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Análise: A estrutura financeira das religiões

 

Rachel McCleary

Pesquisadora de religião e economia da Universidade de Harvard

Atualizado em  30 de agosto, 2011 – 11:33 (Brasília) 14:33 GMT

Foto: BBC

As principais religiões do mundo incentivam a acumulação de riquezas

A religião é uma instituição financeira tanto quanto espiritual. Sem doações dos fiéis, as religiões como organizações sociais não sobreviveriam.

Não é surpreendente que as maiores religiões do mundo – Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Budismo e Hinduísmo – promovam a acumulação de riquezas através de seus sistemas de crenças, o que contribui para a prosperidade econômica.

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Incentivos espirituais como a danação e a salvação são motivadores eficientes. Por isso, religiões que dão ênfase à crença no inferno são mais propensas a contribuírem para a prosperidade econômica do que as que enfatizam a crença no paraíso.

As religiões que têm foco na crença no paraíso dão mais importância a atividades redistributivas (caridade) para diminuir o tempo das pessoas no inferno e chegar mais perto do paraíso.

Já o incentivo que se baseia na crença no inferno parece mais eficiente para o comportamento econômico, porque motiva os fiéis a trabalhar mais duro para evitar a danação.

Arrecadação

A estrutura organizacional, assim como o sistema de crenças de uma religião, afeta diretamente sua habilidade de arrecadar fundos dos fiéis.

A riqueza das religiões, de maneira muito semelhante à riqueza das nações, depende da estrutura de sua organização. Mas, diferentemente das corporações, as finanças das religiões não são transparentes para o público nem são monitoradas.

Algumas estruturas religiosas são hierárquicas como a da Igreja Católica Romana, com a concentração de riqueza no clero e no Papado. Por contraste, as igrejas evangélicas e pentecostais favorecem um acúmulo de riqueza de pai para filho.

O famoso evangelista americano Billy Graham e seu filho William Franklin Graham 3º, que assumiu a presidência da associação evangelista do pai, são um exemplo de como o poder espiritual e a riqueza de uma religião são mantidos pelos laços familiares.

Fiéis fazem doação do dízimo na Nigéria.

Religiões monoteístas usam a experiência coletiva como forma de pressionar os fiéis para a doação

Outras organizações tendem a ser descentralizadas e comunitárias por natureza, como o judaísmo, com as sinagogas locais mantendo a autonomia sobre as finanças.

Mas as religiões coletivas, como as monoteístas, requerem a crença exclusiva em um só Deus e contam financeiramente com tributos e doações voluntárias de seus membros.

Como consequência, um templo, igreja ou mesquita exerce pressão coletiva e outros tipos de sanções grupais para garantir a ajuda financeira contínua dos fiéis à religião.

No entanto, uma dificuldade constante enfrentada pelas religiões é que muitos membros decidem agir de acordo com sua própria vontade e não dar apoio financeiro.

Outro tipo de estrutura religiosa é a privada ou difusa. Hinduísmo e budismo são religiões privadas, em que os fiéis realizam atos religiosos sozinhos e pagam uma taxa para um monge pelo serviço.

Nestes casos, as atividades religiosas são partes da vida diária e podem ser feitas a qualquer momento do dia. Elas não requerem nem um grupo de fiéis nem a presença dos monges.

Estas religiões privadas tendem a ser politeístas e sustentadas financeiramente pelo pagamento de uma taxa de serviço.

Apoio do Estado

"Sem doações dos fiéis, as religiões como organizações sociais não sobreviveriam."

Rachel McCleary

Religiões com muitos recursos, como por exemplo o catolicismo romano e o islamismo, historicamente foram – algumas vezes – monopólios financiados pelo Estado.

A regulação da religião pelo Estado pode reduzir a qualidade das vantagens espirituais na medida em que aumenta a capacidade da religião de acumular riqueza. Mas uma religião subsidiada pelo Estado pode ter um efeito positivo na participação religiosa.

Por exemplo, os governos da Dinamarca, Suécia, Alemanha e Áustria subsidiam muitas religiões para a manutenção de suas propriedades, a educação do clero e os serviços sociais.

Mesmo que isso não necessariamente aumente o número de pessoas que frequentam a igreja, o investimento financeiro do Estado nas instituições religiosas aumentou as oportunidades das pessoas de participarem de atividades patrocinadas pela religião.

 

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Gurus indianos movimentam indústria milionária

 

Rupa Jha

BBC News Bangalore

Atualizado em  30 de agosto, 2011 – 11:28 (Brasília) 14:28 GMT

Sri Sri Ravi Shankar

Sri Sri Ravi Shankar foi considerado o oitavo líder indiano mais importante

"Posso abraçá-lo?", perguntou Shruti, uma menina pequena de Nova Déli. Ela estava praticamente engasgando no desespero para conseguir uma audiência com seu guru.

Mas a grande multidão de muitos milhares tornou impossível para ela alcançá-lo. A menina parecia desesperada para conseguir chegar perto do homem por quem viajou de tão longe para ver.

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Shruti é uma das muitas devotas de Sri Sri Ravi Shankar, um dos mais populares líderes espirituais da Índia moderna. Popular não somente no país, mas com presença também em outros 150 em vários continentes, com milhões de seguidores.

Ele é famoso pelo que chama de "Programa da Arte de Viver", destinado a "aliviar as angústias urbanas" por meio do uso da meditação.

Líderes espirituais não são novidade na Índia onde há mais deles per capita do que em qualquer outra nação do planeta.

Mas o que mudou recentemente é que não falamos mais apenas de um sistema de crenças e fé pessoal. É uma indústria em expansão avaliada em milhões de dólares.

Hoje há inúmeros produtos derivados que vêm destes gurus, como CDs de música e vídeos, turismo e canais de TV até portais espirituais que permitem aos fiéis um contato maior com seu deus pela internet.

A sede do império de Sri Sri Ravi Shankar ocupa um área impressionante de mais de 40 hectacres na cidade de Bangalore, no sul da Índia.

Seguidores do guru Sri Sri Ravi Shankar

Milhares de seguidores são atraídos até o complexo para ver o guru

Há um grande Ashram onde os sábios vivem em paz, vários "centros de recursos" e uma escola veda (escrituram que forma a base do hinduísmo). O local tem também uma grande cozinha que alimenta cinco mil devotos por dia.

Andando pelo complexo, outra coisa que impressiona é grande variedade de produtos desenvolvidos, como protetores solar, shampoos e remédios.

O professor e escritor Dipankar Gupta vem seguindo esse fenômeno de fusão entre religião e espiritualidade que ele chama de "indústria de vários milhões de dólares" que inclui alguns gurus muito ricos.

Sri Sri Ravi Shankar, por exemplo, foi classificado pela revista Forbes como ocupando a oitava posição entre os líderes indianos mais importantes.

O professor Gupta acredita que um dos motivos do crescimento da influência dos gurus é que eles preenchem um vazio deixado pelo Estado. Muitos fornecem auxílio social, educação e assistência médica a pessoas que não teriam acesso a esses serviços.

Gupta critica o fato de que "alguns destes gurus vivem em opulência". Ele acredita que isso "não combina com uma personalidade espiritual".

Opulência x conforto

Me perguntei como Sri Sri Ravi Shankar se sentia sobre o dinheiro e sobre ocupar posição tão importante em algo tão espiritual.

Ele me disse que a "espiritualidade não tem preço, mas mesmo assim algumas taxas são mantidas para cobrir as despesas do programa e não há nada de errado nisso".

Quando o perguntei sobre o montante envolvido, ele desenvolveu o raciocínio de forma poética.

Produtos relacionados ao guru

Muitos produtos relacionados ao guru são vendidos no complexo

"A opulência é contra a espiritualidade, mas o conforto não. Austeridade não precisa significar sofrimento. Você não deve viver em um barraco com vazamentos no teto e passando frio com apenas um cobertor. Isso não é sinal de espiritualidade."

"Quando está quente você não precisa ficar sob o sol para ser espiritual… você pode ter ar condicionado. Não tem problema!"

Essas contradições aparentes não parecem ter influência sobre os milhares de devotos que dançam sob o céu aberto, meditando com seu guru e comendo uma dieta de arroz e lentilhas vindas da cozinha do próprio guru.

Todos eles têm o ar de pessoas que sentiam estar recebendo algo pelo dinheiro pago.

No entanto, Nitish Kashyap, um jovem estudante em busca de respostas para suas questões, ficou decepcionado.

"No ambiente do campo, era fácil se sentir relaxado, mas uma vez de volta para minha vida real, percebi que nada em mim havia mudado… foi uma perda de dinheiro", disse ele.

Mas Nitish parece uma enorme exceção entre os outros seguidores do guru.

Qualquer que seja seu valor espiritual, uma estratégia competente de marketing e publicidade certamente os ajudaram a ter um papel importante na Índia contemporânea e ter um séquito cada vez maior.

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Bandidos invadem mais uma Igreja evangélica em São Paulo

 

Bandidos invadiram mais uma igreja evangélica no último sábado, 27, em Várzea Paulista, a 62 km de São Paulo. Foi o segundo caso em dois dias. Segundo a polícia, dois homens armados entraram no templo e renderam fiéis e pastores. Eles levaram uma TV de plasma, dois notebooks e celulares.

Na sexta-feira, uma quadrilha também armada entrou em outra igreja. Eles recolheram dinheiro de banco em banco com uma sacola, além de levar carteiras, celulares e relógios de 30 pessoas. Na tesouraria, pegaram R$ 20 mil do cofre. A polícia acredita que os assaltantes tinham informações privilegiadas. Ninguém foi preso até agora.

Data: 30/8/2011 08:48:26
Fonte: O Globo