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Reversão Demográfica Irá Acabar com o Assistencialismo Estatal

 

Mark Steyn

Nossa lição hoje vem do Evangelho segundo Lucas. Não, não é sobre a manjedoura, os pastores, os sábios, nada disso, mas o outro nascimento:

“Mas o anjo lhe disse: Não temais, Zacarias;  Porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhes porás o nome de João.”

Esse pedacinho de história bíblica não recebe muita atenção, mas está lá: Lucas 1:13, parte do que chamaríamos de história prévia, se ele fosse um roteirista de Hollywood, e não um estudioso.

Dos quatro evangelhos, apenas dois se deram ao trabalho de contar o nascimento de Cristo, e apenas Lucas começa com a história de duas gestações. Zacarias fica surpreso com sua iminente paternidade: “pois eu sou velho, e minha mulher também está avançada em idade”.

Apesar de tudo, uma senhora de idade e estéril como Isabel concebe, e no sexto mês de gravidez, o anjo visita sua prima Maria e lhe diz que ela, também, irá conceber.

Se você ler o livro de Lucas, o nascimento da virgem parece uma extensão lógica do milagre anterior: a gravidez de uma senhora de idade.

O estudioso/autor não teve dificuldades em aceitar ambos. Para Mateus, o nascimento de Jesus foi um milagre; Lucas nos deixa com a impressão de que todos os nascimentos, toda a vida é de algum modo miraculosa e um presente de Deus.

Nós agora vivemos no mundo de Isabel; não só porque a tecnologia alcançou a divindade e permitiu que mulheres nos seus 50 e 60 anos se tornassem mães, mas também num sentido mais fundamental.

O problema com o avançado ocidente não é que ele está quebrado, mas que está velho e estéril. Isso explica por que ele está quebrado.

Veja por exemplo a Grécia, que se tornou sinônimo de insolvência nacional: “Os EUA estão rumando para o mesmo destino da Grécia se não mudarem nossa atitude”, etc.

Isso quer dizer que a Grécia tem problemas de gastos, de receitas, e algo nesse sentido, certo?

Em um nível superficial, sim. Mas a questão fundamental é bastante primordial: a Grécia tem uma das menores taxas de fertilidade do planeta. Na Grécia, 100 avós têm 42 netos; ou seja, a árvore genealógica está de cabeça para baixo.

Em um Estado social democrata onde os trabalhadores em profissões “de risco” (como, digamos, cabeleireiros) se aposentam aos 50 anos, não há jovens suficientes para pagar a aposentadoria deles de três décadas. E as próximas gerações terão mais problemas ainda.

Veja por outro ângulo: Os bancos são um mecanismo pelo qual as pessoas idosas com capital emprestam para jovens cheios de energia e ideias.

O mundo ocidental inverteu esse conceito. Se 100 velhinhos acumularem milhões de dólares de dívida, será que 42 jovens algum dia conseguirão pagá-la?

Como destacou Angela Merkel em 2009, o estímulo financeiro de Obama para a Alemanha estava fora de cogitação, simplesmente porque os credores internacionais sabiam que não haveria jovens alemães suficientes para quitá-lo.

A Alemanha, a potência econômica do continente europeu, tem a maior proporção de mulheres sem filhos na Europa: Uma em cada três jovens alemãs abrem mão da maternidade em caráter definitivo.

“A população economicamente ativa da Alemanha provavelmente irá cair 30% nas próximas décadas”", afirma Steffen Kroehnert do Instituto de Desenvolvimento Populacional de Berlin. “As áreas rurais estão vendo um declínio populacional em larga escala, e alguns vilarejos irão simplesmente desaparecer”.

Se o problema com o socialismo é, como afirma a Sra. Thatcher, é que mais cedo ou mais tarde acaba o dinheiro dos outros, o ocidente avançou para o próximo nível: Acabaram os outros, ponto final. A Grécia é uma terra de cada vez menos consumidores e trabalhadores, mas cada vez mais aposentados e mais governo. Como é que dá para expandir a economia em um mercado em contração?

O primeiro mundo, assim como Isabel, está estéril. Coletivamente estéril, devo acrescentar.

Individualmente, ele está repleto de milhões de mulheres férteis, mas que infelizmente optam por não terem sequer um filho, ou terem um sob medida aos 39 anos. Na Itália, berço da Igreja Católica, a taxa de natalidade é de 1,2 ou 1,3 por casal, ou metade da taxa de reposição populacional.

Japão, Alemanha e Rússia já estão com crescimento vegetativo em declínio. 50% das mulheres japonesas nascidas na década de 70 não têm filhos. De 1990 a 2000, a porcentagem de mulheres espanholas sem filhos aos 30 anos dobrou, de pouco mais de 30% para quase 60%.

Na Suécia, Finlândia, Áustria, Suíça, Holanda e no Reino Unido, 20% das mulheres de 40 anos não têm filhos. Em uma recente pesquisa de opinião que pedia aos alemães que dissessem o número “ideal” de filhos, 16,6% disseram “nenhum”.

Estamos vivendo no mundo de Zacarias e Isabel, por escolha própria.

Os EUA não estão em uma situação tão perigosa, ainda. Mas o seu encontro com o apocalipse fiscal também tem raízes demográficas: A geração do pós-guerra não teve filhos suficientes para manter a solvência dos sistemas assistencialistas que surgiram na metade do século XX, estruturados com base nas taxas de nascimento daquela época.

A “década do eu [onde as pessoas queriam independência de casamento e filhos]” se transformou em “duas décadas e meia de eu”, e até mais. Os “eus” estão todos ficando velhos, mas não se deram conta de que pode chegar um tempo em que irão precisar de mais alguns “eles” para continuar alimentando o tesouro nacional.

A noção de vida como uma experiência de crescimento pessoal é mais radical do que parece. Durante a maior parte da história humana, as sociedades funcionais privilegiaram o longo prazo. Essa é a razão pela qual milhões de pessoas têm filhos, constroem casas, plantam árvores, abrem negócios, fazem testamentos, constroem belas igrejas em simples aldeias, lutam, e se necessário morrem pelo seu país.

A nação, a sociedade, a comunidade é um pacto entre passado, presente e futuro, no qual os cidadãos, nas palavras de Tom Wolfe no seu artigo The “Me” Decade and the Third Great Awakening: “concebe a si mesma, embora inconscientemente, como parte de um grande rio biológico”.

Boa parte do mundo desenvolvido saiu desse rio. Não é preciso fazer sacrifícios materiais: o Estado toma conta de tudo. Não é preciso ter filhos. E certamente não será preciso morrer pelo rei ou pelo país.

Mas uma sociedade que não tem nada por que morrer, também não tem nada por que viver. Não é mais um rio, mas uma poça estagnada.

Se você acredita em Deus, o argumento utilitário em favor da religião irá parecer insuficiente e simplista: “São narrativas úteis que contamos a nós mesmos”, como escutei uma vez de uma pastora frouxa ao defender sua posição sobre a Bíblia.

Mas se o cristianismo é nada mais do que uma estorinha “útil”, é uma estória perfeitamente bem construída, a começar pela decisão de estabelecer a divindade de Cristo no milagre do Seu nascimento.

Os hiperracionalistas devem pelo menos ser capazes de entender que o “racionalismo” pós-cristão entregou boa parte da cristandade a um modelo de negócio totalmente irracional: um esquema de pirâmide construído em uma pirâmide invertida. Lucas, um homem de fé e um homem de ciência, teria visto aonde isso iria levar.

Tradução: Luis Gustavo Gentil

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MÚSICA NA IGREJA – UM MAPA PREOCUPANTE

Preletor: Lourenço Stelio Rega

Uma análise sobre a formação dos líderes

Há algum tempo tenho me preocupado com o mapa da situação da música em nossas igrejas e o cenário que tem se construído nos últimos anos. Muitos cursos de música sacra nos seminários têm sido encerrados ao longo desse tempo. Ao que me parece sobram apenas três seminários, dos maiores, que ainda oferecem alguma modalidade de cursos de música sacra (Seminário do Norte, Seminário do Sul e Teológica de São Paulo). Em Janeiro passado, fiz uma pesquisa entre pastores aqui no Estado de São Paulo e os resultados amplificam ainda mais as preocupações. Tentei fazer a pesquisa em nível nacional, mas isso não deu ainda certo. Espero que o novo presidente da Ordem de Pastores me consiga um espaço lá em Foz do Iguaçu para isso. A pesquisa aqui em São Paulo alcançou cerca de 13% de igrejas do Estado, representando algo em torno de 16 mil membros. Vejamos alguns dados apurados e alguns comentários iniciais:

– A igreja possui ministro de música? 69,7% responderam que não. Isso indica um campo aberto de oportunidades.

– Tempo em que a igreja tem ministro de música: de 1 a 5 anos: 37,5%; de 6 a 10 anos: 30%; de 16 a 20 anos: 2,5%; de 21 a 25 anos: 5%. A maior parte das respostas indica que a experiência da presença de ministros de música nas igrejas é recente, indicando também um bom espaço de oportunidades de trabalho.

– Se não há ministro de música, há alguém que dirige a área de música? 73% responderam que sim e, destes, 69,8% são os próprios membros da igreja. Por um lado, isso indica que as igrejas procuram solução dentro de seu próprio ambiente. Por outro, em termos de demanda, os seminários deverão se preocupar em alcançar o membro de igreja que deseja se preparar para melhor servir na área. Mas isso necessariamente não significa que a pessoa deseja ser um ministro de música sacra no sentido estrito da palavra. Em outras palavras, temos aqui um possível indicador de alteração de público-alvo para os cursos.

– Se a igreja não tem ministro de música, qual o nome adotado para a função? Coordenador do Ministério de Música, Diretor da Equipe de Louvor, Diretor de Música, Dirigente de Cânticos, Dirigente de Música, Líder de Louvor, Líder de Música, etc. Isso também pode indicar que, na ausência ou impossibilidade de se ter um ministro de música, as igrejas se amoldaram às soluções internas, isto é, se não é possível ter um ministro de música, quem pode fazer a área funcionar? A continuar essa situação, é possível estimar que a figura do ministro possa estar sendo substituída, pelo menos em termos de resultados, por outras funções. No caso, sem muito custo para as igrejas. Todas estas informações também podem ser sinalizadoras da alteração do público-alvo para nossos cursos de música.

– Se a igreja utiliza hinário, qual é o utilizado? Cantor Cristão 45% e HCC 38%. Interessante.

– Na liturgia da igreja normalmente há hinos (42,2%) e cânticos avulsos (55,5%). Isso pode indicar uma alteração para uma liturgia mais aberta ou mesmo contemporânea. Mais um sinalizador de alteração nos objetivos das igrejas quanto ao estilo de música.

– Qual o tipo de liturgia adotado pela igreja? Tradicional: 18,1%; contemporânea: 31%; aberta (sem restrições): 14,6%; mista: 33,9%. Mais um indicador de alteração no tipo de capacitação para pessoal que atua na área de música na igreja (veja que não utilizei a expressão “ministro de música”).

– A sua igreja tem: coro (31,2%); conjunto vocal (39,2); orquestra (8,9%).

– O pastor acha importante ter um ministro de música? 82,9% afirmaram que sim. Isso pode indicar a necessidade de maior qualificação para aqueles que atuam na área.

– Estes dados quantitativos foram obtidos com respostas alternativas objetivas. Os itens a seguir foram de respostas livres:

– Quais atitudes são esperadas de um ministro de música? Relacionamento; integração de pessoas; ser afinado com o ministério pastoral e com a Bíblia; transmissão do amor de Deus; integridade na conduta; comprometimento com a igreja, não apenas ser um especialista musical; organização; ser líder em sua família; apoiador e parceiro do ministério pastoral; pastoreio da área de música; liderança empática; interlocução.

– Quais afeições são esperadas: ser afável, agradável, paciente, amigável, dinâmico, carinhoso, brando, não arrogante, não elitista, tratável.

– Quais conhecimentos são esperados: Bíblia; teologia; eclesiologia; pastoreio; filosofia do ministério; músico como ensinador; música; variadas formas de música; equipar outros; liderar equipe; técnica musical; instruir outros ao serviço; ensinar o básico de instrumentos.

– O que se espera em geral de ministro de música? Que a igreja cresça por meio da música; que a igreja adore a Deus somente; ensinar adoração; formar conjuntos; cuidar do culto juntamente com o pastor; cultivar bom repertório; criar cursos de música; gestão da área de música; desenvolver projetos para a área musical; visitação aos membros da área de música; ampliar a visão da igreja na área de música e louvor.

Nestes últimos itens a ênfase não é propriamente com a música em si ou com o lado artístico do ministro, mas com a vida da igreja, com relacionamentos, com a convivência no ministério. Houve destaque também no cuidado em ser mais ministro e menos artista.

Isso pode indicar também profunda alteração na formação do ministro de música ou líder da área na igreja. A música como arte é importante, mas ficou demonstrado que mais importante é a vida e atitudes do ministro. Recentemente escrevi aqui nesta coluna um artigo intitulado “Síndrome de artista”, aplicado a qualquer tipo de líder, mas que pode lembrar perfeitamente este fenômeno.

Como foi possível demonstrar, está havendo alteração do perfil do público alvo para os cursos de música sacra. Assim, alterando-se o perfil do público alvo, há a alteração nos interesses, em consequência nos objetivos educacionais, tudo isso indica a necessidade de alteração na matriz curricular, estrutura e duração dos cursos de música sacra.

Neste sentido, há algumas variáveis que temos de considerar, entre elas: (1) o que as igrejas esperam dos alunos egressos dos cursos tem demonstrado ser diferente do que os seminários tem formado; (2) o que seria o ideal na formação destes egressos e que nem sempre as igrejas podem ter ciência. Isto para que possamos também gerar ideais futuros com segurança para as igrejas; e, (3) o nível técnico dos candidatos aos cursos de música.

Neste último item o que temos visto é que o nível técnico dos ingressantes deixa a desejar. Muitos tocam “por ouvido” ou por cifras. Mas, afinal, na prática para a igreja o importante é fazer as coisas funcionarem. Se a pessoa toca por cifras ou “por ouvido” pouco importa, se o som, a música “sai” e o povo pode cantar. Mas, do ponto de vista de atendimento, penso que isso é mais uma oportunidade que o seminário pode ter para oferecer capacitação e nivelamento aos candidatos. Em outras palavras é menos problema e mais solução.

Temos ainda que considerar o crescimento do uso de artes cênicas na igreja e outras alternativas que estão sendo descobertas.

No semestre passado, conversando com uma professora da área de música, lhe perguntei sobre a idade média mínima de participantes nos encontros periódicos de ministros de música. A resposta dela foi: cerca de 40 anos. Será que a figura do ministro de música está em fase de extinção? Será que as associações desta área não estão se ocupando em discutir o tema com profundidade e com dados de campo (do chão da igreja) para realimentar o ministério de música na igreja? Será que estão procurando diálogo com as ordens de pastores para lidar com o tema? Será que estão buscando meios para despertar novos ministros, novas vocações na área?

Com estes dados em mãos e buscando apoio e consultoria de alguns ministros de música que estão considerando estes novos cenários, aqui em São Paulo, na Faculdade Teológica Batista de São Paulo (Teológica), buscando manter a qualidade do curso, estamos num demorado e profundo processo de REINVENÇÃO do curso de música sacra, pois, não há mais como se manter um curso nos moldes tradicionais, ensinando música erudita, clássica, lírica, sem considerar estes novos cenários e as variáveis que acima alistei. Espero que consigamos algum resultado, antes de pensarmos em fechar também o curso de música. Pelo menos estamos tentando.

Pr. Lourenço Stelio Rega
Teólogo, educador e escritor

Data: 20/12/2011 08:25:08

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Na Holanda, igrejas estão fechando as portas

 

Há anos o número de fiéis está em declínio. A tendência toma conta de toda a Europa Ocidental. A Igreja Protestante perde sozinha, a cada ano, cerca de 60 mil fiéis na Holanda.
A Igreja está sofrendo um êxodo drástico na Holanda. Com duas igrejas fechando a cada semana, um homem se tornou o principal consultor do país sobre como reaproveitar as construções antes sagradas. Algumas são demolidas, enquanto outras encontram nova vida como mesquitas, lojas e até mesmo centros de recreação.
Os bancos da igreja são vendidos de acordo com o tamanho. Os menores, com 3,6 metros de comprimento, podem ser comprados por 40 euros, enquanto os mais longos, de 6 metros, por 60 euros. Os fiéis da cidade holandesa de Bilthoven já levaram 17 bancos de seu santuário.
Os bancos não serão um problema, diz Marc de Beyer. Mas o órgão e a pia batismal, pesando centenas de quilos, no fundo da igreja, serão mais difíceis.
Marc de Beyer é um historiador da arte em Utrecht, localizada a meia hora de trem de Amsterdã, mas alguém poderia chamá-lo de liquidante. Ele é o homem que fecha as igrejas. Quando uma paróquia é dissolvida, quando uma igreja é fechada, De Beyer está lá. E ele tem muito a fazer.
Ainda existem cerca de 4.400 igrejas na Holanda. Mas, a cada semana, aproximadamente duas fecham as portas para sempre. Isso afeta principalmente os católicos, que serão forçados a ficar sem metade de suas igrejas nos próximos anos.
“E está apenas começando”, diz De Beyer.
Sua voz ecoa no prédio abobadado, onde a fraca luz de outono entra diagonalmente pelas janelas. De Beyer está atrás de um bloco do tamanho de um freezer. Até 1º de julho de 2006, ele era o altar da Igreja de São Lourenço, em Bilthoven, ao norte de Utrecht. Mas naquele dia a igreja se tornou um imóvel no mercado e o altar, onde os fiéis foram abençoados, casaram e lamentaram, se transformou em um pedaço de cimento.
Inicialmente, foi discutida a conversão da igreja em um centro comunitário. Mas os católicos queriam vendê-la rapidamente e uma empresa comprou a propriedade consagrada. No ano que vem, São Lourenço será demolida, dando espaço a 62 apartamentos.
“Arquitetonicamente, a perda é suportável”, diz De Beyer. A igreja foi construída nos anos 60, quando as comunidades católicas em Bilthoven e De Bilt cresciam tão rapidamente que os dois distritos passaram a precisar de três igrejas. Ela foi construída de forma rápida e simples.
Bancos vazios

Há anos o número de fiéis está em declínio. A tendência toma conta de toda a Europa Ocidental, com igrejas também sendo forçadas a fechar na França e na Bélgica. Mas na Holanda, o recuo do cristianismo na sociedade tem sido particularmente drástico. A Igreja Protestante perde sozinha, a cada ano, cerca de 60 mil fiéis. Nesse ritmo, ela deixará de existir por lá até 2050, calculam representantes da Igreja.
A tendência tem levado a fusões de igrejas de várias comunidades. São Lourenço, em Bilthoven, consolidou sua congregação com a de oito outras igrejas. Mas nenhuma dessas amálgamas precisa de mais do que uma igreja, um órgão e um altar. Todos os outros cálices, cruzes e bancos precisam ser descartados. O problema, diz De Beyer, é que itens sagrados particularmente não vendem bem. Os prédios, ao contrário, encontram rapidamente novos locatários.
Em Helmond, cerca de 80 quilômetros ao sul de Bilthoven, um supermercado se mudou para uma antiga igreja em 2001. Uma livraria abriu em uma antiga igreja dominicana em Maastricht, enquanto igrejas em Utrecht e Amsterdã foram transformadas em mesquitas. Dentre os 17 milhões de habitantes da Holanda, cerca de 850 mil praticam o islamismo. Ainda assim, muitas outras igrejas serão simplesmente demolidas.
De Beyer vem fechando igrejas nos últimos três anos. Ele estava presente quando um “plano estratégico” foi desenvolvido para transformar o Convento de Santa Catarina em um museu. Juntamente com a fundação para o patrimônio de arte religiosa, ele também escreveu um manual com instruções para o fechamento de uma igreja em seis passos – do inventário ao espólio. O guia foi distribuído entre as diferentes paróquias a partir de abril e, em breve, será traduzido para o inglês.
‘A melhor solução’

Recentemente, De Beyer participou de um simpósio na Alemanha e logo falará na Bélgica. Afinal, as igrejas não estão morrendo apenas na Holanda. Quando ele chega ao ponto 5.4 em seu manual, intitulado “demolição”, as pessoas frequentemente precisam recuperar o fôlego, ele diz.
“Mas quando uma igreja tem pouco propósito, valor emocional ou importância histórica, essa pode ser a melhor solução”, acrescenta De Beyer.
Ainda assim, De Beyer vê a si mesmo como um salvador de templos. Ele quer preservar o valor delas. Suas instruções visam ajudar a distinguir entre o que tem valor e o que não tem. Ele frequentemente visita as igrejas para fornecer orientação e apoio. Bancos e Bíblias costumam ser vendidos para os membros da congregação.
“Os altares frequentemente encontram um novo lugar no Leste Europeu”, diz De Beyer. “Há grande demanda lá, porque novas igrejas estão sempre sendo construídas.”
Há poucas semanas, uma paróquia em Arnheim decidiu por um uso totalmente novo para sua igreja, que permaneceu vazia por cinco anos. No final de novembro, a Igreja de São José reabriu como um parque para skatistas, com rampas e obstáculos na nave, cobrando 3,50 euros para passar o dia praticando entre imagens santas. Desde então, o número de frequentadores da igreja tem sido respeitável.

Data: 28/12/2011 08:00:00