Silas Malafaia chama Dilma de hipócrita por dizer que irá apoiar igrejas

O evangélico voltou a criticar o governo do PT e a reafirmar sua posição política

por Leiliane Roberta Lopes

  • gospelprime

 

Silas Malafaia chama Dilma de hipócrita por dizer que irá apoiar igrejasManda um lustra-móvel para a Dilma, diz Malafaia

O pastor Silas Malafaia gravou um vídeo reclamando sobre as palavras da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, durante o debate eleitoral que aconteceu na segunda-feira (1º).

Dilma afirmou que, se for reeleita, irá apoiar militantes do movimento gay e igrejas evangélicas. Malafaia afirmou que Dilma Rousseff está agindo com hipocrisia porque está desesperada pela ascensão de Marina Silva (PSB).

“A gente já sabe que o PT só procura os evangélicos de quatro em quatro anos, no restante do tempo trabalha contra tudo aquilo que é relativo às nossas crenças e valores.”

Malafaia relembrou a perseguição que ele tem sofrido pela Receita Federal, atitude que segundo ele tem como motivos calar sua voz diante da sociedade brasileira ao desmoralizá-lo.
“Manda um lustra-móvel pra Dilma. A cara de pau de dizer que vai apoiar igrejas evangélicas. É um atentado à nossa inteligência”, afirmou.

Essa não é a primeira vez que Silas Malafaia gravou um vídeo para criticar o governo do PT, mas dessa vez ele foi ainda mais incisivo pedindo para que até mesmo os eleitores que votam no partido por conta do Bolsa Família para que fiquem atentos.

“Chega de PT! Doze anos, não tem desculpa! O Brasil está a caminho da recessão. Avisa o povo simples que depende do Bolsa Família, que do jeito que a economia vai não tem grana para pagar o Bolsa Família não”.

Assista:httpv://www.youtube.com/watch?v=6STmFc6uZqU

Categorias
Noticias

Presidente da África do Sul quer “volta temporária” de Jesus à terra para purificar pecados

Avatar de Dan MartinsPor Dan Martins em 2 de setembro de 2014
Presidente da África do Sul quer “volta temporária” de Jesus à terra para purificar pecadosO presidente da África do Sul, Jacob Zuma, falou recentemente durante uma reunião na capital do país que deseja por uma volta “temporária” de Jesus Cristo à terra antes de sua segunda vinda, para que ele possa purificar as pessoas de seus pecados.

A fala do presidente sul-africano aconteceu durante uma reunião com os embaixadores e comissários em Pretória, capital do país. Afirmando que quando Jesus voltar para buscar os cristãos a maioria das pessoas vai ficar para trás, ele pede por um retorno de Cristo “apenas” para purificar os pecados.

– Eu sei que eles dizem que Jesus vai voltar para nos buscar, mas eu não sei quantos vão ficar para trás… Talvez a maioria – justificou o presidente, segundo a News 24.

Zuma afirmou que os bispos e pastores estão em condições de pedir a Deus para mandar seu filho novamente, e explicou que seu desejo é que Jesus desça por alguns anos e “limpe” as pessoas de seus pecados antes de voltar totalmente.

Explicada com detalhes diferentes entre as várias tradições cristãs, a segunda vinda de Cristo é comumente descrita como a “volta gloriosa de Jesus Cristo, no fim dos tempos, para presidir o Juízo Final”. Apesar de diferentes linhas teológicas discordarem da forma com que essa vinda irá ocorrer, é consenso entre as diferentes interpretações Bíblicas que a segunda vinda será um retorno visível de Jesus Cristo do Céu para julgar a humanidade e estabelecer o Reino de Deus.

Categorias
Artigos

Carlos Bezerra: e os escravos de Cuba?

Avatar de Thiago CortêsPor Thiago Cortês em 4 de setembro de 2014
Carlos Bezerra: e os escravos de Cuba?O deputado estadual Carlos Bezerra Jr. (PSDB-SP) é autor de uma lei contra o trabalho escravo moderno que é comparada, pelas almas generosas, com a própria Lei Áurea.

Bezerra concebeu a celebrada Lei nº 14.946 que prevê a cassação do registro no Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de toda empresa que se utilizar, ainda que indiretamente, mão de obra submetida a regimes que se assemelhem à escravidão.

A lei foi sancionada pelo governador Alckmin e representa um marco revolucionário na medida em que inviabiliza o funcionamento de empresas a exploram trabalhadores.

Evangélico, o deputado virou notícia internacional. Não é por acaso: colocou na berlinda grandes grupos empresariais como a Zara, que admitiu a ocorrência de trabalho escravo no processo de fabricação de seus artigos no ano de 2011.

Bezerra tem minha simpatia por sua corajosa iniciativa. Até mesmo porque sua lei beneficiaprincipalmente gente como bolivianos ilegais que sequer têm título de eleitor. É raro ver um político evangélico que não se limita a agir como despachante de igreja.

O que me causa estranheza é o gritante silêncio do deputado em relação à situação dos médicos cubanos do famigerado programa Mais Médicos, cujos direitos trabalhistas foram ignorados em favor de uma parceria obscura entre o Brasil e uma ditadura.

procurador do Ministério Público do Trabalho, Sebastião Caixeta, classificou a iniciativa federal de irregular, pois descumpre as leis trabalhistas brasileiras. Segundo ele, não estão previstos nos contratos dos cubanos o pagamento de férias remuneradas e de 13º salário.

“…há um desvirtuamento do que é uma autêntica relação de trabalho. Portanto, há descumprimento dos direitos de índole trabalhista previstos na Constituição. (…) O texto do projeto de lei do Mais Médicos diz que não há remuneração, mas um auxílio por meio de bolsa. Todo o programa é estruturado no sentido de afastar a relação de emprego, mas, na prática, essa relação de emprego existe”

O procurador deu tal declaração após participar de audiência com a médica cubana Ramona Rodriguez, que desertou – do programa e do País – em busca de seus direitos. Ramona denunciou que recebia apenas US$ 400 (cerca de R$ 968).

Outros US$ 600 (R$ 1.452) seriam depositados em Cuba e só poderiam ser sacados no seu retorno ao país. O restante — R$ 7.580 — vai direto para a ditadura dos irmãos Castro.

Em outras palavras, os médicos cubanos recebem apenas 20% do que o Brasil repassa a Cuba.

!1AMEDCARTAO

Carlos Bezerra se levantou contra gigantes empresariais que submetem imigrantes ilegais à lógica da exploração sem lei, mas nada disse sobre os médicos cubanos que têm seus direitos trabalhistas negados porque estão submetidos à lógica de exploração de uma ditadura.

Assim como os bolivianos ilegais, os profissionais de Cuba estão vivendo bem aqui, em território brasileiro, sob égide da Constituição Federal. É estranho que o deputado evangélico que lutou pelos direitos dos primeiros tenha se esquecido dos segundos.

O jurista Ives Gandra, uma  das maiores referências do campo jurídico do Brasil, não hesitou em classificar o regime de trabalho dos médicos cubanos de “neoscravagismo”:

“O governo federal oferece para todos os médicos estrangeiros “não cubanos” que aderiram ao programa Mais Médicos um pagamento mensal de R$ 10 mil. Em relação aos cubanos, todavia, os R$ 10 mil são pagos ao governo da ilha”

Além da exploração brutal, Ives Granda lembrou que o contrato do programa determina que os profissional cubano só poderá receber visitas de amigos ou familiares no Brasil, mediante “comunicação prévia à Direção da Brigada Médica Cubana” aqui sediada.

O contrato determina ainda “estrita confidencialidade” sobre qualquer informação que receba em Cuba ou no Brasil até “um ano depois do término” de suas atividades. Diante dos fatos, o jurista concluiu:

“O governo federal, que diz defender os trabalhadores –o partido no poder tem esse título–, não poderia aceitar a escravidão dos médicos cubanos contratados, que recebem no Brasil 10% do que recebem os demais médicos estrangeiros”

O artigo de Ives Gandra foi publicado na mesma Folha de S. Paulo na qual Carlos Bezerra havia publicado um texto primoroso, “O Brasil sob a chibata”,  falando da importância da luta contra a escravidão no mundo contemporâneo:

“A exploração do trabalho escravo é um crime tipificado de forma objetiva em leis conhecidas e largamente aceitas pelos tribunais brasileiros. A legislação leva em conta um conjunto de situações: servidão por dívidas, restrição da locomoção, trabalhos forçados, jornada exaustiva e condições degradantes de trabalho”

Ora, o contrato ao qual estão submetidos os médicos cubanos estipula que eles não podem frequentar locais públicos sem prévia autorização. Eles não podem sair depois das 18 horas sem a permissão do seu chefe imediato. Para requerer tal “regalia” o profissional deve informar aonde irá, se irá com companheiros cubanos ou nativos.

Pergunto ao deputado Carlos Bezerra: isso não seria “restrição de locomoção”?

No documento citado por Ives Granda também é possível saber que até mesmo o casamento com um não cubano estará sujeito à legislação cubana, a não ser que haja “autorização prévia por escrito” da referida máxima direção cubana.

É bastante visível que os profissionais de Cuba que trabalham no Brasil realmente estão vivendo uma situação de “neoescravagismo”, como bem definiu Ives Granda.

Infelizmente o deputado brasileiro mais ligado a temática da escravidão moderna nada disse sobre isso. Só me resta especular os motivos:

1-      Porque é politicamente incorreto criticar Cuba

2-      Para não desagradar os irmãos progressistas

3-      Por falta de coragem mesmo

Mas são apenas especulações e espero, de todo o coração, estar totalmente enganado. Talvez o deputado Carlos Bezerra possa nos iluminar com um motivo nobre para o seu silêncio ou, melhor ainda, possa quebrar esse silêncio, de forma corajosa e humilde, legitimando a sua causa com a imparcialidade.

A médica cubana citada acima havia sido “denunciada” por ter cometido o “crime” de namorar e foi praticamente chamada de bêbada por um deputado petista. O caso teve repercussão internacional e pouca gente se colocou ao lado da trabalhadora cubana.

Assim como pastores progressistas que vivem falando em direitos humanos e acusando Alckmin de fascismo, Bezerra nada disse sobre o flagrante abuso da privacidade de Ramona e o tratamento desrespeitoso que a trabalhadora recebeu.

Até mesmo um autor de novelas da Rede Globo se compadeceu dos trabalhadores cubanos, mas os evangélicos prafrentex não conseguiram ir além da ideologia e fazer a coisa certa.

Certa feita, o deputado Carlos Bezerra disse que não se alinha a “bancadas evangélicas”, mas nessa questão particular está exatamente no mesmo patamar dos seus colegas.

De qualquer forma, enquanto os médicos cubanos permaneceram submetidos – em território brasileiro – a um regime de trabalho semelhante à escravidão, coagidos pela legislação absurda de uma ditadura estrangeira, continuarei denunciando o silêncio vergonhoso de Carlos Bezerra Jr e dos demais políticos evangélicos.