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A persistente ameaça da seita Verdade Suprema no Japão

A persistente ameaça da seita Verdade Suprema no Japão

Shoko Asahara (C), o guru da seita Verdade Suprema (Aum Shinrikyo), em foto de 19 de julho de 1995 – JIJI PRESS/AFP/Arquivos

Mais de duas décadas depois de a seita Verdade Suprema (Aum Shinrikyo) ter espalhado o terror no metrô de Tóquio, com gás sarin, os grupos que assumiram sua posição continuam atraindo fiéis.

O guru Shoko Asahara foi condenado à morte, assim como 12 discípulos, pelo atentado que deixou 13 mortos e mais de 6.000 feridos em 20 de março de 1995.

Fundada em 1984 e misturando preceitos budistas e hinduístas com um pano de fundo de visões apocalípticas, a seita Aum ainda existe legalmente em um país com uma longa tradição de fragmentação religiosa.

Foi rebatizada como Alef, primeira letra do alfabeto hebreu e, oficialmente, desvinculou-se do guru anterior no ano 2000. Na realidade, sua influência continua sendo importante, de acordo com o serviço de Inteligência japonês.

Alef “pede insistentemente a seus discípulos que considerem Asahara como um ser supremo”, afirma um investigador que pediu anonimato.

“Se alguém declarar ‘o guru Asahara quer demolir o Japão’, os discípulos passariam à ação”, completa, preocupado com o “perigo potencial” representado pela seita.

Durante operações em locais da seita, foram encontradas gravações com os preceitos do “mestre” e dispositivos de Iniciação para a Salvação Perfeita (Perfect Salvation Initiation). Esse dispositivos são, na realidade, capacetes com eletrodos que emitiriam ondas cerebrais.

– ‘Campo de batalha’ –

Alef e outros grupos dissidentes, que negam qualquer vínculo com Asahara, têm 1.650 membros no Japão e algumas centenas na Rússia.

Ocultando sua verdadeira identidade, a cada ano atraem quase 100 pessoas com a organização de aulas de ioga, de adivinhação e outras atividades anódinas. Os grupos têm como alvos preferenciais os jovens, que não lembram do ataque de 1995.

“As mulheres jovens comparecem a sessões de treinamento com seus filhos”, conta o investigador.

“Nós tememos que um número crescente de crianças esteja sob a influência de Aum”, admite.

Shoko Asahara teve quatro filhas e dois filhos com sua mulher Tomoko. Quase todos são leais, mas uma de suas filhas abandonou a seita em 2006 quando tinha 16 anos e revelou momentos de terror, como a obrigação de se alimentar com comida que continha pedaços de cerâmica, ou permanecer quase nua no frio.

“Era um ambiente impensável em um Japão moderno. Tinha medo de ser morta, se me rebelasse. Estava sempre tensa”, afirmou em um comunicado publicado no ano passado, sem revelar seu nome.

“É como se eu tivesse vivido em um campo de batalha durante 16 anos”, desabafa.

“Espero realmente que nenhuma outra criança cresça nos grupos que sucederam a Aum”, advertiu.

– Novo guru? –

No início de março, Asahara completou 63 anos.

“Não celebramos em nada esta data”, disse à AFP Akitoshi Hirosue, vice-diretor da seita Hikarinowa (O círculo da luz) nas sedes do grupo situado em um bairro tranquilo de Tóquio.

“Além disso, pensamos que Asahara deve ser executado”, frisou.

A Hikarinowa foi criada em 2007, por iniciativa do ex-porta-voz do Aum Fumihiro Joyu, que deseja romper com o passado da seita. O grupo tem entre 100 e 150 membros.

“Enquanto não for executado, Asahara é visto como ‘um salvador eximido da execução’ o que ajuda a Alef a atrair discípulos”, afirmou recentemente Joyu.

Alef não respondeu ao pedido de entrevista da AFP.

Taro Takimoto, um advogado que trabalha com parentes dos discípulos há várias décadas, também é favorável à aplicação da pena capital para o guru, mas não para os outros 12 membros, que considera completamente doutrinados.

“Para eles, Asahara era mais do que um Deus”, disse.

“Deveríamos fazer que falassem (sobre sua experiência) até sua morte de forma natural para impedir que uma tragédia semelhante se repita”, completou.

“Se forem executados, serão transformados em ‘mártires’”, adverte.

A morte do guru encerraria um doloroso capítulo no Japão, mas poderia desencadear uma onda de suicídios entre seus fiéis e provocar a designação de um sucessor, afirma o advogado.

“Se o seu segundo filho, quando estiver em posse das cinzas, se declarar guru, ganhará autoridade religiosa”, o que iniciaria um novo capítulo, alerta.Com informações da Isto é independente

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Após limpar nariz com pano de prato, Ana Maria Braga faz exigência na Globo

  Na última semana, Ana Maria Braga, 68, cometeu uma nova gafe no programa “Mais Você”. Durante uma receita na cozinha do matinal, a apresentadora    se emocionou e acabou limpando o nariz com um pano de prato que estava perto dela.

Sem perceber a gafe da global, o cozinheiro pegou o mesmo artigo logo em seguida para secar um queijo que fazia parte da lista de ingredientes da sua preparação. O mico repercutiu na web e se transformou em vários memes. “O programa ao vivo faz com que a gente viva situações engraçadas, às vezes constrangedoras e até mesmo erradas. Dessa vez foi um erro, mas tenho perdão (risos)”, disse a loira para o site “Notícias da TV”.

Ana Maria se justificou dizendo que ficou sensibilizada com a história de vida do cozinheiro. “Quando percebi não tinha mais tempo pra nada, estava com com o nariz escorrendo e foi a primeira coisa que vi na minha frente. Eu nunca imaginei e também não percebi que o convidado pegou o mesmo pano”, falou ela que fez uma exigência na emissora. “Lamento, mas a partir de agora, pedi para distribuírem muitas caixinhas de lenço pelo cenário, porque realmente sou chorona”, declarou.

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Os desabafos de Cármen Lúcia

Na semana mais conturbada desde que assumiu o STF, a presidente Cármen Lúcia vira alvo de pressões de todos os lados e reage com a simplicidade e a firmeza moral que se exige de quem ocupa o posto mais importante da República no atual momento do País

Rudolfo Lago e Tábata Viapiana

Revista isto é

Na terça-feira 13, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, desembarcou no Aeroporto de Congonhas para um evento em São Paulo. Um táxi a aguardava. Preocupada com o trânsito intenso, ela comentou sobre o risco de não chegar no horário. Sem dar um pio, o motorista enveredou por caminhos alternativos para driblar os congestionamentos. Ao fim, deixou Cármen Lúcia no local combinado e, para seu alívio, a tempo. A presidente do STF agradeceu. “Só fiz porque era a senhora. Se fosse qualquer outra daquelas autoridades de Brasília, ia ficar mofando no engarrafamento”, respondeu ele.

Situações como a vivida com o taxista em São Paulo representam um alento para a presidente do Supremo. Em sua avaliação, o STF nunca esteve sob tanta eletricidade político-jurídica. “Celso de Mello (decano, o ministro mais antigo) e Marco Aurélio Mello (o segundo mais experiente) me disseram, e eu concordo, que nunca na história o STF viveu momento tão tenso”, disse Cármen Lúcia a um interlocutor. Ela, porém, evita se deixar levar pelas inclementes pressões que vem sofrendo, oriundas especialmente daqueles que desejam livrar da cadeia o ex-presidente Lula, condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região a 12 anos de prisão. Esforça-se para sobreviver serena e incólume. Ocorre que, não raro, o presidente de um poder, como o Supremo, precisa falar não apenas nos autos, mas bem alto. Seguindo essa premissa, ela reagiu. Nos últimos dias, fez uma série de desabafos. ISTOÉ recolheu algumas frases ditas por ela em conversas com assessores e pessoas próximas, que resumem como Cármen Lúcia avalia os desafios enfrentados no comando do Poder Judiciário. “São desafios inerentes ao cargo, muito mal compreendidos nesse que é um dos momentos mais complexos da nossa história”, disse ela, numa das conversas.

Na verdade, longe de se contaminar pelas manifestações de apoio, Cármen Lúcia cultiva hoje a impressão de que sua atuação não agrada a ninguém. “Quando eu era professora, achava que um ou outro aluno provavelmente não gostava de mim. Porque era reprovado, porque tinha alguma nota baixa. Como juíza, imaginava que uns 50% não gostavam de mim, porque uns eu condenava e outros absolvia. Aqui na presidência do Supremo, fico com a sensação de que ninguém gosta de mim. Qualquer decisão que eu tome vai agradar e desagradar. Ainda mais num momento como esse”, avaliou em reunião com um de seus auxiliares.

Romaria

A razão principal das pressões sofridas por Cármen Lúcia diz respeito à indecorosa tentativa de revisão da prisão após condenação em segunda instância. Nos últimos dias, uma romaria de políticos – e também de ministros da própria Corte – se dirigiu ao gabinete da presidente do STF. No início da semana, cinco ministros do STF ensaiaram uma união para tentar tirar de Cármen a prerrogativa de recolocar o tema em pauta. Em vão. Na quarta-feira 14, Cármen recebeu um grupo de deputados da oposição. Os parlamentares entregaram a ela um documento assinado por 12 partidos no qual foi solicitada a inclusão do habeas corpus em favor de Lula na agenda do STF. Ao que a ministra jogou a bola para o relator a Lava Jato no STF, Edson Fachin, com quem se encontra hoje o novo pedido de HC do ex-presidente petista. Tudo indica, no entanto, que não irá prosperar. Como também não prosperou o pedido do petista ao TRF-4 de ser notificado por email sobre o julgamento dos embargos de declaração, cinco dias antes do derradeiro julgamento.

Apesar da sucessão de reveses, a banca que defende o ex-presidente Lula exerce marcação cerrada. Na própria quarta-feira 14, o advogado José Paulo Sepúlveda Pertence esteve pessoalmente com Cármen. E, depois, também com Fachin. Para a presidente do Supremo, o encontro é absolutamente normal. Mas a quem deu-lhe ouvidos, na última semana, ela tocou o cerne da questão: “É absolutamente natural que o juiz escute essas alegações para formar o seu juízo. Agora, não se pode levar em conta a eventual importância ou popularidade do réu. As alegações de Lula ou as de qualquer outro preso que eu condenei têm o mesmo peso. São a mesma coisa”, comparou ela, de acordo com seu interlocutor. É a essência do conceito de Justiça cega.

Protocolo

Nesse sentido, ela busca atender a todos da mesma forma. No dia 1º de março, por exemplo, quando a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), plantou-se na antessala de Cármen Lúcia acompanhada de outras dez parlamentares, comunicando que dali não sairia enquanto não fosse recebida, a presidente do STF foi aconselhada por Celso de Mello a não atender a comitiva. “Isso é um desrespeito”, resumiu ele. Cármen Lúcia não seguiu o conselho: “Vou ouvir o que elas querem dizer”, disse ela. De acordo com um assessor, a presidente do STF estabelece regras para impedir que tais conversas extrapolem e gerem maiores constrangimentos. “Aqui, ainda que o interlocutor seja amigo, o tratamento é “senhora”, “ministra”, “presidente”. Tudo segue esse protocolo para que ninguém sinta espaço para extrapolar”, explicou ela depois do encontro.

A presidente do Supremo reúne convicções firmes quanto às razões que a levam a resistir à imensa pressão para colocar na pauta da Corte a mudança do posicionamento que permite a prisão após condenação em segunda instância. Para ela, revisões dessa natureza precisam ser feitas com muito cuidado e parcimônia. Só devem ocorrer quando o pensamento da sociedade acerca de um tema evolui. Mas tal evolução evidentemente não aconteceu com relação a um tema que foi tratado pelo STF num intervalo de apenas um ano e meio. O Supremo já tratou da prisão após condenação em segunda instância três vezes. A última em outubro de 2016. Para Cármen Lúcia, uma eventual alteração de postura agora não derivaria da evolução do pensamento da sociedade. Mas somente porque o personagem central é um ex-presidente da República de um partido político de expressão.

REGIMENTO CUMPRIDO Segundo o TRF-4, Lula terá que consultar sistema “e-proc” dois dias antes da data do derradeiro julgamento (Crédito:Divulgação)

Ou seja: uma decisão de caráter meramente pessoal. Além disso, para Cármen Lúcia, pedidos de revisão nunca deveriam partir de quem foi vencido nas apreciações. “Na Suprema Corte americana, somente os vencedores podem pedir revisão de um posicionamento”, explicou ela a um interlocutor na semana passada. “Imagine: quem foi vencido vai ficar pedindo revisão da decisão até deixar de ser vencido e virar vencedor?”

Fim dos recursos infinitos

A presidente do Supremo, na verdade, formou entendimento de que a prisão após condenação em segunda instância tornou-se peça fundamental no combate à corrupção. A prisão não impede o réu de seguir buscando reverter sua pena até a última instância. É, porém, uma forma importante de evitar que os infinitos graus de recurso acabem impedindo a Justiça de ser feita: os culpados, com bons advogados, protelam ao máximo a decisão final e seus crimes acabam prescritos antes da condenação.

Diversos países, como os Estados Unidos, França e Argentina, admitem a prisão em segunda instância. No caso específico da Lava Jato, é a perspectiva da prisão que tem feito com que diversos dos envolvidos optem pela delação premiada. Que interesse alguém teria em promover um acordo de delação se vislumbrasse a perspectiva de recorrer em liberdade até seu crime prescrever? Num dos desabafos apurados por ISTOÉ, Cármen Lúcia foi taxativa: “A revisão da prisão após condenação em segunda instância vai fazer o combate à corrupção retroceder 50 anos”.

Com a mesma serenidade com que resiste às pressões dos aliados de Lula, Cármen Lúcia encara a polêmica criada em razão do encontro mantido com o presidente Michel Temer, no sábado 10. Os mesmos que se postam na sua antessala exigindo ser atendidos para clamar por Lula criticam o fato de ela, presidente do Poder Judiciário, encontrar-se de forma pública com o presidente do Poder Executivo. Temer é investigado pelo Supremo no caso do decreto dos portos que, segundo a acusação, poderia ter beneficiado uma empresa que atua no Porto de Santos. Segundo Cármen, Temer não tratou da acusação contra ele. E nem conseguiria caso tentasse. O encontro girou em torno do tema segurança pública, pauta comum a Temer e Cármen.

Como presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ministra foi quem elaborou o Cadastro Nacional de Presos. “Nesses tempos conturbados, uma agenda normal entre presidentes de Poderes ganha contornos de desconfiança”, comentou Cármen com uma pessoa de sua intimidade. Para concluir, em seguida, com a simplicidade de sempre: “Se levássemos em consideração todas as implicações de cada um, o País simplesmente pararia”. Como declarou na terça-feira 13 ao participar de seminário em São Paulo, Cármen Lúcia criou uma fórmula segura para enfrentar as pressões das quais tem sido alvo. Simplesmente não cede a elas.Com informações da Revista Isto é.