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Ministério Público pede na Justiça cassação de emissoras católicas

 

O Ministério Público Federal (MPF) pediu na Justiça a cassação das TVs Canção Nova e Aparecida, ambas de entidades ligadas à Igreja Católica. A informação é do jornalista Daniel Castro, do R7.

As duas ações civis públicas foram ajuizadas pelo procurador da República Adjame Alexandre Gonçalves Oliveira.

Oliveira ressalta que os pedidos de anulação das outorgas não têm a ver com o fato de as emissoras serem católicas.

O argumento do procurador é técnico: as concessões da Canção Nova (de 1998) e da TV Aparecida (2001) são posteriores à Constituição de 1988, que exige licitação pública para a cessão de novos canais geradores de TV.

Ocorre que o governo federal se baseou, principalmente durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (1996-2001), em decretos que dispensam concorrências públicas para a distribuição de frequências para emissoras educativas.

Tanto a TV Aparecida quanto a Canção Nova são, do ponto de vista legal, canais educativos, porque foram concedidos como tal.

Para o procurador Oliveira, estão irregulares, em desacordo com a Constituição, os decretos nos quais o governo se baseia para a outorga de canais educativos (o decreto lei 236/1967 e o decreto 2108/1996, que prevê a dispensa de licitação para a escolha de emissoras educativas).

Assim, o procurador pede a cassação da Canção Nova e da TV Aparecida porque elas foram outorgadas com fundamento nesses decretos, portanto, “sem a observância de processo de licitação obrigatório para concessão de serviço público”, previsto pela Constituição de 1988.

O raciocínio vale para dezenas de canais educativos distribuídos após 1988 _e não apenas para as duas emissoras religiosas. Se valer esse princípio, todos os canais educativos abertos após 1988 deveriam ser cassados, sejam eles católicos, evangélicos ou verdadeiramente educativos.

Oliveira, contudo, pediu a anulação apenas das duas emissoras católicas porque sua área de atuação é a de Guaratinguetá, no interior de São Paulo. E as concessões da Canção Nova e TV Aparecida são de municípios sob sua jurisdição, respectivamente Cachoeira Paulista e Aparecida.

Oliveira defende que somente a licitação de canais educativos permitiria à administração pública selecionar a entidade mais capacitada tecnicamente e com o melhor projeto educacional.

Data: 23/11/2011 09:34:02
Fonte: R7

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Crise econômica nos EUA ameaça futuro das megaigrejas

 

Durante mais de 15 anos, o senhor Smith foi diácono da megaigreja de 2.500 membros em Granny White Pike, Nashville. Multidões lotavam o templo, atraídos pela música contemporânea e práticas pentecostais como falar em línguas. Os sermões do pastor Billy Roy Moore fazia com que a Bíblia se tornasse viva para os fiéis.

De repente, tudo se desfez. Moore se afastou do ministério depois que seu filho morreu em um acidente de carro. Ao invés de mudar para o novo templo da nova igreja, com 15 mil metros quadrados, a maioria das pessoas simplesmente desistiu. Quando a Lord´s Chapel finalmente fechou, em 2003, restavam apenas 40 membros.

“Era o poder de Deus que atraiu as pessoas para a igreja! Não sei como chegamos nesse ponto. Eu já me fiz essa pergunta mais de mil vezes”, lembra Smith, com tristeza na voz.

As últimas três décadas foram tempos de bonança para as igrejas grandes como essa. Na década de 1970, apenas uma dezena de igrejas eram “mega”, nome dado às que tinham mais de 2.000 membros. Hoje, o número de megaigrejas nos Estados Unidos está na casa dos milhares.

O recente pedido de falência da Cristal Catedral, perto de Los Angeles, que já foi um ícone da teologia da prosperidade, pregado pelo pastor Robert Schuller, acendeu um sinal de alerta. Afundada em dívidas de mais de US$ 40 milhões, o templo e o terreno serão vendidos para uma igreja Católica.

A maioria das megaigrejas, cujos pastores hoje estão na casa dos 50 anos, parecem estar perdendo o fôlego. Alguns teólogos temem que esse grande desgaste do antigo modelo de sucesso custe caro, pois já está claro que elas não atraem as gerações mais jovens. Skye Jethani, editor-chefe da revista Leadership, voltada para pastores, lembra que publicaram alguns anos atrás um artigo comparando as megaigrejas com o mercado imobiliário.

“Se você perguntasse às pessoas em 2007 se o mercado imobiliário estava indo bem, elas teriam dito que sim, ninguém imaginava o que aconteceria no ano seguinte”, explica ele. As megaigrejas tornaram-se tão grande que sua viabilidade econômica hoje é impossível. Muitas delas devem milhões de dólares em hipotecas e precisam pagar o salário de centenas de membros da equipe. Isso funciona bem quando uma igreja está crescendo. Mas as igrejas geralmente encolhem quando há uma mudança de pastor ou visão de ministério, afirma Jethani.

“Se uma igreja tem 400 pessoas e você perde 200 membros, ainda pode continuar. Porém, se a igreja tem 10.000 e reduz para uns 5.000, pode não ser capaz de sobreviver.”

Alguns teólogos que estudam o fenômeno das megaigrejas divergem sobre como será o futuro delas. Scott Thumma, que leciona sociologia da religião no Hartford Seminary e já escreveu livros sobre o fenômeno, acredita que todas as igrejas ficam vulneráveis ​​quando trocam de pastores ou sofrem alguma mudança brusca. “As megaigrejas boas vão se adaptar, as ruins tendem a fechar. As pessoas previram o fim delas há anos. Mas elas são como os hipermercados. Não é algo que vai desaparecer do dia para a noite. Megaigrejas são muitas vezes geridas por empresários que não estão vinculados às formas tradicionais de se tocar uma igreja, isso lhes dá uma vantagem sobre outras congregações.” acredita Thumma.

Rick Warren, pastor da Igreja Saddleback, em Lake Forest, Califórnia, que reúne cerca de 20 mil a cada domingo, disse duvidar do desaparecimento das megaigrejas. ”A verdade é que a próxima geração de igrejas será ainda maior do que as igrejas da minha geração”, disse ele. Novas tecnologias, como videoconferência de alta qualidade, permitirá que igrejas possam reunir pessoas em muitos locais ao mesmo tempo. Assim, uma igreja poderá atrair dezenas de milhares de pessoas sem a necessidade de construir um templo. Isso significa que uma igreja não estará vinculada a um edifício enorme. A geração seguinte nunca encheu os templos do passado”, disse Warren.

Warren já nomeou líderes mais jovens para o ajudarem a conduzir a igreja. Mas disse que as transições entre de um pastor mais velho para outro mais novo pode ser determinante para o futuro de uma igreja. ”Um dos pontos fortes de grandes igrejas é que os pastores ficam por um longo tempo”, acredita ele.

Desde 2004 a Revista Outreach tem publicado anualmente uma lista das maiores igrejas dos Estados Unidos. Apenas oito das 25 principais em 2004 ainda estão no “top 25” este ano

Esse tipo de planejamento antecipado pode ajudar as igrejas evitar uma crise no futuro, disse Sheila Strobel Smith, pesquisador que estudou a mudança pastoral em megaigrejas para sua tese de doutorado. Ela estudou as 50 maiores igrejas protestantes dos Estados Unidos para sua dissertação.

Apenas quatro ministros haviam mudado desde que atingiu o patamar de uma megaigreja, e um deles foi justamente a Catedral de Cristal. Quando a igreja começou a encolher, em 2005, o pastor Robert Schuller não estava disposto a mudar. Ele não soube preparar um sucessor e agora eles realmente estão em apuros”, disse Smith. ”Os últimos seis anos têm sido terríveis.” Smith disse que não há desculpa para uma igreja esperar até que seja tarde demais para mudar ou se adaptar. ”Se tivermos pessoas tementes a Deus nos bancos a cada domingo, não será uma crise econômica ou qualquer outra uma situação que os fará perder a fé”.

Data: 24/11/2011 08:30:00
Fonte: Tennessean

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