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A narrativa bíblica de Adão e Eva é a base do Criacionismo abraâmico, mas quando expandimos o olhar para a ciência e outras correntes filosóficas, surgem explicações que variam entre o fato biológico e o simbolismo profundo.
1. A Explicação Científica (Evolução)
Diferente da criação de um casal único, a ciência utiliza o modelo da Antropogênese:
• Evolução das Espécies: O Homo sapiens surgiu através de um processo de milhões de anos, evoluindo de ancestrais comuns com os primatas.
• Origem Populacional: A humanidade não começou com dois indivíduos, mas com grupos de hominídeos na África que se dispersaram pelo globo.
• Genética: Conceitos como a “Eva Mitocondrial” indicam ancestrais comuns biológicos, mas eles viveram em épocas diferentes e em meio a outros seres humanos.
2. Mitologias e Culturas Diversas
Cada civilização criou sua própria explicação para o “primeiro sopro” de vida:
• Grega: Prometeu moldou os homens do barro, e Pandora foi a primeira mulher.
• Nórdica: Os deuses criaram Askr e Embla (o primeiro casal) a partir de troncos de árvores encontrados em uma praia.
• Iorubá: O orixá Obatalá moldou os corpos humanos do barro, enquanto a divindade suprema soprava a vida.
• Indígenas: Muitas tradições, como a Guarani, narram a humanidade surgindo diretamente da terra ou de elementos naturais por ação de divindades como Nhanderu.
3. A Visão Maçônica (Simbolismo e Razão)
A Maçonaria interpreta o Gênesis de forma filosófica e alegórica, focando no progresso do indivíduo:
• O Homem Bruto: Adão representa a humanidade em seu estado natural e inculto (a “pedra bruta”) que precisa ser lapidada pelo conhecimento e pela moral.
• A Queda como Despertar: Em certas leituras, o ato de comer o fruto do conhecimento simboliza o nascimento da razão e do livre-arbítrio, essenciais para a evolução do homem na busca pela verdade.
• O Grande Arquiteto: A criação é vista como uma obra de engenharia divina, mas o método (seja evolução ou design) é deixado à interpretação da ciência e da fé de cada membro.
4. A Visão da Nova Era (Evolução da Consciência)
O movimento New Age mistura espiritualidade com teorias alternativas e metafísicas:
• Mergulho na Matéria: Adão e Eva são arquétipos que representam o momento em que a consciência pura se fragmentou para experimentar a vida no mundo físico e dual (bem/mal).
• Intervenção Externa: Algumas vertentes sugerem que a humanidade foi “projetada” por inteligências superiores ou seres de outros sistemas estelares, sendo o Éden um ambiente controlado de desenvolvimento.
• Retorno à Unidade: Para a Nova Era, a história humana não é sobre o pecado, mas sobre um ciclo de esquecimento e redescoberta da nossa própria natureza divina.
Essas visões mostram que, enquanto a ciência busca o como surgimos, as correntes filosóficas e espirituais buscam entender o porquê e o que essa origem representa para o nosso comportamento hoje.
Pedra Bruta e Fé Viva: Um Diálogo entre o Esquadro e a Cruz
Por Ângelo D. Medrado
Trabalhando a pedra bruta
Introdução: O Falso Dilema
Muitas vezes, o homem caminha por entre sombras projetadas pela ignorância e pelo preconceito.
Ao longo de minha jornada, percebi que muitos cristãos olham para o Templo Maçônico
com desconfiança, enquanto alguns maçons se esquecem das raízes sagradas que sustentam a sua moral.
Este livreto não é um tratado teológico, mas um convite à reflexão: pode o pedreiro livre (o maçom) servir ao Criador sob a luz da fé cristã?
Capítulo 1: O Canteiro de Obras de Deus
A Maçonaria não nasceu em gabinetes obscuros, mas sob a sombra das grandes catedrais da Europa.
Os antigos mestres maçons eram operários da fé. Quando olhamos para as ferramentas — o Esquadro e o Compasso —
vemos mais do que metal; vemos o desejo humano de retidão diante de Deus.
• O Esquadro: A moralidade que regula nossas ações com o próximo.
• O Compasso: A medida justa de nossa relação com o Divino.
No Cristianismo, Cristo nos chama a ser “pedras vivas” na edificação de um reino espiritual.
Na Maçonaria, buscamos desbastar a nossa “pedra bruta”. O objetivo é o mesmo: o aperfeiçoamento da obra do Criador.
Capítulo 2: O Grande Arquiteto e o Deus de Israel
Existe uma confusão comum sobre o G.A.D.U.. Devo ser claro: a Maçonaria não é uma religião e não possui deuses próprios.
O Grande Arquiteto do Universo é o nome que damos ao Criador para que o Templo seja um lugar de união, não de divisão.
Para o cristão, o Arquiteto é Deus, revelado em Jesus Cristo. Não há conflito em honrar o Criador por meio de Sua obra geométrica enquanto se professa a fé em Sua Palavra.
Capítulo 3: A Prática da Caridade
O ponto de encontro mais belo entre o Cristianismo e a Maçonaria é a Caridade.
1. Na Igreja: Praticamos o amor ao próximo como um mandamento divino.
2. Na Loja maçônica : Exercemos a filantropia como um dever social e moral.
Um maçom cristão entende que o avental que ele veste é, na verdade, um uniforme de serviço. Se a nossa passagem pelo Templo não nos torna cristãos mais tolerantes, pacientes e caridosos, então nossa iniciação foi em vão.
Capítulo 4: Convivendo com as Diferenças
Não ignoro as tensões históricas. Sei das proibições e dos dogmas. Porém, a Maçonaria ensina a Tolerância. Ser maçom é saber ouvir o irmão que pensa diferente, mantendo-se firme em suas próprias convicções.
O verdadeiro cristianismo, por sua vez, é fundado no amor, e o amor não teme a fraternidade.
Conclusão: A Luz que Não se Apaga
Ao fechar este livreto, espero que o leitor compreenda que a cruz e o esquadro podem ocupar o mesmo espaço no coração do homem de bem.
A Maçonaria oferece as ferramentas;
o Cristianismo oferece a Salvação. Juntas, essas forças podem transformar o homem comum em um pilar de luz para a sociedade.
“Buscai a verdade, e a verdade vos libertará.” — Este é o lema do iniciado e a promessa do Redentor.
Autor : Pr. Ângelo Medrado
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