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Ditadores exóticos

 

Por Michel Gawendo, de Jerusalém
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Os protestos que vem balançando o mundo árabe, rico em petróleo, revelaram países onde a população é pobre, mas os líderes são ditadores bilionários com hábitos curiosos. O caso mais extravagante é o de Muamar Khadafi, da Líbia.
No poder há 42 anos, ele sofre uma rebelião popular contra seu governo que já deixou centenas de mortos.
Ele ficou conhecido pelo estilo extravagante. Com roupas coloridas e óculos escuros gigantes, Khadafi montou uma ditadura sanguinária e vingativa. Em 1988, seu governo mandou explodir um avião que voava de Londres para Nova York, matando 270 pessoas, como vingança contra o mundo ocidental. Anos depois, ele arrependeu-se e pagou cerca de R$ 17 milhões para as famílias das vítimas do atentado.
A guarda pessoal de Khadafi também ficou famosa por ser formada apenas por mulheres virgens, escolhidas pelo ditador e treinadas para usar armas de fogo e golpes de artes marciais. Para ele, as mulheres são melhores porque se distraem menos do que os homens durante o horário de serviço.
Nascido em uma tribo nômade do deserto do Saara, Khadafi manteve as tradições da sua juventude. Sempre recebeu visitantes estrangeiros em uma tenda de pano, sentado em uma espécie de trono e segurando um abanador feito de folhas de palmeiras. A tenda também foi levada em suas viagens ao exterior para acomodá-lo e servir de escritório. Ao seu lado, lindas enfermeiras ucranianas.
Khadafi chegou ao poder com um golpe militar em 1969. Ele mesmo fez as leis do seu regime e qualquer crítica ao governo ficou proibida, sob risco de prisão e tortura. Ele se autointitula o “Líder”, “Guia da Revolução”, “Grande Homem” e “Único”.
Os filhos de Khadafi também beneficiaram-se das riquezas do petróleo. Um deles, chamado Seif, chegou a oferecer quase 2 milhões de reais para a cantora Mariah Carey cantar em uma festa que ele promoveu no Caribe.
DESTRONADOS
No Egito, Hosni Mubarak governou durante mais de 30 anos sem dar chance para opositores. Montou um esquema de espionagem tão forte, que as pessoas tinham medo de falar mal do governo mesmo em rodas de amigos. Não dava para saber quem estava do seu lado e quem era informante do governo.
A qualquer hora do dia ou da noite o serviço secreto podia entrar nas casas e prender pessoas sem qualquer acusação formal”, disse o guia turístico Samuel Kandor, no Cairo.
A ditadura de Mubarak acabou em janeiro, depois de 1 mês de protestos. Ele foi obrigado a fugir para uma de suas mansões à beira da praia, no deserto do Sinai.
Ele acumulou tanto dinheiro que tornou-se um dos homens mais ricos do mundo, com fortuna comparada à do dono da Microsoft, Bill Gates.
Todos os empresários estrangeiros que tinham negócios no Egito eram obrigados a pagar suborno para a família de Mubarak, segundo a imprensa do país. Quando ele foi derrubado, o governo da Suíça revelou contas em seu nome com bilhões de dólares. Ainda de acordo com a imprensa egípcia, amigos e parentes de Mubarak conseguiram fugir do Egito para a Europa levando mais de 50 malas com ouro, peças de arte e dinheiro vivo.
Outro líder derrubado foi Zine Abidine Ben Ali, da Tunísia. Também acusado de corrupção, fugiu do país em meio a manifestações contra o governo. Foi para a Arábia Saudita, levando mais de 1 tonelada em ouro puro.

No Kuwait, o emir é quem manda. Ele tem o poder de escolher os ministros e tem imunidade total, ou seja, não pode ser condenado por motivo algum.
O atual emir, Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah (chamado de Sabah IV), deu mais abertura política e liberdade de imprensa, mas também aumentou os gastos da família real em mais de R$ 150 milhões. Isso sem contar suas contas bancárias particulares, que segundo estimativas somam mais de R$ 30 bilhões.
Comprou uma ilha no Golfo Pérsico para poder pescar sem ser incomodado. Ele também gosta de caçar e costumava viajar para a África, onde também mantinha uma fazenda para abater animais, mas, com a crise política no país, interrompeu as longas viagens.

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Nova Bíblia norte-americana muda palavras como ‘holocausto’

 

02 de março de 2011 | 21h 17

REUTERS

Por Andrew Stern

CHICAGO (Reuters Life!) – A nova edição de uma das mais populares Bíblias em inglês vai substituir termos como "espólio" e "holocausto" a fim de melhor refletir a compreensão moderna, disse um grupo católico na quarta-feira.

Cerca de 50 acadêmicos de todos os credos e uma comissão de bispos católicos trabalharam desde 1994 na atualização da Nova Bíblia Americana, a primeira revisão desde 1970, segundo a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA.

A nova edição será lançada a partir da Quarta-Feira de Cinzas por 12 editoras. "É uma bela tradução, uma nova maneira de olhar para um velho amor", disse Mary Sperry, que supervisiona o licenciamento da Bíblia para os bispos.

As mudanças vão além das alterações de algumas palavras, e incluem novas notas para auxiliar o leitor a compreender a interpretação católica dos conceitos bíblicos, disse Sperry. O Livro dos Salmos, por exemplo, ficou com mais de 70 mil palavras, entre textos e notas.

As revisões refletem com mais precisão as traduções do hebraico antigo e as versões grega do Antigo Testamento, além da constante evolução da linguagem moderna, disse Sperry.

Por exemplo, a palavra "holocausto", que para a maioria das pessoas refere-se ao genocídio dos judeus na Segunda Guerra Mundial, foi alterada para "queima de oferendas", que esclarece a ideia original e positiva de fazer oferendas a Deus.

"Booty" — que em inglês coloquial passou a ter conotação sexual, como nádegas — foi alterado para "espólios de guerra"; "cereal" — que muita gente associa a cereais matinais — virou "grãos", para falar de trigo.

Numa passagem de Isaías 7:14 que prevê a vinda de Jesus, a expressão "a virgem" passará a ser "a jovem", tradução mais fiel do hebraico "almah."

Mas Sperry alertou que "os bispos e a Bíblia não estão sinalizando qualquer tipo de mudança na doutrina do nascimento virginal de Jesus, absolutamente nenhuma."

A nova edição retoma versões mais poéticas do Salmo 23, ao dizer: "Ando pelo vale das sombras da morte", em vez de "vale escuro." E "viverei na casa do Senhor pelos próximos anos" virou "por dias intermináveis", o que segundo Sperry carregava um significado mais profundo e esperançoso.

A atual edição da Nova Bíblia Americana vendeu mais de 1 milhão de exemplares no ano passado, principalmente nos Estados Unidos, Filipinas, Índia e África. A nova versão pode gerar uma alta nas vendas, previu Sperry.

A edição estará disponível em vários formatos: como um livro familiar de capa dura, uma brochura básica, como livro eletrônico, como aplicativo para celulares e numa versão em braile.

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Bento XVI exonera judeus de serem os culpados pela morte de Jesus

Declaração está presente no livro que o pontífice irá lançar ainda neste mês

EFE

Cidade do Vaticano, 2 mar (EFE).- O papa Bento XVI exonera os judeus de serem os culpados por Jesus ter sido condenado à morte na segunda parte de seu livro “Jesus de Nazaré”, que será lançado no dia 10 de março.

Tony Gentile/Reuters

Tony Gentile/Reuters

Papa afirma que fato descrito no Evangelho de Mateus ‘não expressa um fato histórico’

No livro, que nesta quarta-feira o Vaticano adiantou alguns capítulos, o Pontífice assinala que, quando no Evangelho de Mateus se fala que “todo o povo” pediu a crucificação de Cristo, “não se expressa um fato histórico”.

“Como seria possível todo o povo (judeu) estar presente nesse momento para pedir a morte de Jesus?”, questiona o papa teólogo, que reconhece que essa errônea interpretação teve consequências “fatais”, em referência às contínuas acusações de deicídio aos judeus durante séculos, que propiciou sua perseguição.

Bento XVI acrescenta que a “realidade” histórica aparece mais correta nos evangelhos de João e Marcos.

“Segundo João, foram simplesmente os judeus, mas essa expressão não indica nada que se tratasse do povo de Israel como tal e menos ainda que tivesse um caráter racista. João era israelita, como Jesus e todos os seus. Em João essa expressão tem um significado preciso e rigorosamente limitado, se refere à aristocracia do templo (de Jerusalém)”, escreve o papa.

“O verdadeiro grupo dos acusadores são os círculos contemporâneos do templo e a massa que apoiava Barrabás”, precisa, de maneira categórica.

Sobre a frase de Mateus “E todo o povo respondeu: Que seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos” (Jesus perante Pilatos e frente a Barrabás), Bento XVI assinala que o cristão lembrará que o sangue de Jesus “fala outro idioma diferente do de Abel”.

“Não pede vingança, nem castigo, mas reconciliação. Não é derramada contra alguns, mas se verte para todos. Não é maldição, mas redenção e salvação”, ressalta o bispo de Roma.

O Concílio Vaticano II (1962-1965), que lançou à Igreja em direção ao século XXI, promulgou a declaração “Nostra Aetate”, com o fim dos católicos retiraram as acusações de deicídio contra os judeus.

No texto, o papa assinala que Jesus não foi um “revolucionário político” e que sua mensagem e seu comportamento não constituíram um perigo para o domínio romano.

Bento XVI indica que sobre a data da Última Ceia os evangelhos sinóticos (Marcos, Lucas e Mateus) estão equivocados e quem leva a razão é João, já que no momento do processo Jesus as autoridades não tinham realizado a páscoa e deviam se manter puras.

O papa afirma que a Última Ceia não foi um jantar pascal segundo o ritual judeu e que Cristo não foi crucificado no dia da festa judaica, mas na vigília.

Sobre a figura de Judas, Bento XVI escreve que Satanás entrou nele e não conseguiu libertar-se e explica que, além da traição, sua segunda tragédia foi não conseguir crer no perdão.

“Seu arrependimento se tornou desespero. Só se vê a si mesmo e suas trevas, não vê mais a luz de Jesus. Seu arrependimento é destrutivo, não verdadeiro”, afirma o papa.

No livro também se refere ao Reino de Deus e assegura que só a verdade pode levar à libertação do ser humano e que as grandes ditaduras unicamente vivem graças à mentira ideológica.

A segunda parte do livro “Jesus de Nazaré”, que será apresentado no dia 10 de março no Vaticano, é dedicada à paixão, morte e ressurreição de Cristo, os momentos mais decisivos na vida de Jesus, segundo o papa.

O volume será editado pela Libreria Editora Vaticana (LEV), que tem todos os direitos autorais de Bento XVI, e estará disponível em sete idiomas, entre eles o português.

Segundo o porta-voz vaticano, Federico Lombardi, o papa está escrevendo já a terceira parte do livro, dedicada à infância de Jesus e sobre o início de sua pregação.

A primeira parte de “Jesus de Nazaré”, de 448 páginas, foi apresentada pelo Vaticano no dia 13 de abril de 2007 e nela o pontífice mostrou um Jesus “real”, e afirmou que Cristo é uma figura “historicamente sensata e convincente”.