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Paraplégico mexe pernas após terapia com células-tronco

02/06/2011 – 11h22

 

GRACILIANO ROCHA
DE SALVADOR

Um paraplégico de 47 anos voltou a ter sensibilidade nas pernas e nos pés e a movimentar os membros inferiores após ser submetido a tratamento experimental à base de células-tronco, na Bahia.

Desenvolvido por cientistas do Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael, em Salvador, e da Fiocruz, o tratamento consiste na retirada de células-tronco adultas do osso da bacia e no reimplante no local da lesão.

O primeiro paciente, um policial militar de Salvador cuja identidade foi preservada, ficou paraplégico há nove anos, após uma queda que traumatizou a coluna na região lombar.

Seis semanas após a implantação de células-tronco adultas no local da lesão, o paciente já voltou a sentir as pernas e os pés.

Ele iniciou fisioterapia para fortalecer os músculos que ficaram muito atrofiados após o longo período de inatividade.

A bióloga Milena Soares, que participa do projeto, é cautelosa ao prever se o paciente voltará a andar um dia.

Segundo ela, isso vai depender, sobretudo, da fisioterapia. "Ele já consegue fazer alguns movimentos com a perna, e os resultados já mostram avanços muito significativos para a qualidade de vida do paciente", diz.

Os pesquisadores afirmam que houve um aumento do controle da bexiga e do esfíncter. Com isso, o paciente ficará livre de cateterismos diários feitos para retirar urina.

"Houve uma resposta muito boa no pós-operatório. Quatro dias depois [da cirurgia], o paciente já demonstrou melhora", diz Marcus Vinícius Mendonça, neurocirurgião que integra o grupo.

Nessa fase experimental, que visa atestar a segurança do procedimento, a técnica será aplicada em 20 voluntários. Dois deles receberam as células anteontem e ontem. O próximo fará o procedimento na semana que vem.

Segundo Mendonça, características do pós-operatório verificadas no primeiro paciente, como ausência de dores neuropáticas (característica de lesões neurológicas), se repetiram nos outros dois pacientes.

Arte

Fonte Folha.com

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Chá do Daime faz imagem mental tão vívida que se iguala à real

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA

Não é de admirar que os usuários da ayahuasca, chá empregado por grupos religiosos como o Santo Daime, afirmem ter visões. Um novo estudo indica que, no cérebro, a bebida provoca efeitos tão vívidos quanto os de uma imagem externa real.

A pesquisa, já aceita para publicação na revista científica “Human Brain Mapping”, foi coordenada por Draulio Barros de Araujo e Sidarta Ribeiro, do recém-criado Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).

“Ao aumentar a intensidade de imagens recordadas, fazendo com que atinjam um nível idêntico ao de uma imagem natural, é como se a ayahuasca emprestasse um status de realidade a experiências internas”, escrevem.

O fenômeno é resultado do peculiar coquetel bioquímico presente no chá. Para começar, ele é derivado da mistura de duas plantas bem diferentes, o arbusto Psychotria viridis e o cipó Banisteriopis caapi. É a combinação de substâncias nas plantas que leva ao efeito sobre a mente e cria as chamadas “mirações” (visões rituais).

No cérebro, a mistura atua sobre um subgrupo de neurotransmissores, os mensageiros químicos do órgão. A ação desses neurotransmissores fica mais forte e, ao mesmo tempo, menos deles são retirados de circulação depois de certo tempo, o que potencializa ainda mais os seus efeitos sobre o cérebro.

Ivan Luiz/Arte

EXAMINADOS

Os pesquisadores da UFRN observaram o resultado disso tudo analisando a atividade cerebral de dez pessoas que usam a ayahuasca com frequência (metade homens e metade mulheres, com idades entre 24 anos e 48 anos).

No aperto do aparelho de ressonância magnética, onde a análise aconteceu, os voluntários tinham, primeiro, de observar imagens normais, de pessoas, animais ou árvores, sem estar sobre o efeito da droga.

Depois, cada um tomou entre 120 ml e 200 ml (um pouco menos que uma latinha de refrigerante) da bebida. Os cientistas esperaram 40 minutos (tempo considerado apropriado para o que o chá faça efeito) e pediram que as pessoas fechassem os olhos e tentassem gerar mentalmente a mesma imagem que tinham visto antes.

Em parte, o resultado foi o equivalente ao que diz o título do artigo científico da equipe: “Seeing with the eyes shut” (ou seja, vendo com os olhos fechados).

A intensidade desse processo do cérebro, bem como certas áreas ativadas nele, foram equivalentes ao que acontece numa experiência visual de verdade “”um “olho da mente” extremamente ativo, por assim dizer.

Há, no entanto, diferenças. Talvez a mais importante dela tenha a ver com a mudança da rede de interações entre as várias partes do cérebro quando a droga é consumida, o que explica sua ação alteradora da consciência.

No Brasil, o uso da droga é legalizado em contextos religiosos, como os do Santo Daime e da União do Vegetal. Há efeitos colaterais potentes ligados ao uso, como fortes vômitos e diarreia. Também há aumento da pressão arterial.

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Regeneração de neurônios garante prêmio a três cientistas

27/05/2011 – 10h32

DA REUTERS

Os neurocientistas Joseph Altman, Arturo Alvarez-Buylla e Giacomo Rizzolatti receberam o prêmio Príncipe de Astúrias de Pesquisa Científica e Técnica 2011.

O trabalho dos três cientistas sobre a regeneração de neurônios nos cérebros adultos abriram uma janela para o tratamento de doenças como o mal de Alzheimer, o que justificou a homenagem, explicou o júri, que se reuniu na quarta-feira na cidade espanhola de Oviedo.

As pesquisas do norte-americano Altman e do mexicano Alvarez-Buylla focalizam a chamada neurogênese –ou regeneração de neurônios em cérebros adultos–, enquanto Rizzolatti, italiano de origem ucraniana, descobriu os neurônios espelho, que são ativados não apenas durante a execução de uma ação, mas também durante a observação da mesma.

Este foi o quarto dos oito prêmios Príncipe de Astúrias anunciados neste ano, depois de serem divulgados os de Comunicação e Humanidades, dado à Royal Society de Londres; o prêmio de Artes, que ficou com o regente italiano Riccardo Muti, e o de Ciências Sociais, concedido ao psicólogo norte-americano Howard Gartner.

O prêmio, que será entregue em Oviedo em cerimônia solene durante o outono europeu, é acompanhado de 50 mil euros e uma escultura do artista catalão Joan Miró.