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Picape espacial vai facilitar acesso dos EUA à órbita da Terra

 

RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON

Enquanto os EUA choravam na sexta (8) o lançamento do Atlantis, último ônibus espacial a decolar, um empresário tentava convencer o país a ser otimista.

Mark Sirangelo, da Sierra Nevada Space Systems, promete reestabelecer o transporte de americanos para a órbita em 2015, usando uma "caminhonete espacial".

Esse é o apelido que ele deu à espaçonave que a empresa está construindo, a Dream Chaser, um veículo menor, herdado de um projeto engavetado pela Nasa.

Na semana passada, ele anunciou a contratação de nove funcionários de alto escalão que estão deixando a Nasa e fechou um acordo com a agência para usar parte da infraestrutura de seu centro de lançamentos na Flórida. Parte do dinheiro para isso saiu da própria Nasa, que destinou US$ 100 milhões à empresa dentro de um programa de incentivo à exploração espacial privada. Confira a entrevista.

Divulgação

Concepção artística da Dream Chaser, nave da empresa americana Sierra Nevada Space Systems

Concepção artística da Dream Chaser, nave da empresa americana Sierra Nevada Space Systems

Folha – O lançamento do último ônibus espacial em Cabo Canaveral ocorreu meio em clima de velório. Você acha que o público ainda não vê a exploração privada como uma alternativa viável?

Mark Sirangelo – Bem, nós estamos empolgados em ser uma voz positiva dentro daquilo que seria um momento negativo. Estamos muito contentes com nossa relação com a Nasa. Temos a oportunidade de estender isso para permitir que as pessoas em algumas das instalações do programa espacial anterior possam ser usadas no nosso programa. Talvez ele seja a luz em meio a esse ambiente desafiador que temos agora.

O programa do ônibus espacial termina em meio a críticas por ter sido caro demais e menos seguro do que as espaçonaves "descartáveis" dos russos. Como sua empresa pretende contornar isso?

O ônibus espacial tinha de ser muito grande para poder transportar os pedaços da estação espacial. Tinha de ter força suficiente para carregar um monte de suprimentos. Agora isso acabou. A estação espacial está completa, e não precisamos de veículos que sejam tão complexos para chegar até ela.

Se você está mudando de casa com sua família para o outro lado do país, precisa de um grande caminhão para carregar tudo. Uma vez que se estabelece, você só vai precisar de uma SUV [picape utilitária esportiva] para passear e levar alguma bagagem. O Dream Chaser será uma SUV, capaz de levar sete astronautas até a estação, junto com todas as coisas das quais precisam para viver lá, e trazê-los de volta.

O projeto da espaçonave prevê que ela seja lançada na ponta de um foguete, e não com a barriga colada no propulsor, como os ônibus espaciais. Isso muda tudo?

Isso foi uma das lições que aprendemos com o ônibus espacial. O veículo deve ser montado no topo do foguete para que não tenhamos mais problemas com pedaços que se desprendem dele e podem se chocar com a nave.

Qual é o custo estimado de construção e operação?

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Mark Sirangelo, da Sierra Nevada Space Systems, promete reestabelecer o serviço americano de transporte para a ISS

Mark Sirangelo, da Sierra Nevada Space Systems, promete reestabelecer o serviço americano de transporte para a ISS

Nós não divulgamos esses números porque é preciso levar em conta que o projeto do veículo, na verdade, foi tocado pela Nasa por mais de dez anos no programa chamado HL-20, que acabou suspenso.

Depois disso, nós assumimos o projeto fora do âmbito da Nasa e permanecemos trabalhando nele por conta própria durante seis anos. Então, nosso projeto já conta com 16 anos de desenvolvimento e voa em um foguete que já existe. Agora que o ônibus espacial será aposentado, a única maneira de chegar à estação é usando uma Soyuz russa. Os EUA pagam US$ 63 milhões por assento por voo para seus astronautas.

Nós acreditamos que vamos conseguir fazer o mesmo com um preço bem menor. O custo da espaçonave não é mais tão importante, porque a Nasa não vai comprar o veículo, vai comprar o serviço.

Em que estágio de desenvolvimento o projeto está agora?

Estamos produzindo o primeiro veículo. Os dois motores de bordo já foram testados por completo. Acabamos de montar o primeiro simulador de voo, que será testado dentro de alguns dias.

Esperamos conseguir fazer o veículo voar já no ano que vem em testes em que o soltamos na atmosfera.

Como foi a negociação para contratar pessoal da Nasa?

São pessoas que nós já conhecíamos por trabalharmos na indústria [aeroespacial]. Primeiro contratamos Jim Voss [astronauta que voou em cinco missões do ônibus espacial]. Ele atraiu várias outras pessoas para o projeto.

Vemos nosso veículo como uma espaçonave internacional. Sem o ônibus espacial, perde-se a capacidade de transportar astronautas de países que não os EUA e a Rússia. Retomar essa capacidade é importante, e nós queremos fazer isso. Talvez um dia haja uma oportunidade de levar até um [novo] astronauta brasileiro conosco, coisa difícil no cenário atual.

RAIO-X
MARK SIRANGELO
Ocupação: Presidente da empresa privada de exploração espacial Sierra Nevada Space Systems
Trajetória: Ex-oficial do Exército dos EUA formado em direito e administração, entrou para a indústria tecnológica criando o QuanStar, consultoria que prestava serviço a iniciativas de ponta no setor. Em 2004 assumiu a SpaceDev, empresa que começou a desenvolver o Dream Chaser e depois foi incorporada pela Sierra Nevada

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Cientistas apresentam dente criado a partir de células-tronco

 

DE SÃO PAULO

Pesquisadores da Universidade de Ciência de Tóquio apresentaram hoje imagens de um dente desenvolvido a partir de células-tronco de camundongo.

O processo de bioengenharia do dente, que foi implantado na mandíbula inferior de um camundongo, permitiu a composição de todas as suas diferentes estruturas, incluindo canal e osso.

Dr. Takashi Tsuji/Tokyo University of Science/Reuters

Dente foi criado a partir de células-tronco de camundongo e implantado na mandíbula inferior do animal

Dente foi criado a partir de células-tronco de camundongo e implantado na mandíbula inferior do animal

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Jovem chora após receber transplante duplo de pernas

 

 

DA EFE

O jovem submetido no último domingo (10) ao primeirotransplante duplo de pernas no mundo está "clinicamente muito bem" e poderá caminhar em seis ou sete meses, afirmou nesta terça-feira seu cirurgião, o espanhol Pedro Cavadas.

"O paciente [um homem entre 20 e 30 anos] está acordado desde segunda-feira e chorou quando viu as pernas", declarou em entrevista à imprensa Cavadas, explicando que a intervenção cirúrgica durou cerca de dez horas.

Cirurgião espanhol realiza 1º transplante no mundo de 2 pernas

O jovem sofreu, em consequência de um acidente, uma amputação traumática de ambas pernas acima do joelho: na direita acima do fêmur e na esquerda, no terço discal desse osso.

Segundo o médico, o paciente estava "relegado a uma cadeira de rodas" e suas possibilidades de caminhar "eram zero", uma vez que não podia utilizar próteses por motivos técnicos e anatômicos.

"Então consideramos a possibilidade de fazer a cirurgia e, após pedir as solicitações correspondentes, a Organização Nacional de Transplante deu o parecer favorável", disse Cavadas, acrescentando que um ano se passou até encontrarem um doador adequado.

O cirurgião, de 46 anos, recomendou cautela, mas destacou que o paciente está ansioso para sair da UTI.

Segundo ele, agora começa a fase marcada por "um esforço reabilitador descomunal ao longo dos anos, que terminará com um paciente caminhando".

De acordo com as previsões médicas, o jovem deve ser capaz de movimentar os joelhos em três semanas, será capaz de caminhar na piscina em dois meses e, mais um mês depois, poderá aguentar seu próprio peso.

"Se tudo acontecer como planejamos, em seis ou sete meses poderá estar caminhando", afirmou o cirurgião.

O médico ressaltou que a mecânica é muito similar a de qualquer transplante, com uma parte cirúrgica "muito trabalhosa" e uma limitação de tempo que exige grande coordenação.

Embora esteja considerando outros casos para realizar outra cirurgia desse tipo, Cavadas considerou que seria "razoável esperar pelo menos um ano para ver como este paciente evolui", já que é a primeira operação destas características realizada no mundo.