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QUAL DEVE SER O SALÁRIO DE UM LÍDER

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Preletor: Bruno dos Santos

O salário não profissionaliza, apenas reconhece a vocação pastoral

Ainda existe grande tensão ao assunto relacionado sobre a remuneração da atividade pastoral. Ser pastor é uma profissão ou não? Um sacerdote possui uma vocação, ou a profissionalização é real e o reconhecimento da profissão, imprescindível? Como devemos classificar o salário dos pastores hoje em dia?
     Ao consultar a carta de Paulo à igreja de Éfeso, ele declara o seguinte: Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo. Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens. E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. (Ef 4:11-15)
     Esta passagem é regularmente usada para identificar o desenvolvimento e crescimento correto dos membros da Igreja (Corpo de Cristo). Existem pelo menos cinco funções diferentes que precisam ser exercidas diretamente pela liderança eclesiástica: A pastoral, evangelística, profética, apostólica e a pedagógica. Estas cinco funções foram exercidas por Jesus Cristo na condução e no estabelecimento da Igreja na terra e posteriormente pelos apóstolos. Jesus instituiu estas funções na igreja para o “aperfeiçoamento dos santos”. Isto é, Cristo capacita sobrenaturalmente “certas pessoas” para exercerem funções específicas para toda a igreja, funções estas também chamadas de “dons”. Estes homens ou mulheres, são os vocacionados ao ministério para tempo integral, isto é, precisam se dedicar totalmente aquele trabalho para o desenvolvimento mais adequado da igreja. Entre estes estão apóstolos, pastores, professores (teólogos) e bispos em sua grande maioria, que administram igrejas, congregações e até denominações inteiras.

     É preciso notar que essa passagem não visa gerar nenhuma ordem eclesiástica de cargos, nem torna um mais importante que o outro, mas o fato é que certos membros vão ter uma responsabilidade maior no desenvolvimento do Corpo de Cristo. Portanto existem pessoas vocacionadas “na” e “para” a igreja, que precisam ser assistidas em suas necessidades pessoais e sociais. Não podemos ser injustos com os líderes que exercem bem sua função e por falta de cuidado ou dinheiro, precisam ocupar-se com outras coisas que não dizem respeito, diretamente à sua vocação. Paulo era um fazedor de tendas, como Áquila e Priscila (At 18:3), mas essa função só foi exercida porque Paulo não queria ser um peso financeiro enquanto morava na casa de Áquila e Priscila (At 18:5).

     Toda igreja precisa e deve honrar e cuidar de líderes que sejam idôneos e aptos para desenvolver o caráter e o aperfeiçoamento espiritual dos membros da igreja do Senhor. Portanto, o salário não profissionaliza, apenas reconhece a vocação pastoral ou qualquer outra função ou dom que seja necessário para a igreja.

     Paulo sabia que a religião era um mercado lucrativo (1Tm 6:6) e era necessário sempre cautela e cuidado com assuntos financeiros, mas isso jamais impediu a igreja de abençoar seus líderes (Fp 4:16), Paulo foi ajudado muitas vezes pela igreja e ele mesmo acreditava que isso era um mérito diante de Deus para a igreja, e não um peso (Fp 4:17).

     Quanto ao valor do salário, é preciso ser coerente. O salário deve ser de acordo com a capacidade entre a condição que a igreja oferece e aquilo que o líder necessita para prover as necessidades de sua família dentro do ambiente em que está inserido socialmente. Esse valor deve ser sempre decidido por uma junta de pessoas comprometidas com o trabalho da igreja e em concordância com o líder local. Jamais um pastor ou líder pode ser pesado para igreja e jamais a igreja pode negligenciar as necessidades e possibilidades de seu líder. A vida cristã deve sempre ser uma “vida piedosa” (sem ostentação). Esse equilíbrio deve ser a base para formular o salário do líder local. Saúde, alimentação, moradia, transporte e investimento nos estudos, não devem ser considerados “itens de luxo”, mas necessários para que o líder possa formular um trabalho mais adequado. Como o escritor de Hebreus afirmou:

     Eles (os líderes) cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Orem por nós. Estamos certos de que temos consciência limpa, e desejamos viver de maneira honrosa em tudo. (Hb 13: 17-18)

Data: 9/2/2011 09:18:25