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Pastor é eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos

07/03/2013 – 11h16

 

FOLHA.COM

TAI NALON
DE BRASÍLIA

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) foi eleito na manhã desta quinta-feira (7) presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara com 11 votos dos 18 possíveis. Com quórum de 12 votantes, apenas um deputado votou em branco.

"Eu poderia fazer um milhão de insinuações mas não vou fazer. O trabalho que faremos aqui na comissão vai mostrar isso", disse Feliciano ao ser empossado.

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A indicação de Feliciano é atribuída a uma articulação do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), integrante da bancada evangélica, e a um acordo de bancadas da Casa –que decidiram dar ao partido dele a presidência da comissão.

Na avaliação da cúpula petista na Casa, não é prevista para este ano a tramitação de projetos prioritários na comissão. Com vistas a 2014, a interpretação é que o custo político de endossar matérias polêmicas seria muito grande.

Comissão de Direitos Humanos

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Lula Marques/Folhapress

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Manifestantes deitam no chão em corredor contra a eleição do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

Desde ontem, o PT ocupa as comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça –a última, a mais importante da Casa. Deve também ocupar a Comissão de Relações Exteriores e Comércio.

Dos 11 deputados que o elegeram, 6 eram do PSC –partido de pouca expressão na Casa. As cadeiras ocupadas pela legenda foram cedidas por representantes de outros partidos. Os demais votantes, em sua maioria, são também integrantes da bancada evangélica na Câmara.

Representantes de PT, PSOL e PSB deixaram a reunião antes mesmo de a votação ser convocada. Pouco mais de uma hora depois de iniciada a sessão, o deputado Domingos Dutra (PT-MA), agora ex-presidente da comissão, renunciou ao cargo e abandonou a reunião.

Quem assumiu a comissão e conduziu a eleição foi o deputado João Campos (PSDB-GO), líder da frente parlamentar evangélica. Diante de uma bancada majoritariamente evangélica, agradeceu a Deus por terem chegado a um "bom termo". "Agradeço a oportunidade de participar de uma ocasião de importância democrática", disse.

Foi eleita também à vice-presidência da comissão a deputada Antônia Lúcia (PSC -AC), também integrante da bancada evangélica.

BATE-BOCA

Candidato único, Feliciano enfrenta a resistência de grupos de defesa de minorias -que o consideram "racista" e "homofóbico".
Em 2011, Feliciano declarou que os "africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé". Depois, disse que foi mal compreendido: "Minha família tem matriz africana, não sou racista".

O pastor diz que não é homofóbico, mas afirma ser contra o ato sexual entre pessoas do mesmo sexo.

Durante a sessão de hoje, foi restrito o acesso de manifestantes ao plenário da comissão. Corredores da Câmara foram fechados e apenas assessores e a imprensa tiveram acesso ao local.

Mesmo assim, houve tumulto. Diante de gritos de "homofóbico", o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) gritou "vão para o zoológico" e classificou os manifestantes de "baderneiros".

Em plenário, a troca de acusações também levou a momentos de tensão entre os parlamentares. O deputado Takayama (PSC-PR) disse que quem tentava impedir a votação em Feliciano era "cristofóbico". "Amamos o pecador, não amamos a prática das coisas erradas. Por exemplo, se um indivíduo quiser amar a vaca dele…", disse.

O deputado Jean Wyllys retrucou: "Nós amamos os cristãos, mas detestamos a exploração comercial da fé".

Dutra, por sua vez, apontando o dedo aos presentes, disse que a comissão virou uma "farsa" e uma "ditadura". "A comissão é dos ciganos, das lésbicas, das prostitutas, dos evangélicos e dos católicos. Espero que a próxima Mesa compreenda que a comissão não é partidária."

O presidente eleito disse, no entanto, não acreditar que eventos como esse possam se repetir ao longo do ano. "O trabalho que nós vamos executar aqui vai mostrar ao povo brasileiro."

REAÇÕES

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) articula na Câmara, junto com petistas e socialistas, a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Dignidade Humana e Contra a Violação de Direitos.

Segundo ele, a ideia é fazer um contraponto à atuação da Comissão de Direitos Humanos da Casa, que, segundo sua avaliação, "será uma comissão dos valores religiosos, do fundamentalismo e da higienização da raça".

Abaixo-assinado na internet já reúne mais de 70 mil signatários contra a eleição do deputado. "O pastor Marcos Feliciano claramente não está alinhado à defesa dos direitos humanos e sua eleição como presidente da comissão indica a falta de comprometimento dos parlamentares com essa agenda", disse Pedro Abramovay, diretor da Avaaz, organização internacional de ativistas.

Protesto contra Marco Feliciano na quarta-feira (6)

Lula Marques/Folhapress

Manifestantes protestam contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), indicado pelo seu partido para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara; após confusão, eleição de pastor é adiada para quinta-feira (7)

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Oito crânios aparecem perto de consulados e igrejas mórmons de SP

 

PEDRO IVO TOMÉ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O que parecia ser uma brincadeira de mau gosto tornou-se parte de um quebra-cabeça macabro que tem mobilizado a Polícia Civil paulistana.

Crânio humano é colocado na avenida Paulista em SP
Imagem deve ajudar polícia a descobrir quem abandonou crânio em SP

Desde o dia 20 do mês passado, quando um crânio foi encontrado em uma jardineira próxima ao ed. Copan, no centro da cidade, outros sete com as mesmas características foram achados em diversos pontos de São Paulo, no que parece ser um caso de bruxaria.

Thaiane de Oliveira, 24, atendente de uma loja de cosméticos que fica em frente à jardineira, lembra-se do dia.

"Cheguei por volta do meio-dia. A princípio, não fui ver. Daí tiraram foto e só aí que eu fui lá. Quando eu olhei a primeira vez, achei estranho. Mas depois mostrei a foto pra tanta gente que até acostumei", disse.

Desde então, outros crânios foram abandonados. E com um mesmo padrão. Todos estavam envoltos em papel de presente vermelho e foram colocados próximos a consulados (Rússia, República Tcheca e África do Sul) e em frente a igrejas mórmons.

Aline Oliveira, 23, recepcionista do prédio onde fica a representação da África do Sul, na av. Paulista, conta ter se assustado ao se deparar com o crânio abandonado na entrada do edifício.

"Já pensou? Ficou bastante tempo ali. Deixaram aquilo das oito da manhã até as quatro da tarde, quando a polícia veio tirar. O pessoal entrando e saindo o tempo todo, parava, via, perguntava", disse, indignada.

editoria de Arte/folhapress

INVESTIGAÇÕES

Para o delegado do 34º DP (Vila Sônia), Paul Henry Bozon Verduraz, um dos responsáveis pelas investigações, trata-se de um único caso.

Gravações de câmeras de segurança obtidas pela polícia mostram uma mulher aparentando ter entre 30 e 40 anos, sempre trajando saia até a canela, depositando alguns dos crânios encontrados.

"Parece um trabalho espiritual. A nossa investigação já está adiantada e as formas que foram deixados os crânios e os locais, próximos a sedes de consulados de outros países e a igrejas indicam que pode se tratar de um trabalho para dar poder a alguém [que teria encomendado a feitiçaria]", afirma.

Apesar de ainda aguardar o resultado dos exames periciais, o delegado do 3º DP (Santa Ifigênia), Antônio Carlos Tucumantel, que também investiga os casos, disse que todos os crânios são antigos.

"Não é coisa recente. Têm traços de terra e provavelmente foram retirados de cemitérios", afirmou.

Os delegados, porém, não forneceram outros detalhes da investigação, nem quiseram dar informações sobre quais seriam os possíveis cultos envolvido nas ações.

CULTOS EUROPEUS

O professor da USP aposentado Reginaldo Prandi, especializado em sociologia da religião, disse acreditar que o "trabalho" –que dispensou velas, alimentos, animais mortos e outros elementos típicos de cultos de origem africanas– possa ter ligação com bruxaria de origem europeia.

"No Brasil, as religiões afrodescendentes jamais fariam algo relacionado a consulados", comentou.

De acordo com o professor, não é comum o uso de restos mortais humanos nas religiões afro-brasileiras.

Ao ser questionada sobre o caso, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, por meio de sua assessoria, disse que não sabia mais detalhes a respeito do assunto, e afirmou também que não centraliza dados sobre violações de túmulos.

E o mistério continua.

Colaborou MARCELO SOARES

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Pr. Marco Feliciano e o cadeirante tetraplégico