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Pastor diz que deputada o queria como ‘laranja’ em convênio de R$ 2,5 milhões

 

Wladimir Furtado, da Conectur, afirma que Fátima Pelaes (PMDB-AP) pediu que ONG ‘entrasse só com o nome’

15 de agosto de 2011 | 0h 00

  • Leandro Colon – Enviado Especial – O Estado de S. Paulo – O Estado de S.Paulo

MACAPÁ – Wladimir Furtado, dono da Conectur, entidade investigada por fraudes com verbas do Ministério do Turismo no Amapá, revelou ontem em entrevista exclusiva ao Estado que recebeu uma proposta da deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP) para ser "laranja" num convênio de R$ 2,5 milhões com o governo federal.

Wilson Pedrosa/AE

Wilson Pedrosa/AE

Wladimir Furtado na sede da Conectur, em Macapá

"A deputada queria pegar a Conectur para servir de laranja. Ela gostaria que a Conectur entrasse só com o nome", afirmou Furtado. "Ela queria fazer o serviço do jeito dela, que ela tomasse conta, deixasse contador, advogados e técnicos por conta dela."

Furtado afirmou que preferiu não entregar a responsabilidade da execução do convênio de R$ 2,5 milhões para Fátima Pelaes: "Eu disse: deputada, não vou assinar cheque em branco. Depois sou eu que vou prestar contas".

Apesar do suposto cuidado na relação com a deputada, a Conectur, como mostra a investigação da PF, integrou o esquema de desvio de dinheiro do Ministério do Turismo. A entidade foi usada para subcontratar as mesmas empresas de fachada envolvidas no esquema do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), entidade pivô da Operação Voucher.

Igreja. Além dos R$ 2,5 milhões recebidos do ministério em 2009, a Conectur recebeu depois R$ 250 mil do Ibrasi a título de "subcontratação". De acordo com as investigações, a Conectur é o embrião do esquema de desvios de recursos do ministério no Amapá.

A entidade é registrada numa igreja evangélica – onde Furtado mora. Os R$ 2,5 milhões deveriam ser usados para "Realização de Estudos e Pesquisas sobre Logística no Turismo no Estado do Amapá, levando em conta a situação das redes estabelecidas ao redor dos serviços turísticos". Mas, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal, o contrato não foi executado, além de ter sido palco de desvios para empresas de fachada.

Wladimir Furtado foi preso pela Operação Voucher, e solto na madrugada de sábado. É a primeira vez que ele admite o envolvimento da deputada no esquema que levou 36 pessoas à prisão na terça-feira.

No depoimento à PF, Furtado negou qualquer irregularidade e a participação da parlamentar. Ontem, decidiu dar mais detalhes ao Estado. "A deputada queria que eu assinasse o convênio em branco", disse, na entrevista.

Supremo. O advogado de Furtado, Maurício Pereira, disse que vai requisitar que todo o inquérito da Operação Voucher seja enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde Fátima Pelaes tem foro privilegiado. Na opinião dele, seu cliente não pode mais nem ser denunciado na primeira instância, como planeja o Ministério Público Federal. "Se há indícios de participação da deputada Fátima, a competência é do STF. Tem que subir tudo para lá", disse o advogado.

O Estado procurou a assessoria da peemedebista para comentar o teor da entrevista de Furtado, mas não houve retorno até o fechamento da edição. Ela tem negado as acusações de envolvimento com o esquema.

Cheque em branco. O teor da entrevista de Wladimir Furtado tem sintonia com pelo menos quatro depoimentos de pessoas presas na operação policial. De acordo com os relatos, incluindo os da secretária e do tesoureiro da Conectur, a entidade serviria apenas para intermediar o contrato com o Turismo e parte do dinheiro seria entregue a Fátima Pelaes.

Apadrinhada. O Ibrasi foi beneficiado por duas emendas parlamentares da deputada que somam R$ 9 milhões. Já o convênio direto da Conectur com o Ministério do Turismo não teve emenda, mas, segundo Wladimir Furtado, também foi intermediado pela parlamentar do PMDB.

Coube à ex-secretária do Turismo do Amapá Deuzanir Ribeiro, apadrinhada da deputada, orientar Wladimir Furtado a se cadastrar no ministério para receber o dinheiro.

Comprovantes. O dono da Conectur mostrou ontem ao Estado documentos que, segundo ele, comprovariam a execução dos serviços previstos no convênio. Havia relatórios, imagens e gravações de pesquisas.

O Ministério do Turismo aprovou a prestação de contas, mas sem fiscalização "in loco", ou seja, apenas avalizou os papéis, sem atestar se são verdadeiros. Na documentação mostrada ao Estado estava um extrato bancário do dia 7 de maio de 2009, quando a entidade tinha R$ 1,3 milhão na conta.

Entre os sócios de fachada das empresas que faziam os supostos serviços no Amapá está, por exemplo, o empresário Fábio de Mello, uma espécie de "lobista de ONGs" em Brasília e que também foi preso pela Operação Voucher.

Foi Fábio de Mello quem orientou os passos da Conectur dentro do ministério. Ele foi apresentado a Furtado por Deuzanir Ribeiro. Os encontros ocorreram num restaurante e num hotel em Brasília.

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Sobe total de evangélicos sem vínculos com igrejas

 

DE SÃO PAULO

Hoje na FolhaO número de evangélicos que não mantém vínculo com nenhuma igreja cresceu, informa reportagem de Antônio Gois e Hélio Schwartsman, publicada na Folha desta segunda-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares, do IBGE, eles passaram de 4% do total de evangélicos em 2003 para 14% em 2009, um salto de 4 milhões de pessoas.

Os dados do IBGE também confirmam tendências registradas na década passada, como a queda da proporção de católicos e protestantes históricos e alta dos sem religião e neopentecostais.

No caso dos sem religião, eles foram de 5,1% da população para 6,7%. Embora a categoria seja em geral identificada com ateus e agnósticos, pode incluir quem migra de uma fé para outra ou criou seu próprio "blend" de crenças –o que reforça a tese da desinstitucionalização.

Leia mais na Folha desta segunda-feira, que já está nas bancas.

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Reliquias de Juan Pablo II en México

Carlos Martínez García

 

Reliquias de Juan Pablo II en México

Juan Pablo II regresa a México. Por lo menos mediante algunos objetos que ya son venerados por sus fervientes seguidores.

14 DE AGOSTO DE 2011

La Conferencia del Episcopado Mexicano (CEM) anunció que reliquias del beato Juan Pablo II arribarán el 17 de agosto a la ciudad de México , van ser exhibidas por varios días en la urbe y a partir del 25 del mencionado mes, las pertenencias de quien fuera Papa van a ser llevadas en “una peregrinación que se extenderá por cuatro meses a través del país” (nota de Carolina Gómez Mena, La Jornada , 6/VIII).
Reliquia es la parte del cuerpo de un santo, y/o aquello que, por haber tocado ese cuerpo, es digno de veneración , nos dice el Diccionario de la lengua española . Sobre todo en la Edad Media el incremento de la veneración a las reliquias alcanzó niveles delirantes.  Así se rendía culto al instrumento con el que se efectuó la circuncisión al bebé Jesús, espinas de su corona, gotas de la leche de María, astillas de la cruz en la que fue crucificado, restos de su cordón umbilical, la cola del burro en que entró montado a Jerusalén, el mantel que cubrió la mesa de la última cena que tuvo con sus discípulos y la copa de la que bebieron vino, sus sandalias y hasta sus pañales.
De esos, y otros objetos insólitos, sus poseedores nunca explicaron convincentemente la procedencia. Simplemente afirmaron que eran verdaderos y la veneración popular hizo el resto para convertirlos en centro de adoración. Pero no nada más objetos vinculados a Jesús recibieron ese trato, sino que otros que tuvieron contacto con santos y santas de la Iglesia católica fueron exaltados a la categoría de milagrosos.
La novela de Noah Gordon, El último judío , que tiene como marco la expulsión de los judíos de España y el férreo control ejercido por la Inquisición, inicia con un asesinato que el sacerdote Sebastián encarga aclarar al médico Bernardo Espina. La persona privada de la vida con gran violencia es un joven de quince años, Meir Toledano, hijo de “uno de los mejores plateros de toda Castilla”. El padre del muchacho había recibido el encargo, por parte del prior, de fabricar un “relicario de plata y oro repujados” para guardar en él una reliquia muy valiosa: un fragmento de fémur, perteneciente a santa Ana, la madre de la virgen María. El médico, sorprendido expresa que no puede ser posible, a lo que el sacerdote le revira: “Sí, lo es, hijo mío. Certificado por aquellos que tratan de estos asuntos en Roma y enviado a nosotros por Su Eminencia el cardenal Rodrigo Lancol”. Gordon recrea con maestría las supersticiones predominantes en España bajo el reinado de Fernando e Isabel, entre ellas, la posesión de reliquias cuyo extraordinario valor descansaba en supuestos vínculos directos con Jesucristo.
Reyes y príncipes medievales pugnaban por hacerse del mayor número de reliquias que les fuera posible. Sobre todo de objetos considerados sublimes, envidia de quienes no los tenían entre su inventario de propiedades sagradas. Al amparo de las reliquias contingentes militares se lanzaron a la guerra, ya fuese para protegerlas de los infieles o para recuperar tesoros preciados como el llamado Santo Sepulcro.
Federico el Sabio, príncipe elector de Sajonia, y protector de Martín Lutero contra Roma, era conocido por contar con infinidad de reliquias. La veneración de ellas recibía un trato especial el primero de noviembre de cada año, el Día de todos los Santos, en la capilla del castillo de Wittenberg. Se oficiaban misas extraordinarias y el pueblo desfilaba para ver los relicarios que contenían las piezas orgullo de Federico.
Precisamente en la puerta de la capilla del castillo de Wittenberg fue donde, el 31 de octubre de 1517, Lutero clavó sus 95 Tesis  contra las indulgencias. Las críticas y propuestas del monje agustino desatarían un movimiento que sacudió a la Iglesia católica. Por razones más políticas que religiosas, el príncipe elector de Sajonia evadió sagazmente entregar a Lutero en manos de sus perseguidores romanos.
De regreso a las reliquias viajeras de Juan Pablo II , nos enteramos mediante la información dada por Carlos Aguiar Retes, presidente de la CEM, y Víctor René Rodríguez Gómez, secretario general del mismo organismo, que los objetos en procesión durante cuatro meses son catalogados como de primer grado y “consisten en una cápsula que contiene sangre del beato, la cual se expondrá a la veneración pública acompañada de una figura de cera del pontífice fallecido en 2005, la cual estará revestida con los distintivos pontificios”. También llamaron a que se haga de “este acontecimiento [la peregrinación de las reliquias) una gran oportunidad para profundizar el legado que dejó Juan Pablo II”.
Sin duda que la popularidad de Juan Pablo II entre gran parte del pueblo mexicano augura un buen éxito al periplo de sus vestigios. Frente a quien le sucedió en el cargo papal, Joseph Ratzinger, el actual Benedicto XVI, el pontífice de origen polaco lo supera ampliamente en el imaginario de los católicos mexicanos. Karol Wojtyla supo aprovechar muy bien a su favor las posibilidades que le dieron los mass media  para difundir su persona y mensaje. Por su parte Benedicto XVI no ha sabido cómo levantar los ánimos de la grey católica como lo hacía su predecesor.
Juan Pablo II visitó México en cinco ocasiones. En cada una de ellas los medios periodísticos, particularmente los televisivos y radiofónicos, realizaron costosas producciones al estilo de los más deslumbrantes shows musicales. Las giras mexicanas tuvieron abundantes patrocinadores, y se llegó a situaciones donde la mercadotecnia sin rubor alguno lanzó productos con la imagen del obispo de Roma como aquellas frituras llamadas “Las papas del Papa”. ¿Podremos considerar a una de esas bolsas que algún feligrés guarda celosamente como una reliquia?
En los veintisiete años de su papado Juan Pablo II tuvo como uno de sus principales intereses a Latinoamérica, dados los millones de personas que se reconocían como católicos. En ese contexto, México tuvo un lugar privilegiado en los constantes periplos del también llamado Papa viajero. Las multitudes que seguían los eventos encabezados por Juan Pablo II llevaron al optimismo a la jerarquía católica mexicana. Vislumbraban en tanto entusiasmo popular un renacimiento del catolicismo.
Lo cierto es que durante el largo periodo de Juan Pablo II las preferencias religiosas de la población del país se diversificaron. Los últimos cuatro censo generales muestran fehacientemente el descenso porcentual constante del catolicismo en México. Las cinco visitas del personaje no pudieron evitar el descenso de la institución encabezad por él. ¿Será que la peregrinación de sus reliquias sí hará el milagro?

Autores: Carlos Martínez García

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