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A unidade que está nos destruindo

 

A.W. Tozer

Quando unir-se e quando dividir-se, eis a questão, e uma resposta abalizada exige a sabedoria de um Salomão.

Alguns resolvem o problema de maneira simples e prática: Toda união é boa e toda divisão é má. Muito fácil. Mas esta maneira simplista de tratar do assunto ignora as lições de história e se esquece das profundas leis espirituais que regem a vida do homem.

Se os homens bons desejassem a união e os maus a divisão. ou vice-versa, isso simplificaria as coisas para nós. Ou se pudesse ser mostrado que Deus sempre une e o diabo sempre divide, seria fácil encontrar nosso caminho neste mundo confuso. Mas as coisas não  são   assim.

Dividir o que deve ser dividido e unir o que deve ser unido faz parte da sabedoria. A união de elementos heterogêneos jamais é boa mesmo que possível, nem a divisão arbitrária de elementos semelhantes. Isto se aplica certamente tanto às coisas morais e religiosas, como às políticas e científicas.

Deus foi quem fez a primeira divisão, quando separou a luz das trevas no momento da criação. Esta divisão estabeleceu a regra para todo o comportamento divino na natureza e na graça. A luz e as trevas são incompatíveis. Tentar ter ambas no mesmo lugar ao mesmo tempo é tentar o impossível e o resultado será sempre nulo, nem uma nem outra, mas obscuridade e escuridão.

No mundo dos homens, atualmente são poucos os contornos que se destacam. A raça acha-se decaída. O pecado trouxe confusão. O trigo cresce junto com o joio, as ovelhas e os cabritos coexistem, as terras dos justos e injustos ficam lado a lado na paisagem, a missão tem o bordel como vizinho.

As coisas, porém, não serão sempre assim. Está chegando a hora em que as ovelhas serão separadas dos cabritos, o joio do trigo. Deus dividirá novamente a luz das trevas e todas as coisas se agruparão segundo a sua espécie, O joio irá para o fogo junto com o joio, e o trigo para o celeiro com o trigo. A névoa se levantará como acontece com a neblina e todos os contornos surgirão nítidos. O inferno será sempre reconhecido como inferno e o céu irá revelar-se como o lar de todos os  que possuem  a natureza do  Deus  único.

Aguardamos com paciência essa hora. Enquanto isso, para cada um de nós e para a igreja onde quer que apareça na sociedade humana, a pergunta repetida deve ser: Com o que devemos unir-nos e do que separar-nos? A questão de coexistência não existe aqui. O trigo cresce no mesmo campo com o joio, mas deve haver polinização mútua entre eles? As ovelhas pastam junto aos cabritos, mas devem procurar cruzamento entre as espécies? Os injustos e os justos gozam da mesma chuva e do mesmo sol, mas devem esquecer suas profundas diferenças morais e casar-se?

A resposta popular a estas perguntas é afirmativa. Unir-se sempre e os homens serão irmãos apesar de tudo. A unidade é tão preciosa que preço algum é demasiado para alcançá-la e nada é suficientemente importante para manter-nos separados. A verdade é sufocada para celebrar a festa de casamento do céu e do inferno, e tudo isso a fim de apoiar um conceito de unidade que não se baseia na Palavra de Deus.

A igreja iluminada pelo Espírito não aceita isso. Num mundo caído como o nosso a unidade não é um tesouro que deva ser comprado ao preço da transigência. A lealdade a Deus, a fidelidade à verdade e à preservação de uma boa consciência são jóias mais preciosas do que o ouro de Ofir ou os diamantes extraídos da mina. Por causa dessas jóias homens sofreram a perda de propriedades, a prisão e até a morte; por elas, mesmo em épocas recentes, por trás das várias cortinas, os seguidores de Cristo pagaram até o último centavo o preço de sua devoção e morreram silenciosamente, desconhecidos e não aplaudidos pelo grande mundo, mas conhecidos de Deus e caros ao seu coração paterno. No dia em que forem declarados os segredos de todas as almas, eles irão apresentar-se para receber as obras feitas no corpo. Esses são certamente filósofos mais sábios do que os seguidores religiosos da unidade sem significado, que não possuem coragem suficiente para colocar-se contra as modas correntes e que clamam por irmandade só porque tal coisa acha-se no momento em foco.

"Divida e conquiste" é o refrão cínico dos líderes políticos maquiavélicos, mas Satanás sabe também como unir e conquistar. A fim de colocar uma nação de joelhos o ditador em potencial precisa primeiro uni-la. Através de apelos repetidos ao orgulho nacional ou à necessidade de vingar-se de alguma injustiça passada ou presente, o demagogo consegue unir a população à sua volta. Depois disso é fácil dominar os militares e submeter o legislativo. Segue-se então, na verdade, uma unidade quase perfeita, mas trata-se da unidade do curral ou do campo de concentração. Vimos isto acontecer várias vezes neste século, e o mundo irá vê-la uma vez mais quando as nações da terra se unirem sob o Anticristo.

Quando as ovelhas confusas começam a cair num despenhadeiro, a ovelha que quiser salvar-se individualmente precisa separar-se do rebanho. A unidade perfeita em tal momento só pode significar destruição total para todos. A ovelha sábia, para salvar sua própria pele, se afasta.

O poder se encontra na união de coisas homogêneas e na divisão das heterogêneas. Talvez aquilo que precisamos nos círculos religiosos de hoje não seja mais união, mas uma certa divisão sábia e corajosa. Todos desejam a paz, mas pode ser que o reavivamento use a espada.

Fonte: Josemar Bessa

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Santos vende Neymar para o Barcelona

 

Presidente santista conduz negociação e gera rompimento do jogador com empresário

03 de setembro de 2011 | 18h 21

 

Luís Augusto Monaco – Estadão

SÃO PAULO – Neymar é do Barcelona. O Santos assinou contrato com o clube espanhol, que tem como Lionel Messi seu principal jogador. Pelo documento, o atacante se apresenta em janeiro de 2013. O Santos tomou frente nesta transação sem consultar o empresário do atleta, Wagner Ribeiro, e convenceu o jogador e seu pai a se juntarem a ele. Neymar agora só precisa acertar seu salário com o clube catalão.

 

Neymar treina em Londres com a camisa da seleção - Divulgação

Divulgação

Neymar treina em Londres com a camisa da seleção

O Santos vai embolsar bem mais do que os 45 milhões de euros (R$ 104,8 milhões) estipulados na multa rescisória. O Santos, por meio de seu presidente, Luís Álvaro, conduziu toda a negociação com os dirigentes do Barcelona, que estiveram no Brasil somente para isso. O valor negociado é de 60 milhões de euros (R$ 139,8 milhões).

E como não bastasse a inveja provocada pelas seguidas conquistas do Barcelona na Europa, a diretoria do Real Madrid também tomou chapéu e terá de engolir a humilhação de ter sido passada para trás pelo maior rival. O craque santista, cuja chegada ao Santiago Bernabéu em 2012 era dada como certa, vai se juntar a Messi e companhia no Camp Nou.

Quem também se valeu indiretamente do negócio assinado pelo Santos foi a Nike, parceira de Neymar e também do Barcelona – o Real Madrid tem acordo com a Adidas.

A reviravolta, que foi costurada pelas diretorias de Santos e Barcelona, não atingiu apenas o clube merengue. Também provocou o rompimento entre o atacante e Wagner Ribeiro, que era seu empresário há quase sete anos. Wagner, que tem bom relacionamento com o presidente Florentino Perez desde que Robinho foi para o Real em 2005, queria ver Neymar na capital da Espanha.

Além disso, ele entrou em conflito com a cúpula do Barça durante a Copa América por achar que o clube catalão estava mais interessado em torpedear a ida do garoto para o rival do que em contratá-lo. Diante do novo quadro, comunicou esta semana ao pai do garoto que era melhor cada um seguir o seu caminho. Wagner não negocia mais por Neymar.

Depois do amistoso que o Brasil disputou em Stuttgart, contra a Alemanha, em agosto, o agente e o pai de Neymar passaram alguns dias em Madri e deixaram acertado com Florentino que o jogador se incorporaria ao elenco depois da Olimpíada de Londres. Ficou acertado que Neymar receberia 5 milhões de euros pelo contrato. E ficaria com 100% do montante que entra de seus patrocinadores antigos. Para os novos patrocinadores, os valores seriam divididos em partes iguais entre ele e o clube madrilenho. No Santos, Neymar recebe salário de R$ 1,3 milhões, sendo que fica com 70% de seus patrocinadores – o Santos fica com os outros 30%.

Ocorre que o Barcelona entrou na jogada e colocou por terra tudo o que havia sido apalavrado com o empresário do jogador e o Real Madrid. Pelo acordo, o Barça também se compromete a vir ao Brasil ano que vem para enfrentar o Peixe num amistoso que fará parte das celebrações de seu centenário.

Machados feitos de pedra têm 1,8 milhão de anos

 

folha.com

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

Os instrumentos de pedra que você vê abaixo são os mais antigos exemplares de uma tecnologia avançada feita por mãos humanas –os iPhones do Paleolítico Inferior, digamos. E a invenção deles acaba de recuar quase 400 mil anos no tempo.

A conclusão está em artigo na revista "Nature" desta semana. A equipe liderada por Christopher Lepre, da Universidade Columbia (EUA), determinou que os "machados de mão" (como é conhecido esse tipo de ferramenta) encontrados perto do lago Turkana, no Quênia, têm quase 1,8 milhão de anos.

A data bate à perfeição com a origem africana do Homo erectus, o primeiro ancestral da humanidade com cérebro avantajado (em torno de dois terços do tamanho do órgão em pessoas de hoje).

Pode ser, portanto, que os machados de mão sejam a assinatura tecnológica das capacidades mentais ampliadas da linhagem humana nesse período distante.

Os dados anteriores indicavam que a tecnologia dos machados só tinha surgido há cerca de 1,4 milhão de anos, o que fazia menos sentido diante da história evolutiva dos hominídeos na área.

Arte

MISTÉRIOS

Ainda assim, alguns mistérios permanecem, a começar pela utilidade dos instrumentos. Arqueólogos chegaram a criar suas próprias réplicas dos machados e, em experimentos, mostraram que eles seriam ótimos para cortar carne e abrir ossos de animais em busca do tutano, excelente fonte de calorias.

No entanto, apesar da abundância de exemplares da tecnologia, há poucos casos de marcas de uso efetivo das ferramentas. De quebra, a arte de produzir machados de mão pouco mudou ao longo dos centenas de milhares de anos em que foi praticada.

Para alguns pesquisadores, isso sugere que as ferramentas não eram produzidas para propósitos práticos, mas serviam como uma exibição de destreza para seus criadores –algo como uma cauda de pavão para hominídeos, por assim dizer.

Seja como for, o certo é que, na própria região do lago Turkana, os machados eram produzidos lado a lado com instrumentos mais toscos, os da chamada cultura olduvaiense, que vão pouco além de seixos com uma superfície cortante artificial.

Para Christopher Lepre e seus colegas, isso pode indicar que mais de uma espécie de hominídeo, cada uma delas com sua própria tecnologia característica, teria compartilhado as margens do lago queniano na época.

A tecnologia dos machados depois se espalhou por todas as áreas do mundo habitadas por hominídeos, chegando a locais tão distantes quanto Reino Unido e China. No entanto, nos mais antigos registros da presença do Homo erectus fora da África, ela não está presente –fato que ainda precisa ser explicado.