Ala liberal da maçonaria gasta milhões com anúncios e incomoda tradicionais

        CHICO FELITTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
           27/12/2017 02h00
Guilherme Pupo/Folhapress
Fachada da sede do Soberano Santuário, sediada na cidade de Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba (PR), que imita um castelo medieval
Fachada da sede do Soberano Santuário, que imita um castelo medieval, em Curitiba (PR)
A maçonaria, que há mais de 200 anos existe no Brasil sob um manto de segredo, está estampando páginas dos maiores jornais e revistas do país. Um braço maçom liberal, renegado pelos órgãos mais tradicionais da confraria, mas legalmente registrado, vem gastando milhões de reais em anúncios para arregimentar alunos.

A loja Soberano Santuário, que existe há 12 anos e é sediada na reprodução de um castelo medieval na região de Curitiba, começou há meses uma investida midiática que inclui anúncios de página inteira em “Veja”, “O Estado de S. Paulo” e Folha. Levantamento feito pela reportagem indica que o grupo gastou ao menos R$ 2 milhões em três meses, seguindo os valores dos anúncios nos veículos.

“A gente tinha a visão de que a maçonaria era muito elitista no Brasil. Ela não é só para o homem que tem um diploma e alguém para indicar”, diz Bianca Moreira da Silva, 31, a fundadora e hierofante (sacerdotisa) do grupo. Ao contrário do que acontece nos braços mais tradicionais, o Soberano Santuário, que ela comanda com o marido Samuel Mineiro da Trindade, 37, não requer que candidatos sejam convidados por membros estabelecidos, e aceita mulheres.

Há outras lojas que oferecem inscrição por e-mail ou por redes sociais como o Facebook, mas nenhuma delas havia chegado à grande mídia até 2017. “A maçonaria em nenhum momento em seus ensinamentos diz que é secreta. O que ela pede é discrição sobre o que você está estudando”, diz ela.

Os grupos mais tradicionais discordam dessa interpretação. “Instituições maçônicas regulares e reconhecidas mundialmente não arregimentam membros por anúncios e não fazem propaganda”, diz uma nota assinada pela Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo e pelo Grande Oriente de São Paulo, duas das maiores potências maçônicas do país.

A reportagem se encontrou com alguns dos líderes de grupos maçônicos tradicionais. A maioria afirma ter planos de interpelar juridicamente o Soberano Santuário.

Mestres e grão-mestres disseram à Folha que veem com “pesar” os anúncios, que para eles têm “a intenção de arregimentar membros e manchar a imagem da instituição, comercializando uma ordem que existe há 300 anos”.

MAÇONARIA NA TV

A lógica midiática do Soberano existe desde a fundação. Nos primeiros anos fazia anúncios na “Gazeta do Povo” paranaense. O primeiro programa de TV veio no fim de 2012. “Já estávamos com uma estrutura de templo, de muitas pessoas participando. Houve vontade de fazer o programa. Surgiu a ideia do ‘Maçonaria na TV'”, diz a líder.

O programa, em que Bianca conversa com Samuel na frente de um chroma key (fundo falso em que são inseridas imagens) se iniciou na TV Transamérica. Depois foi para a Band de Curitiba, ocupando entre 5 e 10 minutos da hora do almoço com mensagens de autoajuda e promessas de uma vida melhor para quem se unir à maçonaria.

Bianca ainda aparece em alguns dos anúncios impressos. Na foto, a líder posa em frente ao castelo com luvas brancas e uma toga preta.

Hoje a dupla aparece em redes transmitidas por parabólica, como o Canal do Boi. “São canais não muito conhecidos do grande público. Mas você chega muito no interior com eles”, diz a hierofante.

Eles não revelam qual é o alcance ou o número de pessoas que arregimentaram nessa década. “São milhares de alunos”, diz ela, que nas últimas semanas esteve em Manaus, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.

“Nossa missão não é reunir, e sim semear. Não estamos anunciando para arrebatar pessoas. Estamos para semear que existe a instituição, elas entram no site, ligam, mandam e-mail. É uma campanha informativa.”

O Sagrado Santuário tampouco comenta os gastos com publicidade. “É um valor muito alto”, se limita a dizer a fundadora da loja, quando instada a responder quanto investiram nos anúncios, e de onde veio o dinheiro.

PROCESSOS

Há ao menos seis ex-adeptos processando a agremiação. Os casos correm em segredo de Justiça. A Folha teve acesso a documentos de um deles, que é movido pelo dono de um pet shop que afirma ter tido dezenas de milhares de reais desviados pelo casal, que teria, segundo a acusação, usado cheques em seu nome. Bianca nega a acusação. “Na hora que aperta, você vai jogar para qualquer lado. Mas eu não tenho nada para declarar.”

A sacerdotisa classifica as ações judiciais como “uma grande campanha contra nós”. “A gente teve uma série de perseguições em 2014.” Naquele ano, o casal foi preso. Policiais da delegacia de estelionato e desvio de cargas de Curitiba passaram dois meses ouvindo ex-membros do grupo, 20 dos quais acusaram a loja de pedir dinheiro, prometendo devolver quantia maior, o que não aconteceu.

A prisão preventiva do casal, acusado de desfalcar seguidores em R$ 4 milhões, durou menos de 24 horas, e eles respondem ao processo por estelionato em liberdade.

Samuel diz que houve preconceito dos veículos de comunicação, que os trataram por “falsos maçons”. “Nosso trabalho floresceu em meio à ausência de tolerância, nosso templo jamais cessou suas atividades como uma árvore frondosa que nos sombreia, protege e dá luz, temos raízes fortes e profundas.”

Em 2015, os líderes foram presos por suspeita de estupro e de cárcere privado de uma garota de programa. A mulher disse que foi machucada pelo casal após se negar a fazer o que eles pediam, e se trancar no banheiro. O grupo não comenta o episódio.

“Enfatizamos que nosso ensino propriamente dito não é cobrado”, diz Samuel, que afirma dispensar na sua loja a cobrança de “joia” (taxa de admissão) ou mensalidade.

A reportagem se inscreveu no site propagandeado nos anúncios. Quem demonstra interesse recebe um e-mail em que se lê: “Nossas atividades e serviços são mantidos por mensalidades em valores justos acessíveis. A sugestão de contribuição mensal é R$ 49,90 e mensalmente você recebe via correios uma apostila de estudos”.

Além das apostilas, o site dá incentivo para quem segue adiante nos estudos, como diplomas e, após o término do terceiro nível, a CIM –cédula de identidade maçônica.

MAÇONARIA INCLUIU D. PEDRO 1º

A maçonaria é uma fraternidade de homens, com pretensões filantrópicas e filosóficas, que remonta à Idade Média. Entre maçons ilustres estariam presidentes americanos (como George Washington), pensadores (Voltaire) e músicos (Beethoven).

No Brasil, foram maçons personagens importantes da história, como dom Pedro 1º e José Bonifácio. Com informações FolhaUol

Muçulmanos destruíram igreja no Egito, às vésperas do Natal

Três cristãos foram agredidos e acabaram presos por “incitamento”

            Muçulmanos destruíram igreja no Egito, às vésperas do Natal

Uma centena de manifestantes muçulmanos atacaram a igreja copta de al-Amir Tadros, localizada em Gizé, 100 km ao sul da capital Cairo. Além de destruírem o interior do templo, deixaram três cristãos seriamente feridos.

O incidente aconteceu na última sexta-feira (23), às vésperas do Natal. Os muçulmanos saíram da mesquita após as orações e rumaram direto para a igreja. A justificativa do ataque é que o templo cristão instalaria um sino.

Os extremistas entraram na igreja gritando palavras de ordem hostis contra o cristianismo e pediram a demolição do local, afirmou a diocese de Atfih.

A igreja em Gizé funciona no mesmo local há 15 anos, mas ainda luta por uma permissão oficial do Estado. A diocese disse que os cultos são realizados semanalmente e que além da burocracia, existe um preconceito das autoridades, num país onde 90% da população é islâmica.

Uma fonte oficial na Direção de Segurança de Gizé explicou que a igreja foi erguida em 2002 após um acordo entre os líderes muçulmanos e os cristãos da região. Uma das condições é que seria um pequeno prédio para oração, sem exibir cruzes do lado de fora e não poderia ter uma cúpula nem sino.

Os líderes da al-Amir Tadros garantem que não planejavam colocar sino algum e que isso foi um boato, espalhado por islâmicos radicais como desculpa pelo ataque. Eles acreditam que o atentado foi incitado pelo imã da mesquita durante o sermão.

No domingo (25) foram presos alguns islâmicos suspeitos do ataque e também os três cristãos feridos, que são acusados de “incitação”. Com informações Egypt Independent

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Artigos Israel

Êxodo bíblico teria mesmo ocorrido, indica pesquisa

Pesquisador lembra que existe uma lista intrigante de israelitas com nomes de origem egípcia nas narrativas do Êxodo

           Êxodo bíblico teria mesmo ocorrido, indica pesquisa

Embora a maioria dos arqueólogos e historiadores insistam que o relato bíblico do livro do Êxodo não possa ser comprovado com evidências “incontestáveis”, o pesquisador americano Richard Elliott Friedman, está decidido a mostrar que eles estão errados.

Aos 71 anos, o professor da Universidade da Geórgia, especialista na análise dos textos do Antigo Testamento, está lançando o livro “The Exodus” [O Êxodo], ainda sem previsão de lançamento no Brasil. Na obra, além das Escrituras, o autor usa dados arqueológicos para fortalecer sua tese.

Ele não tem dúvidas que existem indícios históricos de que a saída dos judeus do Egito liderados por Moisés aconteceu. Via de regra, os que contestam o relato bíblico apontam para o fato que não existem registros da presença de um enorme contingente de escravos hebreus nem sobre a fuga espetacular das multidões israelitas pelo mar Vermelho. O principal motivo apontado pelos teólogos é que os escribas faraônicos jamais registrariam uma derrota tão humilhante.

 Contudo, Friedman aponta que a presença de refugiados, imigrantes e escravos semitas (de Canaã e das redondezas) é algo bem documentada nos textos   egípcios, embora seja em pequeno número.

Outro aspecto levantado por ele é que existe uma lista intrigante de israelitas com nomes de origem egípcia nas narrativas do Êxodo. Podem ser usados como exemplo o próprio Moisés e por seu sobrinho-neto, Fineias, além de outros personagens menos conhecidos. Todos eles, sem exceção, são membros da tribo de Levi (os levitas), que são da linha sacerdotal dos israelitas.

 Usando fontes extra-bíblicas, Friedman faz uma  comparação entre dois dos poemas mais antigos da Bíblia: “A Canção do Mar”, um relato da vitória do Deus   bíblico (Yahweh) sobre as forças do faraó, e “A Canção de Débora”, sobre o confronto entre os israelitas e os cananeus na conquista da Terra Prometida.

Segundo o especialista, a lista das tribos de Israel no segundo poema não menciona a tribo de Levi, enquanto a primeira não usa o nome de Israel, mas apenas o termo “am”, ou “povo”. Friedman lembra que a reunião de tribos que formou o povo de Israel de fato surgiu na própria terra de Canaã. Contudo, os levitas, vindos do Egito, teriam se juntado ao grupo um pouco mais tarde, trazendo consigo a crença em Yahweh. Esse ‘deus do deserto’ é mencionado pela primeira vez em textos egípcios que versam sobre nômades semitas.

Usando dados arqueológicos, o pesquisador mostra estudos que comprovam a semelhanças entre artefatos egípcios do fim da Idade do Bronze (época do Êxodo) e a cultura israelita. Por exemplo, uma imagem da tenda militar usada pelo faraó Ramsés 2º (1303 a.C.-1213 a.C.), lembra bastante a do Tabernáculo, o santuário que os israelitas carregaram durante o tempo que andaram pelo deserto.

A Arca da Aliança, seria similar a pequenos barcos onde os sacerdotes egípcios carregavam imagens de deuses. Com informações do Gospel Prime e NY Times e Folha de SP