Categorias
Artigos Noticias

Sintomas clássicos da paixão têm explicação hormonal, diz médico

10/06/2011 10h37 – Atualizado em 11/06/2011 14h42

 

Bem Estar desta sexta (10) recebeu o endocrinologista Alfredo Halpern.
Psicólogo Ailton Amélio da Silva falou sobre o "mapa do amor" no Brasil.

Do G1, em São Paulo

 

A explicação da paixão vai muito além da bioquímica. Envolve gostos, cheiros, memórias e sensações particulares. Mas os sinais típicos desse sentimento, como palpitação, frio na barriga, suor, brilho nos olhos, leveza e perda de fome e sono, também têm uma base hormonal.

Glândulas e neurotransmissores são responsáveis pelas mudanças do corpo e da mente nessa fase. Para aprofundar como age a paixão – que vem do gregopathos e significa sofrimento, como em Paixão de Cristo –, o Bem Estar desta sexta-feira (10) convidou o endocrinologista Alfredo Halpern e o psicólogo Ailton Amélio da Silva, que coordenou uma pesquisa sobre o "mapa do amor" em quatro cidades brasileiras.

Paixão (Foto: Arte/G1)

Segundo Halpern, a paixão é uma união química, que só ocorre quando se trata de uma via de mão dupla, ou seja, há reciprocidade. Ela faz bem para a alma, o coração e a saúde em geral – mas, quando acontece o afastamento, pode vir a depressão, porque existe uma dependência provocada pela dopamina. Esses sintomas duram de 1 ano e meio a 3 anos, que é o tempo em geral, sob o ponto de vista biológico, de os indivíduos casarem e terem filhos.

A maioria das pessoas conhece o grande amor da vida no trabalho, na escola ou na academia – locais que os dois já frequentavam. E a chance de um relacionamento dar certo depende também se o casal tinha uma amizade anterior, com identificações e afinidades percebidas previamente ao envolvimento amoroso.

Há também quem se conheça inesperadamente, no trânsito, no supermercado ou pela internet. Mas o campeão de encontros e parcerias é mesmo o ambiente profissional. E alguns dizem que o rendimento é maior nesse caso, porque o outro serve de inspiração no dia a dia.

Na opinião do dr. Ailton, para que a paixão nasça, é necessário que haja admiração, idealização e esperança de ser correspondido. Um dia, porém, ela acaba, e o sentimento pelo companheiro se solidifica e vira amor. Ou, então, ela começa por outra pessoa.

Segundo o psicólogo, para se relacionar, é importante oferecer sempre mais coisas boas que ruins. Pode ser uma comida, uma conversa, a celebração de uma data ou sexo. A unidade entre os dois é fundamental, mas a individualidade não pode deixar de existir.

A internet pode ser uma forma eficiente de aproximação, principalmente para os mais tímidos, mas é preciso saber escrever a palavra certa para o alvo certo. Muitas vezes, a paixão do mundo virtual desaparece após um clique, já que a realidade é bem diferente e, ao vivo, as máscaras caem e cada um se mostra como realmente é.

Para ajudar pacientes com o coração partido, o dr. Ailton "baixa a bola" do parceiro, fazendo com que a pessoa veja quem ele é de verdade, não idealizado nem demonizado.

Categorias
Artigos

Amor acaba antes da ‘crise dos sete anos’, dizem estudos

GUILHERME GENESTRETI

Quanto tempo passa entre a troca encantada de olhares e o momento que você repara nos defeitos do seu amor?

Para o senso comum, a prova de fogo vem na “crise dos sete anos”. Uma expressão popular nos Estados Unidos diz que após esse tempo, a coceirinha, a “seven year itch”, começa a incomodar o casal.

Rafael Andrade/Folhapress

Beatriz Piffer, 27, que ficou quatro anos com "o amor da vida toda"

Beatriz Piffer, 27, que ficou quatro anos com “o amor da vida toda”

Já um psicólogo evolucionista chutaria que o prazo de validade do amor gira em torno de quatro anos -o suficiente para que o homem ajude a mulher a cuidar da criança, até que essa esteja apta a seguir por conta própria na tribo nômade.

Mas um levantamento feito em cerca de 10 mil residências nos EUA pela Universidade de Wisconsin encontrou um tempo de duração ainda menor do amor: três anos.

É o mesmo tempo apontado em estudo patrocinado pelo estúdio Warner Brothers, feito com 2.000 adultos no Reino Unido. Foram comparados casais em relações curtas (menos de três anos) e longas (mais de três). No primeiro grupo, 52% afirmaram gostar das relações sexuais. No segundo, apenas 16%.

É claro que, nesses estudos, amor e paixão foram considerados sinônimos.

“Paixão eterna só existe na ficção”, afirma o psicólogo Bernardo Jablonksi, autor de “Até Que a Vida Nos Separe: A Crise do Casamento Contemporâneo” (Ed. Agir).

“Na paixão você sofre, para de comer, não dorme. Não tem como durar muito”, afirma o autor, que já passou por diversas separações.

O psiquiatra Luiz Cuschnir, do Instituto de Psiquiatria de São Paulo, acha que as pessoas deveriam dizer “eu te amo agora”, porque dizer “eu te amo muito” dá a ideia de que o compromisso não vai acabar.

O psicólogo Aílton Amélio concorda. “Amor pode terminar em um dia, porque ele depende dos fatos para ser nutrido. É como andar de motocicleta: se parar, cai”, compara o psicólogo.

Há quatro anos, a carioca Beatriz Piffer, 27, namorava, mas conheceu um rapaz numa festa. Passaram a noite conversando, ele contou que era cineasta, ela disse que cursava filosofia.

Apesar da atração mútua, não trocaram telefones. E também não perguntaram o sobrenome um do outro.

“Fui para casa triste, pensando que nunca mais ia vê-lo. Passei os oito meses seguintes à procura dele”.

Viveu dias de detetive amadora: rememorou os detalhes da conversa, montou pastas no computador para juntar pistas até descobrir o e-mail dele. Aí forjou um encontro casual. Deu certo: começaram a namorar já no dia do reencontro.

“Eu tinha a certeza de que tinha encontrado o homem da minha vida. Ele achou que era coisa do destino”.

O namoro terminou quatro anos depois. “Ele viajava muito”, diz Beatriz.

Hoje eles ainda saem, mas para tomar café juntos.

“O amor não acabou, só a relação é que mudou. O modelo que todo mundo espera não existe.”

Editoria de Arte/Folhapress

COISA DE PELE O que acontece com o corpo apaixonado

COISA DE PELE O que acontece com o corpo apaixonado

06-06-16 013

Rev. Ângelo Medrado, Bacharel em Teologia, Doutor em Novo Testamento, referendado pela International Ministry Of Restoration-USA e Multiuniversidade Cristocêntrica é presidente do site Primeira Igreja Virtual do Brasil e da Igreja Batista da Restauração de Vidas em Brasília DF., ex-maçon, autor de diversos livros entre eles: Maçonaria e Cristianismo, O cristão e a Maçonaria,A Religião do antiCristo, Vendas alto nível, com análise transacional e Comportamento Gerencial.

Categorias
Artigos

Ideia de que opostos se atraem é mito, diz terapeuta sexual

05/06/2011 07h00 – Atualizado em 05/06/2011 07h00

 

Especialistas dão dicas para manter relacionamentos.
Para professora, relacionamento ‘não tem nada de místico’.

Fernanda CalgaroEspecial para o G1, em Londres

 

Museu de História Natural, em Londres, abriga exposição sobre o sexo na natureza até o dia 2 de outubro (Foto: Fernanda Calgaro/G1)

Museu de História Natural, em Londres, abriga
exposição sobre o sexo na natureza
(Foto: Fernanda Calgaro/G1)

"Os opostos se atraem" é um ditado antigo o suficiente para parecer eterno. De acordo com especialistas, a frase famosa pode não passar de um lugar comum, ainda mais se comparada aos efeitos da similaridade e da proximidade sobre os relacionamentos.

"Tendemos a escolher quem está por perto, parecido com a gente. Achamos que é coisa do destino, que somos o ‘Sr. e a Sra. Perfeitos um para o outro’, quando, na verdade, estamos mais para o ‘Sr. Conveniente’ e a ‘Sra. Ali na esquina’. Não tem nada de místico", afirma Meg Barker, terapeuta sexual e professora de psicologia da Open University, na Inglaterra.

Do ponto de vista antropológico, a ideia é semelhante. "Não existe instinto nem predestinação genética ou biológica quando escolhemos um parceiro. O que existe é uma adaptação necessária de acordo com o ambiente e a situação econômica", explica Volker Sommer, antropólogo especializado em reprodução sexual e professor da University College of London (UCL). Diante de um público de cerca de 150 pessoas, os dois especialistas participaram de um debate no Museu de História Natural, em Londres, na sexta (27), sobre por que certos relacionamentos duram e outros não.

Mesmo com os altos índices de infidelidade, separação e divórcio, além de muita gente vivendo sozinha, adoramos um romance, a ideia de um relacionamento, de uma história de amor, segundo Meg. "Há quem diga que os relacionamentos amorosos são a nova religião, que nos dão um sentido de identificação, de pertencimento. Mas é um paradoxo: queremos pertencer, mas queremos manter a nossa liberdade num relacionamento. É aí que entra o conflito."

Exposição sobre o sexo na natureza fica em cartaz até o dia 2 de outubro no Museu de História Natural de Londres (Foto: Fernanda Calgaro/G1)Exposição sobre o sexo na natureza fica em cartaz até o dia 2 de outubro (Foto: Fernanda Calgaro/G1)

Não à toa damos tanta importância a ‘dicas’ alheias, segundo a terapeuta. É só olhar as revistas, com regras para conquistar alguém, regras para manter um relacionamento, regras para o sexo perfeito. "Somos encorajados a mostrar uma imagem perfeita e colocamos uma expectativa muito grande em cima do outro também. A frustração vem quando nos damos conta de que estamos lidando com uma pessoa real, com virtudes e vícios." Ou quando há uma quebra do acordado entre as partes, ou seja, alguém pula a cerca.

A falta de comunicação e diálogo entre o casal é a principal causa do fim de um relacionamento, aponta Meg. "Quando começamos a quantificar: ‘eu fiz isso tantas vezes e você não’, é o indício de que não está funcionando, porque não estamos mais pensando no parceiro como uma pessoa livre que tem os seus desejos e sonhos." Sommer concorda: "São dois indivíduos com interesses que nem sempre batem. Nós fazemos compromissos e o segredo é tentar ser feliz dentro desse compromisso."

Evolução
A nossa sociedade, por uma questão cultural, determina que os nossos relacionamentos sejam monogâmicos, isto é, envolvam apenas duas pessoas. Leis, inclusive, proíbem a poligamia, quando há mais parceiros no meio da história. "Só que, apesar de defender a monogamia, a sociedade só mantém a aparência, pois ela é secretamente não monogâmica. Basta ver a quantidade de casos extraconjugais e de infidelidade", argumenta Meg.

Só há fêmeas na população da lagartixa Cnemidophorus inornatus, que não precisa de macho para se reproduzir (Foto: Natural History Museum)Só há fêmeas na população da lagartixa
Cnemidophorus inornatus, que não precisa de
macho para se reproduzir (Foto: Natural History
Museum)

No início da evolução dos primatas, explica, havia mais liberdade sexual. Sem estratificação, tanto as fêmeas quanto os machos se relacionavam com quem quisessem. Quando desenvolvemos o cérebro maior do que o dos nossos ancestrais, houve uma mudança de comportamento. "O cérebro representa apenas 3% do peso do nosso corpo, mas consome 20% da energia que produzimos. Isso significa que precisamos de comida de boa qualidade. As fêmeas já não davam conta de conseguir comida para manter o seu metabolismo e o do bebê e, então, passaram a depender do macho."

Só que, apesar de defender a monogamia, a sociedade só mantém a aparência, pois ela é secretamente não monogâmica. Basta ver a quantidade de casos extraconjugais e de infidelidade."

Meg Barker, terapeuta sexual e professora de psicologia

Para que a coisa fluísse bem, as fêmeas precisavam cooperar. "Numa sociedade de macacos, as fêmeas sincronizam o seu ciclo menstrual. Todo mundo menstrua, fica fértil e infértil simultaneamente. A competição entre os machos acaba, porque eles não correm nenhum risco de perder parceiras e, assim, podem sair juntos para buscar alimento", diz Sommer. "A comida servia de moeda de troca para obter sexo. As mulheres podiam usar a sua fertilidade para trocar sexo por carne para si e o seu bebê. E os homens estariam mais propensos a isso se tivessem a paternidade garantida."

Uma grande mudança aconteceu quando surgiu a agricultura, entre 13 mil e 15 mil anos atrás. "Os machos passaram a controlar a sexualidade e a fertilidade das fêmeas. Virou uma sociedade patriarcal. Para atrair as fêmeas, os machos mantinham uma área confortável, com alimentos. Então, era basicamente o cara rico dizendo: ‘fique comigo porque tenho muitos recursos’. Ou era assim ou era na base da força. Aquele que não tivesse muitos recursos lutava com os adversários para conseguir a fêmea."

Faisão usa as penas para atrair a fêmea (Foto: Natural History Museum)Faisão usa as penas para atrair a fêmea
(Foto: Natural History Museum)

Tamanho físico
Em sociedades de macacos, o tamanho físico ajuda a definir o tipo de relacionamento. Sommer explica que uma fêmea e um macho com o mesmo tamanho têm grande predileção pela monogamia. Exemplo são os gibões, os únicos macacos monogâmicos: escolhem um(a) parceiro(a) e ficam com ele(a) até o fim. Se um macho for muito maior do que a fêmea, como os gorilas, a tendência é de poliginia (quando um macho se relaciona com mais de uma fêmea). "Se olharmos para os humanos, os machos são 20% mais altos e mais pesados que fêmea, ou seja, sem grande diferença. Você até pode querer ter mais mulheres e querer sair lutando contra os concorrentes para conseguir mais algumas. Mas não dá, você não é um gorila", brinca.

Assim como em outras espécies, a aparência física também importa para os humanos. "Quando escolhemos um parceiro, acreditamos que estamos fazendo as nossas próprias escolhas com base nos sentimentos. No entanto, estamos só preenchendo um questionário", afirma o antropólogo Sommer.

Em cartaz até o dia 2 de outubro no Museu de História Natural, a exposição "Sexual Nature"(na tradução livre, "natureza sexual") traz curiosidades sobre como os animais atraem e se relacionam com seus parceiros. O faisão e o pavão, por exemplo, abrem todo o seu penacho para cortejar as suas fêmeas. Há ainda uma espécie de lagartixa que não depende do macho para se reproduzir e leoas que podem ficar insaciáveis durante o período fértil – uma vez, uma leoa foi vista tendo 157 relações sexuais em 3 dias.