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Lei obriga bibliotecas do RJ a ter a Bíblia em seu acervo

 

Desde segunda-feira, 4, todas as bibliotecas do Rio de Janeiro deverão ter em seu acervo pelo menos um exemplar da Bíblia.

O Diário Oficial do estado publicou a sanção governamental à lei 5.998/11, de autoria do deputado Edson Albertassi, do PMDB. Em caso de descumprimento, a multa será de mil Ufirs-RJ (unidades fiscais de referência do estado do Rio), o que equivale a 2.130 reais. Se houver reincidência, o valor dobra.

A explicação do deputado estadual Albertassi para determinar que as cerca de três mil bibliotecas do Rio tenham a Bíblia entre os seus livros está no conteúdo. “A intenção é que as novas gerações conheçam a Bíblia. Ela proporciona a formação de caráter com nível de excelência”, diz o deputado. O deputado, evangélico, é diácono da Igreja Assembléia de Deus da Vila Mury, em Volta Redonda. “O Brasil é um país cristão, e a Bíblia valoriza a família e os princípios de uma sociedade mais justa”, explica.

Para o coordenador-geral do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), Danilo Serafim, o estado laico acaba de dar um passo para trás. “Nossa posição é de que isso é uma imposição e um absurdo. No momento em que falta tanto livro didático, obrigar as bibliotecas a ter a Bíblia é um retrocesso. Separar a religião do estado foi uma conquista histórica para o Brasil, com tamanha diversidade cultural e religiosa”, afirma.

A professora da UERJ Miriam Paura, do setor de educação, não é contra a obrigatoriedade por se tratar de um livro universal, que, segundo ela, deve estar disponível aos alunos. Mas faz uma ressalva: ninguém tem que ser obrigado a lê-lo. “Vamos dar a oportunidade para que todos tenham conhecimento sobre o livro. Falo mais em relação à questão histórica presente na Bíblia. A leitura, no entanto, não pode ser obrigatória”, explica.

A secretaria estadual de Educação disse que só se pronunciará depois analisar detalhadamente e lei e sua regulamentação.

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A Peregrinação à Kaaba: quinto pilar do Islam

 

Por: Sami Isbelle, em 05/07/2011 às 18:32 – G1

Depois de analisarmos os 6 pilares da crença islâmica, hoje estamos concluindo a abordagem dos 5 pilares da religião, conforme prometemos no primeiro post deste blog. Esses pilares resumem o que é o Islam, mas se Deus quiser continuaremos postando textos com temas relacionados à nossa religião e aos muçulmanos.

Este quinto pilar consiste em empreender a peregrinação à Kaaba, localizada na mesquita Al Haram, na cidade de Makka, na Arábia Saudita, pelo menos uma vez na vida. Mas o cumprimento desta adoração somente é obrigatório para o(a) muçulmano(a) que tenha atingido a puberdade, goze de plena condição de saúde física e mental, e tenha possibilidades financeiras de realizar tal viagem. Aquelas pessoas que não preencherem esses requisitos
estão isentas desta obrigação.

Quando o muçulmano realiza esta peregrinação, ele está relembrando os rituais praticados pelos profetas Abraão e seu filho Ismael (que a bênção e a paz de Deus estejam sobre eles). Deus, o Altíssimo, incumbiu ambos de erguerem os pilares da Kaaba, que consideramos ter sido o primeiro local onde se adorou a Deus, quando Adão e Eva, após descerem do paraíso, ali fizeram as suas orações. Com o passar do tempo foram perdidos os vestígios da localização exata, então Deus informou a Abraão (que a benção e paz de Deus estejam sobre ele) que enviaria uma pedra do céu para indicar o local de
sua construção. Assim foi feito, e essa pedra encontra-se até hoje posicionada em uma das quinas da Kaaba.

A peregrinação pode ser considerada como o maior congresso anual de paz no mundo, pois para que ela seja aceita por Deus o muçulmano não pode causar nenhum tipo de dano à natureza – como matar plantas ou animais que não sejam para o consumo ou que impliquem em perigo para o ser humano – nem às pessoas que o cercam, sendo vedado discutir, brigar, ofender, etc. Logo, ali se pratica a paz da forma mais plena e abrangente possível, onde se encontram muçulmanos das mais variadas partes do mundo, de diferentes cores, etnias, status social, culturas, idiomas, costumes, níveis de educação, todos com um único objetivo: adorar a Deus.

Os muçulmanos não idolatram a Kaaba. Ela é apenas uma construção cúbica, que não possui nenhuma santidade ou sacralidade, não beneficia nem prejudica ninguém, sendo tão somente a indicação do local para onde todos os muçulmanos do mundo se dirigem em suas orações diárias. Os principais rituais da peregrinação, todos praticados em Makka e em locais próximos, são:

• Circundar a Kaaba no sentido anti-horário sete vezes;
• Percorrer a distância entre os montes de Al Safa e Al Maruá por sete vezes, relembrando o ato de Agar, esposa do profeta Abraão, ao procurar água para o seu filho Ismael (que a bênção e a paz de Deus estejam sobre eles) naqueles locais, onde surgiu neste episódio o poço de Zamzam, que jorra água ininterruptamente até os dias de hoje;
• Arremessar sete pedras pequenas em três pontos distintos, devidamente demarcados, na cidade de Mina, simbolizando o ato realizado pelo profeta Abraão quando foi sacrificar o seu filho Ismael (que a bênção e a paz de Deus estejam sobre eles) seguindo a determinação de Deus. Satanás então apareceu para ele nesses três pontos, tentando dissuadilo de seguir adiante para não obedecer a ordem de Deus, e o profeta Abraão (que a bênção e a paz de Deus esteja sobre ele) reagiu atirando sete pedras pequenas nele, fazendo com que sumisse.

Durante a peregrinação todos os muçulmanos se vestem de forma semelhante, com apenas dois pedaços de pano: um cobrindo da cintura para baixo e outro envolvendo a parte de cima. Desse modo fica evidente que somos todos iguais, ou seja, não somos superiores devido à nossa riqueza, beleza, poder, nível intelectual ou cor. O que irá nos diferenciar diante do nosso Criador é a temência: quem for mais temente a Deus e coerente na prática do Islam, será o melhor perante Ele.

Em Arafat, que é o único local onde todos os peregrinos ficam juntos no mesmo ponto, é o momento em que temos uma ideia de como será o Dia do Juízo Final, onde estarão todos os humanos reunidos aguardando o julgamento. Assim, nós aproveitamos a parada em Arafat para fazer uma autoanálise da nossa vida, verificando se estamos sendo coerentes com os ensinamentos do Islam e quais aspectos em que podemos nos aperfeiçoar. Afinal, é melhor nos autoavaliarmos aqui, enquanto temos a oportunidade de evoluir, do que aguardarmos estagnados a avaliação no Dia do Juízo Final. Além disso, aproveitamos esses preciosos instantes em Arafat para intensificar as nossas súplicas a Deus, o Altíssimo, pedindo perdão pelo que cometemos de errado.

Sami Isbelle é o autor dos livros "Islam: a sua crença e a sua prática" e "O Estado islâmico e a sua organização" e diretor do departamento educacional e de divulgação da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ – http://www.sbmrj.org.br/).

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A doutrina do Santo Daime

 

Por: Claudio José Miranda, em 05/07/2011 às 19:03

A Doutrina do Santo Daime é, junto com a Umbanda, a segunda religião autenticamente brasileira. Ela nasceu na década de 30, no estado do Acre, a partir de uma revelação recebida por um negro maranhense chamado Irineu Raimundo Serra, depois conhecido como Mestre Irineu. No inicio da década de 30, ele foi iniciado no uso da milenar planta peruana oaska, onde teve uma visão espiritual de uma entidade feminina que se apresentou como a Virgem da Conceição. Ela, então, lhe transmitiu os primeiros hinos da Doutrina e como deveria ser o ritual em que seria usada a planta. Esta, na verdade, é um chá feito com o cozimento de dois vegetais amazônicos: o cipó jagube (a força masculina) e o arbusto rainha (a força feminina).

 

O nome Daime vem das invocações "dai-me luz" ou "daí-me amor", usados pelos participantes do ritual.

Após a passagem de Mestre Irineimageu, em 1971, a liderança da Doutrina ficou com um de seus principais discípulos, o amazonense Padrinho Sebastião, que deu início à expansão para além do Acre, chegando a outras partes do Brasil e, inclusive, a outros países.

Com o falecimento de Padrinho Sebastião, em 1990, a direção da Doutrina ficou com um de seus filhos, o Padrinho Alfredo, que deu continuidade à consolidação e à expansão pelo Brasil e pelo mundo. Atualmente, existem igrejas do Santo Daime em vários lugares da América do Sul, nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Holanda, Espanha, França, Itália e vários outros países.

O Santo Daime é uma doutrina eclética, de fundamentação cristã, cujo objetivo é, através do uso ritual da bebida Santo Daime, alcançar o conhecimento profundo de si mesmo, juntamente com uma comunhão com Deus.

A partir deste ano, A Doutrina do Santo Daime passou a integrar a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), primeiramente porque é, volta e meia, atacada por pessoas que, ignorando o caráter sagrado e natural de seu sacramento – a bebida Santo Daime – erroneamente a consideram uma droga. E, também, por acreditar na importância da união de todas as religiões frente aos ataques das forças negativas que procuram diminuir ou eliminar a importância da espiritualidade na vida das pessoas e no povo brasileiro.

Claudio José Miranda é mestre em Filosofia, professor de Estudos Comparados de Religião e membro da Comissão e Combate à Intolerância Religiosa.

Leia mais artigos em www.eutenhofe.org.br

Editado por Ricardo Rubim.