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30/11/2011 – Dia do Evangélico

Correio Braziliense – 28/11/11

Evangélicos de Brasília

Tem gente que pensa que evangélico só vai à igreja para participar dos cultos aos domingos. Esse é um dia separado, mas as atividades nos templos da cidade são diárias. Tem trabalho para todas as idades e gostos dentro das igrejas. E tem voluntários para todas as tarefas. As mulheres, por exemplo, fazem chá, congressos, culto semanal, bazar, culto da noiva, do bebê e por aí vai.
Os músicos enchem os templos de melodia com os ensaios das equipes. Guitarra, saxofone, bateria, vocal. Muito mais do que cantar bem, eles têm um estilo de vida de adoração a Deus.
A moçada ligada na dança leva aos púlpitos a leveza da adoração por meio do movimento. Com roupas coloridas, fazem dança profissional aos passos do balé, street dance, entre outros estilos. E os corais? Têm beleza singular. Toda igreja evangélica que preze a boa música investe na formação de coros. Os coralistas são pessoas dedicadas à música e enchem de alegria a igreja. Isso sem falar nas cantatas e musicais especiais que celebram datas importantes no calendário cristão como Natal, Páscoa, entre outras.
Para as crianças, muita pipoca, contação de histórias bíblicas, pintura de desenhos, acampamentos onde se divertem com caça ao grilo, desfile de pijama, guloseimas, banho de piscina, brinquedos infláveis.
Os adolescentes já combinam nas redes sociais se encontrar nos cultos e depois sair para lanchar juntos. Vale sanduíches, pizzas e até aquele cachorro-quente nas barraquinhas espalhadas pela cidade. Vale também ver um filme com a turma, seja em casa seja nos cinemas.
Para os homens, cursos diversos de como desenvolver uma liderança sadia e aprovada pela família. Aliás, família é valorizada no meio do segmento. Elas formam a base da igreja assim como a da sociedade. Pais e mães evangélicos têm a oportunidade, dentre os trabalhos desenvolvidos para esse público, de fazer cursos sobre finanças, educação dos filhos seguindo os sábios conselhos da Bíblia. Casais também têm seu momento de descontração nos jantares organizados para celebrar o amor. Todas as igrejas evangélicas investem nas famílias. Datas como o Dia dos Namorados não passam em branco entre os casais. Jantares românticos são promovidos para aproximar, ainda mais, os que se amam.
As atividades sociais também são outro ponto forte dos evangélicos. Sem medo de errar, afirmo que a igreja sempre chega aonde o braço do Estado brasileiro não alcança. Os dependentes químicos são um exemplo, pois não têm clínicas públicas adequadas para se recuperarem. Mas os evangélicos oferecem vários trabalhos voltados para a saúde e bem-estar dos alcoólatras, detentos, dependentes químicos, crianças órfãs, idosos. Pastores e seus liderados organizam campanhas de arrecadação de roupas, alimentos não perecíveis, brinquedos, produtos de higiene pessoal, cobertores, sapatos e fazem a distribuição gratuita para abrigos, creches, casas de recuperação e presídio.
Ser evangélico é isso. Amor ao próximo, disposição em servir, prezar pela ética. Quem pensa que é receber privilégios ainda não leu a Bíblia. Jesus ensina a humildade, o serviço em favor do outro, prega a paz, o acordo, a harmonia. As igrejas evangélicas têm muitos problemas, pois somos seres humanos também, mas têm virtudes que merecem ser destacadas com pessoas sérias e honradas que não aparecem diariamente na mídia. São anônimos que trabalham voluntariamente, à sombra, sem exposição dos holofotes da TV, por amor, doando-se em favor do outro. Aos evangélicos sérios e éticos, aos pastores que sabem que têm um ministério em amor e estão realmente trabalhando para o Reino de Deus e não para interesses próprios, o meu abraço. Dia do Evangélico, 30 de novembro de 2011. Tempo de celebrar Jesus, nosso Salvador.
Denise Santana, evangélica, jornalista e professora

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Artigo "História Truncada: a Inquisição não existiu, é invenção dos leigos" –

 Por Alberto Dines, do Observatorio da Imprensa

por Jornal ALEF – Israel e o Mundo Judaico, terça, 29 de Novembro de 2011 às 10:32

Incrível, aterrador: o 16º capítulo da serie histórica “Jornais em Pauta”, publicada quinzenalmente pelo Valor Econômico, parece ter sido montado segundo os paradigmas do Dr. Joseph Goebbels, zelosamente imitados pela Academia de Ciências da ex-URSS e inspirados no patriarca do conservadorismo e do fascismo, Joseph de Maistre (1753-1821). A surpreendente tese: quem impediu o estabelecimento de tipografias e jornais no Brasil antes de 1808 foi a Coroa, o Estado português. Não houve censura episcopal, não houve censura inquisitorial, não houve nenhum “Rol de Livros Proibidos”, não houve Inquisição. O sanguinário aparelho repressor chamado Santo Ofício estabelecido em 1536 e mantido até 1821 em Portugal e territórios ultramarinos é pura ficção. Os cardeais-inquisidores não existiram, os comissários não tinham poder para examinar os livros que chegavam nos navios, a monarquia absolutista portuguesa era a única responsável pelo que poderia ser ensinado e difundido. A fabricação da mentira torna-se cada vez mais sofisticada não por causa das novas tecnologias, mas porque estas tornam as pessoas cada vez menos interessadas em absorver conhecimentos.

O autor da proeza revisionista e negacionista publicada num dos mais sofisticados suplementos culturais da imprensa brasileira valeu-se de um engenhoso e perverso artifício retórico: como na América espanhola as tipografias foram instaladas a partir do século 16 (a primeira, no México, em 1583), o déficit de liberdade na América portuguesa só pode ser atribuído à Corte. Grande parte do texto, cerca de dois terços, está maliciosamente montado em cima de citações de eminentes historiadores patrícios, genialmente manipuladas para reforçar a ideia de que a Coroa portuguesa é a única vilã do nosso atraso intelectual e jornalístico. Difícil acreditar que na vasta bibliografia de Sérgio Buarque de Holanda e de Nelson Werneck Sodré não conste qualquer referência ao protagonismo do Santo Ofício (portanto, da igreja católica) no controle dos corações e mentes dos brasileiros e brazilienses. Pinçar na Sociologia da Imprensa Brasileira, de José Marques de Melo, a frase de que no Brasil colonial não havia tipografias “porque não eram necessárias” é, na melhor das hipóteses, um recurso capcioso.

Isabel Lustosa é, hoje, a mais diligente e esmerada historiadora da imprensa brasileira, coeditora dos 31 volumes com a reprodução integral do Correio Braziliense e valiosos estudos sobre Hipólito da Costa. Dela, os editores de Valor só encontraram um conceito digno de ser incluído no seu seriado quinzenal: “O Brasil era um dos poucos países do mundo, excetuados os da África e Ásia, que não produziam palavra impressa”. Onde está dito que a culpa do atraso foi exclusivamente da Coroa? Onde exime ela o Santo Ofício de ser a matriz da nossa vocação censória? Este tipo de trambique argumentativo ficaria muito bem num boletim do Opus Dei, mas discrepa num veículo destinado à formação da elite empresarial brasileira.

O autor (ou autores) ignora(m) que a Inquisição espanhola, diferentemente da portuguesa, era menos centralizada e menos burocratizada. O Santo Ofício lusitano manteve apenas um tribunal fora do território continental (em Goa, Índia); o espanhol permitiu a instalação de três filiais no Novo Mundo (México, Cartagena, Lima) e, graças à fiscalização descentralizada, podia se dar ao luxo de autorizar a instalação de tipografias para a impressão de obras evangelizadoras, criação de universidades e circulação de periódicos a partir do século XVII. As doutrinas que inspiravam as duas entidades inquisitoriais eram as mesmas, colaboravam ativamente entre si (como atesta o caso da loucura e morte do santista Bartolomeu de Gusmão, o “Padre Voador’), mas as mentalidades eram diferentes. A Espanha era uma potência europeia e o seu império global deveria contar com uma flexibilidade administrativa que o mirrado reino português só adotou quando a família real fugiu para o Brasil.

Quem encarcerou o padre Antonio Vieira não foi a Coroa portuguesa, mas a Inquisição portuguesa. Quem mandou prender e depois executar o comediógrafo – nascido no Rio de Janeiro – Antonio José da Silva, “O Judeu”, não foi D. João V (satirizado na ópera O Anfitrião, montada em 1736), mas o cardeal inquisidor D. Nuno da Cunha, por meio de uma ordem verbal (como está em seu processo). Quem decidiu que fosse executado num auto da fé não foi a justiça secular, mas os inquisidores que lhe ofereceram o direito de escolher entre o garrote e a fogueira. Aqui, na colônia portuguesa, bispos e comissários do Santo Ofício mandavam e desmandavam, os governadores obedeciam: cuidavam de defender o território, proteger riquezas e cobrar impostos. O resto ficava por conta dos Familiares do Santo Ofício e, sobretudo, do sistema de delações oriundo dos confessionários. O quadro modificou-se quando esse despotismo clerical foi substituído pelo “despotismo esclarecido” do Marquês de Pombal (1750). Tarde demais, o país estava atrasado 250 anos. O bravo historiador e o prestigioso veículo que ousaram quebrar o tabu relativo à história da imprensa brasileira conseguiram a façanha de manter sob sigilo absoluto, ao longo de 32 semanas consecutivas, o nome do primeiro periódico a circular sem censura no Brasil e em Portugal, o Correio Braziliense. O nome de seu editor-redator, Hipólito da Costa – o patriarca da imprensa brasileira –, até o fascículo 16 só foi mencionado, de passagem e esguelha, uma única vez. Recorde de secretismo que só encontra rival nas ordens de prisão determinadas pelos tribunais do Santo Ofício.

Hipólito da Costa era funcionário da Coroa, mas por ser maçom foi preso pela Inquisição lisboeta (1802). O relato que publicou em português e inglês sobre os interrogatórios a que foi submetido é uma arrasadora denúncia contra os métodos medievais empregados pelos esbirros inquisitoriais. O desenvolvimento do Brasil atrasou unicamente por conta do atraso da teocracia portuguesa. A melhor prova está no episódio que resultou no desmantelamento de uma tipografia no Rio de Janeiro (1747-1749) pertencente a um dos melhores impressores portugueses, Antonio Isidoro da Fonseca, misteriosamente transferido para a capital da colônia. Se essa oficina continuasse a sua atividade, a história da multiplicação das ideias no Brasil e a própria história política do país seriam drasticamente diferentes. Para melhor.

O estúpido e devasso D. João V ainda reinava, quem deu a ordem foi o Santo Ofício português, quem a recebeu e executou foi o respectivo comissário que convocou o desgraçado impressor para dizer-lhe que não poderia editar livros e outros escritos. O documento (foto) que confirma a truculência foi encontrado por este observador nos “Cadernos do Promotor da Inquisição de Lisboa”. Publicado e analisado em livro (“Em Nome da Fé”, Editora Perspectiva, 1999), demoradamente exibido no documentário de Silvio Tendler (“Preto no Branco – A censura antes da imprensa”) e extensamente discutido na série de três programas do Observatório da Imprensa que comemorou os 200 anos da imprensa brasileira. Valor não publicou um equívoco, publicou uma mistificação. Não foi acidental, foi determinação das esferas superiores – ou inspiração divina –, as mesmas que decidiram há três anos que não se devia comemorar o bicentenário da imprensa brasileira para não lembrar o obscurantismo religioso que produziu nossa carência intelectual e jornalística. Registre-se um avanço: caiu o embargo sobre o assunto. E magicamente descobre-se que o controle religioso aumentou nosso atraso para cinco séculos. Mais precisamente 511 anos (308+200+3). Logo seremos iguais ao Suriname.

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Abaixo, os “Cadernos do Promotor da Inquisição de Lisboa”

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JORNAL ALEF – ISRAEL E O MUNDO JUDAICO

 

Criado em 1995 pelo jornalista Mauro Wainstock, o Jornal ALEF é direcionado aos leitores interessados em informações sobre judeus, judaísmo, o mundo judaico e o Estado de Israel. Publica notícias, estimula debates e promove eventos sócio-culturais. São 70.000 assinantes em 40 países, além dos mais de 10 mil seguidores nas redes sociais.

O Jornal ALEF é, de acordo com manifestação expressa da ONU, “fonte de referência séria para veículos nacionais e internacionais”. Entre eles está o francês Le Monde, que frequentemente reproduz reportagens publicadas no Jornal ALEF. São muitos os reconhecimentos, entre os quais mensagens do presidente Lula (“Parabéns à equipe que dá vida ao Jornal ALEF”), da Unesco (“O Jornal ALEF é um instrumento de informação transparente sendo de extrema importância”), do Congresso Judaico Latino-Americano (“Ese soberbio informativo, de lectura imprescindible, que enaltece a la comunidad judía brasileña y a la prensa judía del continentee”) e de muitas outras autoridades. Entre os prêmios e homenagens recebidas estão: “Moção de Louvor”, “Honra ao Mérito”, “Certificado de Excelência”, “Medalha de Mérito Pedro Ernesto”, “Prêmio Adolpho Bloch de Jornalismo”, “Prêmio Homem de ação, homem de valor”, “Moção de Louvor-Embaixador da Paz no Mundo”.

Site: http://www.jornalalef.com.br

Newsletter gratuita: [email protected]

Twitter: http://twitter.com/jornalalef

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Judeus Conservadores Começam a Pensar Em Casamento Gay

 

Por Ana Araújo|Repórter do The Christian Post

Com a expansão da liberdade sexual, as religiões vem sendo cada vez mais atingidas. Um grupo de judeus conservadores, em Portugal, já começam a aceitar o casamento gay, e, inclusive, estão preparando um modelo de cerimônia voltado para este público.

Este ramo do judaísmo passou a aceitar os direitos LGBT em 2006, mas só agora planejam o casamento. Mesmo assim, muitos vêm criticando os rabinos por seguirem o modelo heterossexual, sem muitas diferenciações.

Ativistas do LGBT alegam que algumas passagens da cerimônia são sexistas, pois tradicionalmente, nas cerimônias de casamento, ou kiddushin, o homem é descrito como sendo o dono da mulher.

Os gays e lésbicas querem que os rabinos aproveitem a oportunidade para criar uma liturgia mais contemporânea promovendo uma linguagem mais equalitária para todos e todas.

No entanto, os religiosos alegam que ambas as cerimônias devem seguir as mesmas normas sagradas, com diferenciações específicas, como nos figurinos, por exemplo. Os rabinos estão preparando um documento para oficializar as mudanças que deverá ser votado durante uma reunião em 2012.

Diversos rabinos mostraram cepticismo à forma como a cerimônia trata das questões de gênero, incluindo aqueles que não querem a cerimônia para casais do mesmo sexo igual à de casais de sexo diferente.

Enquanto isso, casais homossexuais vão realizando as suas próprias cerimônias de casamento dentro do judaísmo. E muitas vezes esbarram com como kiddushin trata de forma muito diferente o noivo e a noiva.

O ramo conservador é um ramo mais moderado do judaísmo, com o judaísmo reformista mais liberal, e que já há muito acolheu gays e lésbicas, e do movimento ortodoxo que tem mais problemas de base com as questões LGBT.