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Instituto Seti volta a buscar ETs com nova doação

 

Folha.com

FERNANDA EZABELLA
ENVIADA ESPECIAL A MOUNTAIN VIEW

Cartazes com fotos de satélites, nebulosas e naves espaciais recebem o visitante que chega ao prédio de dois andares do Instituto Seti, na pacata Mountain View, cidade-sede de diversas empresas de tecnologia no vale do Silício, norte da Califórnia.

Réplicas de discos voadores e bonequinhos de alienígenas ficam discretos nas prateleiras de alguns cientistas do instituto, uma organização privada sem fins lucrativos que, desde 1984, busca sinais de vida inteligente fora da Terra.

"Há uma boa chance de haver vida lá fora. Se eu não acreditasse nisso, atravessaria a rua e dobraria meu salário trabalhando para alguma dessas firmas tecnológicas", diz Seth Shostak, astrônomo-sênior do grupo, que tem uma placa da Área 51 pendurada em seu escritório abarrotado de livros técnicos. "Isto é uma opinião, não é ciência. Mas ciência funciona assim. Se você não tiver a crença, não é motivado para ir atrás dos dados, das provas. É isso o que fazemos."

A principal arma de pesquisa do Seti é um conjunto de 42 antenas instaladas num observatório do extremo norte do Estado, chamadas de Conjunto de Telescópios Allen, em homenagem a Paul Allen, cofundador da Microsoft e doador de US$ 25 milhões para o projeto de US$ 50 milhões.

O complexo começou a funcionar em 2007 em parceria com a Universidade da Califórnia em Berkeley, que conduzia experimentos científicos paralelos aos de busca de sinais extraterrenos. Porém, com o corte no orçamento, a UC foi obrigada a se retirar, e as antenas foram desligadas em abril.

Neste mês, doadores particulares deram ao Seti cerca de US$ 200 mil para colocar as antenas de volta em ação, ainda que apenas só até o final do ano. Entre os doadores estava a atriz Jodie Foster, que no filme "Contato" (1997) faz o papel de uma cientista inspirada em Jill Tarter, uma das fundadoras do Seti e pioneira da astrobiologia, um ramo científico de estudo da vida no universo.

"Será um desafio ano a ano para conseguir dinheiro para manter o conjunto", disse Tom Pierson, diretor administrativo do Seti, numa ampla sala decorada com um globo de metal e uma foto da Terra tirada da Lua. "Mas temos outros fundos a caminho, como um trabalho que faremos para a Força Aérea. Estamos procurando outros contratos como este."

Segundo Pierson, as antenas vão ajudar o governo a coletar dados sobre satélites e detritos orbitais numa missão não militar para evitar colisões no espaço. Por serem radiotelescópios, os instrumentos do Seti funcionam 24h e mesmo com chuva, ao contrário dos tradicionais ópticos, mais sensíveis porém "cegos" durante o dia e chuvas.

Além de Paul Allen, outras empresas de prestígio, como Google, Dell, Intel e Hewlett Packard, também já colaboraram com o centro que, em quase três décadas, já recebeu mais de US$ 250 milhões em subsídios de pesquisa vindos de instituições como a Nasa e a Fundação Nacional de Ciência dos EUA.

A maioria de suas pesquisas começa na Terra antes de chegar ao espaço, como a exploração de um lago congelado no Ártico em busca de vida em ambientes extremos. "Isto nos conta como a vida pode evoluir de forma bastante ampla e nos dá ideias de experimentos a serem feitos pela Nasa em futuras missões em Marte, por exemplo", disse Pierson.

Na sede do instituto, trabalham cerca de 140 funcionários, boa parte cientistas dedicados a astrobiologia e apenas meia dúzia focada nos telescópios, já que o grosso do trabalho é feito por computadores. Há também educadores que desenvolvem currículo científico e um centro de pesquisas chamado Carl Sagan (1934-1996), antigo membro do comitê do Seti.

O nome "seti" também é a sigla em inglês para "busca por inteligência extraterrestre", usada pela comunidade para a atividade de analisar ondas eletromagnéticas, já que estas seriam a forma de transmissão mais rápida conhecida.

A conexão do instituto com parceiros ilustres do vale do Silício, a seriedade das pesquisas e o fluxo de dinheiro fazem com que o Seti se diferencie dos tradicionais caçadores de alienígenas.

"Procuramos por evidências de vida no espaço profundo. Não examinamos cadáveres de aliens ou sei lá o quê", disse Pierson. "Por causa da curiosidade natural, estaríamos interessados se fosse uma evidência real. Mas nunca apareceu nada concreto."

Desde que o instituto começou a fazer suas "escutas" do universo, com telescópios emprestados ao redor do mundo, apenas uma vez se chegou perto de captar um "sinal bom". Era 1997, e a empolgação durou 18 horas, até se comprovar ser uma interferência mal captada da Agência Espacial Europeia.

"Ficamos bastante animados, ninguém foi para casa dormir, o coração batendo forte", lembra Pierson.

Seu colega Shostak foi mais cético. "Fiquei confuso, na verdade. Minha primeira reação foi: ‘Isto vai arruinar minha semana!’. É preciso ser realista, sabe?", disse o astrônomo, que recebe entre cinco a dez ligações por dia relacionadas a "informações secretas" sobre ETs, muitas vindas da América do Sul.

Mas o falso alarme serviu para provar que seria impossível manter uma descoberta em sigilo. Em duas horas de testes, o jornal "New York Times" já ligava para confirmar os rumores.

"As pessoas acreditam muito em conspirações, de que o governo fecharia tudo e manteria segredo", disse Shostak. "O governo mostrou algum interesse em 1997? Nada! A única pessoa que nos ligou foi um jornalista."

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Sobe para 10 número de mortos em atentado no sudoeste do Paquistão

 

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Subiu para 10 o número de mortos após a explosão de uma bomba na entrada de uma mesquita na cidade paquistanesa de Quetta durante a festa de Eid ul-Fitr, que marca o fim do Ramadã.

A bomba, colocada em um automóvel estacionado em frente à mesquita, explodiu quando os fiéis saíam do centro religioso após participarem das orações do Aid, segundo fontes mencionadas pela emissora paquistanesa Express.

Citado por essa emissora, o secretário de Interior do Paquistão, Nasibulá Bazai, não descartou a hipótese de se tratar de um atentado suicida e acrescentou que vários especialistas das forças de segurança estão investigando o caso.

Naseer Ahmed /Reuters

Homens tentam apagar fogo em veículo após explosão de bomba em Quetta, no Paquistão; ao menos 10 morreram

Homens tentam apagar fogo em veículo após explosão de bomba em Quetta, no Paquistão; 10 morreram

A explosão destruiu mais de dez veículos e várias casas nas imediações.

Os feridos foram levados a diferentes hospitais, nos quais foi declarado estado de emergência, enquanto a polícia isolou a área.

Segundo a Express TV, a mesquita está situada na zona de Murriabad, habitada sobretudo por membros da seita islâmica xiita, minoritária no Paquistão e alvo de ataques por parte dos talibãs e de outros grupos radicais do credo majoritário, o sunita.

Após a explosão, os líderes da comunidade xiita na região anunciaram luto de sete dias para condenar o ataque, e grupos de fiéis se juntaram na zona e levantaram a voz contra o governo paquistanês.

O atentado foi condenado pelo primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, que enviou em comunicado suas condolências às famílias das vítimas e pediu às autoridades uma ação decidida para atender os feridos da melhor forma possível.

Quetta, capital da conflituosa província paquistanesa do Baluchistão, é cenário frequente de atentados terroristas e da ação de organizações étnicas.

O Baluchistão é a província mais extensa do país asiático e, embora conte com reservas de recursos naturais, é também a mais despovoada e empobrecida.

Há décadas agem na província vários grupos nacionalistas armados que buscam a independência do Paquistão e uma maior autonomia para a região. Há ainda membros de facções talebans com alvos no vizinho Afeganistão.

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Análise: A estrutura financeira das religiões

 

Rachel McCleary

Pesquisadora de religião e economia da Universidade de Harvard

Atualizado em  30 de agosto, 2011 – 11:33 (Brasília) 14:33 GMT

Foto: BBC

As principais religiões do mundo incentivam a acumulação de riquezas

A religião é uma instituição financeira tanto quanto espiritual. Sem doações dos fiéis, as religiões como organizações sociais não sobreviveriam.

Não é surpreendente que as maiores religiões do mundo – Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Budismo e Hinduísmo – promovam a acumulação de riquezas através de seus sistemas de crenças, o que contribui para a prosperidade econômica.

Notícias relacionadas

Incentivos espirituais como a danação e a salvação são motivadores eficientes. Por isso, religiões que dão ênfase à crença no inferno são mais propensas a contribuírem para a prosperidade econômica do que as que enfatizam a crença no paraíso.

As religiões que têm foco na crença no paraíso dão mais importância a atividades redistributivas (caridade) para diminuir o tempo das pessoas no inferno e chegar mais perto do paraíso.

Já o incentivo que se baseia na crença no inferno parece mais eficiente para o comportamento econômico, porque motiva os fiéis a trabalhar mais duro para evitar a danação.

Arrecadação

A estrutura organizacional, assim como o sistema de crenças de uma religião, afeta diretamente sua habilidade de arrecadar fundos dos fiéis.

A riqueza das religiões, de maneira muito semelhante à riqueza das nações, depende da estrutura de sua organização. Mas, diferentemente das corporações, as finanças das religiões não são transparentes para o público nem são monitoradas.

Algumas estruturas religiosas são hierárquicas como a da Igreja Católica Romana, com a concentração de riqueza no clero e no Papado. Por contraste, as igrejas evangélicas e pentecostais favorecem um acúmulo de riqueza de pai para filho.

O famoso evangelista americano Billy Graham e seu filho William Franklin Graham 3º, que assumiu a presidência da associação evangelista do pai, são um exemplo de como o poder espiritual e a riqueza de uma religião são mantidos pelos laços familiares.

Fiéis fazem doação do dízimo na Nigéria.

Religiões monoteístas usam a experiência coletiva como forma de pressionar os fiéis para a doação

Outras organizações tendem a ser descentralizadas e comunitárias por natureza, como o judaísmo, com as sinagogas locais mantendo a autonomia sobre as finanças.

Mas as religiões coletivas, como as monoteístas, requerem a crença exclusiva em um só Deus e contam financeiramente com tributos e doações voluntárias de seus membros.

Como consequência, um templo, igreja ou mesquita exerce pressão coletiva e outros tipos de sanções grupais para garantir a ajuda financeira contínua dos fiéis à religião.

No entanto, uma dificuldade constante enfrentada pelas religiões é que muitos membros decidem agir de acordo com sua própria vontade e não dar apoio financeiro.

Outro tipo de estrutura religiosa é a privada ou difusa. Hinduísmo e budismo são religiões privadas, em que os fiéis realizam atos religiosos sozinhos e pagam uma taxa para um monge pelo serviço.

Nestes casos, as atividades religiosas são partes da vida diária e podem ser feitas a qualquer momento do dia. Elas não requerem nem um grupo de fiéis nem a presença dos monges.

Estas religiões privadas tendem a ser politeístas e sustentadas financeiramente pelo pagamento de uma taxa de serviço.

Apoio do Estado

"Sem doações dos fiéis, as religiões como organizações sociais não sobreviveriam."

Rachel McCleary

Religiões com muitos recursos, como por exemplo o catolicismo romano e o islamismo, historicamente foram – algumas vezes – monopólios financiados pelo Estado.

A regulação da religião pelo Estado pode reduzir a qualidade das vantagens espirituais na medida em que aumenta a capacidade da religião de acumular riqueza. Mas uma religião subsidiada pelo Estado pode ter um efeito positivo na participação religiosa.

Por exemplo, os governos da Dinamarca, Suécia, Alemanha e Áustria subsidiam muitas religiões para a manutenção de suas propriedades, a educação do clero e os serviços sociais.

Mesmo que isso não necessariamente aumente o número de pessoas que frequentam a igreja, o investimento financeiro do Estado nas instituições religiosas aumentou as oportunidades das pessoas de participarem de atividades patrocinadas pela religião.