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Igreja Católica está preocupada com avanço evangélico na Amazônia

Pesquisa do Datafolha mostra que há mais evangélicos que católicos no Norte do Brasil

Assembleia de Deus no Norte. (Foto: Arquivo Pessoal / Folha de SP)

Em junho deste ano o Vaticano já demonstrava interesse em aumentar a presença da Igreja Católica na região Amazônica.

O documento emitido naquela época falava sobre a possibilidade de ordenar pessoas idosas, de preferência indígenas, respeitadas e reconhecidas por sua comunidade.

Para isso, a Santa Sé estaria disposta a ordenar homens casados como sacerdotes, algo que não é permitido aos padres.

O interesse do Sínodo da Amazônia, que começou dia 6 e durará até o dia 27 de outubro, é discutir como oferecer aos povos distantes da Amazônia o acesso à eucaristia, como explicou o Dom Mário Antônio da Silva, bispo de Roraima.

Uma pesquisa recente do Datafolha mostra que a região Norte do Brasil tem mais evangélicos que católicos. São 46% de evangélicos e 45% de católicos. A média de todo o país é de 51% da população se assumindo como católica e 32% como evangélica.

Ao longo de todo o encontro episcopal, serão discutidos assuntos de como a Igreja Católica pode se adaptar à realidade amazônica e também serão tratados assuntos comuns aos nove países que formam a região, tanto em questão pastoral, quanto ambiental.

Enquanto as igrejas evangélicas se expandiram na região, a Igreja Católica não conseguiu avançar. Com 27,3 mil padres no país, há poucos que atuam na região Amazônica e vem daí o desejo de usar lideranças locais para atrair a confiança das comunidades.

A antropóloga francesa Véronique Boyer, autora do livro “Expansão Evangélica e Migrações na Amazônia Brasileira”, analisou a situação e entendeu que esse cenário foi traçado pelos pequenos missionários que resolveram atuar na Amazônia.

“Se deve mais à ação de pequenos missionários autoproclamados —que, inicialmente, têm por objetivo fundar a sua igreja— do que a uma ação planejada de igrejas mandando missionários”, declarou ela à Folha de São Paulo.

A antropóloga lembra que os primeiros missionários estrangeiros já atuavam onde padres não iam.

“Não sei se a gente pode falar em uma certa arrogância da igreja, mas se parece um pouco com isto. É claro que padres e bispos estão agora muito preocupados”, declara a pesquisadora.

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Cardeal critica Sínodo da Amazônia: “Justificados pela fé, não pelo ativismo ambiental”

Gerhard Müller criticou vários pontos do documento, entre eles o termo “Mãe Terra”.

Neste domingo (6) uma entrevista do cardeal Gerhard Müller ao jornal Il Foglio trouxe uma série de críticas ao Sínodo da Amazônia, evento que reúne líderes católicos para discutir diversos assuntos sobre a região amazônica.

O religioso declarou que, pelos protagonistas da assembleia, “se compreende facilmente que a agenda é totalmente europeia”, sobretudo a agenda alemã para permitir que leigos tenham direito a votos.

Entre os temas a serem debatidos até o dia 27 deste mês estão o fim do celibato sacerdotal, à ordenação das mulheres, a reforma da moral sexual e a democratização dos poderes na Igreja.

Esses assuntos foram criticados pelo religioso durante a entrevista, pois ele entende que a crise da fé não “se trata de recrutar mais pessoas para administrar” as igrejas e que é necessária “uma preparação espiritual e teológica”, sendo, por isso contrário ao fim do celibato e a ordenação de mulheres.

O religioso declara que o erro está presente também no Instrumentum laboris, o documento base do Sínodo sobre a Amazônia: “um documento que não fala de Revelação, do Verbo encarnado, da Redenção, da Cruz, da Vida eterna”. Ele também critica que o evento exalta as tradições religiosas dos povos indígenas e suas cosmovisões no lugar da Relevação divina.

Müller critica também o tema ambiental como pauta de um evento religioso. “A Igreja é de Jesus Cristo e deve pregar o Evangelho e dar esperança para a vida eterna. Você não pode se tornar o protagonista de nenhuma ideologia, seja a de ‘gênero’ ou a de neopaganismo ambientalista”, declarou.

O uso do termo “Mãe Terra” dentro do “Instrumentum laboris” do Sínodo na Amazônia também foi alvo de críticas por parte do cardeal. Ele entende que a expressão é pagã, pois “a terra vem de Deus e nossa mãe na fé é a Igreja”.

“Somos justificados pela fé, esperança e amor, não pelo ativismo ambiental. É verdade que o cuidado do criado é importante, afinal vivemos em um jardim querido por Deus. Mas este não é o ponto decisivo. O fato é que, para nós, Deus é a coisa mais importante. Jesus deu sua vida pela salvação dos homens, não do planeta”, disse o religioso.

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Deputados do PT manifestam apoio ao Sínodo da Amazônia do Vaticano

Evento organizado pelo papa Francisco debate preservação da floresta.

Bombeiro trabalhando em incêndio na Amazônia. (Foto: AFP)

Uma audiência pública está sendo organizada por parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) e deputados de outros partidos em apoio ao Sínodo da Amazônia, evento organizado pelo Vaticano.

A audiência pública será realizada na Câmara dos Deputados, na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, e os deputados pretendem formular um documento sobre “Direitos Humanos na Amazônia e no Brasil”.

“Estamos prontos para contribuir com essa Assembleia tão importante, que está sendo retaliada pelo governo Bolsonaro, simplesmente porque o tema é a Amazônia que está sendo destruída e entregue ao capital estrangeiro. Todos que estão nesse apoio merecem nossos parabéns”, disse o deputado Frei Anastácio (PT-PB).

Os políticos pretendem enviar uma comitiva para participar do evento em Roma, que será realizado de 6 a 27 de outubro. O papa Francisco havia anunciado que vetaria participação de políticos no sínodo.

Participaram da reunião os deputado petistas Padre João (MG), Patrus Ananias (MG), Pedro Uczai (SC), Airton Faleiro (PA), Nilto Tatto (SP), Helder Salomão (ES), Marcon (RS), e Alessandro Molon (PSB-RJ).