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O mito da mulher limpinha

É fácil pegar hepatite B e C na manicure. Por que não dá para confiar na esterilização feita nos salões de beleza

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CRISTIANE SEGATTO
Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 15 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo. Para falar com ela, o e-mail de contato é[email protected]

Nunca conheci uma mulher que não faça as unhas. O mercado profissional das manicures é curioso.

Quando a economia vai bem, as plaquinhas que anunciam vagas se multiplicam pelas cidades – dos salões luxuosos às bibocas mais improvisadas.

Quando a economia vai mal e o desemprego avança, as manicures são as últimas a sentir a crise. O salário delas passa a sustentar a família. Manicure não fica sem trabalho. É serviço de primeira necessidade – às vezes disputado no grito pelas clientes.

Se todas as mulheres e muitos homens frequentemente sofrem ferimentos provocados pelos alicates – os terríveis “bifes” – quem garante que não sairão do salão infectados por um vírus que pode ser fatal?

Ninguém garante. A existência de autoclaves e estufas nos salões não é garantia de coisa alguma. Foi o que descobri ao entrevistar a professora de enfermagem Andréia Schunck, do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.

Em seu doutorado, Andréia decidiu investigar de que forma as manicures contribuem para a disseminação das hepatites. Ninguém sabe ao certo quantos são os portadores dos vírus B e C no Brasil. Estima-se algo entre 1,5 milhão e 4 milhões. É gente demais.

Esses vírus provocam inflamação no fígado. São um gravíssimo problema de saúde, como contou o médico Drauzio Varella na “>coluna da semana passada. Drauzio vai levantar o assunto na nova série do Fantástico, que estreia no dia 17.

Os vírus podem danificar o fígado durante décadas sem dar o menor sinal. Quando o doente o descobre, já infectou várias outras pessoas por meio do contato com material perfurante ou nas relações sexuais. Muitas vezes a doença já chegou à fase de cirrose ou câncer. O único recurso passa a ser o transplante. Ele é disputado numa fila cruel, mais longa que a do coração e a dos rins. Grande parte dos pacientes morre antes de conseguir o órgão.

É chocante perceber que todo esse sofrimento poderia ser evitado se normas básicas de higiene fossem efetivamente cumpridas. Andréia visitou cem salões de beleza da capital paulista. Na periferia, no centro, nos shoppings, nos bairros nobres. A metodologia foi rígida. Para evitar qualquer viés que invalidasse os dados, pediu ao Datafolha que dividisse as regiões da cidade por amostragem. O instituto de pesquisa informava um ponto de referência em cada bairro. Uma banca de jornal, uma padaria, uma loja.

A partir dele, a missão de Andréia era caminhar aleatoriamente até encontrar o primeiro salão de beleza. Ao encontrá-lo, se apresentava e fazia a pesquisa. “No Brás, caminhei duas horas e meia até achar um salão. Durante toda a pesquisa emagreci 16 quilos”, diz ela. O esforço valeu a pena. Trata-se de um estudo inédito no mundo.

Andréia passava de seis a dez horas em cada salão. Entrevistava as manicures, observava como elas trabalham e colhia sangue para verificar se tinham o vírus da hepatite B ou C. Em TODOS os salões, encontrou práticas inadequadas.

As manicures não lavavam as mãos depois de atender cada cliente, não lavavam o material antes de colocá-lo no equipamento de esterilização, não usavam as autoclaves corretamente etc. Em um deles, as profissionais achavam que colocar os alicates no forninho elétrico seria suficiente. Tiravam pães de queijo da assadeira e colocavam os alicates no lugar. Inútil. O calor do forninho não é suficiente para matar os vírus.

Até nos salões mais badalados, frequentados por celebridades e divulgados como templos exclusivíssimos do luxo e da beleza, Andréia observou pelo menos um descuido capaz de permitir a transmissão dos vírus.

As manicures não têm noção do risco que correm. Podem pegar a doença das clientes caso se machuquem com o material usado.O mesmo pode acontecer se fizerem as próprias unhas com o material infectado pelas clientes. Andréia observou que essa é uma prática mais comum do que se imagina.

Num dos salões mais chiques de São Paulo, Andréia quis saber por que a manicure não usava luvas. A moça respondeu:

“Não tem perigo. Minhas clientes são limpinhas”.

Tentar adivinhar a condição de saúde de alguém pelas pistas sugeridas pela boa aparência e pela condição social privilegiada é uma tremenda bobagem. Passar a tarde no ofurô, entregar as chaves da BMW ao manobrista e desfilar uma Louis Vuitton por semana não torna ninguém imune aos vírus. Eles não fazem distinção entre os limpinhos e os sujinhos. Os vírus têm um único objetivo neste planeta: crescer e se multiplicar. Para cumprir essa missão com eficiência, é preciso infectar as pessoas sem matá-las rápido demais. Quanto mais tempo o hospedeiro sobreviver e espalhar a praga, mais descendentes os vírus colocarão no mundo.

É exatamente o que fazem os vírus da hepatite B e C. O vírus B é cem vezes mais infectante que o da aids. Tem a capacidade de permanecer vivo em superfícies por até sete dias. A pessoa infectada é capaz de viver décadas sem notá-lo. A mulher que contrai o vírus B na manicure pode transmiti-lo ao parceiro se não usar camisinha nas relações sexuais. A transmissão sexual do vírus C é controversa e rara, mas os especialistas dizem que ela também pode ocorrer. “Parece estar restrita a alguns grupos de risco com práticas sexuais anais e traumáticas”, diz Raymundo Paraná, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

Entre as manicures, a prevalência dos vírus da hepatite é maior que na população geral. Foi o que Andréia comprovou. Os exames de sangue demonstraram que 10% das profissionais entrevistadas estavam infectadas. O vírus B apareceu em 8% da amostra e o vírus C em 2%.

A forma mais segura de se proteger da doença é a vacinação. Existe vacina para o vírus B, mas não para o C. O SUS oferece a vacina contra hepatite B a grupos específicos (profissionais da saúde e do sexo, imunossuprimidos, coletores de lixo etc). As manicures fazem parte dessa lista, mas apenas 15% das mulheres entrevistadas por Andréia sabiam que tinham direito à vacina.

As manicures também tinham muitas dúvidas sobre a forma correta de higienizar o material. Para não correr risco de se infectar ou de infectar as clientes, a profissional precisa cumprir todos os passos a seguir. Na próxima vez em que for ao salão, observe se eles realmente foram cumpridos. É provável que você se assuste:

1) Antes de atender cada cliente, lavar as mãos ou usar álcool gel
2) Colocar as luvas. Usar um novo par a cada cliente
3) Usar lixa e palito descartáveis (um para cada cliente)
4) Abrir o pacote com o material esterilizado na frente da cliente
5) Usar uma toalha limpa ou descartável para cada cliente
6) Lavar os alicates, a espátula e outros instrumentos metálicos reutilizáveis com água, sabão e escova
7) Enxugar esse material com toalha limpa e colocá-lo no envelope especial para esterilização
8) Selar o envelope e colocá-lo na estufa ou na autoclave
9) A estufa não pode ser aberta durante a esterilização. Se uma manicure abrir a porta da estufa enquanto outra deixou o material lá dentro, a esterilização fica comprometida. É preciso manter a estufa funcionando durante uma hora ininterrupta, à temperatura de 170 graus
10) A autoclave é mais fácil de controlar porque funciona como uma panela de pressão. Basta colocar o envelope, fechá-la e esperar até o final da esterilização.

Se você gostou desses passos, espalhe o link e contribua para a saúde de todos. Outra opção é fazer um kit e levar o seu próprio material ao salão. Não basta levar apenas o alicate. “Levo acetona, esmalte, palito, espátula, alicate, tudo”, diz Andréia. Ela tem dois ou três alicates. Manda afiá-los nas mesmas casas especializadas onde as manicures compram o material de trabalho.

Neurose demais? Pode ser, mas estou convencida de que o sofrimento provocado pelos vírus da hepatite é infinitamente maior. “O erro de muitas mulheres é desvincular a saúde da beleza”, diz Andréia. “É importante cuidar da beleza. Mas com saúde”.

(Cristiane Segatto escreve às sextas-feiras)
E você? O que observa nos salões de beleza? Como se protege? Conte pra gente. Queremos ouvir sua história.

Fonte Revista Epoca.com

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Rev. Ângelo Medrado, Bacharel em Teologia, Doutor em Novo Testamento, referendado pela International Ministry Of Restoration-USA e Multiuniversidade Cristocêntrica é presidente do site Primeira Igreja Virtual do Brasil e da Igreja Batista da Restauração de Vidas em Brasília DF., ex-maçon, autor de diversos livros entre eles: Maçonaria e Cristianismo, O cristão e a Maçonaria,A Religião do antiCristo, Vendas alto nível, com análise transacional e Comportamento Gerencial.

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Estudo diz que fofocar é excitante e vicia

 

Audiência de redes sociais como Facebook e Twitter pode estar ligada à fofoca

Do R7

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Getty Images

Um estudo feito pelo cientista americano Jonah Berger aponta que um dos principais fatores da audiência de uma rede social é o fato de as pessoas compartilharem histórias e "fofocarem" sobre a vida dos outros. Ele cita como exemplo o Facebook.

Berger fez um estudo com alguns estudantes da Universidade da Pensilvânia para testar sua teoria de que a excitação promove o compartilhamento de informações.

Alunos de diferentes grupos assistiram a clipes de vídeo que os fizeram sentir emoções positivas como ansiedade e divertimento, ou emoções de baixa estimulação, como tristeza.

Em seguida, eles foram questionados como iriam compartilhar as histórias dos clipes com os amigos e familiares. Os resultados demonstraram que os alunos que sentiram emoções de alta excitação eram muito mais propensos a compartilhar com os outros.

Segundo Berger, como algumas empresas e organizações utilizam as redes sociais, é preciso que eles entendam porque as pessoas falam e compartilhar certas coisas para usar essas ferramentas de forma mais eficaz.

– Mas, curiosamente, descobrimos que, enquanto os artigos que evocam emoções mais positivas eram geralmente mais viral, algumas emoções negativas, como ansiedade e raiva, aumentaram a transmissão, enquanto outros, como tristeza, diminuíram.

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Charles Sabine, advogado dos pacientes

Mayana Zatz

Genética

30/06/2011

Fonte: Veja.com

Esse era o título de uma das sessões do Congresso Internacional de células-tronco, em Toronto. Imaginei que seria uma fala defendendo os direitos dos pacientes, as lutas com seguro saúde e outras dificuldades bem conhecidas por todos nós. Mas quando Charles – um homem alto, de compleição forte – na faixa de 50 anos- começou sua apresentação logo percebemos que não era sobre isso que ele queria falar. Era sobre a sua história pessoal. E aos poucos a emoção foi tomando conta de todos, Charles é um jornalista britânico, várias vezes premiado, e que cobriu inúmeras guerras como correspondente da NBC news. Ele iniciou seu depoimento mostrando cenas de guerra com destruição e mortes que ele havia filmado (Iraque, Siria, Israel, Bosnia, Chechenia, Ruanda entre muitas outras).

Entre uma cena e outra ele começou a contar que enquanto trabalhava como correspondente, seu pai começara a apresentar uma doença neurológica degenerativa. Não tardaram a firmar o diagnóstico: coréia de Huntington (CH). Trata-se de uma doença hereditária causada por uma mutação em um gene responsável por uma proteína que foi denominada huntingtina. Nos portadores do gene alterado há uma perda progressiva dos neurônios, que em poucos anos leva à incapacidade motora e cognitiva, de forma  irreversível O início se dá geralmente após a quarta década de vida, mas é muito variável.

Charles nunca havia ouvido falar dessa doença antes de saber do diagnóstico de seu pai. Não poderia nunca imaginar como ela iria afetar a sua família, já que ao estabelecerem o diagnóstico, os médicos informaram que ele e seu irmão mais velho tinham um risco de 50% de ter herdado o gene com a mutação.

Seu irmão mais velho,comentava Charles, vivia treinando como andar em uma linha reta porque sabia que esse seria o primeiro teste que um neurologista iria lhe pedir em uma consulta. Mas pouco adiantou. Havia herdado o gene da CH e a doença avançava. Cenas com os horrores da guerra eram mostradas ao mesmo tempo que ele falava sobre a batalha que enfrentava na sua vida pessoal – sua guerra pessoal. E seis anos atrás, Charles decidiu finalmente submeter-se ao teste genético. Tomou essa decisão após sobreviver, quase que por milagre, a uma granada que quase explodiu na perto de sua cabeça. Mas a sorte não o privilegiou uma segunda vez. Infelizmente havia herdado também a mutação da CH. Charles carregava dentro dele uma bomba que poderia ser detonada a qualquer momento, irreversivelmente.

Seu discurso não inspirava piedade. Ao contrário, ele despertava admiração por sua coragem em expor a sua vida, suas expectativas e a guerra que não era só dele, mas de todos os pacientes a quem defendia com seu depoimento. E ao mesmo tempo que nos agradecia reiteradamente por nos dedicarmos às pesquisas, ele descrevia a emoção de pacientes diante de qualquer notícia que lhes dê alguma esperança.

Terminou sua fala mostrando uma cena muito forte. Uma menina que devia ter entre  10 e 12 anos, fugindo de um massacre, com o rosto coberto de lama e carregando nos ombros a sua irmã mais velha, muito maior do que ela. Uma imagem que transmitia uma emoção indescritível pelo seu enorme simbolismo de força, determinação e coragem: ultrapassando barreiras, superando limites, mesmo carregando aquele enorme fardo…. Um recado ao mesmo tempo para os pacientes e para nós, pesquisadores. Charles foi aplaudido de pé por vários minutos. As lágrimas dos cientistas ali presentes – considerados por muitos como frios e desprovidos de emoções – corriam soltas. E certamente, todos aqueles que estavam presentes saíram diferentes do que entraram.

Muito obrigada, Charles.

Por Mayana Zatz

Tags: Charles Sabine, toronto