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Jovens da escola gay de Campinas irão à Parada de SP em excursão

25/06/2011 08h13 – Atualizado em 25/06/2011 08h13

 

Ônibus deixarão cidade no interior de SP neste domingo (26).
Alguns jovens irão prestigiar evento paulistano pela primeira vez.

Luciana BonadioDo G1 SP, em Campinas

 

Anderson, Raí e Michael se preparam para evento em São Paulo (Foto: Luciana Bonadio/G1)Anderson, Raí e Michael se preparam para evento em São Paulo (Foto: Luciana Bonadio/G1)

Alunos da Escola Jovem LGBT de Campinas, a 93 km da capital paulista, irão conhecer a Parada de São Paulo, considerada a maior do mundo, neste domingo (26). A organização do evento diz que, no ano passado, 3 milhões de pessoas se reuniram na Avenida Paulista. O grupo de jovens viajará a São Paulo em uma excursão, em dois ônibus que sairão de Campinas na manhã de domingo.
O estudante Raí Santos, de 16 anos, está muito animado para participar pela primeira vez da Parada de São Paulo. “Vou me divertir, dançar muito, tirar muita foto”, contou. Apesar disso, ele demonstrou preocupação com a segurança, por causa das informações sobre furtos nos últimos eventos. “Eu estou curioso, mas com medo de ser roubado”, afirmou.

Ele viajará para a capital paulista vestido de “Barrigoncé”, uma “irmã perdida” da cantora americana Beyoncé. “É uma brincadeira minha e de um amigo meu. Até gravamos um vídeo e colocamos na internet”, disse. O adolescente defende a importância desses eventos para os gays. “Lá podemos mostrar quem somos e também nosso trabalho.”

A 15ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo também será a primeira do subgerente de posto Anderson Arruda, de 22 anos. Ele mudou de uma cidade em Rondônia para Campinas em setembro de 2010. O jovem contou que foi expulso de casa pela família, que não aceitou sua opção sexual, e, por isso, decidiu mudar de estado.

Anderson disse que se sentirá “mais seguro” encontrando outros homossexuais no evento. “É a primeira vez que vou ver tantos gays e lésbicas reunidos. É uma forma de a pessoa se sentir mais segura, porque a gente se sente meio isolado. Quando você vê tanta gente reunida, percebe que há tantos outros iguais a você”, afirmou.

O subgerente e o representante de atendimento Michael Alberto de Sousa, de 22 anos, participaram da turma de dança da escola, fizeram um espetáculo que conta a história do primeiro protesto pelo direito dos homossexuais e decidiram apresentar a montagem em cidades no interior de São Paulo. Eles pensam em ir à Parada de São Paulo caracterizados como os personagens para divulgar o trabalho. “Depende da disposição no dia”, disse Michael.

Deco Ribeiro, diretor da Escola Jovem LGBT de Campinas (Foto: Luciana Bonadio/G1)

Deco Ribeiro, diretor da Escola Jovem LGBT
de Campinas (Foto: Luciana Bonadio/G1)

Ele afirmou que sempre acompanhou o evento paulistano pela televisão, mas resistia em ir. “Nunca tive vontade porque é muita bagunça. Neste ano meus amigos vão e quero ver como é. Acho importante a perspectiva de mostrar que nós existimos”, afirmou.

Veterano na Parada
O diretor da Escola Jovem LGBT, Deco Ribeiro, de 39 anos, é veterano na Parada de São Paulo. “A primeira vez que fui à Parada foi em 1999. A gente faz parte da comissão organizadora da Parada de Campinas. Neste ano, esperamos 150 mil pessoas no evento daqui”, disse. Segundo ele, todos os anos cerca de dez ônibus deixam a cidade rumo à Parada da capital. Deco incentivou a participação dos jovens neste ano. “É uma forma de eles conhecerem a maior Parada do mundo, que é aqui do lado.”

Ele disse que os gays já conseguiram “ser vistos”, muito por causa da Parada: “a grande expressão da cultura LGBT”. “A 2ª onda agora da cultura LGBT é produzir discurso. Porque o preconceito vem muito da ignorância, no sentido de falta de conhecimento mesmo. As pessoas têm que parar só de ver, mas escutar a gente, o que temos para dizer.”

Com o intuito de produzir cultura, a Escola Jovem LGBT foi criada em março de 2010. Ela disponibiliza cursos como teatro, música, revista e dança. Os jovens montam peças, espetáculos de dança e revistas. Em 2012, haverá um curso de formação de drag queen.

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QUEM É A MISSIONÁRIA QUE ABRIU ”IGREJA GAY” EM SÃO PAULO.

 

Junho de 2011

A missionária Lanna Holder, pregadora que fez muito sucesso no meio pentecostal, e que se separou do esposo por causa de um romance homossexual, volta ao cenário religioso com uma proposta bombástica: Juntamente com sua companheira, a pastora Rosania Rocha, Lanna Holder inaugurou no dia 3 de junho de 2011 a Comunidade Crista Cidade de Refúgio, na cidade de São Paulo (Capital). “Somos uma igreja que ama a todos e não exclui a ninguém, que anseia ser UM LUGAR AOS ESCOLHIDOS, pela convicção de que Deus não faz acepção de pessoas”, diz o site da igreja.

Lanna Holder e Rosania Rocha fazem convite para a inauguração da igreja “inclusiva”

“Com apenas 12 anos de idade conheci o lesbianismo. Aos 17, fui a uma boate gay e tive a minha primeira intimidade sexual com mulher. Logo depois desse acontecimento, saí de casa para morar com uma mulher 12 anos mais velha do que eu”, revelou Lanna Holder em uma entrevista ao portal ELNET. Sobre a experiência de conversão, ela acrescenta: “Foi no dia 12 de dezembro de 1995, aos meus 21 anos. Larguei todas as minhas práticas imediatamente. Pedi à minha mãe, que ligasse para a minha ex-companheira e avisasse que eu não iria mais voltar, pois havia me convertido.. Milagrosamente o álcool, as drogas e o homossexualismo ficaram para trás.

Tendo alcançado fama depois de suas aparições no congresso dos Gideões Missionários da Última Hora realizado em (Camboriú) contando o testemunho de como Deus a havia livrado do lesbianismo, a missionária contraiu matrimonio e se projetou em uma carreira singular no âmbito pentecostal.

Conhecida pelos admiradores pela grande capacidade de memorizar textos bíblicos, Lanna Holder chegou a ser uma espécie de protótipo ministerial, sendo imitada em suas roupas e gestos por centenas de mulheres assembleianas, tal como acontece hoje com o pastor Marco Feliciano.

Lanna Holder: Divórcio e relação homossexual mancham a carreira da pregadora

No ano de 2003 a igreja evangélica foi sacudida por um escândalo envolvendo a missionária: um caso homossexual envolvendo Lanna Holder e Rossania Rocha, então dirigente de louvor da World Revival Church – Igreja do Avivamento Mundial, nos Estados Unidos, Presidida pelo Pr. Ouriel de Jesus, uma igreja freqüentada por brasileiros que vivem na região. Em entrevista concedida à revista Eclésia no ano em que ocorreram os acontecimentos, a pregadora comenta: “Eu fui curada por Jesus e não tenho dúvidas quanto a isso. Fico triste quando vejo gente por aí dizendo: ‘A Lanna caiu porque não era liberta de verdade’. Isso é coisa de quem não conhece a Bíblia. As Escrituras narram que vários personagens que viviam segundo os desígnios do Senhor caíram – isso é do homem. Vemos gente que saiu do adultério voltar a adulterar; alcoólatras libertos que um dia caem e tomam a beber. A pessoa que tem um passado negro como o meu está sempre sujeita e suscetível a uma queda”.

Neste tempo, Lanna Holder ainda se referia ao homossexualismo como uma doença pecaminosa da qual ela foi vítima durante grande parte da sua vida, e se referia ao acontecimento em termos de “queda”.

Volta aos púlpitos em 2010

Em 2010, a missionária ensaia um retorno aos púlpitos: “Sei que pequei. Não me orgulho disto e estou trabalhando minha restauração com Deus”, desabafa. Em um site dedicado ao seu recomeço ministerial, a pregadora começou a produzir e comercializar novos DVDs com mensagens, e prometeu lançar sua autobiografia com o nome “O diário de uma filha pródiga”. Na ocasião, ela publicou uma carta de recomendação em sua página web, que a apresentava novamente como pregadora. Estranhamente, a carta não contém data de emissão. Nela , a Igreja Assembléia de Deus em Cidade Nova – RJ, a recomendava como membro desta igreja desde 1997. Assim, Lanna conseguiu acesso novamente ao púlpito das igrejas no Brasil.

Em Junho de 2011: Lanna e sua companheira abrem Igreja Gay em São Paulo

“O que estava em meu coração não contei a ninguém”, diz o site da mais nova comunidade “inclusiva” do Brasil. O texto encontra-se no livro do profeta Neemias e foi usado como base bíblica para justificar o fato de Lanna Holder e Rossania Rocha não revelarem previamente ao público suas intenções.

Apesar da proposta de ser uma comunidade acolhedora, a nova igreja fere a doutrina bíblica ao promover a banalização do pecado do homossexualismo, o qual é condenado em várias passagens bíblicas como (Levítico cap.18 vers.22), (1 Coríntios cap.6 vers.9,10) e (Romanos cap.1 vers.26-27).Apesar da incoerência bíblico-teológica, as fundadoras não estão dispostas a retroceder: “Fomos concebidas sob essa expectativa e não vacilaremos em prosseguir para o alvo que nos está proposto pelos céus”.

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Pastoras lésbicas querem fazer ‘evangelização’ na Parada Gay de SP

 

Lanna Holder e Rosania Rocha dizem que movimento perdeu o propósito.
Organização diz que evento continua reivindicando direitos humanos.

Do G1 SP

 

Para o casal de pastoras, a Parada Gay perdeu seu propósito inicial de lutar pelos direitos dos homossexuais (Foto: Clara Velasco/G1)

Para o casal de pastoras, a Parada Gay perdeu seu propósito inicial de lutar pelos direitos dos homossexuais

(Foto: Clara Velasco/G1)

Três semanas depois de inaugurar uma igreja inclusiva e voltada para acolher homossexuais no Centro de São Paulo, o casal de pastoras Lanna Holder e Rosania Rocha pretende participar da Parada Gay de São Paulo, em 26 de junho, para "evangelizar" os participantes. Estudantes de assuntos ligados à teologia e a questões sexuais, as mulheres encaram a Parada Gay como um movimento que deixou de lado o propósito de sua origem: o de lutar pelos direitos dos homossexuais.

“A história da Parada Gay é muito bonita, mas perdeu seu motivo original”, diz Lanna Holder. Para a pastora, há no movimento promiscuidade e uso excessivo de drogas. “A maior concepção dos homossexuais que estão fora da igreja é que, se Deus não me aceita, já estou no inferno e vou acabar com minha vida. Então ele cheira, se prostitui, se droga porque já se sente perdido. A gente quer mostrar o contrário, que eles têm algo maravilhoso para fazer da vida deles. Ser gay não é ser promíscuo.”

As duas pastoras vão se juntar a fiéis da igreja e a integrantes de outras instituições religiosas para conversar com os participantes da parada e falar sobre a união da religião e da homossexualidade. Mas Lanna diz que a evangelização só deve ocorrer no início do evento. “Durante [a parada] e no final, por causa das bebidas e drogas, as pessoas não têm condição de serem evangelizadas, então temos o intuito de evangelizar no início para que essas pessoas sejam alcançadas”, diz.

Leandro Rodrigues, de 24 anos, um dos organizadores da Parada Gay, diz que o evento “jamais perdeu o viés político ao longo dos anos”. “O fato de reunir 3 milhões de pessoas já é um ato político por si só. A parada nunca deixou de ser um ato de reivindicação pelos direitos humanos. As conquistas dos últimos anos mostram isso.”

Segundo ele, existem, de fato, alguns excessos. “Mas não é maioria que exagera nas drogas, bebidas. Isso quem faz é uma minoria, assim como acontece em outros grandes eventos. A parada é aberta, e a gente não coíbe nenhuma manifestação individual. Por isso, essas pastoras também não sofrerão nenhum tipo de reação contrária. A única coisa é que o discurso tem que ser respeitoso.”

Negação e aceitação da sexualidade
As duas mulheres, juntas há quase 9 anos, chegaram a participar de sessões de descarrego e de regressão por causa das inclinações sexuais de ambas. “Tudo que a igreja evangélica poderia fazer para mudar a minha orientação sexual foi feito”, afirma Lanna. “E nós tentamos mudar de verdade, mergulhamos na ideia”, diz Rosania. As duas eram casadas na época em que se envolveram pela primeira vez.

O casal passou por sessões de descarrego e regressão por causa da orientação sexual (Foto: Clara Velasco/G1)O casal passou por sessões de descarrego e
regressão por causa da orientação sexual (Foto:
Clara Velasco/G1)

“Sempre que se fala em homossexualidade na religião, fala-se de inferno. Ou seja, você tem duas opções: ou deixa de ser gay ou deixa de ser gay, porque senão você vai para o inferno. E ninguém quer ir para lá”, diz Lanna.

A pastora afirma que assumir a homossexualidade foi uma descoberta gradual. “Conforme fomos passando por essas curas das quais não víamos resultado, das quais esperávamos e ansiávamos por um resultado, percebemos que isso não é opção, é definitivamente uma orientação. Está intrínseco em nós, faz parte da nossa natureza.”

Igreja Cidade de Refúgio
Segundo as duas mulheres, após a aceitação, surgiu a ideia de fundar uma igreja inclusiva, que aceita as pessoas com histórias semelhantes as delas. “Nosso objetivo é o de acolher aqueles que durante tanto tempo sofreram preconceito, foram excluídos e colocados à margem da sociedade, sejam homossexuais, transexuais, simpatizantes”, diz Lanna.

Assim, a Comunidade Cidade de Refúgio foi inaugurada no dia 3 de junho na Avenida São João, no Centro de São Paulo. Segundo as pastoras, em menos de 2 semanas o número aumentou de 20 fiéis para quase 50. Mas o casal ressalta que o local não é exclusivo para homossexuais. “Nós recebemos fiéis heterossexuais também, inclusive famílias”, diz Rosania.

Apesar do aumento de fiéis, as duas não deixaram de destacar as retaliações que têm recebido de outras igrejas através de e-mails, telefonemas e programas de rádio e televisão. “A gente não se espanta, pois desde quando eu e a pastora Rosania tivemos o nosso envolvimento inicial, em vez de essa estrutura chamada igreja nos ajudar, foi onde fomos mais apontadas e julgadas. Mas não estamos preocupadas, não. Viemos preparadas para isso”, afirma Lanna.