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BATISMO NO CENTENÁRIO DA AD

Cerca de 2 mil pessoas participam do batismo da águas no PA

“Foi uma vitória de Deus nesse Centenário”. Entre lágrimas, Sebastiana Macedo, 43 anos, resumia o batismo recebido ontem, 19, na Praia Grande, no Outeiro. Sebastiana fez parte da multidão que veio dos mais variados bairros de Belém participar do “Batismo das Águas”, programação alusiva aos 100 anos da igreja Assembleia de Deus. Quase duas mil pessoas, segundo estimativas dos coordenadores, participaram da cerimônia. O “Batismo nas Águas” foi um dos últimos momentos da intensa programação da Assembleia de Deus para celebrar o primeiro centenário.

Com um trio elétrico puxando a celebração, foi feita uma grande evangelização antes do início dos batismos. O Batismo em Águas foi celebrado por uma comissão formada pelos pastores Eurípedes Moraes, Joel Jardim e André Luis.

Com a maré enchendo no momento dos batismos, iniciados às 10h45, os cuidados eram dobrados. Caravanas da Bahia, de Criciúma, Minas Gerais, Goiânia e Santos, acompanharam de perto a ação evangélica. “É uma satisfação muito grande participar dessa festa. A gente faz parte dessa história”, disse o pastor Natanael Medeiros, da Bahia.

Mal contendo a emoção Maria Elza dos Santos, 42 anos, saiu cedo do Guamá. Com ela, o filho Felipe dos Santos, 12 anos, cadeirante. “É uma bênção”, dizia ela. Felipe também acreditava nisso. “Estou feliz, mas só com um pouco de medo”, disse.

Segundo o pastor Eurípedes Moraes, para participar do ‘Batismo em Águas’, os fiéis procuraram os templos dos seus bairros para adquirir um kit batismo, que contém uma bata e um certificado. Mas para quem não teve chance de se cadastrar com antecedência, houve uma comissão de inscrição para receber os membros que não haviam sido inscritos. “A pessoa que ainda não é batizada e que já tenha aceitado a Cristo como Salvador, pode fazer a inscrição no local e se batizar. Todos foram muito bem-vindos”, diz.

As cerimônias foram feitas em grupo, contando com o apoio de dezenas de pastores. Uma tenda serviu de apoio para receber fiéis e ajudar na preparação para a cerimônia. “É um dia maravilhoso”, resumiu o pastor.

Foi o que sentiu a menina Vitória de Albuquerque, 12 anos. Moradora do bairro do Curió-Utinga, veio com uma caravana de dez pessoas. Da Pedreira, o pastor Ronaldo Almeida trouxe nove pessoas para o batismo. “Aqui tem gente de 9 a 39 anos”, disse, explicando que muitas crianças já tem a consciência de Deus, por isso podem ser batizadas.

Um dos primeiros a batizar foi o pastor Dionísio Maciel, de Val-de-Cães. Com ele, o filho Eider, de sete anos. “Não há glória maior. Meu filho teve a oportunidade de participar dessa festa. Como pastor e como pai, vivo uma felicidade imensa neste momento”, afirmou.

Em fila, os grupos iam aos poucos se dirigindo às águas. Uma equipe de segurança dos bombeiros monitorava as ações. O batismo em si era rápido. O pastor responsável imergia o fiel de corpo inteiro. Restava ao final, a emoção. Os recém-batizados buscavam o registro em fotos com amigos e familiares. “Há um ano aceitei Jesus. Hoje tinha de participar dessa festa”, afirmou Raimunda Celina, 66 anos, antes de ser abraçada pela neta e pela filha e posar para uma foto ainda com a bata molhada.

ENCERRAMENTO

Nesta segunda, 20, às 19h, um culto no Templo Central da Assembleia de Deus encerra a programação oficial do Centenário. Mas as comemorações seguem. Em julho serão lançados CDs de cantores e pregadores do Centenário.

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NUNCA GANHAREMOS O BRASIL À CRISTO?

 

Jornalista Maurício Zagari expõe seus pontos de vista e tese

NUNCA GANHAREMOS O BRASIL PARA CRISTO

Ouço frequentemente uma conclamação feita nos mais variados recônditos do universo evangélico: Vamos ganhar o Brasil para Cristo!!! Bem, lamento informar, mas nós nuncavamos ganhar o Brasil para Cristo. E antes que você, espantadíssimo com minha falta de fé, me acuse de derrotismo ou mesmo de estar a serviço do mal, deixe-me explicar.

Como não acredito na doutrina da confissão positiva (o hábito antibíblico de “decretar a vitória”, “profetizar a bênção” e “tomar posse pela fé” que, se você não sabe, foi incorporado ao cristianismo a partir de práticas de religiões pagãs da Nova Era – mas essa é outra conversa) nao vejo dolo em fazer essa afirmação, que é fruto de uma observação bíblica, histórica e contextual. E justifico minha posição, apresentando aqui as razões pelas quais não creio que o Brasil será ganho para Cristo:

1. Aspectos biblicos:

A Bíblia nunca promete que nações inteiras se converteriam ao Senhor em nossos dias. Ela fala: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mt 24.14) mas em momento algum promete que isso resultaria em conversões em nível nacional. Anunciar o Evangelho é uma coisa. Ele resultar em conversões é algo bem diferente. Pelo contrário. Como já abordei no post Louvados e glorificados sejam os números, a Palavra de Deus é clara ao afirmar que a minoria herdaria o Reino dos Céus:

–> “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram” (Mt 7.13,14).

–> “Alguém lhe perguntou: ‘Senhor, serão poucos os salvos?’. Ele lhes disse: ‘Esforcem-se para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, vocês ficarão do lado de fora, batendo e pedindo: ‘Senhor, abre-nos a porta’. ‘Ele, porém, responderá: ‘Não os conheço, nem sei de onde são vocês’. “Então vocês dirão: ‘Comemos e bebemos contigo, e ensinaste em nossas ruas’. “Mas ele responderá: ‘Não os conheço, nem sei de onde são vocês. Afastem-se de mim, todos vocês, que praticam o mal!’.”. (Lucas 13.23-27).

–> “Não tenham medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-lhes o Reino” (Lucas 12.32).

–> “Pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos” (Mt 22.14).

Ou seja: não há na Bíblia nenhuma promessa ou sugestão de que haverá multidões de salvos entrando em nível nacional pelos portões do Céu. Não: a salvação é para poucos. Repare que na parábola do semeador (Mt 13) a maioria das sementes não frutifica, apenas uma pequena parte delas germina e dá frutos.

Gostaria eu que fosse diferente. E temos sempre que fazer de tudo e empreender todos os nossos esforços para que o máximo de pessoas receba a mensagem da Salvação. Temos que pregar o Evangelho a toda criatura. Mas no que tange à Biblia não posso afirmar o que ela não afirma só porque me faria sentir melhor. A verdade é o que é.

2. Aspectos históricos.

Fala-se muito de avivamento, de pátrias que foram sacudidas pelo poder do Espírito e que se transformaram em nações cristãs de fato, com milhares de conversões e manifestações inefáveis do poder de Deus. Isso é verdade. Moveres sobrenaturais de Deus levaram alguns países, em períodos determinados da História, a buscar coletivamente uma aproximação maior de Cristo e uma vida de santidade. Foi assim no Primeiro e no Segundo Grande Despertamentos dos séculos 18 e 19, por exemplo. Mas minha pergunta é: como estão essas nações hoje?

A verdade nua e crua? Espiritualmente falidas.

Os Estados Unidos, avivados pela pregação de bastiões como Jonathan Edwards e George Whitefield, são hoje um país cristão não-praticante, pérfido, devasso e sem nenhum tônus espiritual, que fez o que fez no Oriente Médio sob a direção de um presidente supostamente evangélico. Um país onde a Igreja tem aceito a ordenação de bispos cuja orientação sexual em outras épocas jamais seria aceita e que inventou a Teologia da Prosperidade. Um país espiritualmemte e moralmente em bancarrota, que exporta para o mundo filmes, programas de TV e músicas abomináveis pela moral bíblica.

Já a Inglaterra, país que na época de John Wesley se viu renovado espiritualmemte, hoje mal se lembra que há um Cristo. No restante da Europa, encontramos países como Espanha e Portugal, com menos de 1% de cristãos reformados. Nos berços da Reforma Protestante, Alemanha e Suíça, a Igreja evangélica tornou-se uma entidade fantasma, com igrejas vazias e nenhuma influência sobre a vida da sociedade.

E isso falando de nações que estão debaixo de nossos olhos. Se voltarmos alguns séculos no passado encontraremos os países do Oriente Médio com quase toda a população cristã. Você talvez não saiba disso, mas até o século VI d.C. regiões que hoje compõem países como Turquia, Irã, Iraque, Marrocos e Arábia Saudita, atualmente considerados não-alcançados pelo Evangelho, tinham suas populações quase que totalmente cristãs. Até que veio o islamismo e tomou esses países,  transformando-os em nações muçulmanas.

O resumo da ópera é que para se “ganhar uma nação para Cristo” é preciso um milagre. Não só um milagre de  conquista, mas um milagre de preservação. Ou seja: reconquista diária. E milagres são a exceção, não a regra.

3. Aspectos contextuais (atuais)

Este é o ponto principal desta reflexão. Para que se pregue o Evangelho a uma pessoa pecadora, mais do que proclamar a Verdade é preciso viver a Verdade. Se eu sou um homem notoriamente devasso, mentiroso, pérfido e sem caráter, de nada adiantará eu chegar para alguém e pregar o Evangelho. Pois ele dirá “ser cristão é isso aí? Tou fora, fala sério!”. E essa mesma realidade se aplica a uma nação. Para que a Igreja de Jesus evangelize uma nação e a “ganhe para Cristo”, ela tem que dar o exemplo. Isso é imperativo. Mais do que pregar a Verdade, tem que viver a Verdade. E é com muita dor no coração que constato que nós não temos feito isso. Não temos sido exemplo. Compartilho alguns sintomas que me mostram que a Igreja brasileira não está capacitada para ganhar a nação para Cristo:

●  A maior parte da Igreja visível no Brasil de hoje é espiritualmemte flácida e complacente com o pecado: o comportamento visível dos cristãos diante da sociedade não tem sido muito diferente do comportamento dos não-cristãos. Em geral, somos agressivos, arrogantes, vingativos, mentirosos e egocêntricos. Fraudamos impostos, passamos cheques sem fundos, não honramos nossa palavra. Nossos seminaristas colam nas provas. Não cedemos lugar no ônibus para o idoso, fingimos que não vemos o mendigo, jamais emprestamos o ombro a um órfão sequer e muito menos a uma viúva. Articulamos dentro das igrejas para conseguir ocupar cargos de destaque. Usamos a sexualidade de modo tão mundano como qualquer personagem da novela das oito. Nossas conversas são torpes, falamos mal dos outros pelas costas, jogamos irmãos contra irmãos, contamos anedotas pesadas e fazemos piada com a manifestação dos dons do Espírito Santo. E por aí vai. Uma Igreja assim não tem a menor moral de pregar o arrependimento de pecados para o mundo: primeiro ela própria tem de se arrepender.

● O modelo de igreja predominante no Brasil não forma cristãos sólidos. Como afirmou este ano em uma de suas palestras na Conferência da Sepal o Bispo Primaz da Igreja Cristã Nova Vida, Walter McAlister, o modelo de igreja-show não forma discípulos de Cristo. Enquanto formos aos cultos apenas para assistir a algo que se passa num palco e não para participar; enquanto não nos submetermos a um discipulado radical; enquanto não resgatarmos o papel de família de fé das nossas igrejas, nunca conseguiremos formar cristãos minimamente capazes de viver e compartilhar com eficiência sua fé com uma pessoa, que dirá com uma nação.

● O evangélico brasileiro não gosta de ler. Lidos sob o poder e a iluminação de Deus, livros são o alicerce da transformação. Mas nossos jovens preferem videogames, televisão, internet e no máximo inutilidades como a série “Crepúsculo” do que livros essenciais para a formação de um caráter cristão. E sem uma mente bem formada nos tornamos incapazes de pensar uma nação. Quanto mais transformá-la. O poder de Deus age, mas age por intermédio de seres humanos – que precisam ter bagagem intelectual para explicar e transmitir. E ainda lemos muito menos do que deveríamos. E a qualidade do que lemos, em geral, deixa muito a desejar.

● Somos analfabetos bíblicos. Uma pesquisa recente feita entre os líderes de jovens de certa denominação mostrou que menos de 30% deles tinham lido a Bíblia toda. Repare: estamos falando de líderes! Aqueles que deveriam ensinar os outros! Se não lemos, não conhecemos, e se não conhecemos… o que vamos pregar? Nossa teologia é formada a partir daquilo que ouvimos em corinhos, assistimos em péssimos programas evangélicos de TV, lemos em frasezinhas soltas no twitter e em adesivos de automóveis. Mas são poucos os que realmente se dedicam ao estudo sistemático e aprofundado das Escrituras. Então vamos ganhar o Brasil pra Cristo, mas… que Cristo? Se não conhecemos o Cristo segundo as Escrituras o apresentam, que Cristo é esse que estamos pregando? Se não entendemos a Palavra por não conhecê-la, que Palavra é essa que estamos pregando? Sem conhecer a Bíblia não temos absolutamente nada a oferecer em termos espirituais à nação.

● Grande parte da Igreja evangélica brasileira é egocêntrica. Ora por si e pelos seus. Pede bens materiais, emprego, carro e casa própria em suas orações. Quer a cura de suas enfermidades. Mas não se dedica muito a interceder pelo próximo, orar pelo arrependimento dos pecados e buscar sanar os males da sociedade. Não ora pelos pobres. Não estende a mão ao faminto. Não olha para o próximo. Não se devota. Não considera o outro superior a si em honra. E ganhar uma nação para Cristo exige olhar, antes de tudo e antes de si mesmo… para a nação.

● A Igreja está hedonista. Quer prazer. Quer alegria. Quer ser feliz da vida. Quer emoção. Que louvores vazios mas emocionantes. Quer cantores carismáticos, mesmo que pouco espirituais. Quer shows e não momentos de intimidade com Deus. Quer se sentir bem. Quer cultos que atendam às suas necessidades. Quer pregações que a faça sorrir. Quer enriquecer e ter uma vida abastada. Só que antes de ganhar uma nação para Cristo temos que chorar muito, nos humilhar, esquecer o que nos faz bem e buscar o que faz bem à nação. E orar. Orar! A Igreja hoje celebra muito, canta muito… mas ora de forma mirrada, esquelética. Só que pouca oração e muita celebração não farão nação alguma se converter. Se ganharmos o país para esse modelo de cristianismo o que faremos é transformar o Brasil numa grande rave gospel, com festa atrás de festa, celebração após celebração e pouca ou quase nenhuma vida íntima com Cristo.

● Grande parte da Igreja tem pregado um evangelho mentiroso.  O que se tem divulgado é um Jesus fictício, complacente, eternamente alegre e exultante, que nos garante “plenitude de alegria, todo dia”. Mas o Cristo de verdade quer que tomemos nossa cruz para segui-lo. Que morramos para nós mesmos. Que deixemos pai e mãe para ir após Ele. Mas a nação não quer fazer nada disso. E para ganhar a nação para Cristo ela tem que saber que terá de abrir mão de muita coisa, de esvaziar-se de suas vontades e desejos e seguir um caminho de renúncia e muitas vezes de sofrimento. Ganhar a nação para Cristo significa propor a ela: tome sua Cruz e siga-me. Arrependa-se de seus pecados, abra mão de seu eu e mude de vida. Honestamente: é isso que temos pregado?

● A Igreja está dividida. A Palavra nos diz que “Se um reino estiver dividido contra si mesmo, não poderá subsistir” (Mc 3.24). Mas deixamos nossas paixões denominacionais suplantarem a unidade. Nós, pentecostais, fazemos piada com os tradicionais. Os tradicionais ridicularizam os pentecostais.  Todos menosprezamos os neopentecostais. Nos tornamos “anti” qualquer coisa que não sejamos nós mesmos. Nas tentativas de unir a Igreja perde-se tempo com discussões inócuas e vaidosas. Esquartejamos o Corpo de Cristo. E ainda assim queremos acrescentar uma nação inteira a esse Corpo? Como? Se não depusermos as hostilidades e buscarmos a unidade – verdadeira e sincera – uma nação ganha para Cristo sob esses moldes de igreja desunida seria um grande frankenstein.

● Nossas motivações são equivocadas. Queremos ganhar o Brasil pra Cristo não por amor às almas perdidas, mas sim para garantir nosso galardão no céu ou para finalmente fazermos parte do clube que representa a maioria e não a minoria. Queremos é estar por cima. Falta-nos, mais do que amor pelo Brasil, amor por cada brasileiro.

● Estamos tentando avançar na sociedade utilizando cargos políticos e legislações. Queremos ganhar o Brasil não para Cristo, mas para projetos de poder mascarados de cristianismo. E isso elegendo políticos supostamente comprometido com o Evangelho, fazendo marchas e protestos, usando de politicagens e chantagens políticas e organizando lobby no Planalto. E nada disso são armas espirituais. Nada disso nunca vai, de modo algum, glorificar o Senhor. Apenas cumprirá uma agenda política e nada mais.

Haveria muitos outros problemas que poderíamos desenvolver aqui, mas não quero me alongar mais. Não quero parecer um profeta do apocalipse, pintando um cenário pessimista. Minha intenção não é essa. Mas me atreveria a perguntar: será que os problemas que apontei acima são fruto da minha imaginação ou você consegue enxergá-los ao seu redor? Alguns poderiam dizer que o que escrevi não é nada edificante, mas… Há algo mais edificante que reconhecer nossos pecados para que possamos refletir sobre eles, arrepender-nos e consertar os erros? Não é isso que significa edificar? Construir? E, se preciso for, reconstruir? Parar de varrer a sujeira para baixo do tapete e acertar as coisas?

Há focos de resistência. Pequenos grupos que buscam viver uma espiritualidade real, profunda, desinteressada. Mas são grupos desconhecidos, pequenas igrejas escondidas, pastores que pregam para poucos e que proclamam o Evangelho como ele é, sem o desejo de agradar mais ao homem que a Deus. Cristãos que se abraçam e se amam de modo entregue e que se devotam à causa de Cristo e ao próximo. Esses são o remanescente fiel. São o último alento. Mas estão longe das câmeras de TV, das grandes gravadoras, dos eventos faraônicos, reunidos em silêncio, buscando a face de Deus sem fazer balbúrdia, sob as sombras do bem-aventurado anonimato. Eles são a semente da minha esperança.

Acredite: eu gostaria de que o Brasil fosse ganho para Cristo. Gostaria imensamente. Gostaria de viver numa pátria onde o Evangelho ditasse o procedimento das pessoas. Gostaria de poder afirmar: “Feliz é a minha nação, pois seu Deus é o Senhor”. Mas o que vejo ao meu redor não me permite fingir que está tudo bem. Não está. A Igreja de Cristo precisa se repensar e se acertar antes de empreender projetos de conquista. E isso urgentemente. Um exército desorganizado, desunido e despreparado não conquistaria nem um vilarejo, quanto mais uma nação.

Precisamos de um milagre. É caso de vida ou morte. E morte eterna. Precisamos nos arrepender dos caminhos pop e egoístas que estamos trilhando. Precisamos voltar a orar com um coração generoso. Precisamos nos humilhar. Precisamos clamar por misericórdia. Precisamos parar de tentar vencer o mundo no peito e na raça e tentar vencer, antes de qualquer outra coisa, nossas próprias concupiscências com o rosto no pó e os joelhos calejados. Essa luta não se vence com gritos, protestos, marchas, lobbies políticos e partidarismos, mas com lágrimas. Até caírem as escamas de nossos olhos e enxergarmos a dimensão espiritual que existe por trás da cortina da matéria continuaremos agindo como o servo de Eliseu, que não via o exército celestial do lado de fora de sua casa e desejava agir segundo os métodos do mundo e não os do Espírito.

Até lá, antes de pensarmos em ganhar o Brasil para Cristo, deveríamos nos preocupar em ganhar a nós mesmos para Ele. E isso diariamente. Pois é mediante a  transformação pessoal, de um a um, alma a alma, no campo do micro, que alcançaremos o macro. Caráter. Espiritualidade. Intimidade com Deus. Estudo aprofundado das Escrituras. Leitura de autores sérios. Menos exultações e mais contrição. Amor ao próximo de fato, comprovado em atos. Sem atitudes como essas, ganhar a nação para Cristo é um sonho distante. E, honestamente, impossível.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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¿Dónde estás, dónde te escondes, Señor?

Juan Simarro Fernández

 
Retazos del Evangelio a los pobres (XL)

¿Dónde estás, dónde te escondes, Señor?

“Y ya la barca estaba en medio del mar, azotada por las olas; porque el viento era contrario”. Mateo 14:24. Texto completo en Mateo 14:22-33.

20 de junio de 2011

Muchos se preguntan que dónde está el Señor en los momentos difíciles que tenemos que pasar , que dónde está el Señor en medio de la noche de los pobres del mundo, de los abandonados y proscritos de la historia, de los sufrientes de la tierra. ¿Dónde estás, Señor? ¿Dónde te escondes? ¿Acaso nos has abandonado? Pareciera que, en estos casos, quisiera resurgir el grito de Cristo en la cruz: “Dios mío, Dios mío, ¿por qué me has abandonado?”, ¿por qué nos has abandonado, por qué has abandonado a tantos hambrientos, pobres y sufrientes de la historia?
Debemos tener mucho cuidado para no culpar a Dios de los hechos realizados en el mundo por los injustos de la tierra, los que desequilibran el mundo acumulando y guardando en sus almacenes como el rico necio de la parábola bíblica que nos dejó Jesús. No obstante, el pasaje de los discípulos azotados en el mar en soledad y abandono, sin la presencia del Maestro, nos hace pensar en el sufrimiento del mundo.
Este pasaje de los discípulos, azotados por las olas y las ondas del mar, podríamos tomarlo de forma alegórica y hacer de ello un simbolismo universal , una alegoría del sufrimiento humano, un icono de cuando el hombre se ve abandonado a las fuerzas del sufrimiento, un símbolo del sufrimiento aplicable a la tragedia del sufrimiento del mundo, del horror que tienen que vivir los hambrientos y los pobres de la tierra en su infravida.
Nos encontramos con la alegoría del mar, de las olas y de las ondas. La alegoría del viento fuerte y la alegoría de la noche, la cuarta vigilia de la noche. Las tres alegorías pueden acercarnos al sufrimiento humano, a las situaciones de emergencia, de conflicto. A las situaciones de angustia que tienen que vivir los desheredados de la tierra, la depresión y el sinvivir de los excluidos del mundo, de los robados de dignidad.
Los pobres del mundo, los sufrientes y los abatidos, los marginados y excluidos, pueden clamar con el salmista: “Todas tus ondas y tus olas han pasado sobre mí”. Los pobres buscan misericordia esperando en el Señor, pero, en el mundo, el trigo y la cizaña crecen juntos y hay que esperar a que el Señor separe esta cizaña del trigo para quemarla y que se produzca la auténtica liberación y la auténtica justicia. Mientras, nosotros tenemos que ser las manos y los pies del Señor intentando justicia para el mundo injusto.
Jesús parece que no está.  Las olas nos azotan. Nos sobrecoge el temor y la angustia, el hambre, la escasez de agua potable, la falta de medicinas… Situaciones terribles en donde parece que el Señor se ha escondido, nos ha abandonado. La alegoría del viento fuerte que nos zarandea. El viento nos es contrario. Hay injusticias, opresiones, despojos, acumulaciones injustas… El hombre azotado y llevado de un lado a otro, a la deriva, ante la mirada insolidaria de los que llenan sus graneros inmisericordemente. Muchos azotados, sin dirección, por vientos agresivos.
Vidas que se derrumban y que se quedan en la infravida, en el no ser de la marginación, por el azote de los vientos de maldad o de injusticia… y la noche. La cuarta vigilia de la noche de los pobres de la tierra. El reino de las sombras, el “valle de sombras de muerte”, como dice el salmista. No es solamente “la noche oscura del alma” de los místicos, sino la noche oscura también del debilitamiento de los cuerpos, de la falta de capacitación, de lo mínimo imprescindible para vivir con dignidad. “Por la noche durará el lloro”, dice el salmista. La alegoría de la noche oscura como una amenaza de desastre y depresión.
¿Quién es suficientemente fuerte para hacer frente él sólo a las fuerzas de estos vientos y de esta noche oscura, de estas ondas y olas de la injusticia y del mal? La frágil barca de la vida no puede resistir a los embates de los injustos…. Mientras, parece que Dios está retirado y como ajeno a la tragedia del hombre. ¿Dónde está Dios en estos momentos de sufrimiento? ¿Por qué deja Dios avanzar a tantos hombres hasta la cuarta vigilia de la noche del sufrimiento humano? ¿Por qué no abate y destruye Dios a los injustos y opresores de más de media humanidad?
El sufrimiento humano es un misterio difícil de comprender. Así pueden pasar años, siglos… como si la esperanza ya no pudiera resistir. Momentos cruciales. Nadie vendrá. Dios nos ha dejado. Nadie nos ayuda. Nadie nos quiere. Nadie nos puede tender una mano. Es el momento de tensión, de hambre, de sufrimiento, de soledad. Es entonces, cuando todos nos miran como sobrante humano, como despojo innecesario, cuando el Señor aparece. Y si le preguntamos, es posible que su respuesta nos vuelva a sumir en el misterio: “Bástate mi gracia. Mi poder se perfecciona en la debilidad”.
Jesús se acerca en medio de la vigilia de la noche, del sufrimiento, de la tragedia, andando sobre las aguas, sobre las olas y las ondas de nuestro sufrimiento y nos llama para que nosotros también andemos sobre esas aguas.  El problema es, cuando en medio del dolor y del sufrimiento, podemos confundir al Señor con un fantasma, como ocurrió a los discípulos en medio de su sufrimiento en medio de las olas y las ondas encrespadas.
Dios no está ausente, no se ha escondido, no se ha ocultado. Está ahí andando sobre los elementos que nos azotan… sufriendo con nosotros. Mientras, nos pide que, en fe, andemos por las aguas. ¿Quiénes podrán andar sobre las aguas para ser manos tendidas de ayuda, para vencer a los elementos injustos y asesinos de la vida de los que están en el no ser de la marginación, la pobreza y el hambre?
Atrévete a andar sobre las aguas. Conviértete en enemigo de las tinieblas, de la noche oscura. Trabaja en el “todavía no” del reino en el que estamos hasta que llegue la guadaña que corte la cizaña.  Sé portador de los valores del Reino y las manos y los pies del Señor que se mueven en medio de las olas y las sombras del sufrimiento. Dios no nos ha dejado. Camina delante de nosotros por las encrespadas olas del sufrimiento humano y, cuando le seguimos y nos convertimos en manos sanadoras y diacónicas en ayuda del prójimo sufriente nos dice: “Por mí lo hicisteis”. Es entonces cuando podremos romper a llorar de gozo.

Autores: Juan Simarro Fernández

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