Restos maias de dois mil anos são descobertos no México

Trata-se das primeiras ossadas da época anterior à chegada dos espanhóis

03 de dezembro de 2011 | 12h 09

Efe

Um dos esqueletos encontrados estava inteiro; o outro sugere cremação - Efe

Efe

Um dos esqueletos encontrados estava inteiro; o outro sugere cremação

Arqueólogos mexicanos descobriram restos maias do período pré-hispânico com cerca de dois mil anos de antiguidade. Trata-se dos primeiros encontrados em Mérida, no sudeste do país, divulgou o Instituto Nacional de Antropologia e História.
A instituição indicou em comunicado que os arqueólogos encontraram há alguns dias restos de dois enterros no centro histórico de Mérida, os primeiros da época anterior à chegada dos espanhóis que se localizam na capital de Yucatán e que poderiam corresponder a um assentamento maia denominado região de Joo.
O arqueólogo Angel Góngora Salas explicou que outras ossadas encontradas anteriormente em Mérida pertencem ao período colonial e etapas posteriores, "daí a relevância dos dois enterros humanos encontrados recentemente no Parque Hidalgo", provavelmente dos períodos pré-clássico médio e tardio (600 a.C. a 250 d.C.).
Ele também detalhou que em um deles foi encontrado um esqueleto inteiro junto com cerâmica, no segundo foram encontrado restos de ossos calcinados e cinzas que estavam dentro de uma urna. Os especialistas especulam que se tratou de uma cremação.
Com a descoberta, os pesquisadores têm os primeiros elementos para estudar "costumes funerários maias nessa área", disse Salas. Ele ressalta que os túmulos foram encontrados a pouco mais de dois metros de profundidade em uma escavação para instalar cabeamento subterrâneo.
Salas, responsável pelos trabalhos arqueológicos no centro histórico de Mérida, detalhou que o esqueleto inteiro estava em bom estado de conservação e, aparentemente, pertence a um homem que foi sepultado de cócoras e com as mãos na cabeça.
O segundo enterro estava dentro de uma urna quase completa e os restos depositados no interior parecem ter sido incinerados.
"A hipótese é que se trata de um enterro secundário, isto é, um indivíduo que foi enterrado em outro local de onde mais tarde foi retirado para cremá-lo e guardá-lo em uma vasilha, conforme a tradição maia", diz Salas.

No entanto, ele esclareceu que é preciso esperar a perícia dos antropólogos para estabelecer com precisão se de fato é um enterro secundário e qual a etapa cronológica correspondente.
O especialistas lembrou que Mérida foi construída na época colonial sobre um assentamento pré-hispânico da região maia de Joo, o que sugere que os vestígios devem pertencer a esse assentamento indígena.



Tópicos:

Categorias
Noticias

Papa Bento XVI afasta bispo envolvido em pedofilia que usou ‘pacto secreto’ para se livrar dos tribunais

 

O Papa Bento XVI aceitou a renúncia do bispo da diocese irlandesa de Derry, Séamus Hegarty, de 71 anos, acusado de se envolver em um ‘pacto secreto’ em que um padre precisou solucionar fora dos tribunais, um caso de abuso sexual que cometia com uma menina de 8 anos.

A renúncia foi aceita em conformidade com o artigo 401/2 do Código de Direito Canônico, que diz: ‘Se roga encarecidamente ao bispo diocesano que apresente a renúncia de seu ofício se por doença ou outra causa grave ficar reduzida sua capacidade para desempenhá-lo’.

No mês de março do ano de 2010, o jornal irlandês ‘The Belfast Telegraph’ divulgou que o bispo de Darry, na Irlanda do Norte, Séamus Hegarty, estaria envolvido num ‘pacto secreto’ que foi selado para resolver fora dos tribunais um caso de abuso sexual cometido por um padre, cuja identidade não foi revelada, com uma criança de 8 anos. A menina teria explicado ao jornal que sofreu abusos durante um período de dez anos, mas que não tinha denunciado o padre porque teve que assinar uma cláusula de confidencialidade.

No entanto, a vítima teria recebido do agressor cerca de 12 mil libras esterlinas, o equivalente a R$ 33,8 mil, e uma carta do padre pedófilo pedindo desculpas. Séamus é o quinto bispo irlandês que foi afastado depois que vieram à tona inúmeros casos de pedofilia cometidos por clérigos no país.

Em 2009, foram divulgados dois relatórios oficiais que revelaram centenas de crianças que sofreram abusos durante décadas por parte de padres. Após a descoberta dos casos, o papa Bento XVI disse que estava ‘assolado e angustiado’ e que compartilhava com os fiéis a ‘indignação, a traição e a vergonha’ por esses atos sexuais inconcebíveis.

Categorias
Artigos

LEIA AQUI A ÍNTEGRA DA REPORTAGEM DO NEW YORK TIMES EM PORTUGUÊS

 

Por Simon Romero

Os Livros de SILAS MALAFAIA, que vendem aos milhões no Brasil, têm títulos como “Como derrotar as estratégias de Satanás” e “Lições de um Vencedor”. O jato particular Gulfstream, que ele viaja, trás em sua fuselagem a inscrição em inglês “God´s Favor” ou “Favor de Deus”.

Como tele evangelista, o Sr. Malafaia atinge espectadores em dezenas de países, incluindo Estados Unidos, onde a Daystar e Trinity Broadcasting Network transmitem suas pregações dubladas. Em 30 anos, o Sr. Malafaia, 53, vem reunindo prosperas Igrejas e negócios em torno de sua pregação pentecostal.

Ainda assim, Sr. Malafaia, poderia ter atraído pouca atenção, além de seus próprios seguidores, se ele não tivesse se envolvido fortemente na versão brasileira de guerra cultural. Afinal, o Brasil tem outros líderes evangélicos que comandam grandes impérios, como Edir Macedo, cuja Igreja Universal do Reino de Deus controla a Rede Record, uma das maiores redes de televisão do Brasil. Outros, como Romildo Ribeiro Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, são conhecidos por maior zelo missionário.

Mas é o Sr. Malafaia que recentemente tem atraído a maior atenção, com seus ataques verbais contra uma ampla gama de inimigos, incluindo os líderes do movimento gay do Brasil, os defensores do direito ao aborto e os que apoiam a descriminalização da maconha.

“Eu sou o inimigo público n º 1 do movimento gay no Brasil,” disse Malafaia em uma entrevista este mês em Fortaleza, uma cidade no nordeste do Brasil, onde ele veio liderar uma de suas chamadas “cruzadas”, um evento misturando pregações e música para cerca de 200.000 pessoas. Lágrimas correram dos rostos de alguns dos participantes mais apaixonados, enquanto outros dançavam ao som das performances que serviram de abertura para o evento.

Antes de subir ao púlpito, o Sr. Malafaia nos contou como se tornou um cobiçado convidado de programas de TV, atuando como antagonista em debates com a liderança gay. Mas isso é apenas uma pequena parte de seu repertório, e a televisão é apenas um dos muitos meios de midia à disposição do Sr. Malafaia. No Twitter, ele tem quase um quarto de milhão de seguidores e em vídeos distribuídos no YouTube, ele não só ataca seus inimigos liberais, mas também jornalistas e líderes evangélicos rivais.

Não surpreendentemente, sua proeminência crescente fez dele fonte de admiração e inquietação. Ele mobilizou este ano milhares de pessoas em uma passeata na capital do país, Brasília, contra um projeto de lei que visava ampliar a legislação anti-discriminação para incluir a orientação sexual.

“Ele é como Pat Robertson, no sentido de ser um pioneiro na movimentação da direita evangélica brasileira para a esfera política nacional”, disse Andrew Chesnut, especialista em religiões latino-americano da Virginia Commonwealth University, comparando o Sr. Malafaia ao conservador evangelista de televisão americano.

A elite brasileira esta procurando entender o crescimento de uma figura tão polarizada, e como pudera influenciar a politica nacional. Piaui, uma revista equivalente a “The New Yorker” nos Estados Unidos, escreveu um grande artigo este ano sobre o crescimento do Pr. Malafaia, oriundo da obscuridade do Rio de Janeiro, onde ele cresceu em uma família de militar, para o poder que agora domina.

Alem do Sr. Malafaia, a larga expansão da fé evangélica, particularmente o pentecostalismo e décadas recentes está alterando a política brasileira. (Enquanto o pentecostalismo varia largamente, seus princípios incluem a fé para curar, profecia, e exorcismo.) Os líderes em Brasília devem consultar em uma série de questões com grupos políticos evangélicos de grande influência.

Aproximadamente 1 em 4 brasileiros se pensa pertencer a uma congregação evangélica protestante e pentecostais, como o Sr. Malafaia, estão na dianteira deste crescimento. Numa transformação religiosa marcante, pesquisadores dizem que enquanto o Brasil ainda possui o maior número de católicos romanos do mundo, agora são rivais dos Estados Unidos na condição de possuir a maior população pentecostal.

Nem todos no Brasil estão entusiasmados com esta mudança.

Em um artigo em novembro, a jornalista Eliane Brum escreveu sobre a intolerância com ateus no Brasil por simpatizantes evangélicos, descrevendo sobre o que ela chamou de “uma disputa cada vez mais agressiva por participação de mercado” entre as grandes igrejas.

O artigo da Sra. Brum desencadeou uma onda de reações entre os pentecostais e as palavras do Sr. Malafaia estavam entre as mais cáusticas.

Durante esta entrevista, ele chamou a Sra. Brum de “vagabunda”, e repetiu seu argumento de que “os ateus comunistas” na antiga União Soviética, Camboja e Vietnã foram responsáveis por mais mortes do que “qualquer guerra por questão religiosa produziu.”

Se planejado ou naturalmente, sua linguagem agressiva tem frequentemente se tornado um espetáculo. Em novembro, a Revista Época informou que o Sr. Malafaia, durante comentários em uma tensa entrevista tratando da tomada de medidas legais contra Toni Reis, um proeminente defensor dos direitos gays, Malafaia disse que iria “fornicar” o Sr. Reis.

Sr. Malafaia deu uma explicação dizendo que o que ele de fato havia dito era que iria “funicar” o Sr. Reis. Enquanto pesquisadores informaram que não tinham sido capazes de encontrar a palavra dita por Sr. Malafaia em nenhum dos dicionários de referência, ele informou que era uma gíria significando algo como “punir”.

A visibilidade do Sr. Malafaia obtida em tais episódios tem alimentado dúvidas sobre suas ambições políticas. Ele disse não ter vontade de se candidatar, pois isto o prenderia a um partido político específico, limitando assim a visibilidade que ele tem agora.

“Deus me chamou para ser um pastor”, disse ele, “e não vou trocar isto para ser um político”.

Mas influência política é outra questão. O Sr. Malafaia disse que votou duas vezes para o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e durante anos teve acesso aos corredores do poder de Brasília. Mas ele também contou uma anedota sobre a sucessora de Lula, a Presidente Dilma Rousseff, que sugere quão importantes as figuras evangélicas estão se tornando nas eleições nacionais.

Ele disse que ela falou com ele por telefone durante 15 minutos durante a campanha presidencial do ano passado, tentando atrair o seu apoio. Mas ele disse que recusou por causa de diferenças ideológicas com o Partido dos Trabalhadores do governo do Sr. da Silva, um ex-líder trabalhista, e Sra. Rousseff, uma ex-participante em um grupo guerrilheiro.

Eu disse a ela: ‘Eu não tenho nada pessoal contra você. Eu acho que você é uma mulher inteligente e qualificada “, disse ele. “Mas como posso votar em você se eu passei quatro anos lutando com um grupo de seu partido que quer apoiar um projeto de lei que beneficia gays e me prejudica?”

O Sr. Malafaia, enquanto cortava o ar com seus dedos adornados com aneis de ouro e diamante, falava de estórias com português carregado com um sotaque carioca. Contava estas estórias em um português carregado de sotaque carioca.

Sua persona ganhou quase um status de estrela do rock entre alguns de seus apoiadores.

“Eu não o reconheci sem bigode”, disse Erineide Mendonça, 39, uma empregado do hotel de Fortaleza onde o Sr. Malafaia estava hospedado, referindo-se a seu bigode, que era sua marca registrada que havia sido cortada a não muito tempo. “Mas eu reconheci a voz dele”, disse ela, pedindo para ser fotografada com o evangelista que ela adora.

Tanto o Sr. Malafaia como a sua esposa, Elizete, são formados em psicologia, e quando ele sobe ao púlpito, sua voz ecoa nos sermões carregados de lições de auto-ajuda e perseverança.

Seu tema favorito envolve o sucesso e como alcançá-lo. Enquanto ele próprio diz viver em relativa humildade, e não como um milionário, ele não se desculpa por sua própria ascensão material. Na verdade, ele a celebra, divulgando, por exemplo, o seu Mercedes-Benz – uma doação de um amigo próspero, explica.

Há também o Gulfstream, adquirido de segunda mão nos Estados Unidos, ele disse, não por ele, mas por sua organização religiosa sem fins lucrativos, a um preço razoável.

“O papa voa em um jato jumbo”, disse referindo-se ao avião fretado da Alitalia que transporta o bispo de Roma, e chateado com o que ele vê como um comportamento de duplo padrão de julgamento que os líderes emergentes no Brasil enfrentam. “Mas, se um pastor viaja em um avião a jato antigo, ele é considerado um ladrão.”