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Grupos religiosos radicais comprimem cristãos em Jerusalém

 

PorJussara Teixeira | Correspondente do The Christian Post

Um estudo preparado pelo Instituto para Estudos de Israel de Jerusalém mostrou que atualmente os cristãos representam somente 1,9 % da população na Terra Santa e pode diminuir mais ainda nas próximas décadas.

  • Vista de Jerusalém

    Foto: Reuters

O estudo, intitulado "Cristãos e Cristianismo em Jerusalém", mostra que no final do mandato britânico na Terra Santa, em 1946, os cristãos representavam 19% da população total da cidade. De um total de cerca de 800 mil habitantes, a cidade conta hoje com apenas 14,6 mil moradores cristãos.

O responsável pela pesquisa, o israelense Amnon Ramon, cita uma série de razões pelas quais o número de Cristãos tem sido reduzido na região.

Primeiramente, ele fala sobre a dificuldade de grupos cristãos viverem na região, principalmente com a radicalização de alguns setores, como segmentos islâmicos. Segundo ele, tal segmento trata não-muçulmanos como cidadãos de segunda-classe e mesmo com violência.

Outra razão apontada pelo pesquisador é o fato de que alguns grupos judeus ultra-ortodoxos tem procurado impor regras para que Israel tenha um caráter mais religioso e menos democrático.

Além disso, Ramon relembra que a guerra de 1948 ]teve como consequência a retirada não só dos britânicos como também da maioria dos cristãos europeus e também dos cristãos árabes que habitavam a cidade.

O baixo número de cristãos, que atualmente é de cerca de 14 mil pessoas, também se deve à baixa taxa de natalidade entre cristãos e a ausência de imigração cristã para Jerusalém.

"Tememos que em 20 ou 30 anos quase não haja cristãos locais (nascidos de famílias de Jerusalém)", alerta o estudioso.

Amnon, que é judeu, vê os cristãos como um grupo religioso importante na região e que contribui para a tolerância religiosa e democracia no país, além de ajudar no crescimento econômico.

O grupo cristão hoje em dia é dividido entre os árabes e imigrantes da ex-União Soviética, refugiados de origem sudanesa e eritreia, habitantes de origem armênia, além trabalhadores estrangeiros. Eles estariam basicamente confinados no bairro cristão da cidade antiga.

Uma pesquisa do ano 2000 citada pelo informe recorda que há 117 instituições cristãs na Cidade Antiga e no Monte Sion; dentre elas, 20 são órgãos educacionais. No turismo, entretanto, os cristãos são maioria. Em 2010, 66% dos turistas se identificaram como cristãos e 30%, judeus.

O responsável pela pesquisa Amnon conclui que "o desaparecimento das comunidades cristãs e as igrejas do panorama da cidade e de seu subúrbio seria um golpe severo ao charme da cidade e ao seu caráter especial, sem paralelos no mundo".

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‘Não Haverá Cristãos em Belém Dentro de 20 anos’, Diz Líder Religioso em Israel

 

Por Jussara Teixeira|Correspondente do The Christian Post

Com o aumento dos assentamentos judaicos na região de Belém, em Israel, a cidade tem se tornado cada vez mais impenetrável aos cristãos. é o que diz o padre Ibrahim Shomali, sacerdote de Beit Jala, uma paróquia em Belém.

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Ele cita o aumento dos assentamentos judaicos entre Jerusalém e Belém como um obstáculo praticamente intransponível, que nem mesmo o próprio Jesus, se hoje fosse vivo, conseguiria transpor.

“Se Jesus viesse esse ano, Belém estaria fechada”, diz Shomali ao periódico Sydney Morning Herald. Segundo ele, Jesus teria que nascer em um posto de controle ou em um muro de separação. E Maria e José precisariam de permissão israelense ou entrar como turistas.

As comunidades judaicas impedem que os palestinos entrem em Jerusalém Oriental ou em Belém, sem a licença de turista. Segundo o líder religioso, a pergunta é: o que acontecerá quando os palestinos forem fechados do lado de fora?

Um dos assentamentos mais invasivos é Har Homa, uma comunidade de quase 20 mil pessoas. O assentamento foi construído na localidade os líderes cristãos acreditam que os anjos revelaram aos pastores a respeito do nascimento de Jesus.

Os cristãos árabes, que representam somente 2% da população israelense, podem se tornar uma “raridade” no país nos próximos anos.

As celebrações de Natal estão em vias de extinção em muitas cidades israelenses. Comunidades cristãs, como é o caso de trabalhadores filipinos e peregrinos africanos estão comemorando o feriado natalino em espaços públicos em bairros de Tel Aviv e Nazaré.

“Quando olho para os registros dos nomes de famílias tradicionais da igreja, vejo que muitas delas já se foram”, conta Shomali. Ele acredita que “em 20 anos não haverão mais cristãos em Belém”.

Apesar da situação descrita pelo líder religioso, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu fez um discurso para os cristãos exortando que os peregrinos e turistas visitem Israel durante a época de Natal e celebrem abertamente o Natal.

Segundo Netanyahu, “em uma região onde há pouca tolerância com a fé dos outros, Israel quer garantir os lugares sagrados das grandes religiões e a liberdade de culto para todos”, concluiu.

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Mulher israelense ignora ultraortodoxos e se nega a sentar atrás em ônibus

 

Guila Flint

De Tel Aviv para a BBC Brasil

Tanya Rosenblit. | Foto: Arquivo pessoal Tanya Rosenblit

História da engenheira levou discussão sobre segregação de mulheres ao gabinete israelense

Uma mulher israelense negou-se a ceder às imposições de ultraortodoxos que queriam obrigá-la a ficar na parte traseira de um ônibus e tornou-se símbolo da luta contra a segregação das mulheres em áreas religiosas do país.

Na última sexta-feira, a engenheira Tanya Rosenblit, 28 anos, tomou um ônibus em sua cidade, Ashdod (sul de Israel), com destino a Jerusalém.

Como sabia que o ônibus passava por bairros religiosos, ela diz ter tomado a precaução de vestir-se de "maneira modesta", para não irritar os demais passageiros.

Tanya diz que, logo depois de sentar-se atrás do motorista, vários homens ultraortodoxos começaram a xingá-la, mandando-a se deslocar para a parte traseira.

"Disse a eles que não estava fazendo nenhuma provocação, e que, se tratando de um ônibus público, todos os cidadãos têm o direito de viajar nele", afirmou Rosenblit.

"Também lhes disse que comprei minha passagem exatamente como eles e que não tinham o direito de me dizer onde sentar."

Os homens afirmavam, segundo a engenheira, que "não poderiam sentar atrás de mulheres" no veículo.

Em Israel, existem 70 linhas de ônibus, predominantemente utilizadas por ultraortodoxos, nas quais é praticada a separação entre homens, que ficam na parte dianteira, e mulheres, que ficam na parte de trás do veículo.

Apesar de protestos de grupos feministas e de grupos de direitos humanos, o fenômeno tornou-se comum em várias regiões do país.

Intervenção policial

Devido à resistência de Rosenblit, os homens impediram o ônibus de prosseguir sua viagem.

O motorista acabou chamando a polícia, que também tentou convencer a mulher a se deslocar para a parte traseira.

Após a discussão, os policiais instruíram o motorista a prosseguir e disseram que quem não concordasse com a decisão "poderia descer do ônibus". Vários dos passageiros ultraortodoxos saíram do veículo, e o ônibus finalmente partiu para Jerusalém.

Homens ultraortodoxos tentam impedir o ônibus de seguir viagem em Israel. | Foto: Arquivo pessoal Tanya Rosenblit

Fotos do incidente no ônibus foram divulgadas pela engenheira no Facebook e na imprensa

Depois que a engenheira divulgou a história no Facebook, o incidente rapidamente virou notícia nos principais veículos de comunicação no país.

A imprensa comparou Tanya à ativista americana Rosa Parks, que, em 1955, negou-se a ceder seu lugar no ônibus a um branco, episódio que virou símbolo da luta contra a segregação racial nos Estados Unidos.

A história de Tanya ocorre em meio a uma polêmica crescente em Israel, causada pela exclusão das mulheres de espaços públicos, imposta por ultraortodoxos.

Em Jerusalém, onde grande parte da população é religiosa, não se vê mulheres em outdoors, nem mesmo em propagandas de roupas femininas.

Várias estações de rádio religiosas não transmitem vozes femininas cantando, pois, segundo os preceitos ultraortodoxos, a mulher tem uma voz "obscena", podendo cantar apenas dentro de sua própria casa.

Algumas estações de rádio também pararam de transmitir vozes de mulheres falando.

Na semana passada, homens ultraortodoxos impediram mulheres de participar em uma eleição de lideranças comunitárias, no bairro religioso de Mea Shearim.

Depois que a história de Tanya Rosenblit chegou à mídia, a questão da segregação das mulheres foi discutida na reunião semanal do gabinete israelense.

O primeiro ministro, Binyamin Netanyahu, declarou que "o espaço público deve permanecer aberto e seguro para todos os cidadãos".