapareceu nas águas 9 mil anos atrás. Todavia, segundo a Doutrina Secreta, essa ilha era apenas território remanescente de um continente muito maior, formado por dez ilhas e que existiu em uma era geológica remota, muito mais antiga, anterior ao surgimento do homo sapiens atual.

Em 30 de junho de 1915 os Atlantes foram o tema de um pequeno mas importante artigo que apareceu no Annual Report of the Board of Regents of The Smithsonian Institution [Relatório Anual do Conselho dos Regentes do Instituto Smithsoniano [Relatório Anual dos Membros do Conselho do Instituto Smithsoniano]*. Eram as notas da “hipótese Atlante”, um texto que, anos antes, em 1912, o autor, M. Pierre Termier, membro da Academy of Sciences [Academia de Ciências] e diretor do Service of the Geologic Chart of France [Carta Geológica da França – Cartografia] tinha apresentado ao Institut Océanographique [Instituto Oceanográfico]. Eis um trecho:

Depois de um longo período de desdenhosa indiferença, observa-se que nos últimos anos [início do século XX] a ciência volta a se interessar pelos Atlantes. Naturalistas, geólogos, zoólogos, botânicos, estão perguntando se Platão não teria registrado para a posteridade, com pequeno exagero, uma página da História da Humanidade. Nenhuma afirmação é, ainda, permitida; porém, parece cada vez mais evidente que uma vasta região, continental ou constituída de grandes ilhas, desapareceu a oeste das Colunas de Hércules, estreito de Gibraltar e que esse desaparecimento ocorreu em passado não muito distante. De todo modo, a questão dos Atlantes novamente se apresenta diante dos cientistas e eu creio que não poderá ser resolvida sem o auxílio da Oceaonagrafia. Por isso, é natural discutir isso aqui, no templo da ciência marítima, lembrando que essa hipótese, por longo tempo deixada de lado, agora, deve ocupar seu lugar entre os interesses dos oceanógrafos e daqueles que, imersos no tumulto das cidades puderem emprestar os ouvidos aos murmúrios distantes do mar.

No texto, Mr. Termier apresenta dados geológicos, geográficos e zoológicos que sustentam a Teoria Atlante. Se o leito do oceano Atlântico fosse drenado seria possível ver que seu relevo irregular, passando por terras emersas em uma linha que vai das Ilhas Açores à Islândia, é constituído de solo vulcânico até 3 mil metros de profundidade. A natureza vulcânica das ilhas e todo o território emerso e submerso hoje existentes no Atlântico reforçam a informação de Platão de que o continente Atlante foi destruído por um cataclismo tectônico-vulcânico. [Ou, segundo a linguagem ocultista, pela água e pelo fogo] Também o zoólogo francês M. Louis Germain, admitiu um continente Atlante conectado com a península Ibérica e a Mauritânia, prolongando-se rumo ao sul, incluindo regiões de clima desértico.

A descrição da civilização Atlante fornecida por Platão, em Crítias, pode ser assim resumida: no princípio dos tempos, os “deuses” dividiram a Terra entre si de acordo com suas respectivas dignidades [poderes e inclinações]. Cada um se tornou divindade principal em seu território onde foram erguidos templos, símbolo da grandeza daqueles “deuses”; templos dirigidos por cleros onde eram realizados rituais, entre os quais, os sacrifícios.

A Poseidon, coube o mar e a continental ilha chamada Atlântida. No centro da ilha existia uma montanha, morada de três seres humanos, primitivos filhos da Terra: Evenor, sua mulher Leucipa e sua única filha, Cleito. A donzela possuía grande beleza. Quando seus pais morreram, foi cortejada por Poseidon e desse namoro nasceram cinco pares de filhos [todos varões]. Poseidon, então, dividiu a ilha-continente em 10 distritos, um para cada filho e designou o mais velho, Atlas, imperador dos nove reinos, líder entre os irmãos. A ilha-continente foi, então, por desejo de Poseidon, chamada Atlântida e o oceano, Atlântico, em honra ao primogênito Atlas. O Império Atlante era geo-politicamente configurado em círculos concêntricos, alternando faixas de terra e faixas de água, marcando as diferentes zonas/reinos. Na região central, duas faixas de terra eram irrigadas por três anéis, de água: dois eram fontes de água morna; um de água fria.

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Ruínas submersas de uma civilização esquecida. Localizam-se nas águas das Bahamas. Na foto do meio, a famosa Estrada de Atlântida. Dir.: Poseidon ou Netuno [para os Romanos], como divindade, regente dos mares; historicamente, seria o fundador da Atlântida.

Platão falou, ainda, das pedras brancas, negras e vermelhas usadas na construção dos edifícios públicos e docas. Cada faixa de terra era delimitada por uma muralha tripla: a exterior, feita de bronze; a do meio, de estanho e a mulralha interior, voltada para a cidadela, era recoberta de oricalco [um mineral atlante misterioso hoje desconhecido]. Além de todos os palácios, templos e edificações preciosas, no centro do centro, havia um santuário dedicado a Cleito [Clito] e Poseidon. Ali tinha sido o local de nascimento dos 10 príncipes de Atlântida onde, todos os anos, seus descendentes entregavam oferendas.

Construção grandiosa da cidadela, o Templo de Poseidon era externamente revestido de prata e suas torres, de ouro. No interior, mármore, mais ouro e prata e oricalco, do piso às pilastras. O templo abrigava uma estátua colossal de Poseidon conduzindo os seis cavalos alados de sua carruagem, acompanhado de centenas de Nereidas cavalgando golfinhos. Nos jardins, estátuas de ouro representando os primeiros dez reis de Atlântida e suas rainhas.

Nos bosques e jardins, fontes de águas quentes e frias, e outros tantos templos dedicados a várias divindades, ginásios esportivos para homens e animais, banhos públicos e pistas para corridas de cavalos. Fortificações erguiam-se em pontos estratégicos dos círculos e um grande porto recebia navios de outras nações do mundo. Em Atlântida havia cidades/distritos tão populosas [os] que os sons de vozes humanas estavam sempre no ar.

A costa da ilha era constituída principalmente de terreno escarpado, muito íngreme mas a cidadela central era plana, rodeada de colinas de grande beleza. Os campos rendiam duas colheitas por ano: no inverno, alimentados por chuvas regulares e, no verão, irrigados pelo sistema de canais, que também era usado como via de transporte. Essas planícies eram divididas em secções; em tempos de guerra cada secção era protegida por um contingente de guerreiros e carruagens.

Na ordem geo-socio-política, os reis eram soberanos tinham total controle sobre seu próprio território mas suas relações mútuas eram regidas por um código, elaborado pelo primeiro rei de Atlântida e gravado em uma coluna de oricalco no templo de Poseidon. Em intervalos de tempo de cinco a seis anos, os reis peregrinavam até o templo. Na ocasião, cada um dos reis renovava seu juramento de fidelidade – diante do código sagrado.

Vestiam túnicas azul-celeste e sentavam-se para deliberar. Ao amanhecer, registravam suas decisões por escrito sobre tábuas de ouro, envolviam as tábuas nos mantos e guardavam tudo em um memorial. A lei máxima dos reis atlantes proibia a guerra entre os reinos-irmãos e estabelecia um compromisso de assistência mútua entre os reinos em caso de ataques externos. A decisão final sobre assuntos de guerra era uma atribuição exclusiva dos descendentes de Atlas, [o primogênito de Poseidon] mas nenhum rei tinha poder de vida e morte sobre os súditos sem o consentimento da maioria do Conselho dos Dez.

Platão finaliza seu relato contando que o grande império Atlante, um dia, atacou as cidades-estados gregas, fato que aconteceu em uma Atlântida já decadente, cujos reis haviam se desviado, irremediavelmente, dos caminhos da sabedoria e da virtude. Tomados por insana ambição, aqueles últimos reis desejaram conquistar todo o mundo. Então, [e aqui documento se mistura com lenda e alegoria], Zeus, percebendo a maldade, degeneração dos atlantes, reuniu os deuses na “santa morada”… E assim termina, em Crítias, abruptamente, a história de Platão sobre a Atlântida. No Timæus, a descrição do fim da Atlântida, mais generosa, é atribuída a Sólon, que teria obtido as informações de um sacerdote egípcio. Nesse texto, o fim da Atlântida e de seus reis ambiciosos e expansionistas precipita-se sob os desígnios de forças naturais; é o cataclismo:

Ocorreram violentos terremotos e inundações e, em um único dia e uma única noite de temporais todos os guerreiros atlantes desapareceram da face da Terra assim como a grande ilha-continente, que submergiu, engolida pelo mar. Essa é a razão pela qual o oceano, naquela região é impenetrável, intransitável, porque as águas, rasas, [aterradas] são densas e impregnadas de lama e lodo; porque ali afundou a grandiosa Atlântida.

Na introdução de sua tradução do Timæus, Thomas Taylor se refere a uma History of Ethiopia [História da Etiópia], escrita por Marcellus, onde a Atlântida é mencionada: Naquele tempo existiam sete ilhas no Oceano Atlântico. Eram ilhas consagradas aos deuses: uma “pertencia” a Proserpina; três outras, de enormes dimensões, eram as terras de Plutão, Amon e Netuno. Crantor [1], comentando Platão, lembra que, segundo os egípcios, a história do reino perdido foi escrita sobre os pilares que ainda restavam, nas ruínas das ruínas, 300 anos antes de Cristo. Ignatius Donnely, que estudou profundamente a Atlântida, acreditava que os cavalos foram animais domesticados pelos Atlantes e, por isso, os cavalos são, por tradição mítica, sagrados em associação com Poseidon.

1. CRANTOR: Filósofo grego que viveu em meados do século IV antes de Cristo.

Ocultismo ─ Altântida Esotérica: [Para muitos estudiosos], a análise da descrição de Atlântida por Platão não pode ser condiderada completamente histórica; antes, seria um relato onde documento histórico e alegoria se misturam. Orígenes, Porfírio, Proclus, Jâmblico e Syrianus entendem que Atlântida de Platão guarda um profundo mistério filosófico: a alegoria Atlante simbolizaria os Três Aspectos da Natureza, tando na dimensão do Universo quanto na dimensão do ser humano. Os dez reis do Império, os tetractys, representam os cinco pares de tendências opostas em conflito, no macrocosmo e no microcosmo [no homem ─ segundo Theon de Smyrna sobre a Doutrina Pitagórica dos opostos]. Os números, de 1 a 10 regem todas as criaturas e os números, por sua vez, estão sob o domínio da Monada – o número 1, o mais antigo, primeiro e gerador de todos os demais.

O cetro de Poseidon, o Tridente, representava o poder daqueles reis sobre os habitantes das dez ilhas [ou distritos?] que configuraram a geo-política atlante. Sete três ilhas menores e três de grandes dimensões que, um dia, abrigaram a civilização Atlante. Ainda do ponto de vista filosófico [e, opina este tradutor, que a interpretação parece um tanto forçada] ─ as três ilhas maiores referem-se aos Três Poderes da Divindade Superior ─ [tradição, como se vê, arcaica, que hoje figura na teologia de grandes religiões, como a trindade Santa do cristãos, a Trimurti hindu]. As sete menores, são os sete regentes que se submetem Àquele que ocupa o Trono [o Princípio de Todas as Coisas].

Considerando a Atlântida do ponto de vista arquetípico, sua submersão, significa a queda do homem racional, queda da consciência organizada na Ilusão, no Reino da impermanência, do irracional, da ignorância mortal. A queda de Atlântida e a alegorias bíblicas das “quedas” de homens e anjos significam a mesma coisa: submissão à matéria bruta e involução espiritual.

Toda essa simbologia não significa que a Atlântida seja apenas um mito. Porém, a imprecisão dos relatos, carência de evidências documentais e mesmo geológicas fazem com que o continente seja muito mais lendário que histórico; tanto mais que a Atlântida tornou-se uma espécie de lugar fantástico por causa das tradições sobre suas origens, dimensões, aparência e, ainda, as contradições de datas, entre esplendor de uma civilização e seu aniquilamento total. Em Platão, o último suspiro de Atlântida aconteceu a 9 mil e seiscentos anos antes de Cristo.

Não existem provas definitivas de que o Império Atlante, um dia, existiu. Todavia, os ecos de sua mitologia presentes nas Cosmogonias e Antropogêneses mais recentes depõem a favor de sua remota realidade. No centro do Império, localizado na ilha central, havia uma montanha grandiosa cuja sombra se projetava em uma área de cinco mil estádios cujo cume tocava uma esfera de æther [matéria espiritual refinada].

Ali era o eixo do mundo, lugar misterioso e sagrado para muitos povos [diferentes e distantes entre si]. A esfera simbolizava a cabeça do Homem onde se organizam os quatro elementos que constituem o corpo. Essa montanha sagrada dos Atlantes é a origem das montanhas sagradas da cultura religiosa de numerosas nações, como o Monte Olimpo dos gregos, o monte Meru do Tibete, Asgard dos nórdicos. A Cidade dos Portões de Ouro, capital de Atlântida, é Cidade dos Deuses; ou, a Cidade Santa, modelo da Nova Jerusalém, cujas ruas são pavimentadas com ouro e seus vinte portões, ornamentados com pedras preciosas.

Sobre essa herança de Atlântida, escreve o pesquisador do tema, Ignatius Donnely: “A história de Atlântida é a chave da mitologia grega. Parece fora de questão que os deuses olímpicos, gregos, foram seres humanos. A tendência de atribuir atributos divinos aos primeiros legisladores da nação é uma prática tradicional, faz parte da natureza humana e era mais do que natural no pensamento dos antigos”.

Donnely assinala, ainda, que as divindades do panteão grego não eram vistas como Criadoras do Universo mas, como regentes de diferentes esferas da vida humana, das emoções às atividades de subsistência [teriam sido os Mestres de uma Humanidade primitiva ou arrasada por desastres naturais].

O “Jardim do Éden”, os paraísos da cosmografia de tantas religiões, de onde os homens foram expulsos pela “espada flamejante” seria, então, uma reminiscência, lembrança das maravilhas de uma Atlântida que estava situada a oeste da Colunas de Hércules e que foi destruída por cataclismos vulcânicos. O Dilúvio, outro acontecimento mítico presente na cultura de muitos povos, corresponderia à inundação de Atlântida e, assim, o “mundo” foi destruído pelo fogo e pela água


Mistérios Atlantes

Nas profundezas do oceano Atlântico, jazem os restos de um continente. …Por todo o litoral atlântico ─ de ambos os lados do oceano ─ tribos e nações não conseguiram esquecer sua existência. …O nome, em grande número de línguas, quase sempre contém os sons A-T-L-N. …Lembranças de um continente desaparecido parecem ser instintivamente compartilhadas até por animais. …Aves, em suas migrações sazonais da Europa para a América do Sul, ficam circulando por sobre a mesma área do Atlântico, talvez à procura, sem sucesso, do local onde seus ancestrais um dia descansaram.

Um Nome ─ Um vestígio:

[Autores antigos, greco-romanos designavam] …as tribos do noroeste da África… como atalantes, atarantes. [Outros] autores clássicos, como atlantioi …As tribos berberes da África setentrional conservavam suas próprias lendas sobre Attala, um reino guerreiro localizado ao largo da costa africana, com ricas minas de ouro, prata e estanho, e que enviavam para a África não apenas esses metais, mas também exércitos conquistadores. Attala está agora submersa no oceano mas, segundo uma profecia, reaparecerá um dia.

Os bascos, habitantes do sudoeste da França e norte da Espanha, acreditam-se descendentes de Atlântida, a que chamam Atlaintika. Marinheiros fenícios e cartagineses eram notoriamente familiarizados com uma próspera ilha ocidental por eles chamada Antilla. Nos Puranas e no Mahabaratha indianos existem referências a Attala ─ a Ilha Branca ─ continente localizado no oceano ocidental. Nas Américas Central e do Sul e parte do território do México, os nativos, astecas, se acreditavam originários de Aztlán, uma ilha que para eles situava-se no oceano oriental.

Herança Atlante: É possível que religião, filosofia e conhecimentos científicos dos sacerdotes da Antiguidade sejam uma herança da civilização Atlante que foi aniquilada levando para o fundo do mar, quase sem deixar vestígios, uma grandiosa página da história da espécie humana. Os Atlantes adoravam o sol, devoção que foi perpetuada entre pagãos e cristãos. A cruz e a serpente eram [e ainda são] emblemas que, entre os atlantes, representavam a sabedoria divina.

Mitologias de muitas nações falam de deuses que “vieram do mar”. Entre nativos americanos, especialmente América Central e América do Norte, os shamans falam de homens adornados com plumas e conchas que saem das águas oceânicas para instruir o povo sobre artes e ofícios. Entre os caldeus [Mesopotâmia], existe Oannes, criatura meio homem, meio anfíbio, que sai do mar para instituir entre os selvagens os princípios da civilização: escrita, leitura, cultivo do solo, cultivo de ervas curativas, a ciência da astronomia, as formas de governo e os mistérios sagrados da religião. Também “deus-Salvador” maia, Quetzalcoatl, saiu do mar e, depois de instruir e civilizar o povo, subiu ao céu e voou, de volta ao mar, à bordo de um barco mágico conduzido por serpentes para escapar da ira do “Espelho Flamejante”, o deus Tezcatlipoca.

Muitos estudiosos acreditam que esses “iniciadores”, “deuses-mestres”, semideuses que povoam as Eras Míticas, foram sacerdotes, homens de ciência ou apenas homens acostumados com artefatos e instituições da civilização que sobreviveram ao aniquilamento da Atlântida. Em todo o mundo, esses Mestres são lembrados como seres gloriosos, que usavam jóias, ouro, de sabedoria assombrosa e que tinham como símbolos do sagrado a cruz e a serpente.

Nos lugares onde viveram, esses Mestres promoveram a construção de pirâmides e templos que remetem à descrição do Grande Santuário da Cidade das Portas Douradas. Essa seria a origem das pirâmides do Egito, México e América Central [e outras, pouco faladas, como as pirâmides Chinesas]; o mesmo se aplica aos mounds [colinas artificiais] da Normandia e da Bretanha e numerosas edificações piramidais espalhadas por todo o globo. Possivelmente, o cataclismo que destruiu Atlântida aconteceu em meio a um processo de colonização, expansão territorial dos Atlantes. Sacerdotes Iniciados da Sagrada Chama, “missionários”, que prometeram voltar às suas colônias, nunca retornaram; e depois do intervalo de séculos a tradição manteve apenas relatos fantásticos sobre deuses que vieram do mar e voltaram ao mar.

A ocultista e pioneira da teosofia no Ocidente, H. P. Blavatsky, escreveu sobre as causas esotéricas da destruição da civilização Atlante correspondente à Quarta Raça Humana [a atual é a Quinta]: “Sob a influência do mal [corrupção] a raça Atlante tornou-se uma nação de magos negros. A primeira consequência foi a guerra. Essencialmente, essa situação foi desfigurada em alegorias como a saga de Caim, os Gigantes, Noé, sua retidão de caráter e sua missão de preservar as sementes da Humanidade em uma Arca.”

A Natureza [Deus] acabou com a guerra e a corrupção afundando a Atlântida em meio ao caos das erupções vulcânicas, terremotos e maremotos. A lembrança dessa tragédia aparece nos livros sagrados contemporâneos, nos Dilúvios, de Gilgamesh ao Antigo Testamento judaico-cristão. A herança Atlante, não é, portanto, um baú de maravilhas: artes, tecnologia, ciências, filosofia, religião; também ódio, conflitos, intolerância, competição, discórdia, perversão constituem um legado desses ancestrais.

Os Atlantes teriam instigado a primeira guerra do mundo; todas as outras guerras subseqüentes foram travadas como esforço infrutífero de justificar aquela primeira e consertar/compensar prejuízos sofridos. Antes da submersão da Atlântida, uma minoria de Iluminados, percebendo que sua terra estava definitivamente amaldiçoada, desviada do Caminho da Luz, migraram para lugares distantes levando consigo a “Doutrina Secreta” de todos os saberes. Entre estes refugiados, houve os que se estabeleceram no Egito onde converteram-se, perante o entendimento do povo, nos “divinos legisladores”. Outros, em outras partes do mundo, desempenharam papel semelhante gerando essa misteriosa cultura global que permeia a evolução de todas as grandes nações e impérios na história da Humanidade atual.

Fonte: Sofa da sala

Atlantis and the Gods of Antiquity por Manly P. Hall
IN The Secret Teachings of All Ages, 1928
tradução e adaptação: Ligia Cabús

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Rev. Ângelo Medrado, Bacharel em Teologia, Doutor em Novo Testamento, referendado pela International Ministry Of Restoration-USA e Multiuniversidade Cristocêntrica é presidente do site Primeira Igreja Virtual do Brasil e da Igreja Batista da Restauração de Vidas em Brasília DF., ex-maçon, autor de diversos livros entre eles: Maçonaria e Cristianismo, O cristão e a Maçonaria, A Religião do antiCristo, Vendas alto nível, com análise transacional e Comportamento Gerencial.