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Neymar também é a bola da vez do marketing

 

Cobiçado por times europeus, jogador tem ascensão meteórica na publicidade e já ganha cachê equivalente ao de craques como Kaká e Pelé

14 de agosto de 2011 | 22h 54

Marili Ribeiro, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO -  A bola da vez no cardápio de celebridades oferecidas aos anunciantes está nos pés do atacante Neymar. Jovem, habilidoso e já ciente do próprio potencial marqueteiro, o garoto, descoberto aos seis anos por sua coordenação motora superior à média e que aos 13 foi cobiçado pelo futebol espanhol, tem nos contratos publicitários a motivação para permanecer no Brasil.

Neymar em cena de campanha: contratos disputados pelo Santos e pela 9nine. Foto: Divulgação

"Ele é único, porque é um talento reconhecido internacionalmente. Os outros estão todos jogando lá fora", diz Antonio Fadiga que, além de presidente da agência de propaganda Fischer & Friends, é membro do comitê gestor do Santos – criado para administrar carreiras dos jogadores e evitar a debandada geral para o exterior. Esse colegiado de sete membros montou a engenharia financeira que garante o salário mensal de R$ 1,3 milhão de Neymar.

Com ascensão meteórica, Neymar já compete em cachê com veteranos como Kaká e Pelé – ambos não saem de casa para falar bem de uma marca por menos de R$ 1 milhão. O jogador já associou sua imagem a empresas como Nextel, Nike, Tenys Pé Baruel e Red Bull. Recentemente, fechou um contrato de quatro anos para ser garoto-propaganda da fabricante de meias Lupo por R$ 4,4 milhões.

A grande diferença, nesse momento da carreira de Neymar, está na maneira como estão se dando os acertos. "Foram seis meses de muita conversa com o pai dele, Neymar dos Santos, juntamente com um representante do Santos", conta Valquirio Cabral Jr., diretor comercial da empresa. A participação do craque foi exaustivamente detalhada pela agência G2, que deu largada na ação de marketing com ele tuitando a frase "agora sou meia", o que provocou a maior repercussão até ele retuitar que permanecia atacante e que "meia para ele, só Lupo".

Esse senso de marketing na carreira de Neymar contou com preparação, que incluiu até treinamento de mídia para dar entrevistas – feito pela CDN Comunicação Corporativa. A medida foi tomada pelo Santos na ambição de gerenciar a carreira de seus atletas.

"Ele eriça o cabelo, usa meias acima dos joelhos, munhequeiras de cores diferentes nos pulsos e calções largos. Faz tudo para ser diferente", diz Fadiga, para quem Neymar está assumindo o posto de "namoradinho do Brasil" – lugar ocupado nos esportes pelo corredor Ayrton Senna e o tenista Guga.

"Além de ter uma alegria que desapareceu do futebol há tempos, ele também surge num momento em que a classe social a que pertence, a emergente classe C, ganha expressão, o que reforça sua imagem para representar uma enorme gama de produtos", acrescenta Fadiga.

O potencial do atacante do Santos é tão evidente, que, além do Santos, a empresa de marketing 9ine, do ex-jogador Ronaldo, também está na disputa por contratos para o garoto. No momento, a 9ine tenta fechar com a Claro e com a Ambev, para tornar Neymar representante do Guaraná Antarctica. Nos dois contratos, 30% devem ficar com o Santos e 20%, com a 9ine e o empresário do garoto. O restante vai para o bolso do atleta.

"Ainda não fechamos nenhum contrato porque as negociações com ele são bem mais longas do que com outros atletas", resume Evandro Guimarães, diretor da 9ine. Um dos executivos da Ambev diz que o atacante é uma promessa, mas ainda está muito no começo do seu percurso para lhe atribuírem tanto potencial. "De promessas, o mundo está cheio. É preciso ponderar com cuidado", diz.

A participação do pai torna as negociações mais longas. "Ele tem uma visão clara do que é importante para a carreira do filho", avalia Gustavo Diament, diretor de marketing da Nextel, que tornou pai e filho personagens do comercial da operadora de telecomunicações. O contrato de seis meses se encerra agora em setembro. "Nas conversas, o pai argumentava que tinha outras ofertas. Disse a ele que não tinha o cheque mais gordo, mas oferecia a melhor parceria, com uma mensagem positiva." No filme da Nextel, Neymar destaca o valor do pai na sua carreira.

Gestão. Com a Copa de 2014 no Brasil e de olho no potencial de atletas como Neymar, muitas agências estrangeiras especializadas em gestão de carreiras de atletas estão de olho no Brasil. Na Inglaterra, como conta Felipe Aquilino, gerente de marketing do canal Esporte Interativo, são essas empresas que administram as carreiras individuais dos jogadores independentes dos clubes. Um mercado ainda incipiente no Brasil, onde os clubes dão as cartas nas negociações.

Três da maiores agências de marketing esportivo se instalaram no País desde do final no ano passado. Em parceria com o empresário Eike Batista, chegou a IMG Worldwide, gigante do entretenimento e esporte mundial. Na mesma linha de atuação, a Octagon adquiriu a empresa carioca B2S Marketing para desenvolver estratégias de marketing esportivo para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Em conversas com agências locais está outra das maiores do ramo, a Creative Artists Agency (CAA), que tem sede em Los Angeles.

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Pastor diz que deputada o queria como ‘laranja’ em convênio de R$ 2,5 milhões

 

Wladimir Furtado, da Conectur, afirma que Fátima Pelaes (PMDB-AP) pediu que ONG ‘entrasse só com o nome’

15 de agosto de 2011 | 0h 00

  • Leandro Colon – Enviado Especial – O Estado de S. Paulo – O Estado de S.Paulo

MACAPÁ – Wladimir Furtado, dono da Conectur, entidade investigada por fraudes com verbas do Ministério do Turismo no Amapá, revelou ontem em entrevista exclusiva ao Estado que recebeu uma proposta da deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP) para ser "laranja" num convênio de R$ 2,5 milhões com o governo federal.

Wilson Pedrosa/AE

Wilson Pedrosa/AE

Wladimir Furtado na sede da Conectur, em Macapá

"A deputada queria pegar a Conectur para servir de laranja. Ela gostaria que a Conectur entrasse só com o nome", afirmou Furtado. "Ela queria fazer o serviço do jeito dela, que ela tomasse conta, deixasse contador, advogados e técnicos por conta dela."

Furtado afirmou que preferiu não entregar a responsabilidade da execução do convênio de R$ 2,5 milhões para Fátima Pelaes: "Eu disse: deputada, não vou assinar cheque em branco. Depois sou eu que vou prestar contas".

Apesar do suposto cuidado na relação com a deputada, a Conectur, como mostra a investigação da PF, integrou o esquema de desvio de dinheiro do Ministério do Turismo. A entidade foi usada para subcontratar as mesmas empresas de fachada envolvidas no esquema do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), entidade pivô da Operação Voucher.

Igreja. Além dos R$ 2,5 milhões recebidos do ministério em 2009, a Conectur recebeu depois R$ 250 mil do Ibrasi a título de "subcontratação". De acordo com as investigações, a Conectur é o embrião do esquema de desvios de recursos do ministério no Amapá.

A entidade é registrada numa igreja evangélica – onde Furtado mora. Os R$ 2,5 milhões deveriam ser usados para "Realização de Estudos e Pesquisas sobre Logística no Turismo no Estado do Amapá, levando em conta a situação das redes estabelecidas ao redor dos serviços turísticos". Mas, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal, o contrato não foi executado, além de ter sido palco de desvios para empresas de fachada.

Wladimir Furtado foi preso pela Operação Voucher, e solto na madrugada de sábado. É a primeira vez que ele admite o envolvimento da deputada no esquema que levou 36 pessoas à prisão na terça-feira.

No depoimento à PF, Furtado negou qualquer irregularidade e a participação da parlamentar. Ontem, decidiu dar mais detalhes ao Estado. "A deputada queria que eu assinasse o convênio em branco", disse, na entrevista.

Supremo. O advogado de Furtado, Maurício Pereira, disse que vai requisitar que todo o inquérito da Operação Voucher seja enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde Fátima Pelaes tem foro privilegiado. Na opinião dele, seu cliente não pode mais nem ser denunciado na primeira instância, como planeja o Ministério Público Federal. "Se há indícios de participação da deputada Fátima, a competência é do STF. Tem que subir tudo para lá", disse o advogado.

O Estado procurou a assessoria da peemedebista para comentar o teor da entrevista de Furtado, mas não houve retorno até o fechamento da edição. Ela tem negado as acusações de envolvimento com o esquema.

Cheque em branco. O teor da entrevista de Wladimir Furtado tem sintonia com pelo menos quatro depoimentos de pessoas presas na operação policial. De acordo com os relatos, incluindo os da secretária e do tesoureiro da Conectur, a entidade serviria apenas para intermediar o contrato com o Turismo e parte do dinheiro seria entregue a Fátima Pelaes.

Apadrinhada. O Ibrasi foi beneficiado por duas emendas parlamentares da deputada que somam R$ 9 milhões. Já o convênio direto da Conectur com o Ministério do Turismo não teve emenda, mas, segundo Wladimir Furtado, também foi intermediado pela parlamentar do PMDB.

Coube à ex-secretária do Turismo do Amapá Deuzanir Ribeiro, apadrinhada da deputada, orientar Wladimir Furtado a se cadastrar no ministério para receber o dinheiro.

Comprovantes. O dono da Conectur mostrou ontem ao Estado documentos que, segundo ele, comprovariam a execução dos serviços previstos no convênio. Havia relatórios, imagens e gravações de pesquisas.

O Ministério do Turismo aprovou a prestação de contas, mas sem fiscalização "in loco", ou seja, apenas avalizou os papéis, sem atestar se são verdadeiros. Na documentação mostrada ao Estado estava um extrato bancário do dia 7 de maio de 2009, quando a entidade tinha R$ 1,3 milhão na conta.

Entre os sócios de fachada das empresas que faziam os supostos serviços no Amapá está, por exemplo, o empresário Fábio de Mello, uma espécie de "lobista de ONGs" em Brasília e que também foi preso pela Operação Voucher.

Foi Fábio de Mello quem orientou os passos da Conectur dentro do ministério. Ele foi apresentado a Furtado por Deuzanir Ribeiro. Os encontros ocorreram num restaurante e num hotel em Brasília.

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Sobe total de evangélicos sem vínculos com igrejas

 

DE SÃO PAULO

Hoje na FolhaO número de evangélicos que não mantém vínculo com nenhuma igreja cresceu, informa reportagem de Antônio Gois e Hélio Schwartsman, publicada na Folha desta segunda-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares, do IBGE, eles passaram de 4% do total de evangélicos em 2003 para 14% em 2009, um salto de 4 milhões de pessoas.

Os dados do IBGE também confirmam tendências registradas na década passada, como a queda da proporção de católicos e protestantes históricos e alta dos sem religião e neopentecostais.

No caso dos sem religião, eles foram de 5,1% da população para 6,7%. Embora a categoria seja em geral identificada com ateus e agnósticos, pode incluir quem migra de uma fé para outra ou criou seu próprio "blend" de crenças –o que reforça a tese da desinstitucionalização.

Leia mais na Folha desta segunda-feira, que já está nas bancas.