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“Que Deus NÃO nos livre de um país evangélico”, afirma o bispo Robinson Cavalcanti

 

Fazendo diferença entre o joio e o trigo ele agradece a Deus por todos os missionários que trouxeram as igrejas congregacionais

“Que Deus NÃO nos livre de um país evangélico”, afirma o bispo Robinson Cavalcanti

O bispo Anglicano Robinson Cavalcanti escreveu um texto agradecendo a Deus por ele não ter livrado o Brasil dos imigrantes que trouxeram o evangelho até nós.

Ele fala também sobre os problemas sociais que temos no país e que acredita que o Brasil seria melhor “com uma Igreja madura que, sem fugas alienantes, adesismos antiéticos ou tentações teocráticas, possa “salgar” e “iluminar” com os valores do Reino.”

Por esse motivo é que ele escreve pedindo para que Deus não nos livre de ter um país cada vez mais evangélico. Vale lembrar que alguns dias atrás, o pastor Ricardo Gondin causou polêmica ao escrever um artigo com o titulo “Deus nos livre de um país evangélico“, confira aqui.

Leia o artigo completo:

“Uma primeira constatação é que estamos ainda distantes de ser um “país evangélico”: quarenta milhões da população é formada por miseráveis; uma insegurança pública generalizada; uma educação pública de faz-de-conta; uma saúde pública caindo aos pedaços, assim como as nossas estradas, a corrupção endêmica no aparelho do Estado, o consumo da droga ascendente, prostituição, discriminação contra os negros e os indígenas, infanticídio no ventre, paradas de orgulho do pecado, uma das maiores desigualdades sociais do mundo. Uma grande distância do exemplo de vida e dos ensinamentos de Jesus de Nazaré, cujas narrativas e palavras somente conhecemos por um livro chamado de Bíblia, que o mesmo citava com frequência, e que foi organizado por uma entidade fundada pelo próprio: uma tal de Igreja. Uma grande distância da ética e da “vida abundante” apregoada pelas Boas Novas, o Evangelho.

Percebemos sinais do sagrado cristão em nossa História e em nossa Cultura, mas, no geral, ficando na superfície. Se os símbolos importassem tanto, o Rio de Janeiro, com aquela imensa estátua do Cristo Redentor, deveria ser uma antecâmara do Paraíso.

Como cidadão responsável, e como cristão, como eu gostaria que o meu País fosse marcado pela justiça, pela segurança, pela paz, fruto do impacto das Boas Novas, do Evangelho. Sinceramente, gostaria muito que tivéssemos um Brasil mais evangélico.

Fico feliz que Deus não tenha nos livrado da imigração dos protestantes alemães, suíços, japoneses, coreanos, e tantos outros. Fico feliz pelo seu trabalho e por sua fé.

Fico feliz por Deus não nos ter livrado do escocês Robert R. Kalley, médico, filantropo e pastor escocês, fugindo do cacete na Ilha da Madeira (Portugal), pioneiro da pregação do Evangelho entre nós, nos deixando as igrejas congregacionais. Ele nem era norte-americano, nem fundamentalista, pois esse movimento somente surgiria meio século depois. Eram norte-americanos, e também não-fundamentalistas os pioneiros das igrejas presbiteriana, batista, metodista e episcopal anglicana que vieram ao Brasil na segunda metade do século XIX.

Fico feliz por Deus não nos ter livrado desses teimosos colportores que varavam os nossos sertões sendo apedrejados, vendendo aquelas Bíblias “falsas”, cuja leitura, ao longo do tempo, foi tirando gente da cachaça e dos prostíbulos, reduzindo os seus riscos de câncer de pulmão, cuidando melhor de sua família, como trabalhadores e cidadãos exemplares.

Fico feliz por Deus não ter nos livrado desses colégios mistos, desses colégios técnicos (agrícolas, comerciais e industriais), trazidos por esses missionários estrangeiros, em cujo espaço confessei a Jesus Cristo como meu único Senhor e Salvador. E, é claro, tem muita gente agradecendo a Deus por não nos ter livrado do voleibol e do basquetebol introduzido pioneiramente nesses colégios… nem pelo fato do apoio à Abolição da Escravatura, à República ou ao Estado Laico.

Por essas e outras razões, é que vou comemorar (com uma avaliação crítica) com gratidão, dentro de seis anos, os 500 anos da Reforma Protestante do Século XVI, corrente da Cristandade da qual sou militante de carteirinha desde os meus dezenove anos.

Essa gratidão ao Deus que não nos livrou dos protestantes de imigração e dos protestantes de missão, inclui, sinceramente, os protestantes pentecostais, herdeiros daquela igreja original, dirigida por um negro caolho (afro-descendente portador de deficiência visual parcial, na linguagem do puritanismo de esquerda, conhecido por “politicamente correto”)…, mas que abalaria os alicerces religiosos do mundo. Eu mesmo sou um velho mestiço brasileiro e nordestino, e não me vejo como um ítalo-luso-afro-ameríndio de terceira idade…

Olhando para o termo “evangélico”, usado sistematicamente na Inglaterra, a partir de meados do século XIX, como uma confluência da Reforma e de alguns dos seus desdobramentos, como o Confessionalismo, o Puritanismo, o Pietismo, o Avivalismo e o Movimento Missionário, com paixão missionária pelo Evangelho que transforma, dou graças a Deus que Ele não nos tenha livrado da presença dos seus seguidores e propagadores. Até porque, por muito tempo, não tivemos presença fundamentalista (no sentido posterior) e nem do liberalismo, pois esses últimos são bons de congressos e revoluções de bar, mas não muito chegados a andar de mulas por sertões nunca antes trafegados…

Minha avó é quem dizia que “toda família grande vira mundiça”, se referindo ao fato de que quando qualquer instituição, grupo ou movimento social cresce, é inevitável que ao lado do crescimento do trigo haja um aumento significativo do joio. Nesse sentido, o protestantismo e o evangelicalismo brasileiro são normais (com desvios e esquisitices), mas, garanto que temos muitíssimo mais trigo (às vezes armazenados nos celeiros, quando deveriam estar sendo usados nas padarias). No meu tempo só tinha crente militante e desviado; depois apareceram os descendentes, os nominais, os de IBGE, os bissextos e os ocasionais.

No sentido histórico dou graças a Deus pelo localizado movimento fundamentalista nos Estados Unidos, em reação ao racionalismo liberal, pois também afirmo a autoridade das Sagradas Escrituras, o nascimento virginal, a cruz expiatória, o túmulo vazio e a volta do Senhor. Depois o termo foi distorcido por um movimento sectário, antiintelectual, racista, e hoje é aplicado até ao Talibã, em injustiça à proposta original

Quanto ao Tio Sam, nem todo republicano é evangélico, nem todo evangélico é republicano, embora, de época para época, haja deslocamentos religiosos-políticos naquele país. Eu mesmo não tenho muita simpatia (inclusive aqui) pelo Partido do Chá (Tea Party), pois tenho longa militância no Partido do Café e no Partido do Caldo de Cana com Pão Doce.

A Queda do Muro de Berlim assinalou o ocaso da modernidade e o início de uma ainda confusa pós-modernidade, com a mundialização da cultura anglo-saxã, no que tem de bom e no que tem de mau, mas, como nos ensina Phillip Jenkins, a Cristandade está se deslocando do hemisfério Norte para o hemisfério Sul, e, inevitavelmente, revelamos nossas imaturidades, que devem e podem ser superadas.

Agora, todo teólogo, historiador ou sociólogo da religião sérios, perceberá a inadequação do termo “protestante” ou “evangélico” (por absoluta falta de identificação caracterizadora) com o impropriamente chamado “neo-pentecostalismo”, na verdade seitas para-protestantes pseudo-pentecostais (universais, internacionais, mundiais, galáxicas ou cósmicas), e que é algo perverso e desonesto interpretar e generalizar o protestantismo, e, mais ainda, o evangelicalismo brasileiro, a partir das mesmas.

O avanço do Islã e a repressão aos cristãos onde eles dominam é um “óbvio ululante”, a defesa da vida em relação ao aborto, à eutanásia, aos casais que não querem ter filhos, ao homossexualismo, o atentado ao meio ambiente (“cultura da morte”) é coerente com o princípio da Missão Integral da Igreja na “defesa da vida e da integridade da criação”.

A identidade evangélica se faz por um rico conteúdo e não por antagonismo ou relação reativa a conjunturas.

Sabemos que o mundo jaz do maligno, que o evangelho será pregado a todo ele, mas não que todos venham a se converter, e que descendentes de cristãos nem sempre continuam nessa fé. Assim, o Brasil nunca será um País totalmente cristão, protestante ou evangélico, mas creio que será bem melhor com uma Igreja madura que, sem fugas alienantes, adesismos antiéticos ou tentações teocráticas, possa “salgar” e “iluminar” com os valores do Reino.

Para isso necessitamos (na lícita diversidade protestante quanto a aspectos secundários e periféricos) de líderes sólidos e firmes, vestindo a camisa do nosso time com entusiasmo e garra para o jogo, sem se perderem em elucubrações estéreis, de quem já perdeu a fé na Palavra, não acredita mais na Queda, nem na Redenção, nem na singularidade de Cristo, deixando uma geração órfã de heróis.

Assim, espero que Deus não nos livre dessa presença cultural transformadora; que Deus não nos livre de ser, cada vez mais, um País evangélico.

A Ele, Onipotente, Onisciente e Onipresente, Senhor do Universo e da História, com os anjos e arcanjos, coma Igreja Triunfante e a Igreja Militante, intercedendo por todos que atravessam crises espirituais, seja toda a honra e toda a glória!”

Robinson Cavalcanti

Fonte: Gospel Prime

Artigo retirado do Pavablog

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Estudos

SARA: EXEMPLO PARA MÃES SANTAS QUE ESPERAM EM DEUS

 

Gênesis 23.1-2
Sara viveu cento e vinte e sete anos 2 e morreu em Quiriate-Arba, que é Hebrom, em Canaã; e Abraão foi lamentar e chorar por ela.

MENSAGEM PARA AS MÃES
Nossa igreja está seguindo os passos do patriarca Abraão. Ou seja, nos últimos domingos temos mergulhado no livro de Gênesis e estudado a biografia do pioneiro da fé. Tem sido uma aventura interessante e bastante edificante.
Hoje é Dia das Mães e enquanto eu orava, buscando a direção de Deus sobre o que pregar nesta ocasião tão especial, ocorreu-me de pregar sobre a vida de Sara – esposa de Abraão. Desta forma, mantemo-nos na história de Abraão e abençoamos a vida das mães e mulheres (principalmente daquelas que planejam casar e ser mães) que estão entre nós, usando a vida de Sara que tem muito a nos ensinar.
Antes que os homens se desliguem, achando que essa mensagem não tem nada a ver com eles, digo-lhes que eu e você também podemos e devemos aprender com Sara – (1) sobre alguns princípios de vida e, principalmente, (2) sobre como encorajar e auxiliar nossas mães, esposas, namoradas, noivas e irmãs em Cristo a continuarem (ou se prepararem para) a caminhada nesta tão maravilhosa jornada da maternidade.
O fato é que nós homens, segundo o que se conclui de Provérbios 31 e Efésios 5, somos todos chamados a encorajá-las, auxiliá-las e, no caso dos esposos, santificá-las, para que no final de tudo elas “recebam a recompensa merecida e as suas obras sejam elogiadas” (Pv 31.31).

POR QUE SARA?
Por que Sara pode ser um grande exemplo para as mães desta geração?
A meu ver, por pelo menos dois motivos: (1) o seu temperamento e (2) o seu tempo.

(1) O TEMPERAMENTO DE SARA

Tudo bem que Sara era esposa de Abraão, o pioneiro da fé, mas ela estava longe de ser perfeita. Observando com cuidado o seu temperamento, nós podemos identificar muitas das atitudes que permeiam a vida e os lares de muitas mães.
John MacArthur Jr., escrevendo sobre a vida de Sara, sabiamente destaca as seguintes características de seu temperamento, que se revelaram no episódio de Hagar e Ismael: impaciente, manipuladora, conveniente, temperamental, instável, ciumenta, queixosa, imoderada, egoísta, cabeça dura, impenitente, etc. Que lista hein!
Quantos de nós nunca viram esses e outros traços em nosso temperamento ou no temperamento de nossas mães? É claro, somos todos humanos e pecadores!
O temperamento de Sara revela que ela é de carne e osso como qualquer mãe. Sob pressão, ela expurga o que há de bom e pior no seu coração.
(2) OS TEMPOS DE SARA

Sara viveu em tempos de muitas mudanças (mudança de cultura e sub cultura) – Ur, Harã, Canaã (Siquém, Betel, Ai, Neguebe etc.), Egito, etc.
Tempos de mudanças abruptas requerem das pessoas habilidade de adaptação rápida. Dessa forma, Sara tem muito a ensinar para as mães dessa geração, onde tudo muda e muda muito rápido.

Um mundo em mudança

Se buscarmos uma característica para o mundo de hoje, encontraremos palavras como confusão, perplexidade, impacto, transformação e incerteza, entre outras. Os especialistas no assunto usarão termos ainda mais complicados: pós-modernidade, modernidade tardia ou quebra de paradigmas etc.
Podemos afirmar que não estamos vivendo apenas uma época de mudanças, mas rigorosamente uma mudança de época. O que, à primeira vista, pode parecer somente um jogo de palavras, pura retórica para dizer a mesma coisa, na verdade, revela a radicalidade das mudanças que, em poucas décadas, o mundo vem experimentando, ainda que em graus distintos de afetação.
As épocas de mudança referem-se à transformação que acontece em determinados aspectos da vida, aspectos que, em termos quantitativos, até podem ser muitos, e, em termos de importância para a vida, significativos. Permanecem, contudo, inalterados os critérios de julgamento, os valores mais profundos.
Já as mudanças de época trazem não apenas elementos novos para a vida, como também atingem os critérios de julgamento.
Épocas de mudança atingem o que vemos. Já as mudanças de épocas atingem como julgamos e, conseqüentemente, como agimos – atingem nossa escala de valores.

* As conseqüências do mundo em mudança

INSTITUIÇÃO X INDIVÍDUO
Em baixa podemos indicar a instituição. Não esta ou aquela instituição em particular, mas a própria categoria instituição. Tudo que é institucional tende a ser visto com reserva. É por isso que as grandes instituições produtoras e garantidoras do sentido apresentam-se em crise. Entre as principais instituições, encontram-se a família, a igreja, o estado e a escola. Em contrapartida, encontra-se em alta o indivíduo, visto e assumido como o centro do mundo, senhor praticamente absoluto de suas escolhas, de suas opções.
O que acontece quando falamos, por exemplo, de ética sexual dizendo que a Bíblia orienta deste ou daquele modo? Como as pessoas reagem quando falamos sobre relações pré matrimoniais, justificando nossa fala a partir do sermão do pastor? Não somos confrontados com expressões do tipo “quem é o pastor para saber sobre a minha vida?” ou então “a igreja está desatualizada”, ou então, “quem dirige minha vida sou eu”?

TRADIÇÃO X NOVIDADE
Em baixa, encontra-se também a tradição, entendida aqui no sentido de transmissão de valores, sentidos e referências de uma geração para outra. Em alta, encontram-se a novidade, a diferença e a mudança de rumos.
Um dos exemplos mais interessantes é o que diz respeito à tradição religiosa familiar. Em outras épocas, ser filho(a) de crente significaria ser crente. Neste alvorecer de uma nova época, ser filho(a) de uma família tradicionalmente evangélica pode significar qualquer coisa, inclusive ser evangélico. A nova época que vemos surgir traz consigo a inversão da tendência. Enquanto, antes, a tendência era a de permanecer no caminho do grupo, da família, hoje, a tendência é a oposta, ou seja, exatamente a de não manter a tendência da família, pois, em alta, se encontram a novidade, a diferença e a escolha.

SONHO E UTOPIA X PALPABILIDADE
Em baixa, o sonho e a utopia. Em alta, a palpabilidade, o almejar o que está ao alcance das mãos. Nada de coisa muito distante como vida eterna ou sociedade mais justa e fraterna para as próximas gerações. Portanto, em baixa, a renúncia e o sacrifício. Em alta, a fruição, o gozo, o prazer imediato.
ETERNO X TEMPORÁRIO
Em baixa, o eterno, o perene, o definitivo. Em alta, o momentâneo, o transitório, o eterno enquanto dure. Tudo muda, tudo passa, nada é visto como sendo para sempre. Em baixa, o estático, o fixo. Em alta, o movimento, a mobilidade, a transformação – o ficar.

ÉTICA X ESTÉTICA
Em baixa, a ética. Em alta, a estética. Em baixa, a racionalidade. Em alta, a emotividade. Já não contam tantos os motivos e os caminhos, mas sim o resultado. Não se trata mais de questionar tanto os meios para se chegar a um resultado. Predomina a alegria do resultado, a emoção experimentada, mesmo que a preços altos em termos de racionalidade.

* Dois perigos

O primeiro perigo é o não reconhecimento da mudança de época. É achar que este novo jeito de lidar com a vida é questão de mau comportamento ou ignorância religiosa. É dizer que as coisas sempre funcionaram do jeito que conhecemos e, portanto, o caminho consiste em continuar fazendo o que sempre foi feito, do modo como sempre foi feito. Este é o perigo de quem não consegue ou não quer enxergar a mudança.
O segundo perigo consiste em mergulhar de tal modo na nova realidade que já não se consiga fazer o discernimento entre o que é evangélico e o que não é. Este perigo consiste na total identificação com as expectativas da época que está surgindo, de modo que a nossa ação acabe perdendo sua capacidade de interpelação, de questionamento, de profetismo e dimensão escatológica. O segredo, consequentemente, é o discernimento.
Todas essas mudanças requerem de nós novas posturas. Isso nos leva ao exemplo de Sara.

Fonte: Missão Aupe

06-06-16 013

Rev. Ângelo Medrado, Bacharel em Teologia, Doutor em Novo Testamento, referendado pela International Ministry Of Restoration-USA e Multiuniversidade Cristocêntrica é presidente do site Primeira Igreja Virtual do Brasil e da Igreja Batista da Restauração de Vidas em Brasília DF., ex-maçon, autor de diversos livros entre eles: Maçonaria e Cristianismo, O cristão e a Maçonaria,A Religião do antiCristo, Vendas alto nível, com análise transacional e Comportamento Gerencial.
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Senador Requião: Depois de roubar gravador de repórter, Senador se compara a Jesus

 

Em discurso no plenário, o senador Roberto Requião (PMBD-PR) disse na tarde desta terça-feira, 26, que perdeu a paciência ao ter de responder pela terceira vez a um questionamento referente à aposentadoria que recebe como ex-governador do Paraná. O ex-governador ainda comparou sua indignação à de Jesus Cristo.

Requião chegou a esclarecer que utilizava a soma para pagar as ações que responde na Justiça, mas se enfureceu com a pergunta, arrancou da mão do jornalista o gravador e apagou a entrevista da memória do aparelho.

“Perdi a paciência. Reconheço que ontem perdi a paciência, pelas razões que passo a relatar. No plenário, fui procurado por um repórter da Rádio Bandeirantes. Assunto: risco de alta da inflação. Respondi perguntas sobre o tema e, na sequência, o repórter busca vincular a inflação à pensão que eu recebo por ter sido três vezes governador do Paraná. (…) Respondi uma. Respondi duas e na terceira vez, irritei-me com a insistência, entendi que não era mais uma entrevista, que havia nas perguntas doses de provocação ao estilo ‘CQC’ ou ‘Pânico’, como que me extorquir respostas, não para esclarecer o tema, mas para acuar o entrevistado ao modelo destes programas. Foi quando perdi a paciência e peguei o gravador do repórter. Por que o fiz? Para que ele não editasse a entrevista, não a picotasse, não desfigurasse. Peguei o gravador, copiei a entrevista e publiquei na íntegra em minha página na internet. Quem quiser saber como foi a entrevista acesse a página e ouça: robertorequiao.com.br”, declarou.

No site do senador, ao lado do link para baixar a entrevista, há a seguinte descrição: “Não me acusem de censura. Aqui a entrevista que eu não quis que a Band divulgasse. É minha, divulgo eu, na íntegra e sem edição. ”

Requião comparou ainda sua ação de indignação com a de Jesus Cristo. “Há momentos que a indignação é uma virtude como foi a do Cristo ao responder aos vendilhões do templo”, afirmou.

Ao ouvi-lo, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sugeriu uma reação de conciliação com o repórter, enquanto o senador Lobão Filho (PMDB-MA) disse que compreendeu o “momento” do parlamentar.

“Às vezes, a indignação é santa. Temos que por ao fim este ‘bullying’ público”, afirmou Requião.

Entenda o caso

Nesta segunda-feira, 25, o senador Roberto Requião tomou o gravador do repórter Victor Boyadjian, da rádio Bandeirantes. O senador depois devolveu o gravador ao jornalista, mas sem o chip. Posteriormente, o filho de Requião devolveu o chip, mas já com a entrevista apagada.

A ação ocorreu logo depois que o jornalista o questionou sobre a aposentadoria que recebe como ex-governador do Paraná. No final da gravação é possível ouvir Requião ameaçando o jornalista. “Já pensou em apanhar, rapaz?”, diz o senador. “Peraí que eu vou desligar”, responde o jornalista. “Você não vai desligar p… nenhuma. Eu vou ficar com isso aqui”, disse.

Data: 27/4/2011 09:16:39
Fonte: UOL