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Os gays e a paranoia do mundo

 

05 de julho de 2011 | 0h 00

Arnaldo Jabor – O Estado de S.Paulo

As recentes "paradas gay" surpreendem – nunca pensamos que houvesse tanta gente "dentro do armário". São milhões pelas avenidas, atacados depois por evangélicos e caretas em geral, que criticam a falta de pudor.

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Cristiano Mascaro. Crianças da comunidade judaica do Bom Retiro: imigrantes criaram a identidade visual da região

Será ilusão ou estatística? Antes, havia três ou quatro homossexuais declarados no Brasil. Diziam: "Fulano é "mulherzinha", ou sicrano é "pederasta" ou ainda beltrano é fresco, fruta, maricas, invertido, perobo, tia e: veado (ou "viado"?) Creio que foi Millôr Fernandes quem escreveu uma vez que "quem escreve "veado" em vez de "viado" é viado. Acho a melhor palavra para definir "homossexual" em português, apesar dos traços pejorativos do nome.

Mas, por que "gay", que também revela sutilmente uma "finesse" falsa, um eufemismo em inglês meio preconceituoso? "Gay" é originalmente "alegre", o que também é uma denegação do sofrimento que tiveram (e têm) de enfrentar.

Viado é uma doce palavra brasileira e devia ser assumida como oficial. "Sexo, por favor?" "Viado", responde a "santa".

Há muito tempo, procurei a origem da palavra que tanto inquieta o macho brasileiro. Cheguei uma vez a telefonar para Antônio Houaiss, que me disse que talvez a origem venha do particípio passado do verbo venari em latim (que significa "caçar", ou seja, venatus, o "caçado").

Esta palavra já descrevia o "corço" desde o século 13, mas o sentido de pederasta passivo surge com o carioca do século 20, talvez, me aventou o Houaiss, pelo fato de que o corço é seduzido pela corça, sendo portanto um macho passivo. Veado é a grafia certa, mas tira da palavra sua conotação sexual. Houaiss me autorizou a usar "viado".

Esta palavra me transtorna desde pequeno.

Lembro-me de que, na rua da infância profunda do Rio, escutei pela primeira vez: "Fulano é viado!" Senti que era um rótulo apavorante e antes mesmo de saber o que era aquilo, era necessário não ser "viado". Era inquietante ver indícios na minha infância: garotinhos que davam atrás do muro, um fremir de medo diante da violência do futebol de rua, uma alvura de nádegas nos cantos de quintal, era o pecado nascente nos subúrbios dos anos 50, quando tudo era pecado – gravidez solteira era uma espécie de doença venérea que as mulheres podiam pegar.

Havia outros palavrões, claro, que íamos descobrindo. "Puta", por exemplo, carregava uma pecha brutal, mas pelo menos tinha contornos visíveis. Puta era supergráfica. Uma mulher era "puta" ou não era. Qualquer uma podia ser, menos a mãe da gente, claro. "Viado", não. "Viado" tinha uma sombra de ambiguidade, um quê de duplo, um desequilíbrio que assustava.

Acho que aprendi da complexidade da vida com a palavra "viado". A palavra dava medo, porque nos fazia perder a identidade; não seríamos nem homem nem mulher. Viado era o ser dividido. Viado era o mistério.

Isso me ensinou que não havia apenas o pai e a mãe; havia uma terceira coisa mais além, mais perigosa. Aprendi que a vida não era simples como pensávamos, que corríamos o risco de cair no mundo terrível de "Amélia", um mendigo viado que fazia trejeitos com os olhos pintados que, diziam, tinha dado mijo à mãe doente que lhe pedira água e, por isso, Deus o castigou. Lendo Proust, vemos que a barra era mais pesada ainda no início do século, quando ele próprio se referia ao homossexualismo como "vício".

Ser viado nos anos 50 era uma permanente tarefa de ocultação.

Os homossexuais tinham de se esgueirar entres dois mundos, o do macho e da fêmea, em vielas e disfarces.

Nos anos 50, os mais corajosos e livres chegavam no máximo à categoria de "bichas loucas", assumidas, mas mantendo uma caricatura de si mesmas, feita de trejeitos autoaviltantes.

Com os anos 60, o gay tornou-se a celebração viva do complexo, do múltiplo, de uma alegre liberdade, num parentesco com o mundo hippie e psicodélico.

Ser gay virou uma força política, a "gay power", um orgulho que só foi ferido com a trágica chegada da aids.

A epidemia virou a desculpa para a ressurreição rancorosa dos "homofóbicos" e conservadores que puseram a culpa nas vítimas da doença que viraram "culpados". A partir daí, a sexualidade sofreu uma mutação sinistra para todos, pois na hora do amor e sexo pensamos no perigo de morte.

Hoje, o crescimento das marchas e bandeiras está assustando os "heteros", com a intensidade ideológica da luta dos gays.

Uma amiga me disse: "Hoje só há três tipos de homem: os casados, os "roubadas" e os viados".

Mas, é verdade que os gays têm uma importância política hoje, pois carregam a lâmina das incertezas. Eles são a prova de que o mundo não é dois. Eles provam que as causas e efeitos não se cruzam tão facilmente e celebram uma ambiguidade muito mais rica que o discurso feminista ou machista radical.

Segundo psicanalistas, o homossexual não entra no "mundo do pai". Fica no estágio mais seguro de um drama edípico não realizado. Fica em uma casa com a mãe imaginária, não sai para a vida da Lei, do mundo real, da diferença sexual, da aceitação dos dois sexos.

Aí, arrisco minha humilde tese esquemática (bem o sei…): o mundo está virando uma barra tão pesada que a saída da casa (mãe) para a rua (pai) está cada vez mais apavorante. Como querer que uma pobre criança vire macho, se os exemplos de macheza são dados pela estupidez terrível dos homens do Poder? O sujeito olha o mundo lá fora, desmunheca e grita: "Nem morta!" E fica na saia da mãe.

A aceitação do homossexualismo ajuda a desenhar a constelação polivalente de hoje, a nebulosa de sentidos, as mil caras das injustiças.

Os viados são os didáticos habitantes deste mundo árido e confuso. São menos lineares, mais coloridos.

Estudando o caso do dr. Schreber, Freud argumentou que a paranoia seria talvez uma forma de defesa contra o homossexualismo latente.

Portanto, seguindo a minha linha simplista, acho que se a paranoia era uma defesa contra a viadagem, a viadagem é hoje uma defesa contra a paranoia.

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Construye un arca de Noé a tamaño real en Holanda

 

Construye un arca de Noé a tamaño real en Holanda

Navegará por el río Támesis en las Olimpiadas de Londres 2012.

4 de julio de 2011, AMSTERDAM

Johan Huibers, dueño de una compañía constructora, construye en Dordrecht, Holanda, un barco que está generando gran interés. Se trata de una réplica a escala real del arca de Noé, manteniendo la proporción de las medidas con las que la que construyó Noé la suya, según el relato de Génesis..
En el astillero -ubicado a una hora de Amsterdam- Johan trabaja desde hace tres años sin escatimar detalles. El barco está diseñado según las especificaciones de la Biblia en cuanto a tamaño y la misma forma (hasta cuenta con una ventana superior para dejar volar a un cuervo o una paloma como se cuenta en la Biblia). El resultado es una nave impresionante, que tiene cuatro pisos y la longitud de un campo de fútbol.

  Pese a que no hay cómo corroborar el tamaño exacto de la gigantesca embarcación bíblica, eruditos de la época sostuvieron que medía cerca de 300 codos de largo, por 50 de ancho y 30 de alto, lo que equivaldría a unos 140×23×14 metros. Esas son las medidas del arca holandesa, con una inversión cercana a 1,6 millones de dólares.

UN SUEÑO
Según contó Huibers en una entrevista con el ‘Today’s Show’ de NBC, soñó hace años que Holanda sufría una gran inundación. A la mañana siguiente, se despertó determinado a prepararse para el peor de los escenarios, aunque él mismo reconoce que en caso de catástrofe no cree que su arca fuese una solución para sobrevivir.
El barco está generando gran interés en Internet. En los últimas semanas han surgido numerosas búsquedas por "fotos del arca de Noé" y "el barco real del arca de Noé".

  Un arca de No&…

Sigue el modelo de medidas y forma de la Biblia. Navegará por el río Támasis en las Olimpiadas de Londres de 2012.

La nave aún no está completa pero su construcción avanza a buen ritmo. El plan de Huibers es zarpar por el río Támesis cuando estén celebrándose las Olimpiadas de Londres el año próximo. A bordo viajarán un montón de animales de plástico de tamaño real, una pareja de cada tipo, por supuesto.
Después piensa convertir su obra en una atracción turística y zoo a la vez; aunque calcula que necesitará al menos 100.000 visitantes sólo para cubrir los gastos que ha tenido.

© Protestante Digital 2011

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Cientista prevê a ‘cura’ do envelhecimento

 

Reuters

Por Kate Kelland | Reuters – 6 horas atrás

LONDRES (Reuters) – Se as previsões de Aubrey de Grey estiverem certas, a primeira pessoa a comemorar seu aniversário de 150 anos já nasceu. E a primeira pessoa a viver até os mil anos pode demorar menos de 20 anos para nascer.

Biomédico gerontologista e cientista-chefe de uma fundação dedicada a pesquisas da longevidade, De Grey calcula que, ainda durante a sua vida, os médicos poderão ter à mão todas as ferramentas necessárias para "curar" o envelhecimento — extirpando as doenças decorrentes da idade e prolongando a vida indefinidamente.

"Eu diria que temos uma chance de 50 por cento de colocar o envelhecimento sob aquilo que eu chamaria de nível decisivo de controle médico dentro de mais ou menos 25 anos", disse De Grey numa entrevista antes de proferir uma palestra no Britain’s Royal Institution, uma academia britânica de ciências.

"E por ‘decisivo’ quero dizer o mesmo tipo de controle médico que temos sobre a maioria das doenças infecciosas hoje", acrescentou.

De Grey antevê uma época em que as pessoas irão ao médico para uma "manutenção" regular, o que incluiria terapias genéticas, terapias com células-tronco, estimulação imunológica e várias outras técnicas avançadas.

Ele descreve o envelhecimento como o acúmulo de vários danos moleculares e celulares no organismo. "A ideia é adotar o que se poderia chamar de geriatria preventiva, em que você vai regularmente reparar o danos molecular e celular antes que ele chegue ao nível de abundância que é patogênico", explicou o cientista, cofundador da Fundação Sens (sigla de "Estratégias para a Senilitude Programada Desprezível"), com sede na Califórnia.

Não se sabe exatamente como a expectativa de vida vai se comportar no futuro, mas a tendência é clara. Atualmente, ela cresce aproximadamente três meses por ano, e especialistas preveem que haverá um milhão de pessoas centenárias no mundo até 2030.

Só no Japão já há mais de 44 mil centenários, e a pessoa mais longeva já registrada nFoto - cura do _envelhecimento_0407_392

o mundo foi até os 122 anos.

Mas alguns pesquisadores argumentam que a epidemia de obesidade, espalhando-se agora dos países desenvolvidos para o mundo em desenvolvimento, poderá afetar a tendência de longevidade.

As ideias de De Grey podem parecer ambiciosas demais, mas em 2005 o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) ofereceu um prêmio de 20 mil dólares para qualquer biólogo molecular que provasse que as teorias da Fundação Sens são "tão erradas que nem são dignas de um debate bem informado". Ninguém levou a bolada.

O prêmio foi instituído depois que um grupo de nove cientistas influentes atacou as teorias de Grey, qualificando-as de "pseudociência". Os jurados concluíram que o rótulo não era justo, e argumentaram que o Sens "existe em um meio termo de ideias ainda não testadas que algumas pessoas podem considerar intrigantes, mas das quais outras estão livres para duvidar."