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Heleno diz tomar remédio para evitar “atitude drástica” de Bolsonaro contra o STF

Ministro-chefe do GSI afirmou que “temos um dos Poderes que resolveu assumir uma hegemonia que não lhe pertence”

Paulo Moura – PlenoNews
Ministro Augusto Heleno Foto: PR/Marcos Corrêa

Durante uma formatura do Curso de Aperfeiçoamento e Inteligência para agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, afirmou que tem tomado remédios “na veia” para não levar o presidente Jair Bolsonaro a tomar “uma atitude mais drástica” contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

O áudio vazado foi divulgado pelo jornalista Guilherme Amado, do site Metrópoles. No conteúdo, Heleno faz referência ao Supremo ao dizer que “temos um dos Poderes que resolveu assumir uma hegemonia que não lhe pertence” e que está “tentando esticar a corda até arrebentar”. O ministro afirma que essa conduta parte e “dois ou três ministros do STF”.

– Nós estamos assistindo a isso diariamente, principalmente da parte de dois ou três ministros do STF (…) E que eu, particularmente, que sou o responsável, entre aspas, por manter o presidente informado… eu tenho que tomar dois Lexotan na veia por dia para não levar o presidente a tomar uma atitude mais drástica em relação às atitudes que são tomadas por esse STF que está aí – diz.

Lexotan, citado pelo ministro, é um medicamento prescrito para tratar questões, segundo a bula do fármaco, como “ansiedade, tensão e outras queixas somáticas ou psicológicas associadas à síndrome de ansiedade”

CRÍTICAS DO GOVERNO AO STF
A fala de Heleno marca um novo capítulo do conflito entre o governo Bolsonaro o Supremo Tribunal Federal. Já há algum tempo a gestão federal avalia que o STF se intromete em questões que não são de sua competência legal, extrapolando a autonomia entre os Poderes da República.

Casos emblemáticos como a decisão da Corte de permitir que prefeitos e governadores adotassem medidas contra a Covid-19 e a proibição de o diretor da Abin, Alexandre Ramagem, assumir o comando da Polícia Federal sempre motivaram muitas críticas do presidente Jair Bolsonaro.

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“Um salto para os evangélicos”, diz André Mendonça após ser aprovado para o STF

Por 47 votos a 32, plenário do Senado aprova indicação de André Mendonça para ministro do STF.
FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DO G1ATUALIZADO:
André Mendonça durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. (Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado)
André Mendonça durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. (Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado)

André Mendonça ocupará o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), após ter seu nome aprovado nesta quarta-feira (1º) por 47 votos a 32 — em votação secreta — pelo plenário do Senado.

Antes de ir ao plenário, o nome de Mendonça já havia sido aprovado por 18 votos a 9, em sabatina que durou oito horas na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Assim, o nome de André Mendonça tornou-se o cumprimento de promessa feita pelo presidente Jair Bolsonaro aos evangélicos, de um representante na Suprema Corte.

O ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União substituirá Marco Aurélio Mello, que se aposentou em julho.

No plenário, antes da votação, a relatora, senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), evangélica como André Mendonça, disse que a indicação foi transformada em uma disputa religiosa. Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana Esperança, em Brasília.

“Ninguém pode ser vetado pela sua condição religiosa, como este não é o critério para ser indicado para o Supremo Tribunal Federal. O que temos diante de nós é um técnico”, afirmou a senadora.

Antes mesmo da aposentadoria de Marco Aurélio Mello, o presidente Jair Bolsonaro já havia antecipado que pretendia indicar para o STF alguém com perfil “terrivelmente evangélico”.

Frente evangélica

Representantes de igrejas evangélicas se mobilizaram a fim de pressionar pela aprovação de André Mendonça.

“Meu compromisso de levar ao Supremo um ‘terrivelmente evangélico’ foi concretizado no dia de hoje”, escreveu Bolsonaro à noite em uma rede social.

Depois da votação no plenário, Mendonça agradeceu a senadores da Frente Parlamentar Evangélica e disse que a aprovação é “um salto para os evangélicos”, que, segundo afirmou, passarão a ter um representante no Supremo Tribunal Federal.

“É um passo para um homem, mas, na história dos evangélicos do Brasil, é um salto. É um passo para o homem, um salto para os evangélicos. Responsabilidade muito grande. Uma nação, 40% dessa população hoje é representada no STF”, declarou. Segundo ele, “o povo evangélico tem ajudado este país e quer continuar ajudando”.

André Mendonça tem 48 anos. Se não se aposentar antes, por iniciativa própria, poderá permanecer no Supremo até os 75, idade em que a aposentadoria é compulsória — na Câmara, tramita uma proposta que reduz essa idade para 70 anos.

A data de posse de André Mendonça ainda será agendada pelo presidente do STF, ministro Luiz Fux. Em nota, Fux disse que pretende realizar a cerimônia de posse até o fim do ano.

“Manifesto satisfação ímpar pela aprovação de André Mendonça porque sei dos seus méritos para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Além disso, em função da atuação na Advocacia Geral da União, domina os temas e procedimentos da Suprema Corte, que volta a ficar mais forte com sua composição completa. Pretendo dar posse ao novo ministro ainda neste ano”, afirmou o presidente do STF.

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Parlamentares evangélicos falam em “guerra santa” no Senado

A bancada evangélica continua fazendo pressão para a votação do nome de André Mendonça para o STF.

André Mendonça

André Mendonça (Foto: Anderson Riedel/PR)

Evangélicos ampliaram a pressão sobre o Senado para pressionar os parlamentares a aprovar o nome de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal. Eles planejam dialogar com a esquerda e com os indecisos, mobilizando fiéis nos estados no dia da sabatina.

O deputado federal Sóstenes Cavalcante, uma das principais lideranças evangélicas do Congresso e coordenador da campanha em prol de Mendonça no Senado, chegou a falar sobre uma “guerra santa”.

“Virou uma guerra santa, lamentavelmente, por causa desse longo período nunca existente na história de demora para uma sabatina. Currículo ele tem. No que ele é diferente? É o fato de ser evangélico. Por que Kássio Nunes demorou 15 dias e o André 4 meses?”, questionou Cavalcante.

Segundo o parlamentar, o mapa aponta que Mendonça teria entre 50 e 55 votos dos 81 senadores, ou seja, ele já está aprovado.

A maior dificuldade estaria nas maiores bancadas, MDB e PSD, no entanto, o deputado Cezinha de Madureira, outro coordenador da campanha, está trabalhando diretamente com o presidente do PSD, Gilberto Kassab para ajudar no levantamento de votos para Mendonca.

Há também previsões para haver ausências no dia da sabatina por motivos de saúde, segundo a CNN.