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Divórcio: o escândalo da consciência evangélica

 

Dr. Albert Mohler

Nota: Albert Mohler é o presidente do Seminário Teológico Batista do Sul — a mais importante faculdade da Convenção Batista do Sul e um dos maiores seminários do mundo.

Quinta-feira, 30 de setembro de 2010 (AlbertMohler.com/Notícias Pró-Família) — Mark A. Smith, que ensina ciência política na Universidade de Washington, presta atenção ao que é comumente chamado agora de “guerra cultural” nos EUA. Embora as raízes desse conflito cultural remontem à década de 1960, a profunda divisão por causa de questões sociais e morais ficou quase impossível de negar durante o final da década de 1970 e desde então. É agora opinião geral falar de estados “vermelhos” e estados “azuis”, e esperar conhecidas linhas de divisão por causa de questões tais como aborto e homossexualidade.

No sentido mais geral, a guerra cultural se refere à luta para decidir leis e costumes em muitas questões morais e políticas que separam os americanos em dois acampamentos opostos, muitas vezes apresentados como a direita religiosa e a esquerda secular. Embora a verdade jamais seja muito simples, a realidade da guerra cultural é quase impossível de negar.

Entretanto, ao examinar as linhas de frente da guerra cultural, o Professor Smith ficou surpreso, não tanto pelas questões de polêmica e debate acalorado, mas por uma questão que não era tão óbvia por sua ausência — o divórcio.

“A partir da perspectiva da lógica simples, o divórcio se enquadra de forma nítida dentro da categoria de ‘valores da família’ e daí em hipótese poderia representar a força propulsora na guerra cultural maior”, comenta ele. “Se os ‘valores da família’ se referem à ética e conduta que afetam as famílias, então obviamente o divórcio cumpre os requisitos. Aliás, o divórcio parece carregar uma conexão mais direta com as realidades cotidianas das famílias do que carregam o aborto e a homossexualidade, que são as principais questões da guerra cultural”.

Essa lógica é uma acusação contra o fracasso evangélico e um escândalo monumental da consciência evangélica. Confrontados com essa acusação, muitos evangélicos rapidamente apontam para a adoção das chamadas leis de divórcio sem determinação de culpabilidade na década de 1970. Contudo, embora essas leis tenham sido devastadoras para as famílias (e principalmente para as crianças), Smith faz um argumento convincente de que os evangélicos começaram a se acomodar ao divórcio antes que essas leis tivessem entrado em vigor. As leis de divórcio sem determinação de culpabilidade refletiam simplesmente um reconhecimento do que já havia ocorrido. Conforme ele explica, os evangélicos americanos, junto com outros cristãos, começaram a mudar de opinião acerca do divórcio quando o divórcio ficou comum e quando o divórcio tinha chegado até às proximidades de seus lares.

Quando a direita cristã foi organizada na década de 1970 e solidificada na década de 1980, as questões do aborto e da homossexualidade estavam na atenção central de todos. Onde é que estava o divórcio? Smith documenta o fato de que organizações tais como a Moral Majority (Maioria Moral), que era “pró-família tradicional” e presidida pelo falecido Jerry Falwell, de modo geral não conseguiram nem mesmo mencionar a questão do divórcio em suas publicações e plataformas.

“Durante os 10 anos de sua existência, a organização de Falwell mobilizou e fez iniciativas de pressão em muitas questões políticas, inclusive aborto, pornografia, direitos gays, oração nas escolas, a Emenda de Direitos Iguais e a educação sexual nas escolas”, recorda ele. Onde está o divórcio — uma tragédia que afeta um número muito maior de famílias do que as questões mais “quentes”? A questão do divórcio não conseguiu alcançar essa posição elevada, obtendo uma classificação tão baixa na agenda da organização que os livros sobre a Maioria Moral nem mesmo dão à questão um verbete nos índices.

Mas o escândalo real é muito mais profundo do que a ausência da palavra divórcio nas listagens de índices. O escândalo real é o fato de que os evangélicos se divorciam em índices tão elevados quanto o resto do público. Não é necessário dizer que isso cria uma importante crise de credibilidade quando os evangélicos então se levantam para falar em defesa do casamento.

Quanto à questão do divórcio e direito público, Smith rastreia uma transição imensa no direito e no contexto cultural maior. Em tempos passados, explica ele, tanto o divórcio quanto o casamento eram considerados como assuntos de intenso interesse público. Mas em algum ponto, a cultura foi transformada, e o divórcio foi reclassificado como um assunto puramente pessoal.

Tragicamente, a igreja em grande parte seguiu o exemplo de seus membros e aceitou o que se poderia chamar de a “privatização” do divórcio. As igrejas simplesmente permitiram que uma cultura secular decidisse que o divórcio não é uma questão importante, e que é um assunto puramente particular.

Conforme argumenta Smith, a Bíblia condena o divórcio de modo bastante enérgico. Por esse motivo, o natural seria esperarmos ver evangélicos reivindicando a inclusão do divórcio numa lista de preocupações e objetivos centrais. Mas isso raramente ocorreu. Os evangélicos têm toda razão e merecimento quando reivindicam leis que defendam a santidade da vida humana. Mas isso não ocorre na questão do casamento. Smith explica que a inclusão do divórcio na agenda da direita cristã traria o risco de que os membros se afastassem em massa de suas igrejas. Em resumo, os evangélicos permitiram que a cultura da sociedade prevalecesse sobre a Palavra de Deus.

Uma tragédia ainda maior é o colapso da disciplina eclesiástica dentro das congregações. A maioria dos membros das igrejas simplesmente presume que há uma aparente “zona de privacidade”, e o divórcio é considerado apenas uma preocupação particular.

O Professor Smith está preocupado com essa questão como um cientista político. Por que os evangélicos americanos cedem com tanta facilidade desde que o divórcio acelerou nos EUA? Precisamos fazer essa mesma pergunta com urgência ainda maior. Como foi que o divórcio, tão claramente identificado como pecado grave na Bíblia, se tornou tão comum e aceito em nosso meio?

A santidade da vida humana é uma causa que exige nossa prioridade e sacrifício. O desafio que a possibilidade (ou probabilidade) da legalização do casamento de mesmo sexo representa exige nossa atenção e envolvimento também.

Mas o divórcio prejudica muito mais vidas do que serão tocadas pelo casamento homossexual. Crianças ficam sem pais, esposas sem maridos e lares são destroçados para sempre. Pais são separados de seus filhos, e o casamento é irreparavelmente arruinado quando o divórcio se torna rotina e aceito. O divórcio não é o pecado imperdoável, mas é pecado, e é um pecado que é condenado de forma bastante clara e forte.

Os evangélicos estão seriamente preocupados com a família, e tal preocupação é boa e necessária. Mas nossa credibilidade na questão do casamento sofre um rebaixamento significativo quando aceitamos o divórcio. Para nossa vergonha, a guerra cultural não é o único lugar em que um confronto real com a cultura do divórcio está ausente.

O divórcio é agora o escândalo da consciência evangélica.

Este artigo foi publicado com a permissão de AlbertMohler.com

Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com

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Líder católico da Bélgica diz que Aids fez justiça a "comportamentos sexuais"

publicado em 15/10/2010 às 14h25: atualizado em: 15/10/2010 às 15h19

Fonte R7

Arcebispo de Bruxelas, Andre Leonard comparou doença a tragédias ecológicas

Gregorio Borgia/08.05.2010/AP

Gregorio Borgia/08.05.2010/AP

Arcebispo e chefe da Igreja Católica da Bélgica, Andre Joseph Leonard, causou polêmica por sua posição sobre a Aids

O chefe da Igreja Católica da Bélgica voltou a defender nesta sexta-feira (15) que a Aids fez justiça a "determinados comportamentos sexuais", fazendo referência aos gays. A declaração, publicada num livro nesta quinta-feira (14), causou polêmica no país, já abalado por uma série de escândalos de pedofilia por parte de padres.

O arcebispo de Bruxelas, Andre Joseph Leonard, uma figura muito ligada ao Papa Bento 16, tentou amenizar a controvérsia, mas manteve sua postura – ele teve suas declarações veiculadas a princípio em um livro de entrevistas.

– Segundo o que li em muitos artigos científicos, a Aids se propagou principalmente por comportamentos sexuais, com todos os tipos de casais, ou por relações sexuais anais, assim como vaginais. A única coisa que estou dizendo é que estão relacionados com os atos.

Leonard disse que sua declaração é decente, honrada e respeitável, apesar de ter suas palavras tachadas pela imprensa e partidos belgas como indignas, inadmissíveis e homofóbicas.

– Se fumamos sem medida, talvez soframos de um câncer de pulmão. Se bebemos uma garrafa de uísque por dia, e não digo que isso seja uma falta, devemos saber que nos expomos a certas consequências.

O chefe da Igreja Católica belga disse em nota que a Aids é uma espécie de justiça , que chega quando maltratamos a natureza profunda do amor humano.

O arcebispo negou que a Aids seja um castigo de Deus devido à liberação sexual. Léonard afirmou que, “no máximo, essa epidemia seria vista como uma espécie de justiça, mas não significa um castigo".

Léonard, um conservador que chegou ao topo da igreja da Bélgica em janeiro, comparou a doença com os desastres ecológicos causados pela ação do homem.

– Quando o meio ambiente é maltratado, ele acaba por responder. Maltratar a natureza profunda do amor humano acaba sempre por originar catástrofes em todos os níveis.

O livro de Léonard foi publicado em holandês e é uma atualização de textos divulgados em francês em 2006.

Declarações geram críticas na Bélgica

As opiniões do líder dos católicos belgas provocaram diversas críticas em seu país.

O Partido Liberal Flamenco (VLD) qualificou as palavras de "incompreensíveis, ofensivas e insuportáveis".

Um comunicado dos parlamentares do VLD afirmou que as declarações de Léonard são um “insulto para os diversos pacientes que lutam contra a doença e para as pessoas que cuidam deles”.

O Partido Verde Francófono qualificou as palavras de "estúpidas" e "discriminatórias".

No mesmo livro, Léonard mostra sua oposição ao fim do celibato dos sacerdotes, alguns meses após terem sido revelados na Bélgica centenas de casos de abusos sexuais contra menores cometidos por membros da Igreja Católica.

– Todos sabemos que a maioria dos casos de pedofilia ocorre no seio das famílias. É esta uma razão para acabar com os casamentos?

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Para Marina, religiosidade do brasileiro não pode ser ignorada

 

Terceira colocada na disputa para marina_silva a Presidência, com quase 20 milhões de votos, a senadora Marina Silva (PV) diz que a religiosidade do brasileiro “é um dado que não se pode negar” e que “o respeito pela diferença pressupõe o direito daqueles que são evangélicos ou católicos de afirmarem os seus pontos de vista”.

Ainda assim, Marina, que é evangélica, alerta sobre os riscos em que o debate religioso incorre: “Precisamos ter a sabedoria de não importar conflitos religiosos que existem em outros países para o Brasil, onde temos cultura de respeito pela diferença e pela diversidade”.

Em entrevista exclusiva à BBC Brasil, Marina tratou também do desafio de fazer com que o Partido Verde cresça sem que seus quadros percam o vínculo com a bandeira ambiental e de como, na sua avaliação, o Brasil e o resto do mundo estão distantes de um modelo de desenvolvimento que harmonize economia e ecologia.

“Todos os países ricos ou pobres estão diante do desafio de fazer a transição da forma predatória de desenvolvimento para a sustentável.”

Sobre a escolha de quem apoiará no segundo turno, ela diz que aguarda que os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) se posicionem sobre dez propostas que enviou às suas campanhas para tomar a decisão.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – O que acha da afirmação de que a senhora é maior do que o PV?

Marina Silva – Eu acho que as coisas se completam. O partido é uma estrutura necessária institucionalmente para que se possa ter uma militância institucional, disputar uma eleição, e obviamente que o partido ter quadros com inserção na sociedade o fortalece.

BBC Brasil – A senhora participou da construção do PT, que tinha uma identificação real entre todos os seus membros. A senhora sente isso também no PV?

Marina – Sinto. O PV surgiu há cerca de 25 anos, muito pela experiência do (Fernando) Gabeira, do (Alfredo) Sirkis e outras lideranças que ficaram exiladas principalmente na Europa, e de lá trouxeram o movimento dos verdes para o Brasil.

Só que no Brasil a experiência verde europeia foi reelaborada à luz dos desafios de sermos um país em desenvolvimento, em que tínhamos o desafio da proteção dos recursos naturais e, ao mesmo tempo, o desafio da inclusão social.

No Brasil, uma parte muito significativa do PV é identificada com a questão socioambiental. Um outro segmento entrou no partido sem a compreensão programática, mas hoje estamos trabalhando nisso, para que o partido tenha um crescimento significativo, em termos programáticos.

O que é preciso para isso? Qual a importância dessa ala não-programática?

Não diria que é uma ala. São segmentos que entram por simpatia pelo partido, na busca de uma participação na política institucional, mas isso tem que ter um investimento em termos de formação.

Como a senhora vai se posicionar no segundo turno?

Priorizarmos aspectos importantes para apresentar aos dois candidatos, cerca de dez propostas que dizem respeito à sustentabilidade, à priorização na área social, à gestão pública e à ética. Estamos aguardando a manifestação deles no sentido de internalizar ou não essas propostas no seu programa de governo, e em cima desse processo vamos agora para discussão no dia 17, quando o partido anunciará a sua decisão e eu também anunciarei a minha.

Teremos três opções: apoiar uma ou outra candidatura ou uma posição independente, apelando para que cada eleitor tenha uma decisão consciente com o seu próprio voto.

O modelo de desenvolvimento que vem sendo adotado no governo Lula nos últimos anos é sustentável?

O modelo de desenvolvimento em nenhum lugar do mundo é sustentável. Todos os países ricos ou pobres estão diante do desafio de fazer a transição da forma predatória de desenvolvimento para a sustentável.

No governo do presidente Lula, no governo do presidente Fernando Henrique, os partidos tradicionais não conseguiram alcançar o desafio deste início de século, que é de integrar numa mesma equação economia e ecologia.

Que indicações a senhoras tem de que a Dilma Rousseff poderia adotar esse modelo de desenvolvimento sustentável?

A ministra Dilma e o governador Serra são muitos parecidos. Ambos têm uma visão desenvolvimentista, ‘crescimentista’, são pessoas com perfil gerencial. Cada vez mais o mundo vai precisar de quem tenha visão nova de desenvolvimento, que seja capaz de integrar as diferentes dimensões do fazer humano, que não fique preso a uma lógica puramente pragmática, racionalista.

A senhora conhece alguma ação de José Serra no campo da sustentabilidade que seja digna de nota?

Os esforços que vêm sendo feitos ainda são muito periféricos. Não é uma questão de ter um ministério ou secretaria do meio-ambiente fazendo algumas coisas interessantes nessa área. É como a questão da proteção dos ativos ambientais perpassa o agir de todos os setores do governo.

A senhora é evangélica, mas durante a campanha não usou isso para pedir o voto dos evangélicos. No fim da campanha, o tema do peso do voto evangélico veio à tona. O que a senhora achou disso?

Sou evangélica, fui católica durante 37 anos e sempre vi que os cristãos têm uma contribuição a dar à sociedade, em todos os sentidos.

As pessoas que votaram em mim e que são cristãs evangélicas, católicas, seguem outras crenças ou não têm fé votaram também em função da minha trajetória. Ainda que haja identidade com os cristãos evangélicos, o que para mim é motivo de alegria.

Mas as pessoas sabiam que estavam votando em alguém que prima pelo respeito ao estado laico.

Alguns analistas criticaram a entrada do tema religioso na campanha, dizendo que ele fez com que o processo político regredisse no país.

Somos um país onde mais de 90% das pessoas creem em Deus, e esse é um dado de realidade que não se pode negar. No entanto, precisamos ter a sabedoria de não importar conflitos religiosos que existem em outros países para o Brasil, onde temos cultura de respeito pela diferença e pela diversidade. Mas o respeito pela diferença e pela diversidade pressupõe o direito daqueles que são evangélicos ou católicos de afirmarem os seus pontos de vista.

A senhora acha que os eleitores devem estar atentos ao tema do aborto?

As demandas surgem porque a sociedade já está atenta. Teremos que debater a questão no mérito, e não no rótulo. Para mim, a defesa da vida é um princípio, e vejo que não só os que creem têm esse princípio.

Temos que diminuir o número de abortos no Brasil, dando a informação para as mães que muitas vezes pagam o preço muito alto, sequelas de saúde, emocionais…

E como lidar com uma mulher que fez aborto? Ela deve ser punida?

É claro que uma mulher que fez o aborto não gostou de ter feito. Precisa de ser acolhida na sua angústia, na sua dor, na sua culpa.

O Brasil está de fato aumentando sua importância no mundo?

O Brasil tem cumprido um papel importante, de liderança dentro do G20, G77. Na questão ambiental, o Brasil levou uma posição muito avançada para Copenhague, embora seja um país em desenvolvimento. Mas não se pode ver isso como algo estabelecido e conquistado, é um processo.

O papel que vejo para o Brasil é ser um país em desenvolvimento que busca novo modelo de desenvolvimento.

Data: 15/10/2010 08:30:22
Fonte: BBC Brasil