Categorias
Artigos

Estudo com pássaros traz novos dados sobre infidelidade feminina

14/06/2011 07h00 – Atualizado em 14/06/2011 07h00

 

Fêmea de mandarim troca de parceiro sem benefício aparente.
Cientistas apontam origem genética para comportamento sexual.

Tadeu MeniconiDo G1, em São Paulo

 

Uma nova pesquisa aumenta a dúvida dos cientistas em relação ao comportamento sexual dos animais. A teoria mais aceita diz que todas as ações podem ser explicadas por alguma razão biológica. Tudo que um animal faz tem o objetivo implícito de obter alguma vantagem.

No entanto, uma outra corrente duvida dessa hipótese e diz que a explicação para o comportamento pode ser genética, sem ter relação direta com a necessidade da preservação das espécies. Um estudo liderado por Wolfgang Forstmeier, pesquisador de ornitologia do Instituto Max Planck, da Alemanha, publicado pela revista científica “PNAS”, dá força a essa teoria.

Pesquisa foi feita com pássaros mandarins na Alemanha. (Foto: Karen Hull / Flickr - Creative Commons 2.0 genérico)

Pesquisa foi feita com mandarins na Alemanha. (Foto: Karen Hull / Flickr – Creative Commons 2.0 genérico)

A equipe de Forstmeier acompanhou um grupo de mais de 1,5 mil mandarins em cativeiro durante oito anos. O mandarim é um pássaro de hábitos monogâmicos que na grande maioria das vezes estabelece laços de casal de longa duração. Contudo, apesar dos laços aparentes, as relações extraconjugais são comuns.

Segundo Forstmeier, que conversou com oG1, a explicação para a traição dos machos é “óbvia”. “Os machos querem ter o maior número possível de descendentes”, disse o pesquisador. No entanto, as fêmeas também têm esse comportamento, e os cientistas não encontram nenhuma explicação lógica para isso.

A pesquisa alemã mostrou que as fêmeas que copulam com vários parceiros são filhas de machos que também faziam o mesmo. “Podemos perceber este comportamento como consequência dos genes”, constatou Forstmeier. “O comportamento pode existir mesmo se não houver benefício”, completou o cientista.

Categorias
Estudos

Fim do Atlântico já pode ter começado no litoral do Sudeste

Fonte: folha.com

SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Diz a lenda que o continente de Atlântida afundou no mar e sumiu sem deixar vestígios, milhares de anos atrás. Pura cascata. Mas uma coisa é verdade: o próprio oceano Atlântico deve desaparecer no futuro — a começar pelo litoral dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Calma, não há razão para desespero. Como todos os fenômenos geológicos, esse demorará para se desenrolar.

"Estamos falando de um processo de 50 milhões, 100 milhões de anos", diz Marcelo Assumpção, pesquisador da USP e coautor de um estudo com participação russa e liderado pelo geólogo português Fernando Marques, da Universidade de Lisboa.

CADÊ O SUMIÇO?

Uma primeira olhada sobre a posição dos continentes não parece sugerir nada que se assemelhe ao sumiço do Atlântico.

Afinal, desde a última grande deriva continental, iniciada cerca de 250 milhões de anos atrás, a América do Sul e a África têm só se afastado, num processo que segue em andamento.

Para compreender a conclusão dos cientistas, é preciso saber o que está acontecendo debaixo da terra e dos oceanos do planeta.

Com a abertura crescente do Atlântico, a chamada placa Sul-Americana (uma espécie de "balsa" que transporta o continente e se confronta com a placa de Nazca, no oceano Pacífico) vai se esticando e, com isso, afinando. Com isso, fica mais fria e, por consequência, mais pesada.

Ao peso aumentado se soma o fluxo de material que vem do continente e é levado pelos rios até o mar. A fragilização da placa somada ao peso adicional eventualmente fará com que ela afunde e comece a deslizar por baixo da placa Africana. "De repente o negócio afunda e aparece uma nova zona de subducção", explica Assumpção.

Editoria de Arte/Folhapress

A GRANDE QUESTÃO

Até aí, praticamente todos os geólogos do mundo concordam. A novidade do estudo liderado por Marques consiste na análise matemática de dados sobre a espessura da placa em várias regiões do Atlântico, tanto do norte como do sul.

Os resultados sugerem que a região mais provável para o início do surgimento dessa zona de subducção é o Sudeste do Brasil. "De todo o Atlântico, a primeira região que ficaria instável é o litoral na área de Santos e do Estado do Rio de Janeiro", afirma Assumpção. E a cereja no bolo: haveria sinais de que esse processo já teria começado. Mas isso ainda é controverso.

"Há alguns sinais, mas faltam medidas, e tem alguns dados que poderiam ser interpretados como início de afundamento, mas também poderiam ser outras coisas", diz ele.

O estudo já foi submetido a um periódico científico de alto impacto, embora a equipe siga procurando sinais que confirmem a hipótese.

"Realmente, conhecemos muito pouco sobre as regiões mais profundas da crosta no Brasil", diz Reinhardt Fuck, pesquisador da UnB (Universidade de Brasília) que coordenou recentemente um grande esforço de mapeamento da crosta na província Borborema, no Nordeste brasileiro, mas não teve envolvimento com o trabalho de Marques e seus colegas. "Se a conclusão for confirmada, é um resultado espetacular."

Afinal, não é todo dia que se vê o início de um grande evento geológico em pleno andamento. "É muito legal. E ninguém nessas regiões precisa se preocupar. Não tem impacto direto para elas, porque é um processo muito lento, que demora milhões de anos", diz Assumpção.

No futuro longínquo, contudo, é certo que cidades como Santos e Rio de Janeiro terão exatamente o mesmo destino que a lendária Atlântida.

Categorias
Noticias

Senador diz que renuncia se passar lei anti-homofobia

 

  Folha

O senador Magno Malta (PR-ES) disse que abandonará o Legislativo se for aprovada a proposta que criminaliza a homofobia.

"Se o projeto de lei 122, que excita a criação de um terceiro sexo, for aprovado, com dignidade de cristão, renuncio do mandato de senador", disse.

Presidente da ‘Frente Parlamentar em Defesa da Família Brasileira’, Malta pendurou a promessa de renúncia em sua página na internet.

A proposta que desgosta Malta foi apresentada na legislatura passada pela ex-senadora Fátima Cleide (PT-RR). Sem apoio, desceu ao arquivo.

Ao chegar no Senado, Marta Suplicy (PT-SP) reapresentou o projeto, para desassossego de Malta e de toda a bancada evangélica e católica.

Deve-se a valentia do senador à certeza nutrida por ele de que a iniciativa de Marta é natimorta: “A proposta já voltou morta e sepultada”, diz.

Antes da promessa de renúncia de Magno Malta havia muitas razões para os congressistas aprovarem o tal projeto. Agora, há mais um motivo.