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Bairro do Brás em São Paulo vê duplicar o número de templos evangélicos

 

O bairro do Brás, em São Paulo, tem atraído nos últimos anos dezenas de igrejas evangélicas. Em alguns metros percorridos é possível encontrar igrejas pentecostais, neopentecostais e tradicionais. O tamanho dos templos também é variado, e é possível encontrar pequenas igrejas e até mesmo sedes que reúnem milhares de fiéis todos os domingos.

É nesse bairro que está localizada a Igreja Mundial do Poder de Deus que recebe cerca de 10.000 pessoas no culto aos domingos. O prédio que deve ser interditado pela prefeitura, era onde funcionava uma fábrica de embalagens metálicas da família Matarazzo, desativada desde 1996.

Não muito longe dali encontramos outras grandes igrejas, como a sede da Assembléia de Deus do Brás-Madureira, liderada pelo pastor Samuel Ferreira. Localizada na Av. Celso Garcia, o templo tem capacidade de receber 5.000 pessoas.

Quase em frente está o Cenáculo do Espírito Santo da Igreja Universal do Reino de Deus que tem capacidade para receber 4.000 pessoas por culto e em breve, na mesma avenida estará funcionando o Templo de Salomão, um projeto ambicioso da IURD que ocupa quase um quarteirão e terá espaço para receber mais de 10.000 membros.

Quem passa pela avenida Celso Garcia nota o crescente número de igrejas evangélicas naquela região. De acordo com uma reportagem da revista Veja, em seis quarteirões dessa avenida é possível encontrar oito igrejas.

Nascimento de novas igrejas

A reportagem destaca que o crescimento de novos ministérios acontece por rachas em denominações maiores como atesta um sociólogo. “Atualmente, existe uma absoluta fragmentação religiosa”, diz Gedeon Freire de Alencar, sociólogo especializado no pentecostalismo brasileiro. “O pastor faz parte de uma facção. Se começa a não gostar do modelo, sai e monta outro”, explica.

Bairro bem localizado

A explicação para o crescimento de tantas igrejas evangélicas na região do Brás está na localização facilitada pelo acesso ao transporte público como a estação Bresser-Mooca no metrô e as linhas de ônibus que ligam aos terminais onde é possível chegar a qualquer parte da cidade.

Apesar do aumento de evangélicos, o Brás ainda é o bairro mais católico de todos os dez distritos da região central de São Paulo (62% dos habitantes) segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha de 2008.

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Pastores Divergem em Opinião se as Casas de Prostituição Devem Fechar

 

Por Jussara Teixeira|Correspondente do The Christian Post

Casas de prostituição, ponto que atrai sexo, drogas e violência na Bahia, criaram polêmica em torno de se devem ser fechadas ou não. Comentários divergem mesmo entre pastores evangélicos.

O delegado evangélico de Cachoeira, cidade do Recôncavo baiano, Laurindo Neto, quer fechar as casas de prostituição da rua do Brega. As casas, que estão no local há 150 anos, servem, entre outras coisas, como ponto de encontro para traficantes da região.

Mas se depender de Jailton Santos, pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular, os prostíbulos devem continuar funcionando. Santos fundou fundou a igreja evangélica ao lado do brega de Cabeluda, um dos mais antigos da cidade.

Em declaração ao diário Correio 24 horas, ele afirmou que “o ensinamento divino é que se pregue a palavra de Deus onde o pecado está e por esse motivo preferimos que os bregas continuem abertos para que essas mulheres tenham a chance de encontrar o conforto na palavra de Deus”, defende o pastor, que trabalha como operário da construção civil em Cachoeira.

Mas para o delegado o fechamento dos bregas não é por moralismo, e sim por segurança. Ele disse ao Correio 24 horas que o local é frequentado por Edmilson Bispo dos Santos Júnior, o Júnior, 27 anos, fundador do Primeiro Comando do Interior (PCI), facção inspirada no grupo criminoso paulista Primeiro Comando da Capital (PCC).

“Júnior e seus comparsas usam essas casas de brega com regularidade. Manter esses bregas abertos é facilitar a ação do crime na nossa cidade. Quem quiser fazer sacanagem vai ter que ir para outra cidade”, disse à publicação.

Já o pastor Jailton acredita que, caso os bregas sejam fechados, o ‘poder do evangelho’ vai se enfraquecer. “Temos a intenção de estar onde as pessoas que precisam de ajuda estão. Por isso, resolvemos abrir a igreja na rua onde estão os bregas da cidade”, disse ao Correio 24 horas.

A cidade de Cachoeira cresceu como entreposto comercial do estado. último ponto navegável atrás da Baía de Todos os Santos, a cidade abrigou várias casas ou cabarés de prostituição, mais conhecidos como bregas, para atender às necessidades dos viajantes.

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Cada vez mais cedo crianças viram pastores e preocupam psicólogos

OVELHAS NO LUGAR DE PASTORES

 

De terno, gravata e olhar sério. É assim que Matheus Moraes, 13 anos, divide as atividades escolares, brincadeiras, aulas de música e partidas de futebol com algo que considera muito mais importante. Ele é um dos precoces pastores mirins que estão tomando os púlpitos de igrejas evangélicas, crianças que se destacam pela desenvoltura da fala, surpreendem com a capacidade de raciocínio rápido e boa memória, e se tornam quase que imediatamente responsáveis pela conversão de centenas de fiéis.

Como Matheus, a estudante Ana Carolina Dias, hoje com 17 anos, foi uma das primeiras crianças a se tornar pregadora no Brasil. Iniciou sua carreira aos quatro. Aos sete, um vídeo em que aparece pregando foi publicado no Youtube, virou funk e bateu recorde de audiência. A postagem original foi vista quase 2 milhões de vezes. A “Menina Pastora”, como ficou conhecida, permanece na igreja até hoje. Além de pregar quase diariamente para centenas de fiéis, participa de congressos e eventos em todo o País. Paralelamente, estuda Física na Universidade Rural do Rio de Janeiro.
Os dois, filhos de pais evangélicos, são considerados pedras preciosas para as igrejas. Colocados à frente das pregações, sensibilizam centenas de fiéis e mantêm uma agenda lotada. Matheus, por exemplo, já gravou 30 DVDs com louvores e cantos, à venda em seu site. Acumula as funções de pastor, cantor e estudante. Viagens são rotina em sua vida.
Da mesma forma, Ana Carolina conheceu a Europa para pregar e atualmente coordena a vida particular com inúmeras funções na igreja. Mas o que desperta orgulho na família e faz sucesso nos púlpitos das igrejas também causa apreensões, especialmente de psicólogos. Afinal, a responsabilidade de mobilizar multidões frequentemente pode pesar, embora na maioria das vezes o talento destas crianças seja encarado meramente como uma vocação, e não obrigação.

Filho de peixe
Francinete Moraes fez cirurgia para não engravidar após dar à luz seu terceiro filho. Mesmo assim, depois de 13 anos, teve Matheus. Ainda bebê, o menino ficou em coma em função de problemas respiratórios e, durante o período, a família se debruçou em súplicas e orações. Para eles, sua sobrevivência foi um milagre e seu pai, Juanez Moraes, frequentador da Assembleia de Deus, virou pastor. Três anos depois, era Matheus que, ainda sem saber falar todas as palavras, pregou na igreja pela primeira vez. “Lembro perfeitamente: foi na cidade de Estrela Dalva, no interior de Minas Gerais, eu nem sabia falar direito”, conta o menino. Aos seis anos, já era reconhecido como um pequeno missionário.

A história de Carolina é semelhante. Quando tinha apenas três anos, teve uma inflamação que afetou seu intestino e garganta. Ficou internada durante dez dias e, segundo o pai, o pastor Ezequiel Dias, foi desenganada pelos médicos. “Ela faleceu em meus braços, até que orei a Deus e a Carolina voltou à vida. E voltou servindo a esse Deus”, diz ele, que fala pela filha e cuida de todos os seus interesses. “Mesmo falando errado, pois era criança, pregava a Palavra”. Desde então, Carolina nunca mais deixou de pregar. Ezequiel garante não ter havido pressão familiar e afirma que a menina jamais teve problemas para conciliar suas funções na igreja com os estudos.

Matheus também afirma que nunca foi pressionado para seguir a vida religiosa. “Nunca deixei e nem deixo de fazer nada por conta do Evangelho. Eu tenho uma vida normal, como toda criança: jogo bola, vou à escola [ele está no sexto ano do Ensino Fundamental, na escola particular Santa Mônica, no Rio de Janeiro], convivo com amigos”, ressalta o garoto. “Faço tudo o que as demais crianças fazem, mas com responsabilidade, pois tenho um compromisso com Deus”.

O fato de pregar hoje para multidões não parece incomodá-lo: “Eu sabia qual era a minha missão. Deus tinha uma promessa para mim. Tive certeza da minha vocação aos cinco anos, quando estava louvando em uma igreja do Méier e Deus falava comigo sobre a cura”. Matheus admite suas atividades religiosas são motivo de preconceito: “Hoje, 70% dos meninos querem ser jogadores de futebol e sinto que sou discriminado por pregar a Palavra, pelo fato de correr atrás da Bíblia. Eles não gostam, encarnam em mim. Não sou um garoto admirado”.

Ana Carolina e Matheus entendem que foram escolhidos. Para eles, a função exercida é, sobretudo, uma vocação. Mas nem todos concordam. Pastora há cinco anos de uma das igrejas da Assembleia de Deus, a teóloga Maria Vita Umbelino diz ver “quase diariamente” crianças sendo levadas pelos pais até a igreja para se transformarem em pequenos pastores. “No meu Ministério eu não tenho criança pregando, sou contra”, diz ela. “Esse período é de aproveitar as brincadeiras típicas da idade e esperar pelo amadurecimento”. Segundo Maria Vita, a escola bíblica oferecida pela igreja já é “mais do que suficiente para o primeiro contato dos jovens”.
A pastora acredita que a iniciação precoce na pregação resulta no desinteresse futuro de seguir o caminho da fé. A psicóloga especializada em terapia familiar Aldvan Figueiredo concorda, explicando que o contato das crianças com a espiritualidade é comum e geralmente despertado entre os cinco e sete anos de idade. “Os pais não precisam se preocupar, desde que o interesse ocorra naturalmente”, explica. “Após esse período, as crianças tendem a se desligar desses assuntos”. O perigo, segundo ela, está em obrigá-la a ingressar em rotinas religiosas cedo demais. “A atitude pode causar danos emocionais e afastar de vez essas crianças da religião, tornando-se um trauma na vida adulta”.
Rita Kather é professora de psicologia da PUC-Campinas e tem uma opinião mais radical. Ela acredita que o reforço precoce de uma escolha, seja ela religiosa ou artística, dificulta o desenvolvimento e o interesse da criança por outras áreas. “Uma vez que essa criança começa a desempenhar bem o papel, raramente sua vida tomará outro rumo”, diz. “As crianças não devem ser incentivadas a tomar decisões logo nos primeiros anos de vida”.
Rita ainda considera perigosa a exposição das crianças. “Nesta idade, nem as habilidades ainda foram totalmente desenvolvidas”, pondera. “A religiosidade é importante, mas esse contato da criança com o mundo religioso precisa ser suave. É nobre cultivar a religião para um mundo de paz, mas isso deve ser natural”. Para a professora, raramente a criança irá expressar nitidamente sua insatisfação em cumprir um papel que agrada aos pais.

Ezequiel insiste que a vida da filha sempre foi saudável. “Ela teve uma infância tranquila, brincou, viajou o mundo. Conheceu lugares como a Europa, esquiou, fez coisas que eu não teria condições financeiras de bancar. E tudo isso por meio da pregação da Palavra”, compara. Hoje, Ana Carolina é líder da Mocidade, o grupo dedicado a jovens dentro de sua igreja, e auxilia o pai nos cultos. “É uma sensação indescritível ser pai de uma missionária. Creio que milagres não se explicam, não se justificam, e a minha filha é um milagre de Deus”, diz ele.

Data: 5/10/2011
Fonte: Ig