Categorias
Artigos

2011 – O ANO DE QUEBRA PAU ENTRE LÍDERES

 

Confusões e troca de hostilidades fez parte da rotina em 2011

Por: Robson Morais – Redação Creio

Valdemiro Santiago ataca Silas Malafaia, que retribui o gesto e sobra para Edir Macedo. O bispo da Iurd não deixa barato e parte para cima com seus “cantores edemoniados”. R. R. Soares chega de fininho, pastor Márcio Valadão entra na briga e Caio Fábio confronta Marco Feliciano… Parece uma narração de luta livre mas, acredite, não é. Os fatos acima são apenas alguns dos que marcaram (e mancharam) a liderança evangélica, de janeiro a dezembro de 2011. Compra de horário em TV, sensacionalismo, bancada evangélica, dízimo e até tatuagem foram motivo de muita discussão entre os pastores do Brasil.

Não de hoje, desavenças entre Silas Malafaia e Edir Macedo dividem opiniões e comandam trocas de farpas repercutidas em sites e jornais cristãos. Em 2011, tudo começou com o “fazer ou não uma tatuagem?”. Para o líder da AD Vitória em Cristo (Avec) tudo normal, para o líder da Universal (Iurd) cada desenho é um pecado. Em seu portal de notícias, lançado logo após a perda de seu programa na Bandeirantes, fato que mais tarde mencionaremos, Silas criticou a postura do bispo e incluiu no pacote temas como aborto (defendido por Macedo) e o ataque a cantores evangélicos, chamados de “edemoniados” pelo dono da Record, em um programa especial na emissora. Este último episódio faria com que outros nomes entrassem na briga contra o líder da Iurd.

Antes dos “edemoniados” e da briga direta com Macedo, o rival de Silas foi Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus (Impd). O motivo foi a saída do líder da Avec da Band, motivada por uma proposta financeira maior, oferecida por Santiago. Silas, que em janeiro havia defendido a cobertura jornalística de eventos do então amigo, manifestou a chateação em público. “É lamentável tudo isso” disse. O mesmo boicote quase sofre o missionário R. R. Soares que, depois de um acordo verbal já fechado, se viu obrigado a aumentar o cachê, que na época já superava os R$6mi, da emissora paulista para não perder seu horário.

Santiago, Soares e Macedo protagonizaram ainda outro episódio típico de ringue. A possível compra de um horário da Rede TV irritou o líder da Impd, que atacou R. R. e chamou de macumba os “atos” profético de Macedo. Sem rebate dos rivais, o caso acabou por isso mesmo. Ou não.

Edir Macedo mudou o alvo, mas não a estratégia. No programa ‘Domingo Espetacular’ da Record, o bispo exigiu a preparação de um programa especial sobre o tema ‘Cair no Espírito’. E mais, citou Ana Paula Valadão e outros cantores como “edemoniados”. Mais um motivo de revolta e muito rebuliço nas lideranças evangélicas, que mobilizaram uma série de protestos contra o bispo da Iurd. No centenário da Assembleia de Deus, comemorado no estádio do Pacaembu (SP), o pastor Abner Ferreira rebateu os ataques feitos por Macedo à denominação. “O senhor tem o dever e quero que respeite a Igreja Pentecostal brasileira. Nós não temos culpa se o povo da sua igreja estão vindo para a AD. Pare de apelar e de pregar esta sua prosperidade burra” entoou em alto e bom som.

Na Lagoinha, Igreja de Ana Paula e toda a família Valadão, a declaração de Macedo também não pegou bem, até o pastor Márcio entrou na briga, e reservou um momento do culto para sua réplica: “Eu não sei quantas vezes caí (no Espírito), mas quero cair mais, não há nada de demônio na minha vida”, e completou: “E quem levanta a bandeira do aborto vai carregar nas mãos o sangue dessas crianças”. Coincidência ou não, as declarações de Macedo surgiram ao mesmo tempo em que era anunciada na TV Globo, rival da Record, uma abertura significativa ao segmento evangélico, com o Troféu Promessas, do qual Ana Paula Valadão, Aline Barros e Bruna Karla foram algumas das premiadas.

Fora do bolo, mas não menos ativo, se manteve em 2011 o pastor Caio Fábio. Sempre polêmico, seu último caso foi a condenação pelo esquema contra o PSDB, conhecido como Dossiê Cayman, de 1998. Antes da sentença, seu nome se envolveu em polêmicas e críticas a líderes e políticos, como Ricardo Gondim e Marco Feliciano.

“(Ricardo) Gondim se prede na fé” foi umas das primeiras frases lançadas por Caio Fábio. Por declarações feitas logo após o Tsunami do Japão, em março deste ano, Ricardo Gondim chamou a atenção do rival que disparou: “É um cara bipolar, eu o conheci pregando, dançando e com o mesmo moralismo do Jimmy Swaggart”. Daí em diante, seu alvo foi o ego dos demais pastores no Brasil, sem exceção, deixando sobrar um “sonso” exclusivo para o também deputado Marco Feliciano (PSC).

Na época do insulto, Marco Feliciano, do movimento Tempo de Avivamento, foi acusado por Caio Fábio de mentir quando se intrometeu em uma briga direta entre os pastores Jabes de Alencar, da AD Bom Retiro, e Silas Malafaia. Feliciano respondeu de pronto: “É um ser triste e abandonado, vivendo num exílio de infelicidade”.

Será que em 2012 teremos mais?

Categorias
Artigos Estudos

Reversão Demográfica Irá Acabar com o Assistencialismo Estatal

 

Mark Steyn

Nossa lição hoje vem do Evangelho segundo Lucas. Não, não é sobre a manjedoura, os pastores, os sábios, nada disso, mas o outro nascimento:

“Mas o anjo lhe disse: Não temais, Zacarias;  Porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhes porás o nome de João.”

Esse pedacinho de história bíblica não recebe muita atenção, mas está lá: Lucas 1:13, parte do que chamaríamos de história prévia, se ele fosse um roteirista de Hollywood, e não um estudioso.

Dos quatro evangelhos, apenas dois se deram ao trabalho de contar o nascimento de Cristo, e apenas Lucas começa com a história de duas gestações. Zacarias fica surpreso com sua iminente paternidade: “pois eu sou velho, e minha mulher também está avançada em idade”.

Apesar de tudo, uma senhora de idade e estéril como Isabel concebe, e no sexto mês de gravidez, o anjo visita sua prima Maria e lhe diz que ela, também, irá conceber.

Se você ler o livro de Lucas, o nascimento da virgem parece uma extensão lógica do milagre anterior: a gravidez de uma senhora de idade.

O estudioso/autor não teve dificuldades em aceitar ambos. Para Mateus, o nascimento de Jesus foi um milagre; Lucas nos deixa com a impressão de que todos os nascimentos, toda a vida é de algum modo miraculosa e um presente de Deus.

Nós agora vivemos no mundo de Isabel; não só porque a tecnologia alcançou a divindade e permitiu que mulheres nos seus 50 e 60 anos se tornassem mães, mas também num sentido mais fundamental.

O problema com o avançado ocidente não é que ele está quebrado, mas que está velho e estéril. Isso explica por que ele está quebrado.

Veja por exemplo a Grécia, que se tornou sinônimo de insolvência nacional: “Os EUA estão rumando para o mesmo destino da Grécia se não mudarem nossa atitude”, etc.

Isso quer dizer que a Grécia tem problemas de gastos, de receitas, e algo nesse sentido, certo?

Em um nível superficial, sim. Mas a questão fundamental é bastante primordial: a Grécia tem uma das menores taxas de fertilidade do planeta. Na Grécia, 100 avós têm 42 netos; ou seja, a árvore genealógica está de cabeça para baixo.

Em um Estado social democrata onde os trabalhadores em profissões “de risco” (como, digamos, cabeleireiros) se aposentam aos 50 anos, não há jovens suficientes para pagar a aposentadoria deles de três décadas. E as próximas gerações terão mais problemas ainda.

Veja por outro ângulo: Os bancos são um mecanismo pelo qual as pessoas idosas com capital emprestam para jovens cheios de energia e ideias.

O mundo ocidental inverteu esse conceito. Se 100 velhinhos acumularem milhões de dólares de dívida, será que 42 jovens algum dia conseguirão pagá-la?

Como destacou Angela Merkel em 2009, o estímulo financeiro de Obama para a Alemanha estava fora de cogitação, simplesmente porque os credores internacionais sabiam que não haveria jovens alemães suficientes para quitá-lo.

A Alemanha, a potência econômica do continente europeu, tem a maior proporção de mulheres sem filhos na Europa: Uma em cada três jovens alemãs abrem mão da maternidade em caráter definitivo.

“A população economicamente ativa da Alemanha provavelmente irá cair 30% nas próximas décadas”", afirma Steffen Kroehnert do Instituto de Desenvolvimento Populacional de Berlin. “As áreas rurais estão vendo um declínio populacional em larga escala, e alguns vilarejos irão simplesmente desaparecer”.

Se o problema com o socialismo é, como afirma a Sra. Thatcher, é que mais cedo ou mais tarde acaba o dinheiro dos outros, o ocidente avançou para o próximo nível: Acabaram os outros, ponto final. A Grécia é uma terra de cada vez menos consumidores e trabalhadores, mas cada vez mais aposentados e mais governo. Como é que dá para expandir a economia em um mercado em contração?

O primeiro mundo, assim como Isabel, está estéril. Coletivamente estéril, devo acrescentar.

Individualmente, ele está repleto de milhões de mulheres férteis, mas que infelizmente optam por não terem sequer um filho, ou terem um sob medida aos 39 anos. Na Itália, berço da Igreja Católica, a taxa de natalidade é de 1,2 ou 1,3 por casal, ou metade da taxa de reposição populacional.

Japão, Alemanha e Rússia já estão com crescimento vegetativo em declínio. 50% das mulheres japonesas nascidas na década de 70 não têm filhos. De 1990 a 2000, a porcentagem de mulheres espanholas sem filhos aos 30 anos dobrou, de pouco mais de 30% para quase 60%.

Na Suécia, Finlândia, Áustria, Suíça, Holanda e no Reino Unido, 20% das mulheres de 40 anos não têm filhos. Em uma recente pesquisa de opinião que pedia aos alemães que dissessem o número “ideal” de filhos, 16,6% disseram “nenhum”.

Estamos vivendo no mundo de Zacarias e Isabel, por escolha própria.

Os EUA não estão em uma situação tão perigosa, ainda. Mas o seu encontro com o apocalipse fiscal também tem raízes demográficas: A geração do pós-guerra não teve filhos suficientes para manter a solvência dos sistemas assistencialistas que surgiram na metade do século XX, estruturados com base nas taxas de nascimento daquela época.

A “década do eu [onde as pessoas queriam independência de casamento e filhos]” se transformou em “duas décadas e meia de eu”, e até mais. Os “eus” estão todos ficando velhos, mas não se deram conta de que pode chegar um tempo em que irão precisar de mais alguns “eles” para continuar alimentando o tesouro nacional.

A noção de vida como uma experiência de crescimento pessoal é mais radical do que parece. Durante a maior parte da história humana, as sociedades funcionais privilegiaram o longo prazo. Essa é a razão pela qual milhões de pessoas têm filhos, constroem casas, plantam árvores, abrem negócios, fazem testamentos, constroem belas igrejas em simples aldeias, lutam, e se necessário morrem pelo seu país.

A nação, a sociedade, a comunidade é um pacto entre passado, presente e futuro, no qual os cidadãos, nas palavras de Tom Wolfe no seu artigo The “Me” Decade and the Third Great Awakening: “concebe a si mesma, embora inconscientemente, como parte de um grande rio biológico”.

Boa parte do mundo desenvolvido saiu desse rio. Não é preciso fazer sacrifícios materiais: o Estado toma conta de tudo. Não é preciso ter filhos. E certamente não será preciso morrer pelo rei ou pelo país.

Mas uma sociedade que não tem nada por que morrer, também não tem nada por que viver. Não é mais um rio, mas uma poça estagnada.

Se você acredita em Deus, o argumento utilitário em favor da religião irá parecer insuficiente e simplista: “São narrativas úteis que contamos a nós mesmos”, como escutei uma vez de uma pastora frouxa ao defender sua posição sobre a Bíblia.

Mas se o cristianismo é nada mais do que uma estorinha “útil”, é uma estória perfeitamente bem construída, a começar pela decisão de estabelecer a divindade de Cristo no milagre do Seu nascimento.

Os hiperracionalistas devem pelo menos ser capazes de entender que o “racionalismo” pós-cristão entregou boa parte da cristandade a um modelo de negócio totalmente irracional: um esquema de pirâmide construído em uma pirâmide invertida. Lucas, um homem de fé e um homem de ciência, teria visto aonde isso iria levar.

Tradução: Luis Gustavo Gentil

Categorias
Cultos

MÚSICA NA IGREJA – UM MAPA PREOCUPANTE

Preletor: Lourenço Stelio Rega

Uma análise sobre a formação dos líderes

Há algum tempo tenho me preocupado com o mapa da situação da música em nossas igrejas e o cenário que tem se construído nos últimos anos. Muitos cursos de música sacra nos seminários têm sido encerrados ao longo desse tempo. Ao que me parece sobram apenas três seminários, dos maiores, que ainda oferecem alguma modalidade de cursos de música sacra (Seminário do Norte, Seminário do Sul e Teológica de São Paulo). Em Janeiro passado, fiz uma pesquisa entre pastores aqui no Estado de São Paulo e os resultados amplificam ainda mais as preocupações. Tentei fazer a pesquisa em nível nacional, mas isso não deu ainda certo. Espero que o novo presidente da Ordem de Pastores me consiga um espaço lá em Foz do Iguaçu para isso. A pesquisa aqui em São Paulo alcançou cerca de 13% de igrejas do Estado, representando algo em torno de 16 mil membros. Vejamos alguns dados apurados e alguns comentários iniciais:

– A igreja possui ministro de música? 69,7% responderam que não. Isso indica um campo aberto de oportunidades.

– Tempo em que a igreja tem ministro de música: de 1 a 5 anos: 37,5%; de 6 a 10 anos: 30%; de 16 a 20 anos: 2,5%; de 21 a 25 anos: 5%. A maior parte das respostas indica que a experiência da presença de ministros de música nas igrejas é recente, indicando também um bom espaço de oportunidades de trabalho.

– Se não há ministro de música, há alguém que dirige a área de música? 73% responderam que sim e, destes, 69,8% são os próprios membros da igreja. Por um lado, isso indica que as igrejas procuram solução dentro de seu próprio ambiente. Por outro, em termos de demanda, os seminários deverão se preocupar em alcançar o membro de igreja que deseja se preparar para melhor servir na área. Mas isso necessariamente não significa que a pessoa deseja ser um ministro de música sacra no sentido estrito da palavra. Em outras palavras, temos aqui um possível indicador de alteração de público-alvo para os cursos.

– Se a igreja não tem ministro de música, qual o nome adotado para a função? Coordenador do Ministério de Música, Diretor da Equipe de Louvor, Diretor de Música, Dirigente de Cânticos, Dirigente de Música, Líder de Louvor, Líder de Música, etc. Isso também pode indicar que, na ausência ou impossibilidade de se ter um ministro de música, as igrejas se amoldaram às soluções internas, isto é, se não é possível ter um ministro de música, quem pode fazer a área funcionar? A continuar essa situação, é possível estimar que a figura do ministro possa estar sendo substituída, pelo menos em termos de resultados, por outras funções. No caso, sem muito custo para as igrejas. Todas estas informações também podem ser sinalizadoras da alteração do público-alvo para nossos cursos de música.

– Se a igreja utiliza hinário, qual é o utilizado? Cantor Cristão 45% e HCC 38%. Interessante.

– Na liturgia da igreja normalmente há hinos (42,2%) e cânticos avulsos (55,5%). Isso pode indicar uma alteração para uma liturgia mais aberta ou mesmo contemporânea. Mais um sinalizador de alteração nos objetivos das igrejas quanto ao estilo de música.

– Qual o tipo de liturgia adotado pela igreja? Tradicional: 18,1%; contemporânea: 31%; aberta (sem restrições): 14,6%; mista: 33,9%. Mais um indicador de alteração no tipo de capacitação para pessoal que atua na área de música na igreja (veja que não utilizei a expressão “ministro de música”).

– A sua igreja tem: coro (31,2%); conjunto vocal (39,2); orquestra (8,9%).

– O pastor acha importante ter um ministro de música? 82,9% afirmaram que sim. Isso pode indicar a necessidade de maior qualificação para aqueles que atuam na área.

– Estes dados quantitativos foram obtidos com respostas alternativas objetivas. Os itens a seguir foram de respostas livres:

– Quais atitudes são esperadas de um ministro de música? Relacionamento; integração de pessoas; ser afinado com o ministério pastoral e com a Bíblia; transmissão do amor de Deus; integridade na conduta; comprometimento com a igreja, não apenas ser um especialista musical; organização; ser líder em sua família; apoiador e parceiro do ministério pastoral; pastoreio da área de música; liderança empática; interlocução.

– Quais afeições são esperadas: ser afável, agradável, paciente, amigável, dinâmico, carinhoso, brando, não arrogante, não elitista, tratável.

– Quais conhecimentos são esperados: Bíblia; teologia; eclesiologia; pastoreio; filosofia do ministério; músico como ensinador; música; variadas formas de música; equipar outros; liderar equipe; técnica musical; instruir outros ao serviço; ensinar o básico de instrumentos.

– O que se espera em geral de ministro de música? Que a igreja cresça por meio da música; que a igreja adore a Deus somente; ensinar adoração; formar conjuntos; cuidar do culto juntamente com o pastor; cultivar bom repertório; criar cursos de música; gestão da área de música; desenvolver projetos para a área musical; visitação aos membros da área de música; ampliar a visão da igreja na área de música e louvor.

Nestes últimos itens a ênfase não é propriamente com a música em si ou com o lado artístico do ministro, mas com a vida da igreja, com relacionamentos, com a convivência no ministério. Houve destaque também no cuidado em ser mais ministro e menos artista.

Isso pode indicar também profunda alteração na formação do ministro de música ou líder da área na igreja. A música como arte é importante, mas ficou demonstrado que mais importante é a vida e atitudes do ministro. Recentemente escrevi aqui nesta coluna um artigo intitulado “Síndrome de artista”, aplicado a qualquer tipo de líder, mas que pode lembrar perfeitamente este fenômeno.

Como foi possível demonstrar, está havendo alteração do perfil do público alvo para os cursos de música sacra. Assim, alterando-se o perfil do público alvo, há a alteração nos interesses, em consequência nos objetivos educacionais, tudo isso indica a necessidade de alteração na matriz curricular, estrutura e duração dos cursos de música sacra.

Neste sentido, há algumas variáveis que temos de considerar, entre elas: (1) o que as igrejas esperam dos alunos egressos dos cursos tem demonstrado ser diferente do que os seminários tem formado; (2) o que seria o ideal na formação destes egressos e que nem sempre as igrejas podem ter ciência. Isto para que possamos também gerar ideais futuros com segurança para as igrejas; e, (3) o nível técnico dos candidatos aos cursos de música.

Neste último item o que temos visto é que o nível técnico dos ingressantes deixa a desejar. Muitos tocam “por ouvido” ou por cifras. Mas, afinal, na prática para a igreja o importante é fazer as coisas funcionarem. Se a pessoa toca por cifras ou “por ouvido” pouco importa, se o som, a música “sai” e o povo pode cantar. Mas, do ponto de vista de atendimento, penso que isso é mais uma oportunidade que o seminário pode ter para oferecer capacitação e nivelamento aos candidatos. Em outras palavras é menos problema e mais solução.

Temos ainda que considerar o crescimento do uso de artes cênicas na igreja e outras alternativas que estão sendo descobertas.

No semestre passado, conversando com uma professora da área de música, lhe perguntei sobre a idade média mínima de participantes nos encontros periódicos de ministros de música. A resposta dela foi: cerca de 40 anos. Será que a figura do ministro de música está em fase de extinção? Será que as associações desta área não estão se ocupando em discutir o tema com profundidade e com dados de campo (do chão da igreja) para realimentar o ministério de música na igreja? Será que estão procurando diálogo com as ordens de pastores para lidar com o tema? Será que estão buscando meios para despertar novos ministros, novas vocações na área?

Com estes dados em mãos e buscando apoio e consultoria de alguns ministros de música que estão considerando estes novos cenários, aqui em São Paulo, na Faculdade Teológica Batista de São Paulo (Teológica), buscando manter a qualidade do curso, estamos num demorado e profundo processo de REINVENÇÃO do curso de música sacra, pois, não há mais como se manter um curso nos moldes tradicionais, ensinando música erudita, clássica, lírica, sem considerar estes novos cenários e as variáveis que acima alistei. Espero que consigamos algum resultado, antes de pensarmos em fechar também o curso de música. Pelo menos estamos tentando.

Pr. Lourenço Stelio Rega
Teólogo, educador e escritor

Data: 20/12/2011 08:25:08