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¿Por qué Inglaterra vuelve a ir a la iglesia?

Tras 30 años de descenso

 

¿Por qué Inglaterra vuelve a ir a la iglesia?

En el último año, la asistencia a servicios religiosos ha crecido, ante la sorpresa de los expertos que buscan explicaciones.

09 DE ENERO DE 2012, LONDRES

Recientemente el diario nacional inglés The Telegraph examinaba unas cifras algo sorprendentes:  la asistencia a las iglesias en Reino Unido ha aumentado en el último año,  cambiando así una tendencia descendente que se daba desde la década de los 80.
El periódico ha expuesto como ejemplo el caso concreto de una congregación (la iglesia de St. Mary´s), que ha visto un aumento del 20 por ciento  de los asistentes a los cultos religiosos de la iglesia en los últimos doce meses. Algo impensable hace un par de años.
SOCIEDAD CRISTIANA SECULARIZADA
En el Reino Unido, el 76,8 por ciento dice ser religioso, de acuerdo con las diversas fuentes de estadísticas sociales, con el cristianismo como la religión dominante. En 2007, una encuesta de Tearfund encontró que  sólo un 10 por ciento de las personas religiosas asistían a la iglesia una vez por semana , aunque esta cifra aumenta significativamente en la época navideña.
En 1979, 5,4 millones de personas asistían a la iglesia, pero esta cifra cayó a unos 3,2 millones en el año 2005. Entre las razones de este descenso se encontraba la pérdida de identificación, las compras del domingo o los deportes.
EL CASO DE HILLSONG
El aumento de la asistencia a la iglesia puede verse especialmente en algunas congregaciones como Hillsong.  La iglesia evangélica de origen australiano que tiene sede en Londres ha experimentado un aumento notable en los últimos años también en su sección inglesa.
Según los informes ofrecidos, la asistencia a esta iglesia en Inglaterra ha pasado de 200 fieles a 10.000 en 12 años, un crecimiento que también se ha producido en las diversas sedes de esta iglesia en otros países. Algunos expertos han atribuido el aumento de los miembros de la Hillsong y la asistencia sus cultos por la expansión de los “grupos de oración”, es decir, las pequeñas reuniones en hogares o grupos pequeños que se suelen celebrar durante la semana.
“Nos reunimos durante la semana en pequeños grupos informales, conocidos como Grupos de Conexión, que sirven a nuestras comunidades locales. Algunas personas incluso van a la universidad por la noche para aprender más sobre la palabra de Dios, nos relacionamos, podemos hacer y tener una vida en común”,  dice la web de Hillsong.
Algunos dicen que las sesiones de oración de Hillsong, que se llevan a cabo a lo largo de la semana dan a los fieles un sentido más amplio de pertenencia y, posteriormente, dan a los miembros motivación para asistir regularmente a la iglesia.
Hay además varios aspectos de la congregación de Hillsong que fomentan la participación de los miembros en la actividad cúltica. Entre ellos está el coro, actividades basadas en una fe práctica, noches de concursos, y grupos de oración. Todo ello da lugar a que todos se sientan y sean parte del movimiento y conecta con la experiencia de los jóvenes.
¿RESPUESTA A LA CRISIS?
Algunos sociólogos han sugerido también que el aumento de las dificultades económicas ayuda a que más personas recurran a la religión. En un trabajo de investigación sobre Sage Journals Online titulado “Prueba Nacional de la Hipótesis de la Incertidumbre de las Creencias Religiosas”, Nigel Barber expone esta teoría.
“Hay una fuerte correlación negativa entre las medidas de seguridad material y la religiosidad: los países que son más religiosos son también aquellos en los que los individuos son menos seguros”, dice Barber.
Su teoría se basa en la idea de que la “creencia en lo sobrenatural puede ser una manera de controlar la incertidumbre de nuestras vidas”.Claro que otros piensan lo contrario, que la bonanza y el bienestar material es una droga que adormece los sentidos espirituales de muchos, que sólo despiertan cuando "la droga" desaparece. Es cuestión de opiniones, aunque la realidad y la verdad son únicas.

© Protestante Digital 2011

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Tráfico sexual humano: a moderna escravidão que não foi abolida

Julio Severo

Dezenas de milhares de meninas e moças, especialmente da Europa Oriental e até mesmo da Rússia, são ludibriadas por ofertas de empregos na Europa Ocidental e EUA, onde acabam sendo transformadas em escravas sexuais. A vida delas é tão dura que muitas morrem, se suicidam ou são mortas depois de cinco anos de escravidão. É uma escravidão mortal que sustenta a indústria criminosa da prostituição e pornografia. Desgraçadamente, os EUA e a Europa Ocidental são os consumidores que sustentam a máfia que escraviza as meninas e moças.

Raptadas e escravizadas para prostituição e pornografia

Como é que elas poderiam chamar a polícia, quando autoridades elevadas recebem subornos ou fazem uso da prostituição escrava?

Tenho acompanhado a tragédia da escravidão sexual desde a década de 1980, e confesso que é difícil entender como uma nação como os EUA, que tem tanta tecnologia de “segurança”, abrigue uma grande população de meninas e moças escravas, trazidas de muitos países, para uso de prostituição e pornografia.

Contudo, um grupo de cristãos está fazendo campanhas de oração e conscientização em favor dessas vítimas.

Este artigo é minha colaboração para a abolição da escravidão de meninas e moças. Vamos orar contra a indústria da escravidão e para que muitas igrejas façam desse tema motivo de oração.

Eis agora o artigo, cuja leitura recomendo a todos:

“Nefasto: Mercadores de Almas” desmascara a indústria do tráfico sexual

Jimmy Stewart

Enquanto aguardávamos recentemente num salão lotado para assistir a um novo documentário sobre tráfico sexual, fiquei tentando imaginar como o cineasta cristão Benjamin Nolot apresentaria esse assunto vivido para nós.

Nolot dirige um ministério internacional chamado Exodus Cry (Grito do Êxodo), com sede em Grandview, Missouri, e é parte da equipe de liderança da Casa Internacional de Oração, liderada por Mike Bickle. O propósito do Exodus Cry é abolir a escravidão sexual no mundo inteiro por meio de campanhas de oração e conscientização, resgates sem uso de violência e a reabilitação e reintegração social das vítimas.

Eu sabia, pois, que ele estaria buscando alcançar a audiência mais ampla possível com seu documentário revelador, “Nefarious: Merchant of Souls” (Nefasto: Mercadores de Almas). Para fazer isso com esse tema, ele teria que balancear realidade com discrição. Logo vi que ele conseguiu — realizando essa façanha sem comprometer seu propósito: revelar a realidade horrenda dessa indústria criminosa que está espalhada em várias partes do mundo.

Em 2007 Nolot embarcou em missões de levantamento de dados para investigar o submundo da “indústria” sexual. Ele acabou viajando com sua equipe de filmagem para 19 países. O filme que estávamos para ver fazia um registro das viagens deles.

A maioria de nós que estávamos na noite de pré-estreia do filme na Universidade Full Sail em Orlando, Flórida, era cristã. Fomos a convite de Florida Abolitionist, ONG patrocinadora que faz campanhas contra as modernas formas de escravidão. O pastor local, Tomas J. Lares, disse à audiência que ele fundou a organização depois de ficar sabendo que a Flórida é um dos maiores canais de tráfico humano. O estado da Flórida, pelo que consta, é o segundo maior centro de tráfico humano dos Estados Unidos, de acordo com o Ministério da Justiça dos EUA.

Lares apresentou algumas estatísticas preocupantes sobre a escravidão sexual: no mundo inteiro, 2 milhões de crianças são vítimas; 80 por cento de todas as vítimas são mulheres e crianças; a idade média das vítimas que entram na prostituição comercial nos EUA é 13 anos. O filme de Nolot, porém, acrescentou o lado humano dessas estatísticas, contando os casos de vítimas da vida real.

Durante duas horas, fomos levados a momentos abaladores acerca da indústria mundial do sexo: Europa Oriental, Sudeste da Ásia, Europa Ocidental, EUA. Em todas as filmagens e entrevistas feitas nos próprios locais com meninas resgatadas, especialistas de direitos humanos e outros, o documentário Nefarious iluminou a escuridão que encobre esse comércio ilegal.

De modo particular, descobri duas expressões dessa tão chamada indústria que são profundamente preocupantes pela desgraça e opressão que infligem. Essas são a infraestrutura de tráfico humano na Europa e a cultura de cumplicidade dos pais no Sudeste da Ásia.

Europa: os “pontos de iniciação”

Nefarious inicia com a encenação perturbante de um sequestro em plena luz do dia. Uma moça é agarrada à força na rua de uma cidade de algum lugar da Europa. O local não é citado, mas parece que é na Moldávia, um pequeno país que era satélite da União Soviética, a beira do mar Negro.

A Moldávia está hoje entre os países mais pobres da Europa e é perfeita para empreendimentos ilegais: um lugar de “crime generalizado e atividade econômica criminosa”, de acordo com os relatórios da CIA. Os comerciantes de escravos chamam a Moldávia de “Motor” da indústria do tráfico sexual da Europa. Conforme o filme, mais de 10 por cento da população da Moldávia foram vitimadas pelo tráfico sexual.

A moça é levada a um prédio de apartamentos de propriedade de uma organização criminosa, onde ela fica confinada com outras meninas que tiveram o mesmo destino dela. Os traficantes chamam essas residências de “pontos de iniciação”, e o filme deixa evidente que essas residências são fábricas de desgraça humana. Ali, as moças são tratadas com brutalidade até se transformarem em submissos produtos para a indústria sexual.

Embora o tipo de sequestro que Nefarious retratou realmente ocorra, a maioria das moças vítimas do tráfico sexual da Europa são atraídas e ludibriadas por ofertas de emprego que prometem uma vida melhor. As ofertas incluem trabalho em hotéis, restaurantes ou de babá em cidades prósperas da Europa. Agências de emprego fajutas, estabelecidas pelos traficantes, se encarregam de fazer as ofertas fraudulentas. Os melhores empregos supostamente vão para meninas que irão para o exterior. Mas, em vez de melhoria de vida, elas são raptadas logo que chegam ao outro país e são enviadas para os “pontos de iniciação”.

Vlad (não é o nome real dele) trabalhou como traficante de seres humanos durante 11 anos na Europa. Ele falou diante da câmera e dissecou, para Nolot, o inferno dos pontos de iniciação.

Terror, drogas, ameaças de violência e violência real são usados para subjugar a vontade das vítimas e criar submissão total. Os homens brutais que são encarregados de implementar isso consideram que o estado ideal de submissão é quando eles gritam uma única palavra para as meninas (“Vá”. “Fique”. “Deite-se”. “Levante-se”. “Sente-se”.) e recebem obediência imediata.

Um número muito pequeno de meninas escapa dos pontos de iniciação, disse Vlad, devido à constante monitoração, violência física e por saberem das consequências se tentarem uma fuga. Perguntaram a Vlad o que aconteceria com uma menina que tentasse escapar mais de uma vez.

“Pois bem, quando são pegas, elas são surradas”, disse ele. “Se tentam de novo…” A voz dele se perdeu, insinuando o óbvio.

Perguntaram-lhe: Isso não o incomodava?

“Nas primeiras duas ou três vezes que tive de dar lição numa menina, fiquei pensativo”, respondeu ele. “Depois disso, não pensei mais. A gente acaba se acostumando”.

Perguntaram-lhe: Isso não o incomodava?

“Por que eu pararia de pensar no que acontece com as meninas?” ele respondeu retoricamente. “Parei de pensar por causa de dinheiro — muito dinheiro”.

No final, as meninas enfrentam a triste realidade de passar a vida inteira na prostituição. Pior, algumas são enviadas a leilões de escravas onde são vendidas como propriedade para quem fizer a oferta mais alta. Os compradores chegam de todas as partes do mundo. Uma menina europeia que foi resgatada, cuja face estava escondida ao falar diante da câmera, descreveu as modernas escravas secretas da Europa Oriental que são mantidas presas em prédios fortemente guardados por seguranças e câmeras. Os prédios têm a fachada de desfile de modas.

“Éramos obrigadas a descer a passarela e ficar sem nenhuma roupa diante da audiência”, disse ela. “Os homens que mostravam interesse em comprar chegavam perto e nos examinavam, como se fossemos gado”.

Nefarious contrastou o brutal e secreto comércio sexual da Europa Oriental com o comércio consolidado e praticado publicamente na Holanda, na Europa Ocidental. Na Holanda, os bordéis são um negócio legal regulamentado pelo governo. Amsterdã é famosa como destino internacional para o turismo sexual.

Contudo, a Holanda está também na lista dos principais destinos para onde vão parar as vítimas de tráfico sexual, de acordo com a Agência da ONU de Drogas e Crime. Em anos recentes, negócios de sexo na cidade foram fechados devido a suspeita de atividade criminosa.

Nolot e sua equipe falaram com um fornecedor de prostituição em Amsterdã chamado Slim e lhe perguntaram se seu negócio era financiado pelo crime organizado. Hesitando por um momento, Slim respondeu: “Não, não”.

Vlad discordou. “Esses negócios são todos administrados pela máfia”, afirmou o ex-traficante, usando o termo máfia para designar o “crime organizado” em geral. “Esses negócios envolvem muito dinheiro”.

De acordo como o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, o tráfico humano é a indústria criminosa que mais cresce no mundo e a segunda maior, perdendo apenas para o comércio ilegal de drogas. Vlad disse para Nolot que o tráfico sexual em particular está crescendo muito rápido.

“Diferente das drogas, que podem ser vendidas apenas uma vez”, disse ele, “uma jovem pode ser vendida repetidas vezes”.

Perguntaram-lhe: Mas como é que conseguem fazer isso em escala internacional?

“Sem as máfias, não haveria nenhuma tráfico humano. Tudo isso é por causa do dinheiro”, ele disse para Nolot. “Mas o que também possibilita o tráfico humano é a corrupção dos governos”.

O dinheiro ilícito é tão abundante, explicou ele, que até mesmo autoridades governamentais fazem vista grossa por um preço. Todos os dias ocorrem subornos, afirmou ele, envolvendo autoridades das mais elevadas até as mais inferiores: de líderes nacionais a locais, desde agentes de imigração até funcionários de alfândega, desde agências policiais até policiais nas ruas.

O dinheiro é a chave que abre a porta para a cumplicidade de líderes governamentais, disse ele.

Sudeste da Ásia: Cumplicidade dos Pais

No Sudeste da Ásia, principalmente no Camboja e Tailândia, Nolot e sua equipe descobriram outro tipo de cumplicidade que está ajudando a avançar a indústria do sexo.

Nesta esquina do mundo, as opiniões culturais sobre as mulheres, bem como pobreza generalizada, combinaram para criar um sistema que alimenta a prostituição infantil incentivada pela “cumplicidade dos pais”. A diferença entre esta esquina do mundo e a Europa Oriental é que os pais que vivem em regiões empobrecidas enviam, de forma consciente e deliberada, suas filhas novas para centros urbanos de prostituição para fazer dinheiro para a família.

Em algumas regiões do Sudeste Asiático, meninas se prostituem antes da idade de 10 anos e são usadas na subindústria da pornografia.

De novo, o crime organizado controla a indústria maior. Embora esse fato não seja evidente na vida cultural das vilas rurais, o filme o mostrou em funcionamento nas modernas áreas turísticas das grandes cidades.

Nos destinos turísticos do Sudeste Asiático, clubes de karaokê são os principais pontos de conexão para o turismo sexual. Nolot capturou as cenas desses clubes no filme: grupos de meninas que pareciam estar no início da adolescência até os 20 anos se misturavam com clientes nas calçadas ou barzinhos em frente dos clubes. Muitas das meninas saíam com homens ocidentais brancos de meia idade — alguns dos quais haviam, sem dúvida alguma, viajado milhares de quilômetros para estar num lugar onde pudessem de forma segura comprar meninas menores de idade para fins sexuais.

Dentro dos clubes, a câmera de Nolot capturou as cenas: quartos com decoração moderna em tom lustroso, cores vivas, grandes TVs de tela plana, música ambiente, iluminação suave e energia sexual. Certo clube onde ele filmou tinha 80 quartos desse tipo. Em cada um deles, as meninas se misturavam, ou ficavam entrando e saindo em busca de conexões. De acordo com uma fonte policial entrevistada por Nolot, o dono havia comprado outros oito clubes exatamente como esse e mais de 2.000 meninas em sua rede. Esse era apenas um dos muitos clubes nas áreas de turistas internacionais.

Ver com os próprios olhos a indústria sexual em funcionamento, por meio de cenas como essas, significava que a produção de Nefarious não era uma tarefa fácil para Nolot: “Ver o problema do tráfico humano a partir desse ângulo era extremamente difícil. Não se passa um dia sem que eu recorde as tragédias horríveis que escavamos”.

Seu motivo para o filme, disse ele, não é “fazer vendas”, mas ajudar a consertar um erro. “Isso tudo é pessoal e profundamente importante pra mim. Abordo essa questão com um desejo de justiça, não credencial ou fama. Sou apaixonado de ver outros, como eu mesmo, estimulados a passar da ignorância para a ação”.

Falando como espectador, imagino que todos nós que estávamos no salão naquela noite tivemos o mesmo pensamento no final do filme quando estavam aparecendo os nomes: Não queríamos nada menos do que ver esse comércio nefasto detido para sempre.

“Nefarious: Merchant of Souls” (Nefasto: Mercadores de Almas) é o primeiro de três filmes de Benjamin Nolot sobre tráfico humano. Os filmes dois e três estão em fase de produção. Para mais informações sobre os filmes, assista o primeiro. Para mais informações sobre Exodus Cry, clique aqui.

Tradução: www.juliosevero.com

Fonte: Charisma

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Vídeo de pastora Ana Lúcia Quebra Tudo já passou de 300 mil acessos

APÓS APARIÇÃO NA GLOBO

 

    Há um culto em torno da pastora Ana Lúcia. E ele não se resume às cerca de 150 pessoas reunidas no pequeno e modesto templo instalado no primeiro andar de sua casa, numa rua estreita em Belford Roxo. Desde o ano passado, outras 300 mil — entre elas, a apresentadora Regina Casé, fiel seguidora — se deixaram levar pelo carisma e pela voz incrivelmente soul da religiosa, por meio de um vídeo no YouTube com o registro de uma inflamada apresentação em uma igreja de Nova Iguaçu.

   Na gravação, de pouco mais de oito minutos, a pastora, ligada a uma igreja neopentecostal, se diferencia radicalmente de outros nomes da música gospel, um gênero que tem se mantido imune à crise da indústria fonográfica (exemplo disso é o CD e DVD "O poder da aliança", da pastora Ludmila Ferber, que, lançado em agosto do ano passado, já vendeu 109 mil cópias).Mas, comparada à comportada Ludmila, a pastora Ana Lúcia parece vir de um outro mundo, bem mais quente. Cantando a música "Vem comigo dando glória", um hit de suas apresentações, ela surge no vídeo totalmente possuída pelo ritmo criado pela sua banda de fé, os Gideões, formada por ex-pagodeiros "convertidos".

   Por cima de uma selvagem base percussiva e um ritmo que lembra o samba rock, ela espanta seus demônios usando interjeições — como "agora quebra, quebra, quebra" e "tá pegando fogo, tá pegando fogo" — que mais parecem saídas das rimas profanas de um MC de funk. É como se, por um milagre, Aretha Franklin, Jovelina Pérola Negra e Tati Quebra-Barraco tivessem se transformado em uma só pessoa. É ver para crer.

    — Acho que canto assim porque meu filho é funkeiro. Nunca fui a um baile, mas estou sempre ouvindo as músicas dele — ela diz, sentada num sofá de casa, ainda suando depois de um animado culto, na semana passada. — E minha família tem umbandista, eu mesma já fui umbandista antes de me converter. É essa coisa bem brasileira, de misturar tudo, não é? E, se eu for pregar como outros que existem por aí, com aquelas músicas chatas, vai cair todo mundo no sono. As pessoas vêm aqui e me seguem porque sabem que sou animada, que gosto de festa.

     O culto comandado pela pastora Ana Lúcia em sua Igreja Pentecostal do Evangelho Pleno — todas as terças e quintas, às 19h — parece mesmo uma festa, da qual ela é a grande estrela. O começo da noite é morno, com outros pastores se revezando no microfone, enquanto as pessoas vão chegando ao local. Se fosse um programa de auditório, eles seriam gongados por pecar no quesito afinação.

      Mas, quando Ana Lúcia começa a cantar, acompanhada pelos Gideões, a igreja parece tremer. As pessoas gritam e levam as mãos para o alto. A primeira música é "Diabo larga o que é meu", composta pela própria religiosa, que canta com fervor a letra nem um pouco tradicional ("Meu marido é infiel, mas é meu/ Meu filho é funkeiro, mas é meu").

   — É um recado para quem abre mão dos seus entes queridos por qualquer problema que surja, seja um vício, um desvio de caráter ou uma diferença qualquer — afirma ela. — Procuro unir as pessoas, em vez de separá-las. Por isso, nos meus cultos todo mundo é bem-vindo, sem distinções. Pode ser gay, pode ser dependente químico, pode ser espírita, é só chegar. Quero festejar e celebrar as diferenças. Não nasci para pregar o ódio ou o medo.

     A trajetória da pastora — fã de Alcione e Whitney Houston, e que ainda não tem disco gravado "por falta de dinheiro mesmo" — ajuda a entender esse sentimento agregador. Nascida em Belford Roxo, há 42 anos, ela se converteu aos 22, quando o filho, Leandro, teve leucemia, ainda bebê.

— Minha mãe dizia que eu era louca, e meu marido me abandonou por causa da minha religião — lembra ela. — Hoje meu filho está saudável, e meu noivo está aqui ao meu lado, celebrando comigo.

     De volta à igreja, o ritmo é forte, intenso, e, à medida que a música vai progredindo, a maior parte dos presentes começa a dançar, alguns rodopiando de olhos fechados, outros caindo no chão. Contaminada, a pastora pula, dança também e vai cantar no meio da igreja. O transe coletivo é administrado por seus ajudantes, todos eles vestindo camisetas de cor lilás com o nome da pastora nas costas, mesmo uniforme usado pela banda. Do lado de fora da igreja, Leandro, o filho funkeiro, hoje com 23 anos, assiste a tudo respeitosamente.

    — A pastora Ana Lúcia tem um carisma inacreditável e uma voz fantástica. Já perdi a conta das vezes em que assisti àquele vídeo no YouTube — diz Regina Casé, que convidou a religiosa para participar de seu programa, "Esquenta!", exibido no primeiro domingo do ano. — Ela nasceu para brilhar.

    A participação da pastora Ana Lúcia no "Esquenta!" quase não aconteceu. Desconfiada, a religiosa achou que o convite para ir ao programa era uma pegadinha.

— Quando o rapaz da produção me ligou, com essa história de programa, eu achei que era brincadeira e desliguei o telefone na cara dele. Zoação, não! — conta ela, brincando com sua excessiva precaução. — Depois, vi que o negócio era sério. Mas disse que só ia se pudesse levar a minha banda inteira, que tem 14 integrantes. No outro dia, tinha um ônibus aqui na porta, para levar a gente para o Projac. Foi incrível.

Cachê em oração, não

O vídeo a que Regina Casé e outras 300 mil pessoas assistiram no YouTube foi gravado durante uma apresentação da pastora como convidada de uma outra igreja, uma peregrinação com jeito de turnê que já a levou a outros estados e que ela tenta administrar com mais cuidado depois de algumas experiências nada memoráveis.

— Teve um sujeito que me levou para cantar em João Pessoa e depois queria me pagar com orações, veja só — conta ela, que cobra cerca de R$ 350 por apresentação. — E nem hotel ele me arrumou. Tive que dormir na casa de uma amiga. Hoje, tenho uma pessoa só para acertar minha agenda. Não posso mais passar por essas situações. Tenho aluguel para pagar e família para sustentar.

Mangueirense e vascaína, Ana Lúcia de Andrade começou a cantar quando tinha 5 anos, incentivada por um tio que era músico amador. Quando era adolescente, ouvia Paralamas, Lobão, Leci Brandão e Almir Guineto.

— Eu era saidinha, ia a bailes de soul em Madureira e no Méier. Adorava o som de DJs como o Corello. E sambava muito bem, viu? Parei um pouco com essas coisas quando me converti e virei cantora principal dos cultos por incentivo de um pastor que gostou da minha voz.

O repertório da pastora Ana Lúcia e os Gideões ainda é pequeno. São apenas sete músicas prontas e algumas sendo finalizadas.

— A gente queria poder ensaiar mais, mas não temos como pagar um estúdio. Então, vamos improvisando com o que temos. Mas não tenho do que reclamar. As pessoas adoram nossas apresentações. Tem gente que me reconhece quando vou ao shopping. Até autógrafo me pedem. Mas ainda sonho em gravar um disco. Um dia isso vai acontecer.

Depois de quase cinco horas, o culto daquela noite é encerrado com versão de 15 minutos de "Vem comigo dando glória". Ao final, ninguém mais está sentado. Alguns chegam a pedir bis, como se estivessem num show.

— Para mim, isso sim é a glória — diz a pastora, abraçada ao filho, funkeiro, mas todo seu.

Data: 10/1/2012 08:19:00
Fonte: O Globo