
A Igreja Ortodoxa Grega é uma das instituições cristãs mais antigas do mundo, considerada por seus fiéis como a continuação direta da comunidade cristã estabelecida pelos apóstolos de Jesus.
Para entender no que eles creem e como surgiram, é preciso olhar para a história do Império Bizantino e para a teologia dos Primeiros Pais da Igreja.
1. Origem Histórica: A Sucessão Apostólica
A Igreja Ortodoxa Grega traça sua linhagem até os cinco grandes centros do cristianismo primitivo (a Pentarquia): Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém.
• Fundação: Eles acreditam que a Igreja foi fundada no dia de Pentecostes.
• O Grande Cisma (1054): Este é o ponto crucial. Após séculos de tensões políticas e teológicas, a Igreja do Oriente (Constantinopla) e a Igreja do Ocidente (Roma) se separaram formalmente. Os ortodoxos mantiveram a estrutura de “Igrejas Autocéfalas”, onde não existe um Papa com autoridade universal, mas sim bispos que governam suas próprias regiões em comunhão.
2. No que creem: A Teologia Ortodoxa
A fé ortodoxa é profundamente baseada na Tradição (com “T” maiúsculo), que inclui a Bíblia, os decretos dos sete primeiros Concílios Ecumênicos e os escritos dos Santos Padres.
A Natureza de Deus e a “Filioque”
Uma das maiores diferenças em relação ao Catolicismo e ao Protestantismo é a cláusula Filioque. Os ortodoxos creem que o Espírito Santo procede apenas do Pai, enquanto os ocidentais dizem que procede “do Pai e do Filho”. Para a ortodoxia, alterar o Credo original sem um concílio universal foi um erro teológico grave.
Theosis (Deificação)
O objetivo final da vida humana na visão ortodoxa é a Theosis. Eles acreditam que o ser humano foi criado para se tornar cada vez mais semelhante a Deus, participando de Suas “energias divinas”, embora nunca de Sua essência. Como dizia Santo Atanásio: “Deus se tornou homem para que o homem pudesse se tornar deus”.
A Liturgia e os Ícones
A adoração ortodoxa é intensamente sensorial.
• Ícones: Não são apenas quadros, mas “janelas para o céu”. Eles não adoram a madeira ou a tinta, mas veneram a pessoa representada.
• Mistério: Diferente do cristianismo ocidental, que muitas vezes tenta explicar Deus racionalmente, a ortodoxia abraça o “Mistério” e a teologia apofática (falar do que Deus não é, por ser infinito).
3. Estrutura e Prática Atual
Hoje, a Igreja Ortodoxa Grega faz parte da comunhão maior das Igrejas Ortodoxas Orientais. O Patriarca Ecumênico de Constantinopla (hoje Istambul) é considerado o “primeiro entre iguais”, mas ele não tem poder de comando sobre os outros patriarcas, como o de Alexandria ou Antioquia.
• Calendário: Muitas práticas ainda seguem o calendário Juliano para festividades como a Páscoa, resultando em datas diferentes da Igreja Católica.
• Clero: Bispos devem ser celibatários (geralmente monges), mas homens casados podem ser ordenados padres.
