Pelo menos cinco pessoas morreram neste sábado (17) no país.
Protestos eram contra as charges publicadas pelo jornal ‘Charlie Hebdo’.


Igrejas cristãs brasileiras estão entre as 45 instituições incendiadas no sábado em Niamey, capital do Níger, durante as manifestações contra as charges que mostram o profeta Maomé publicadas pela revista satírica francesa ‘Charlie Hebdo’.
Duas casas da Igreja Presbiteriana Viva foram incendiadas, segundo confirmou a sede da igreja no Brasil, e os 30 pastores estão bem. Segundo a assessoria de imprensa da Viva, militantes estavam tentando entrar na instituição de sexta-feira.
No total, ’45 igrejas, cinco hotéis, 36 bares, um orfanato e uma escola cristã foram saqueados antes de serem incendiados’, disse Adily Toro, porta-voz da polícia, em uma coletiva de imprensa, segundo noticiou a agência France presse. Um balanço anterior havia informado sete igrejas destruídas.
Nas manifestações morreram cinco pessoas e 128 ficaram feridas, acrescentou o porta-voz, que informou sobre 189 detidos.
Entre os feridos figuram 94 membros das forças de segurança e 34 manifestantes, e entre os detidos há dois menores, indicou Toro.
‘A bandeira francesa foi queimada durante esta manifestação contra a Charlie Hebdo em Niamey’, acrescentou o porta-voz.
As manifestações de sábado e domingo em Niamey, onde foram vistos cartazes do Boko Haram, foram similares em Zinder, a segunda cidade do país, explicou o porta-voz.
No domingo, 300 pessoas, respondendo a uma convocação da oposição, protestaram na capital, apesar da proibição do governo.
O governador de Niamey, Hamidou Garba, anunciou no domingo a detenção de 90 pessoas. Segundo a imprensa local, entre os detidos há líderes opositores.
Nas manifestações contra a Charlie Hebdo na sexta-feira em Zinder morreram cinco pessoas e 45 ficaram feridas, e o centro cultural frango-nigerino da cidade foi incendiado, assim como várias igrejas.
O papa Francisco comentou sobre os recentes ataques à revista satírica francesa Charlie Hebdo, em Paris, defendendo o direito de expressão, mas afirmando que não se devemos provocar uns aos outros insultando a fé alheia. Para ilustrar sua opinião sobre o assunto, o líder católico afirmou que seu assistente poderia esperar um soco caso ele xingasse sua mãe.– É verdade que não se pode agir violentamente. Mas se o dr. Gasbarri (auxiliar do papa), um grande amigo, falar alguma coisa ruim sobre a minha mãe, ele pode esperar um soco.
– É normal. Você não pode provocar, não pode insultar a fé dos outros – completou o pontífice.
O comentário do papa Francisco, de que daria um ”soco” em quem ofendesse a sua mãe, aconteceu em uma conversa com jornalistas no avião papal em uma viagem a caminho das Filipinas. A afirmação do líder católico provocou polêmica entre religiosos e ateus, e abriu um debate na Itália sobre uma possível justificativa ao ataque terrorista.
– O papa expressou a impossibilidade neste século de dar a outra face e respeitar o desejo evangélico de amar o próprio inimigo – comentou o ateu Massimo Cacciari, ex-prefeito de Veneza.
– O papa buscou o efeito humano, talvez tenha sido demasiado humano – declarou a página católica na Internet, Vatican Insider.
Segundo o site O Povo, fontes no Vaticano comentaram que a ideia do soco foi usada como exemplo em “tom coloquial” para explicar a complexidade do problema.
