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Santos vende Neymar para o Barcelona

 

Presidente santista conduz negociação e gera rompimento do jogador com empresário

03 de setembro de 2011 | 18h 21

 

Luís Augusto Monaco – Estadão

SÃO PAULO – Neymar é do Barcelona. O Santos assinou contrato com o clube espanhol, que tem como Lionel Messi seu principal jogador. Pelo documento, o atacante se apresenta em janeiro de 2013. O Santos tomou frente nesta transação sem consultar o empresário do atleta, Wagner Ribeiro, e convenceu o jogador e seu pai a se juntarem a ele. Neymar agora só precisa acertar seu salário com o clube catalão.

 

Neymar treina em Londres com a camisa da seleção - Divulgação

Divulgação

Neymar treina em Londres com a camisa da seleção

O Santos vai embolsar bem mais do que os 45 milhões de euros (R$ 104,8 milhões) estipulados na multa rescisória. O Santos, por meio de seu presidente, Luís Álvaro, conduziu toda a negociação com os dirigentes do Barcelona, que estiveram no Brasil somente para isso. O valor negociado é de 60 milhões de euros (R$ 139,8 milhões).

E como não bastasse a inveja provocada pelas seguidas conquistas do Barcelona na Europa, a diretoria do Real Madrid também tomou chapéu e terá de engolir a humilhação de ter sido passada para trás pelo maior rival. O craque santista, cuja chegada ao Santiago Bernabéu em 2012 era dada como certa, vai se juntar a Messi e companhia no Camp Nou.

Quem também se valeu indiretamente do negócio assinado pelo Santos foi a Nike, parceira de Neymar e também do Barcelona – o Real Madrid tem acordo com a Adidas.

A reviravolta, que foi costurada pelas diretorias de Santos e Barcelona, não atingiu apenas o clube merengue. Também provocou o rompimento entre o atacante e Wagner Ribeiro, que era seu empresário há quase sete anos. Wagner, que tem bom relacionamento com o presidente Florentino Perez desde que Robinho foi para o Real em 2005, queria ver Neymar na capital da Espanha.

Além disso, ele entrou em conflito com a cúpula do Barça durante a Copa América por achar que o clube catalão estava mais interessado em torpedear a ida do garoto para o rival do que em contratá-lo. Diante do novo quadro, comunicou esta semana ao pai do garoto que era melhor cada um seguir o seu caminho. Wagner não negocia mais por Neymar.

Depois do amistoso que o Brasil disputou em Stuttgart, contra a Alemanha, em agosto, o agente e o pai de Neymar passaram alguns dias em Madri e deixaram acertado com Florentino que o jogador se incorporaria ao elenco depois da Olimpíada de Londres. Ficou acertado que Neymar receberia 5 milhões de euros pelo contrato. E ficaria com 100% do montante que entra de seus patrocinadores antigos. Para os novos patrocinadores, os valores seriam divididos em partes iguais entre ele e o clube madrilenho. No Santos, Neymar recebe salário de R$ 1,3 milhões, sendo que fica com 70% de seus patrocinadores – o Santos fica com os outros 30%.

Ocorre que o Barcelona entrou na jogada e colocou por terra tudo o que havia sido apalavrado com o empresário do jogador e o Real Madrid. Pelo acordo, o Barça também se compromete a vir ao Brasil ano que vem para enfrentar o Peixe num amistoso que fará parte das celebrações de seu centenário.

Machados feitos de pedra têm 1,8 milhão de anos

 

folha.com

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

Os instrumentos de pedra que você vê abaixo são os mais antigos exemplares de uma tecnologia avançada feita por mãos humanas –os iPhones do Paleolítico Inferior, digamos. E a invenção deles acaba de recuar quase 400 mil anos no tempo.

A conclusão está em artigo na revista "Nature" desta semana. A equipe liderada por Christopher Lepre, da Universidade Columbia (EUA), determinou que os "machados de mão" (como é conhecido esse tipo de ferramenta) encontrados perto do lago Turkana, no Quênia, têm quase 1,8 milhão de anos.

A data bate à perfeição com a origem africana do Homo erectus, o primeiro ancestral da humanidade com cérebro avantajado (em torno de dois terços do tamanho do órgão em pessoas de hoje).

Pode ser, portanto, que os machados de mão sejam a assinatura tecnológica das capacidades mentais ampliadas da linhagem humana nesse período distante.

Os dados anteriores indicavam que a tecnologia dos machados só tinha surgido há cerca de 1,4 milhão de anos, o que fazia menos sentido diante da história evolutiva dos hominídeos na área.

Arte

MISTÉRIOS

Ainda assim, alguns mistérios permanecem, a começar pela utilidade dos instrumentos. Arqueólogos chegaram a criar suas próprias réplicas dos machados e, em experimentos, mostraram que eles seriam ótimos para cortar carne e abrir ossos de animais em busca do tutano, excelente fonte de calorias.

No entanto, apesar da abundância de exemplares da tecnologia, há poucos casos de marcas de uso efetivo das ferramentas. De quebra, a arte de produzir machados de mão pouco mudou ao longo dos centenas de milhares de anos em que foi praticada.

Para alguns pesquisadores, isso sugere que as ferramentas não eram produzidas para propósitos práticos, mas serviam como uma exibição de destreza para seus criadores –algo como uma cauda de pavão para hominídeos, por assim dizer.

Seja como for, o certo é que, na própria região do lago Turkana, os machados eram produzidos lado a lado com instrumentos mais toscos, os da chamada cultura olduvaiense, que vão pouco além de seixos com uma superfície cortante artificial.

Para Christopher Lepre e seus colegas, isso pode indicar que mais de uma espécie de hominídeo, cada uma delas com sua própria tecnologia característica, teria compartilhado as margens do lago queniano na época.

A tecnologia dos machados depois se espalhou por todas as áreas do mundo habitadas por hominídeos, chegando a locais tão distantes quanto Reino Unido e China. No entanto, nos mais antigos registros da presença do Homo erectus fora da África, ela não está presente –fato que ainda precisa ser explicado.

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Antigas catedrais abrigam hotéis, livrarias e até discotecas na Europa

 

Na República Tcheca, a igreja do século 13 virou um spa no começo do terceiro milênio. Em uma esquina em Londres, o velho templo anglicano virou um moderníssimo estúdio musical.

Marcos Losekann Maastricht, Holanda

veja o vídeo – http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/09/antigas-catedrais-abrigam-hoteis-livrarias-e-ate-discotecas-na-europa.html

Igrejas de 200 anos e até mais antigas estão fechando as portas na Europa. Os edifícios, cheios de tradição, estão sendo ocupados por livrarias, estúdios de música e até boates.

Por fora, as igrejas são maravilhas arquitetônicas. Por dentro, majestosas obras de arte. São igrejas na essência, mas também prédios que se tornam alvos da cobiça imobiliária.

Nos últimos dez anos, 200 templos, em média por mês, fecharam as portas em toda Europa. As fachadas são conservadas, mas no coração das velhas igrejas batem os martelos da modernidade. Os templos são convertidos em condomínios de apartamentos, discotecas e hotéis.

Na República Tcheca, a igreja do século 13 virou um spa no começo do terceiro milênio. A gerente diz que os quartos estão sempre lotados. Para ela, é um santo negócio.

A prefeitura de Maastricht, no sul da Holanda, também acha que foi abençoada quando herdou a velha catedral em uma das áreas mais nobres da cidade. Hoje, é uma livraria frequentada por 800 mil pessoas por ano.

O prédio da livraria perdeu sua vocação eclesiástica em 1796. Ficou um tempão abandonado, virou um estábulo municipal, um depósito de bicicletas e, por fim, um salão de festas. Depois de outro período de abandono, a velha igreja de Maastricht foi comprada por um empresário holandês, que decidiu transformá-la em um templo de conhecimento e cultura.

Na Grã-Bretanha, onde o número de igrejas caiu de 55 mil para 40 mil na última década, o reaproveitamento é variado. Em uma esquina em Londres, um velho templo anglicano virou um moderníssimo estúdio musical. Hoje é um santuário do som, considerado pelos papas da música um dos melhores do mundo em termos de acústica.

Mas o que os sacerdotes acham disso? “É o triste sinal dos tempos”, diz o padre Jeremy, responsável por uma pequena paróquia no norte de Londres. “As pessoas até acreditam em Deus ainda, mas acham que não precisam mais ir à igreja. Esquecem o verdadeiro sentido de comunidade”.

Polêmico, o assunto ganha espaço na imprensa britânica que de um modo geral bota a maior fé nesse tipo de solução. Alguns editoriais defendem que pecado, mesmo, seria botar esses belos prédios no chão.