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Confrontos entre cristãos e muçulmanos matam ao menos 22 na Nigéria

 

DA REUTERS

Ao menos 22 pessoas morreram em confrontos entre jovens cristãos e muçulmanos e forças de segurança na cidade nigeriana de Jos nesta quinta-feira, afirmou um funcionário do necrotério local, no segundo dia de violência nesta semana.

"Houve confrontos na área de Dusu Uku entre jovens cristãos e muçulmanos. Não temos certeza sobre o que aconteceu, mas em algum momento as forças de segurança se envolveram", disse à Reuters por telefone Mohammed Kabiro, que trabalha no necrotério central para onde os corpos foram enviados.

"Até agora recebemos 22 mortos aqui no necrotério, a maioria jovens, mas nos disseram que há mais por vir", ele disse, acrescentando que a maioria dos corpos que ele viu tinha ferimentos de tiros.

O porta-voz para a Força-Tarefa Militar Conjunta responsável pela segurança em Jos, capitão Charles Eckeocha, disse que não tinha informações sobre o número de vítimas.

"Não tenho os detalhes do que aconteceu, exceto de alguns de nossos soldados que foram baleados e feridos. Pedimos reforços e eles chegaram. A situação está calma agora", disse.

Treze pessoas morreram em confrontos entre jovens cristãos e muçulmanos que celebravam o festival Eid al Fitr em Jos na segunda-feira, informou o Exército.

Não estava claro se essa última onda de violência estava ligada àquele incidente.

Jos, entre o norte muçulmano e o vasto sul cristão, é, às vezes, o centro de tensões sectárias e étnicas entre as duas fés.

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Igrejas e cultos brasileiros expandem presença em Londres

 

Iracema Sodré

Da BBC Brasil em Londres

Atualizado em  1 de setembro, 2011 – 06:02 (Brasília) 09:02 GMT

Igrejas e cultos brasileiros vêm expandindo sua presença na capital britânica nos últimos anos, segundo analistas e líderes religiosos ouvidos pela BBC Brasil.

Só as igrejas evangélicas brasileiras em Londres já são mais de 80, de acordo com a Pastoral Alliance, que reúne pastores evangélicos na Grã-Bretanha, e a estimativa não inclui a Igreja Universal do Reino de Deus, que tem 16 templos na cidade.

Na lista do Consulado do Brasil, há cerca de 50 diferentes denominações registradas.

"Enquanto nos anos 90 havia poucas igrejas evangélicas brasileiras em Londres, esse número vem crescendo rapidamente, com a maioria das igrejas tendo sido fundada no início dos anos 2000", diz Daniel Clark, pesquisador da University of Wales.

A Capelania Católica Brasileira, que começou a funcionar em Londres há 15 anos com apenas uma missa semanal em português, já celebra missas em seis igrejas espalhadas pela cidade, por exemplo. E basta olhar os classificados de uma das várias revistas destinadas à comunidade brasileira em Londres para encontrar também informações sobre centros espíritas e terreiros de umbanda e candomblé na capital britânica e seus arredores.

Religiões de origem amazônica, que utilizam o chá ayahuasca (ou hoasca) em seus rituais – como o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal e o Santo Daime – também estão presentes na capital britânica.

"É a exportação de uma cultura. Um dos temas culturais do Brasil é a diversidade religiosa e isso acaba se reproduzindo no exterior", diz Pedro Strozenberg, secretário-executivo do Iser, o Instituto de Estudos da Religião.

Missões

Ministério Luz para os Povos Foto: BBC Brasil

Segundo a Pastoral Alliance, as igrejas evangélicas têm ao menos 8 mil fiéis brasileiros em Londres

Segundo pesquisadores, após séculos como destino de missões religiosas, o Brasil começou, nos anos 80, a exportar igrejas e cultos junto com as levas de brasileiros que migravam para o exterior.

O Brasil pode ser visto como a maior nação católica do mundo, a capital mundial do espiritismo e o país com a segunda maior comunidade de protestantes praticantes – atrás apenas dos Estados Unidos em números absolutos – além de ser o berço de diversas outras crenças.

Hoje, a multiplicidade de credos vista no Brasil se reflete nos países em que a comunidade brasileira ganha peso.

"Em linhas gerais, o que acontece é que quase todo o campo religioso brasileiro se reproduz no exterior, mas não nas mesmas proporções em que existem no Brasil. O pentecostalismo, por exemplo, que cresce muito em termos de visibilidade no Brasil, se torna ainda mais visível no exterior", diz Paul Freston, professor catedrático em Religião e Política em Contexto Global da Wilfrid Laurier University, no Canadá.

CliqueLeia mais: Conheça diferentes igrejas e cultos brasileiros em Londres

Para a pesquisadora Christina Vital, professora de antropologia da Universidade Federal Fluminense, isso talvez possa ser explicado pelo sucesso das igrejas evangélicas em ajudar a solucionar problemas frequentemente enfrentados pelos imigrantes brasileiros.

"As missões dessas igrejas são voltadas a proporcionar uma rede de proteção espiritual e material para pessoas que estão nas margens da sociedade. Isso também pode incluir a questão da ilegalidade para imigrantes."

Dinâmica religiosa

"O catolicismo é mais lento para se deslocar. As igrejas evangélicas em geral têm mais facilidade, porque estão mais descentralizadas."

Paul Freston, professor da Wilfrid Laurier University

Paul Freston diz que as igrejas evangélicas brasileiras no exterior ajudariam seus fiéis a manter uma atitude positiva em relação ao trabalho duro que muitos deles têm de fazer, além de estabelecer redes de contato que ajudariam os imigrantes a encontrar lugares para morar e trabalhar.

As igrejas evangélicas também seriam muito mais rápidas em acompanhar a movimentação de brasileiros ao redor do mundo, principalmente as pentecostais.

"O catolicismo é mais lento para se deslocar. As igrejas evangélicas em geral têm mais facilidade, porque estão mais descentralizadas, são mais autônomas e abertas à iniciativa leiga. Elas acompanham com mais facilidade os movimentos populacionais", diz Freston.

Um exemplo disso é o Ministério Luz para os Povos, que abriu sua primeira igreja em Londres há apenas um ano.

O catolicismo é mais lento para se deslocar. As igrejas evangélicas em geral têm mais facilidade, porque estão mais descentralizadas

Anne e Olair são os pastores do Ministério Luz para os Povos em Londres

Os pastores Olair e Anne Oliveira, que já faziam parte da igreja em sua cidade natal, Trindade, a 17 quilômetros de Goiânia, vieram para Londres em 2008.

Na capital britânica, eles frequentaram outras igrejas enquanto ele trabalhava como operário de construção e ela, como faxineira e babá, até que eles decidiram entrar em contato com a coordenação do Ministério Luz para os Povos na Europa e abrir uma igreja em Londres.

"Hoje, temos cerca de 40 fiéis frequentando o ministério. A maioria deles é de brasileiros, mas temos também portugueses, africanos e italianos", conta o pastor Olair.

Segundo os pesquisadores, a falta de dados concretos sobre a população brasileira no exterior – estimada em algo entre dois a três milhões de pessoas em todo o mundo, muitos deles ilegais – torna muito difícil estimar com precisão o número de frequentadores de cada um dos cultos e igrejas de origem brasileira.

"No Brasil, há o censo, que pergunta com que religião o entrevistado se identifica e com que frequência pratica sua crença. Sobre a comunidade brasileira em Londres, não temos dado nenhum. Não se sabe universo total, nem com que religião as pessoas se identificam", diz Freston.

"Além disso, é um universo muito fluido, há igrejas fechando, enquanto outras surgem a todo momento."

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Universal do Reino de Deus se expande em ritmo de multinacional

 

Paulo Cabral

Da BBC News em São Paulo

Atualizado em  1 de setembro, 2011 – 08:08 (Brasília) 11:08 GMT

Foto: BBC

Muitos temem que negócios estejam substituindo questões mais importantes relacionadas à fé

A Igreja Universal do Reino de Deus é considerada um dos melhores exemplos de uma religião com mentalidade empresarial.

A igreja diz estar estabelecida em 110 países, alcance não conseguido por nenhuma empresa multinacional brasileira.

Mas apesar de as práticas empresariais estarem disseminadas na Universal, muitos fiéis temem que os negócios estejam tomando o lugar de questões mais importantes e reclamam que são vistos cada vez mais apenas como consumidores.

Para a construção de seu megatemplo em São Paulo, orçado em mais de R$ 350 milhões, a Igreja está pedindo doações aos seus fiéis, em troca da inscrição de seus nomes em uma das 640 colunas do templo.

Dízimo

Nos anos 1980, Mara Maravilha era dançarina, cantora, apresentadora de programa infantil de TV e foi até capa da revista Playboy.

Mas há 15 anos, Mara se tornou fiel da Universal. Hoje, ela canta músicas gospel e tem uma loja de produtos evangélicos em São Paulo.

Ela defende fervorosamente o dízimo, a política de doar 10% dos ganhos à igreja. "Quando o homem não dá o dízimo para a casa de Deus, ele está roubando a Deus", afirma.

"Chegamos na igreja e damos 10%, agora se o pastor vai fazer certo ou errado, isso não cabe mais a mim", diz.

Apesar da estrutura empresarial, ninguém sabe quanto fatura a Universal, já que a Igreja é isenta de impostos e não tem que abrir suas contas.