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Pastores esquecem que são humanos, diz pastor americano

 

PorBrittany Smith | Repórter do The Christian Post tradutor Ana Araújo

Pastores também podem sofrer estresse, disse Wayne Cordeiro, pastor da igreja americana New Hope Christian Fellowship, durante encontro de sete líderes da igreja nesta quarta-feira.

Durante o evento, Cordeiro reconheceu que o assunto ainda é um tabu entre os pastores, como escreveu em seu livro lançado recentemente “Leading on Empty”, ou “Liderando com empatia”, em tradução livre ao português.

No livro, ele relata momentos de estresse que passou no ministério. "Não importa se você está em uma igreja pequena ou grande, pode acontecer a qualquer um”, disse ele na conferência que foi transmitida para mais de 60 locais em todo o EUA.

Cordeiro explicou que quando começou a se sentir estressado, ele não admitiu e tentou continuar.

"Eu sentia como Schindler. Eu poderia ter salvado mais um casamento. Eu poderia ter levado mais uma pessoa a Cristo", mas finalmente percebeu que estava errado ao pensar que podia fazer tudo o que ele sentia que tinha capacidade, se não fosse realmente o que Deus queria que fizesse.

Muitas vezes no ministério "não se pode parar o trem", explicou. "Você pensa que é ‘Superman’ no início, acha que é à prova de balas. Não se esqueçam de que somos pastores, não podemos esquecer que somos humanos".

James MacDonald, mediador do evento e pastor da Harvest Bible Chapel, disse que ele também experimentou dois períodos de estresse em seu ministério, onde ele teve que realinhar suas prioridades.

A primeira vez que passou por isso, teve que dar um tempo para descobrir o que estava acontecendo. "O Senhor me deu algumas ideias espirituais. Eu tinha negligenciado a minha alma. Eu tinha negligenciado a minha caminhada com o Senhor", disse ele.

MacDonald disse que o apoio de outras pessoas o ajudaram. "Eu tive que me tornar responsável perante um grupo de pessoas que poderiam me dizer, ‘Você não vai lá. Você não está fazendo isso."

Os pastores que participaram do evento também falaram sobre o ano sabático, um tempo prolongado longe do ministério, como uma boa forma para um pastor evitar o estresse. Crawford Loritts, no ministério há mais de 40 anos, disse que estas pausas são importantes.

Ele também afirmou que parte do problema que leva ao estresse é que na cultura de hoje na igreja "todos se concentram em conferências sobre desenvolvimento de liderança, quando temos de nos concentrar mais tempo no desenvolvimento de líderes. Minha identidade não é o meu ministério. Dirigentes mais jovens começam em uma esteira de desempenho, quando a verdade da questão é, Deus soprou sobre todos nós".

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TCU determina que bispa Sonia Hernandes devolva R$ 785 mil a cofres públicos

 

PorJussara Teixeira | Correspondente do The Christian Post

O Tribunal de Contas da União (TCU) condenou a bispa Sonia Hernandes, ex-líder da Igreja Renascer em Cristo, a devolver R$ 785 mil aos cofres públicos por falta de prestação de contas das verbas recebidas, mais uma multa de R$ 100 mil.

  • Bispa Sônia Hernandes, cofundadora da Renascer, durante Marcha para Jesus, em 2011

    Foto: www.acessoparnaiba.blogspot.com

O dinheiro em questão foi repassado entre os anos 2004 e 2005 pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, FNDE, do Ministério da Educação, à Fundação Renascer que é presidida por Sonia.

O montante deveria ter sido aplicado na alfabetização de 8 mil pessoas, segundo a Época. Porém, não há provas de que o valor teria sido gasto para esse fim.

Foi instaurada uma tomada de contas para averiguar a "inépcia da prestação de contas do convênio". O TCU diz que foram feitos saques na conta do convênio sem identificação do destinatário dos recursos.

Sonia Henandes já acumula acusações de lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica. Ela e o marido, o publicitário Estevan Henandes, foram os líderes da Igreja Renascer em Cristo, denominação que chegou a reunir mais de mil templos no Brasil e foi tida como a grande promessa evangélica no anos 90.

Mas cisões internas, problemas financeiros, templos fechado por falta de pagamento de aluguel, lideranças migrando para outras denominações, problemas sucessórios, além de inúmeras irregularidades financeiras fizeram o número de igrejas encolherem para cerca de 300.

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“O futuro da igreja está nas mãos de Deus”, chegou a dizer a bispa em entrevista à revista IstoÉ, em setembro de 2011.

Um dos maiores exemplos das perdas de seguidores sofridas pelo templo foi o jogador Kaká e sua esposa Caroline Célico. Ele frequentava a congregação desde criança e ela desde os 16 anos. Ambos contribuíam com grandes ofertas, mas se desligaram da denominação em 2010.

O casal Sonia e Estevan Hernandes costuma atribuir as acusações à perseguição ou à ação de forças malignas. Segundo os advogados da bispa, ela ainda não tem ciência da sentença promulgada.

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Escapei do inferno

Ex-prostituta brasileira diz que ‘escapou do inferno’ e ajuda outras na Espanha

Em depoimento à BBC Brasil, V.R.B. conta como foi levada de Goiânia a prostíbulos espanhóis por uma quadrilha.

01 de fevereiro de 2012 | 6h 48

"Vida fácil? É ruim!" O desabafo é da goianiense V.R.B., que viajou a Madri para se prostituir, sem saber que teria que fugir para se livrar de uma rede de traficantes de mulheres. Agora ela usa sua experiência para salvar outras brasileiras.

Aos 36 anos, V.R.B. é uma mediadora, uma espécie de assistente social de uma das quatros ONGs espanholas que ajudam mulheres prostituídas a escaparem das quadrilhas de exploração sexual e reintegrar-se na sociedade.

Tudo nela é sigiloso. Nome, endereço, aspecto e até mesmo o nome da ONG para a qual trabalha. Ela está protegida pela polícia por denunciar seus exploradores.

A história dela começa em 2006, quando foi aliciada em Goiás por conhecidos que a ofereceram um trabalho como prostituta na Espanha com salários de R$ 9 mil ao mês.

"Sonhei sim. Ganhar um dinheirão, acertar a vida da minha mãe, dar um futuro para meus (dois) filhos e voltar para montar um negócio no Brasil. Eu aceitei. Mas não me disseram que eu não podia sair quando quisesse", contou à BBC Brasil.

Fuga

Sair significava não só largar a rede, mas dar qualquer passo sozinha fora do prostíbulo onde morava e trabalhava com outras 17 mulheres. "Só podia falar no telefone vigiada, andar na rua vigiada, trabalhando de domingo a domingo…controlada o tempo todo."

A quadrilha que a cooptou a revendeu primeiro a um prostíbulo da Galícia. Em seguida foi para a Catalunha, Valencia, Cantábria, Andaluzia e Extremadura, num total de 42 lugares no território espanhol, pelo que lembra.

Em 2008, V.R.B. conseguiu escapar, com a ajuda de um cliente, pela garagem do prostíbulo. Foi perseguida, ameaçada de morte por telefone e mora refugiada em uma casa subvencionada por uma ONG.

"Para mim foi a fuga do inferno. Fui tratada por psicólogas durante quase três anos e me convenci de que tenho que ajudar outras mulheres porque entrar é fácil, mas sair só com ajuda mesmo. Senão, não sai, não. A pessoa morre antes."

O trabalho de V.R.B. é fazer contato com outras brasileiras prostituídas, contando sua experiência e oferecendo ajuda às que quiserem deixar as redes.

"Somos três brasileiras numa equipe de 11 e encontramos muitas barreiras porque as meninas têm muito medo. Primeiro dizem que não são vítimas, depois contam que as famílias dependem desse dinheiro e não sabem o que elas fazem aqui", diz.

Segundo as ONGs Apramp, Médicos do Mundo e Projeto Esperança, as mulheres resgatadas de exploradores sexuais são geralmente encontradas desnutridas, com transtornos psicológicos, fobias, depressão, infecções, marcas de violência, viciadas em drogas e em estado de confusão mental.

Após receber tratamento psicológico, a maior parte das estrangeiras não volta a seus países de origem por vergonha, medo de que família e vizinhos saibam de seu passado ou por causa do envolvimento de algum parente em sua captação.

Elas preferem manter a mentira que contaram para os familiares: que se casaram com estrangeiros e levam uma vida de luxo no exterior. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.