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Saiba o que pensa a ciência sobre possessões demoníacas

Alguns estudiosos ligam os casos a fenômenos neuropsicológicos

por Leiliane Roberta Lopes-gospelprime-

Exorcismo é um dos assuntos que mais geram debates dentro da própria igreja cristã. Católicos e evangélicos até creem que é possível que uma pessoa seja possuída por espíritos maus, mas há quem duvide que isso de fato aconteça.

Entre os cientistas as explicações sobre os casos são geralmente ligadas a problemas psicológicos ou transtornos mentais como a esquizofrenia. Em uma matéria especial sobre o assunto no site TAB, no UOL, o professor de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), Wellington Zangari, comenta como a ciência vê esses casos.

“Mesmo dentro do mundo científico e acadêmico, entre médicos e psicólogos, há uma grande polêmica entre o diagnóstico diferencial”, disse ele.

Os profissionais de saúde não sabem os limites entre o que pode estar ligado ao mundo religioso e o que pode ser um problema neurológico ou psicológico, por isso Zangari recomenda um diálogo entre saberes diferentes diante desses casos.

“É importante dizer que nunca e jamais será papel da ciência nem negar, nem afirmar a existência do mundo sobrenatural. Isso compete ao ambiente religioso. Ao psicólogo, ao médico cabe justamente avaliar o que está dentro das fronteiras da própria ciência”, afirma.

Para Zangari há um fenômeno neuropsicológico chamado de dissociação que poderia explicar os casos de pessoas que falam e se movimentam sem se dar conta do que estão fazendo.

O professor da USP diz que muitas das pessoas que apresentam possessões demoníacas conhecem os rituais e se comportam como uma pessoa supostamente possuída se comportaria.

“Nós temos que lembrar que aquele que recebe o tratamento [de exorcismo], ele conhece as regras. Ele sabe como o demônio se manifestaria, ele sabe o que espera dele durante um ritual de exorcismo”, diz.

O alerta é para os casos que são psicológicos e que são tratados como espirituais como os casos de esquizofrenia. Nesses casos o não tratamento dessas psicoses pode ser altamente perigoso.

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Matança de animais em sacrifícios religiosos deve continuar no RS

Em meio a protestos, deputados rejeitaram projeto que proíbe sacrifício de animais.

por Michael Caceres – gospelprime –

 

Matança de animais em sacrifícios religiosos deve continuar no RS
Matança de animais em sacrifícios religiosos deve continuar

Os deputados do Rio Grande do Sul, estado com maior número de seguidores de religiões afro-brasileiras, rejeitaram o projeto de lei da deputada estadual Regina Becker Fortunati (PDT) que proíbe o uso de animais em sacrifícios religiosos.

Adeptos de umbanda e defensores dos animais lotaram o Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, para acompanhar a votação na Comissão de Constituição e Justiça que por 11 votos contrários e um a favor foi considerado inconstitucional pela comissão.

A votação do texto teve de ser adiada diversas vezes por conta do cenário de guerra que se instalou na Assembleia. Seguidores de religiões de matriz africana e defensores dos animais discutiam e se atacavam durante a análise do projeto.

De acordo com o jornal Zero Hora, o texto foi votado por volta das 10h15min, e a sessão foi transmitida no telão do teatro, enquanto defensores de animais com apitos, balões e rostos pintados de vermelho, simbolizando o sangue dos animais tentavam impedir que os deputados seguissem com a votação.

Durante discurso favorável ao uso de animais em rituais religiosos o deputado Luiz Fernando Mainardi (PT) foi chamado de bandido e assassino por opositores a prática. O  projeto apresentado pela deputada do PDT pretendia excluir o Artigo 2 do Código Estadual de Proteção aos Animais de 2003 que autoriza o abate de animais nos rituais de religiões de matriz africana.

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Edir Macedo presta um desserviço à igreja evangélica brasileira

Edir Macedo presta um desserviço à igreja evangélica brasileira

Líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), o bispo e empresário Edir Macedo presta um desserviço à igreja evangélica brasileira. Suas declarações – ao jornalista Roberto Cabrini, do programa Conexão Repórter – são evidências mais do que suficientes de suas manobras e formas de entendimento da sociedade. De fato, sua entrevista – a primeira em dimensão, concedida a um veículo de comunicação independente – serve como base de análise de sua história e distorções.

Ao mesmo tempo em que revela uma personalidade agressiva, demonstra um completo preconceito com as camadas menos privilegiadas da sociedade ao chamar de “buraco” o local em que crianças atendidas por um de seus projetos filantrópicos residem com suas famílias. Também é preocupante a forma como Macedo se refere – apesar de reiteradas negativas – a outras denominações evangélicas, a exemplo das tradicionais. Suas declarações são feitas a partir de uma ótica isolacionista, sem comprometimento com um movimento que passa de 42,5 milhões de evangélicos.

De forma contrária a sua auto-intitulação – de que é “um grande ganhador de almas” -, sua postura agressiva, preconceituosa e desrespeitosa o desqualifica como líder evangélico, como parte de uma corrente que ultrapassa os muros de sua denominação. Entende o mundo como um campo de batalha, de guerra, onde “você mata ou morre”. Questionado sobre seus inimigos e sobre os que se demonstram contrários as suas práticas e ensinos controversos, declara “estar se lixando” com o que as pessoas falam ou pensam sobre ele, que seus “inimigos o procurem para derrotá-lo”.

Ao dar a sua fala e declaração autenticidade, e dizer que a denúncia o tornou conhecido, Macedo reassume sua antiga posição e contextualiza sua fala. O Estado Democrático de Direito é incisivo no sentido em que assegura a liberdade de expressão religiosa, mas com referência à Igreja Universal há mais do que evidência de seus objetivos e percepções da sociedade, tornando-se urgente uma resposta legal. Questionado sobre as denúncias e a uma prisão de 11 dias em uma delegacia de São Paulo, Macedo se compara ao apóstolo Paulo e utiliza o termo “país miserável” ao responder que seria natural não ser investigado no Brasil por charlatanismo, mas sim em países desenvolvidos, como Estados Unidos e Inglaterra. Com a comparação, Macedo se diz inculpável.

“As opiniões ditas pelos colunistas são de inteira e única responsabilidade dos mesmos, as mesmas não representam a opinião do Gospel+ e demais colaboradores.”

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é pesquisador, jornalista, colaborador de diversos meios de comunicação e licenciando em Ciências Sociais pela Universidade Metodista de São Paulo. Há mais de dez anos dedica-se ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e movimentos destrutivos. Contato: [email protected]