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Domínio das corporações

Na semana passada, a prova do domínio corporativo do Estado veio na forma de um conchavo entre o Supremo Tribunal Federal e a Presidência da República

Não existe a mais remota dúvida de que as corporações estatais capturaram o Erário brasileiro, transformando o Orçamento público em refém de seus interesses, e dele vivem a extrair rendas adicionais, em prejuízo escancarado dos demais cidadãos e contribuintes. Na semana passada, a prova do domínio corporativo do Estado veio na forma de um conchavo entre o Supremo Tribunal Federal e a Presidência da República. O presidente Michel Temer sancionou, neste tempo de vacas magérrimas, um reajuste salarial de 16,3% para os ministros do STF, que passarão a ganhar 39 300 reais mensais. Estima-se que o presente custará 1,6 bilhão de reais ao ano apenas no âmbito federal. Em troca, o ministro Luiz Fux cassou uma liminar sua que concedia auxílio-moradia de 4 400 reais mensais aos juízes. O corte deve gerar uma economia anual ao governo federal de 450 milhões. Feitas as contas, abriu-se um rombo de mais de 1 bilhão de reais ao ano no cofre da União para premiar os juízes com o aumento de salário.

O caso chama atenção por envolver a alta cúpula — a mais alta cúpula — de dois poderes da República, o Judiciário e o Executivo. Na verdade, são três poderes, pois o reajuste salarial foi aprovado há três semanas pelo voto da maioria do Senado, que, sob o comando do senador Eunício Oliveira (MDB-CE), alegremente entendeu que, diante do descalabro das contas públicas, um rombo a mais ou a menos não faria diferença. Pois, além de envolver a cúpula dos três poderes nacionais, o caso ainda chama atenção pela naturalidade com que transcorreu, como se fosse uma transação da mais absoluta normalidade, coisa corriqueira, quando, na verdade, é um escárnio intolerável.

Qual a receita dos magistrados para arrancar um aumen­to num país em calamidade fiscal e com 12 milhões de desempregados? Primeiro, o ministro Luiz Fux estende o auxílio-moradia a todos os juízes, incluindo aqueles que são donos de imóvel na cidade onde trabalham. Depois, fica-se quatro anos sentado em cima da decisão de Fux, com os juízes recebendo o auxílio-moradia todos os meses, os cofres públicos sangrando, até que se encontre um meio de perpetuar o pagamento do tal auxílio. Por fim, aproveita-se um presidente sob investigação de corrupção, abertamente necessitado dos préstimos da Justiça, e negocia-se com ele a sanção de um aumento de 5 500 reais em troca da revogação do auxílio de 4 400.

E pronto.

Publicado em VEJA de 5 de dezembro de 2018, edição nº 2611
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Mulher mata o namorado, cozinha e serve com arroz a várias pessoas

Metropoles.com
Os dois estavam juntos há 7 anos e foi o irmão da vítima que sentiu sua ausência e chamou a polícia

Um homicídio chocou a cidade de Al Ain, no Marrocos. Uma mulher matou o próprio namorado, cozinhou partes dele e serviu com machboos, um prato típico dos Emirados Árabes que tem o arroz como base. Segundo a imprensa local, os dois estavam juntos há 7 anos e foi o irmão da vítima que sentiu sua ausência e chamou a polícia.

Os policiais foram até a casa da namorada, mas ela disse que tinha colocado o rapaz para fora e não sabia mais onde ele estava. O irmão não aceitou a versão e entrou na residência. Ao olhar para o liquidificador, encontrou um dente. De acordo com o jornal The National, após o DNA, confirmou-se que pertencia ao morto.

A mulher, então, foi presa e confessou o crime. Segundo a autora do assassinato, ela fez isso em um momento de “insanidade”, pois o estava sustentando há anos. Ainda na confissão, ela disse que o arroz foi distribuído para pessoas que trabalhavam perto da casa dela.

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Dilma: PT vai fazer “aliança até com o Diabo” para combater Bolsonaro

Ex-presidente diz que seu partido não sofreu “derrota estratégica”

Dilma RousseffDilma Rousseff em Bueno Aires. (Foto: Reuters)

A ex-presidente Dilma Rousseff participou do Fórum do Pensamento Crítico, em Buenos Aires, Argentina, nesta segunda-feira (19). Em um discurso inflamado, repercutido pela rádio Jovem Pan, ela falou sobre a formação de uma frente de oposição liderada pelo Partido dos Trabalhadores.

“Uma frente democrática, que seja a mais ampla possível. Para sermos capaz de fazer todas as alianças necessárias, com todos os segmentos. A gente fará aliança até com o diabo para combatê-los”, insistiu Dilma na cerimônia de abertura do evento que reuniu dirigentes da esquerda de vários países.

Durante seu discurso ela explicou que tais alianças devem ter como base “corações antiliberais e antiautoritarismo” para combater o que chamou de “neofascismo”. Segundo ela, o governo de Bolsonaro é de extrema-direita, que “tem essa característica de querer moderar os neofascistas que agora chegaram ao poder”.

Insistindo no discurso adotado pelo PT desde a derrota de Fernando Haddad, Dilma criticou o fim do programa Mais Médicos, assinado com Cuba durante o seu primeiro mandato. “Isso significa que milhões de brasileiros não terão acesso ao atendimento básico de saúde. E essa sistemática alteração dos direitos vai provocar uma reação popular”, prevê.

Mesmo não tendo sido eleita para o Senado, ela comentou o resultado das urnas, dizendo que seu partido não sofreu, em nível nacional, “uma derrota estratégica”. “Elegemos a maior bancada no Congresso e o maior número de governadores por partido. Eles dizem de forma clara que querem a nossa destruição. É um método fascista. E também querem destruir as conquistas dos movimentos sociais como os Sem Terra (MST) e os Sem Teto (MTST), dois movimentos que tratam de um grande problema do Brasil: a desigualdade”, assegurou. Com informações do Gospel Prime