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Batismo da Primeira Igreja Batista do Brasil (Foto: Reprodução/TV Bahia)
No último sábado (14) a Primeira Igreja Batista do Brasil reuniu dois mil evangélicos para um batismo coletivo, na praia de Jaguaribe, em Salvador, Bahia.
Com 137 anos, a igreja vem realizando nos últimos 10 anos batismo coletivo, com milhares de pessoas louvando e orando nas praias baianas.
O batismo reúne pessoas de todas as idades, como Thalita, a mais nova do grupo, com apenas oito anos. “Eu quis fazer uma aliança com Deus”, disse ao G1.
Edna Santos, de 62 anos, disse que a fé lhe ajudou na luta contra um câncer de mama.”Eu me apeguei muito com Deus e foi aí que eu resolvi aceitar Jesus porque ele me curou”, disse.
O grande número de pessoas a serem batizadas também empolga os corações dos membros da igreja, cujo trabalho na última década tem sido destaque na região.
Edir Macedo, líder e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus
Anna Virginia Balloussier
Folha de S. Paulo
Das metáforas usadas por pastores para descrever a relação da Igreja Universal do Reino de Deus com outras denominações, há aquela que a compara a uma ilha apartada de um continente evangélico —um segmento que, em 50 anos, avançou 1.400% no Brasil (de 2% para 30% da população).
O bispo Edir Macedo, contudo, está disposto a flexibilizar esse isolacionismo que acompanha a história de sua igreja, segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo.
O principal líder da Universal escolheu um de seus bispos, Eduardo Bravo, para fazer as relações fora da Universal e coordenar a Unigrejas —que, segundo Bravo, já agregou 30 mil pastores.
Esse mesmo projeto promoverá um de seus congressos abertos a responsáveis por outros templos, no próximo dia 8, no Templo de Salomão, em São Paulo, a mais icônica construção da Universal.
Alguns líderes evangélicos ouvidos pela Folha de S. Paulo sobre o tema falaram sobre as impressões acerca de como a Universal era (“se achava melhor do que as outras” e “era como o aluno que sentava sozinho no recreio, mas por escolha própria”, por exemplo) e como avaliam esse movimento de aproximação.
Divididos, exatamente quando se fala da aproximação com outras igrejas, alguns pastores apostam na vocação espiritual da parceria, e há aqueles que dizem que a ficha caiu para a Universal.
Um pastor disse à reportagem que, sozinhos, eles não têm força, atingiram o teto. Precisam de outras igrejas, afirmou um outro pastor, sempre sob anonimato. Eles dizem não querer se indispor com a igreja de Macedo.
Como pano de fundo, haveria ainda o interesse político: angariar apoio para o PRB, costela política da Universal. Isso jamais, diz Bravo à reportagem.
A meta é unir forças para fortalecer um país campeão em “consumo de pornografia, de antidepressivo, em criminalidade e desejos suicidas”.
Uma estratégia detectada pelo professor da USP Ricardo Mariano, especializado na ascensão evangélica no país. O PRB tem ampliado a presença de parlamentares de fora da Universal com visibilidade pública para atrair voto e conferir aparência secular ao partido, mas também de outras igrejas pentecostais, diz.
Caso, por exemplo, do ex-presidente da bancada evangélica João Campos (PRB-GO), pastor da Assembleia de Deus, e do católico Celso Russomanno (PRB-SP).
Como pode isso, se três em cada dez brasileiros se dizem crentes? “A gente observa que as pessoas estão se rotulando evangélicas, mas não queremos um Brasil apenas com quem se diz evangélico.” Daí a ideia de procurar outros pastores, de Silas Malafaia a Robson Rodovalho, e “orar por isso”.
“Temos reuniões ordinárias e estamos nos organizando nos conselhos de pastores”, afirma Rodovalho, bispo da Sara Nossa Terra.
Em entrevista à revista Renovação, Bravo diz que o batalhão de “lavados no sangue de Jesus” tem condições de ampliar e muito os 60 milhões de brasileiros que se declaram evangélicos.
Com selo da Unigrejas, a revista Renovação, recém-lançada publicação, é um bom indicador da disposição interna em estender a mão a outras denominações. A começar pelo editorial, assinado pelo próprio Macedo, que levanta a bandeira branca: “Eu não creio apenas no trabalho da Igreja Universal, mas sim que a missão de todas as igrejas evangélicas é em favor do Reino de Deus”.
Como a Folha Universal, jornal da casa, a revista também enaltece temas internos, como o anúncio da estreia, em agosto, da segunda parte da cinebiografia de Macedo, “Nada a Perder”.
As páginas também destacam uma “Santa Ceia da Unidade”, que aconteceu em abril no Templo de Salomão, e trazem o perfil de dois líderes “concorrentes”, Estevam Hernandes (Renascer em Cristo) e José Wellington Bezerra da Costa (Assembleia de Deus Belém).
Há ainda o depoimento de vários outros, vindos da Bola de Neve à Fonte da Vida. Lamartine Posella (Batista Palavra Viva) elogia as novelas bíblicas da emissora do bispo Macedo, a Record: “Um serviço memorável ao Reino de Deus”. Ele e a esposa amam “Jezebel”.
A Universal tem fama de antissocial no segmento. Nunca está, por exemplo, na Marcha para Jesus, maior evento evangélico do Brasil, cria da Renascer. Quando o bispo Eduardo Bravo começou a aparecer em encontros com pastores, muitos se surpreenderam com sua igreja dando as caras por lá.
A Universal é a mais forte das igrejas neopentecostais brasileiras, seguida por outras como a Mundial do Poder de Deus e Internacional da Graça de Deus, de dois dissidentes: respectivamente Valdemiro Santiago, que já foi bispo da igreja de Macedo, e R.R. Soares, que inclusive chegou a ser o principal pregador dela.
“É verdade que a Universal sempre esteve um pouco longe das demais igrejas”, ele admite. Mas quem assistiu a “Nada a Perder” entendeu muito bem por quê, diz. A produção põe Macedo sob ataque constante de vários lados: da Globo, da Igreja Católica, de outros pastores evangélicos.
“As pessoas não acreditavam nesse chamado de Deus que o bispo tinha. Se o primeiro não crê, o segundo, o terceiro, o quarto… Eu vou sozinho.”
Agora, não. A Universal, segundo Bravo, amadureceu. “Sabemos que todos fazemos parte do corpo de Cristo.”
Incêndios criminosos em “igrejas de negros” eram comuns nos tempos das leis de segregação racial nos Estados Unidos, em vigor até 1965.
Mas quando três igrejas batistas foram queimadas este ano, entre 26 de março e 2 de abril, em Opelousas, estado de Louisiana, o crime de ódio passou a ser visto de outra maneira. O incendiário foi identificado como Holden Matthews e o FBI alega que sua motivação seria racismo.
Contudo, o jovem de 21 anos é vocalista da banda de heavy metal “Pagan Carnage” [Massacre Pagão]. Em um dos vídeos do grupo disponível no Youtube, ele canta a música “Diabolical Soul Feast” [Festa da Alma Diabólica], onde defende que igrejas sejam queimadas.
Há postagens dele nas redes sociais com alusões ao satanismo e acusando os fiéis batistas de serem vítimas de “lavagem cerebral”. “Não suporto todos esses batistas por aqui, um bando de pessoas que sofreram lavagem cerebral tentando encontrar a felicidade em uma religião que foi forçada sobre seus antepassados”, declarou.
Durante o culto deste domingo (14), o governador da Luisiana John Bel Edwards, juntamente com um pastor local, disse que os fiéis das igrejas afetadas deveriam perdoar Matthews e orar por ele.
A celebração realizada na Igreja Batista Little Zion em Opelousas, reuniu as famílias das três igrejas queimadas por Matthews: St. Mary, Greater Union e Mount Pleasant. Na ocasião o governador disse que ficou comovido com todo o dinheiro arrecadado para ajudar a reconstruir as igrejas. O custo estimado é de US $ 1,8 milhão.
Tanto Edwards quanto o pastor Calvin Moore, da Little Zion, concordaram que seria melhor os congregantes responderem a Matthews com perdão.
“Nós temos que perdoar. Não podemos guardar rancor. A Bíblia nos ensina a perdoar. Agora precisamos nos unir”, pediu Moore.
Harry Richard, pastor da Igreja Greater Union declarou: “O corpo de Cristo ainda está vivo e bem, e esta é uma demonstração poderosa de como o povo de Deus pode se unir e tornar o fardo da tragédia bom e nós apreciamos isso.”
No horário dos incêndios, os templos – todos construídas há mais de 100 anos – estavam vazios, e não houve vítimas. O estado de Louisiana é o segundo com maior população negra nos EUA – 37,3% dos habitantes locais têm origem afro-americana, de acordo com censo de 2010.
Os investigadores chegaram a Matthews acusado com a ajuda de câmeras de segurança de casas e comércios próximos às igrejas queimadas, além do rastreamento de seu telefone celular.