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Com vestimentas islâmicas vetadas, Irã recorre à Fifa

 

DA REUTERS

Após a seleção feminina do Irã ser proibida de disputar uma partida classificatória para a Olimpíada-2012 por conta das vestimentas islâmicas das jogadoras, a federação iraniana decidiu recorrer à Fifa, segundo informação divulgada pela agência de notícias "Isna" neste domingo.

De acordo com a estatal TV Press, a equipe iraniana foi banida da partida contra a Jordânia, em Amã, na última sexta-feira, antes do início. A seleção jordaniana foi premiada com a vitória por 3 a 0 na segunda rodada da classificatória.

"Nós vamos apresentar uma queixa à Fifa contra o árbitro responsável pela partida", disse Ali Kafashian, chefe da federação de futebol do Irã.

A polêmica sobre as vestimentas das atletas do Irã acontece há mais de um ano. A Fifa baniu a equipe em abril passado por conta do plano de utilizar lenços na cabeça, de acordo com o código de vestimenta islâmico no país que exige que todas as mulheres do país cubram a cabeça em público.

Ali Jarekji – 3.jun.11/Reuters

Jogadores da seleção feminina do Irã antes da partida contra a Jordânia

Jogadores da seleção feminina do Irã antes da partida contra a Jordânia

A federação iraniana fez modificações no uniforme e acredita que chegou a um meio termo aceitável. Para enfrentar a Jordânia, as jogadoras utilizaram um uniforme branco com um lenço da mesma cor cobrindo a cabeça, escondendo os cabelos e as orelhas.

"Ainda que tenha sido dito nas regras da Fifa que nenhum país pode jogar com as vestimentas islâmicas, nós tivemos as negociações necessárias com as autoridades da Fifa", disse Kafashian. "Infelizmente, eu não sei o motivo pelo qual o árbitro do Bahrein se recusou a deixar o nosso time jogar."

Reportagens no Irã ressaltaram a nacionalidade bareinita do árbitro. O Irã é um crítico declarado da repressão violenta da monarquia muçulmana sunita do Bahrein contra as manifestações pró-democracia da maioria xiita do país nos últimos meses.

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Protesto entre Síria e Israel deixa pelo menos 20 mortos e 325 feridos

5/06/2011 – 16h13

 

DA EFE, EM JERUSALÉM

Pelo menos 20 manifestantes sírios e palestinos morreram neste domingo e outros 325 ficaram feridos por disparos de soldados israelenses quando tentavam atravessar a fronteira entre Síria e Israel, segundo a televisão estatal síria, durante o 44º aniversário da Guerra dos Seis Dias de 1967, conhecido no mundo árabe como a Naksa (ou "dia da derrota").

Os fatos mais violentos ocorreram neste meio-dia na fronteira entre Israel e Síria, quando um grupo de manifestantes tentou atravessar a divisa para entrar em Golã, território que o Estado judeu ocupou dos sírios na disputa relembrada neste domingo.

A televisão síria mostrou imagens de centenas de cidadãos que se concentraram junto à fronteira com bandeiras palestinas e que em alguns pontos conseguiram retirar a cerca de arame farpado que separa ambos países chegando a passar para o lado controlado por Israel.

Os participantes do protesto, muitos deles palestinos, se reuniram no início do dia na chamada "colina dos gritos", contígua com a localidade Drusa de Majdal Shams, nas ocupadas Colinas do Golã, onde pela tarde também se registraram distúrbios.

Porta-vozes do Exército israelense disseram que seus soldados, milhares dos quais se encontravam mobilizados na zona, "efetuaram disparos ao ar e advertências verbais" para impedir que os manifestantes se aproximassem à divisória.

Quando os concentrados se aproximaram da cerca, abriram fogo contra as extremidades inferiores, agregaram as fontes militares.

Fontes médicas sírias disseram que vários internados foram vítimas de disparos diretos e que alguns feridos estavam em estado grave.

As forças israelenses empregaram gás lacrimogêneo e mandaram atiradores de elite próximo do alambrado que separa ambos territórios.

Cerca de 12 simpatizantes com a causa palestina morreram nas fronteiras de Israel com a Síria e Líbano em 15 de maio, dia que os palestinos e o mundo árabe qualificam da "nakba" (tragédia) que marca para eles a criação do Estado de Israel, em 1948.

Há 44 anos se iniciou a denominada Guerra dos Seis Dias, na que Israel ocupou a Península do Sinai e a Faixa de Gaza ao Egito, as Colinas do Golã à Síria, e Cisjordânia e Jerusalém Oriental à Jordânia. Os soldados dispersaram a concentração com gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e balas de borracha, em um enfrentamento que durou pelo menos três horas. Houve dois feridos graves palestinos e outros 37 com ferimentos leves, segundo a agência Ma’an.

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Mulheres com pouca roupa fazem a ‘Marcha das Vadias’ em SP

04/06/2011 16h17 – Atualizado em 04/06/2011 16h17

 

Manifestação aconteceu na tarde deste sábado (4), na Avenida Paulista.
Objetivo é alertar a sociedade sobre o machismo.

Paulo Toledo Piza Do G1 SP

Fonte G1

Com faixas e cartazes, mulheres se concentram para a Marcha das Vadias na Avenida Paulista (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)Com faixas e cartazes, mulheres se concentram para a Marcha das Vadias na Avenida Paulista (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)

Mulheres com saias curtas, de salto alto e até só de calcinha e sutiã se reuniram na tarde deste sábado (4) na Praça dos Ciclistas, na Avenida Paulista, em São Paulo, para uma manifestação inusitada: a Marcha das Vadias. A ideia da brincadeira surgiu após um policial afirmar, durante uma palestra em uma universidade em Toronto, no Canadá, que as mulheres deveriam parar de usar roupas de vadias (ou slut, em inglês) para evitar estupros.
A opinião do policial teve grande repercussão e marchas semelhantes ocorreram em todo o mundo. Uma das idealizadoras da manifestação paulistana, a escritora Solange De-Ré, de 30 anos, afirma que o objetivo é fazer com que a sociedade reflita sobre o machismo. “Em uma mesma família, o menino tem toda a liberdade para se mostrar. A mulher, não. O machismo não vem só dos homens, mas das mulheres também, que julgam as outras mulheres.”

Bom humor e pouca roupa foram as marcas registradas das manifestantes na marcha (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)Bom humor e pouca roupa foram as marcas
registradas das manifestantes na marcha
(Foto: Paulo Toledo Piza/G1)

A versão paulistana da marcha foi mais recatada do que as equivalentes estrangeiras. “A gente não quer carnaval. A gente quer que as pessoas se vistam normalmente, como elas gostam de se vestir”, disse a publicitária Madô Lopez, de 28 anos, co-responsável pela marcha. O que mais chamou a atenção entre os cerca de 300 participantes foi a grande quantidade de cartazes contra o machismo e a favor do respeito entre os gêneros. Além disso, um grupo de mulheres animava o público usando tambores improvisados em baldes para produzir música.
Apenas uma jovem foi mais ousada e encarou a fria tarde de sábado vestindo apenas calcinha e sutiã. A estudante Emilia Aratanha, de 23 anos, justifica a vestimenta: “Independentemente do que você usa, em primeiro lugar vem o respeito.”
Ela lamenta a violência contra as mulheres –fato que em sua opinião é uma realidade mundial. “Tem mulheres com burca que acabam sendo estupradas. Isso tem que acabar.”

Participantes da marcha exibiram cartazes contra o machismo e a favor do respeito entre os gêneros (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)Participantes da marcha exibiram cartazes contra o machismo e a favor do respeito entre os gêneros (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)