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Rosinha Garotinho contra Darwin


Governo do Rio de Janeiro institui aulas que questionam a evolução das espécies

ELISA MARTINS e VALÉRIA FRANÇA

Presbiteriana, eleita com amplo apoio das igrejas evangélicas, a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, reacendeu uma velha disputa sobre a separação entre religião e Estado. Desde o fim de março, metade dos alunos da rede pública, 761.280 jovens a partir de 7 anos de idade, vem tendo aulas de religião. O Ministério da Educação recomenda que essas aulas dêem noções aos alunos sobre o que dizem todas as religiões, sem emitir opinião sobre elas. No Rio, porém, a orientação é diferente – há professores religiosos, que dão aulas sob o ponto de vista de suas crenças. O currículo básico prevê ”reflexões sobre a criação de Deus como um ato de amor”, mas não determina o que realmente será ensinado nas escolas. Pela flexibilidade, parte dos alunos está aprendendo – 145 anos depois de o evolucionista inglês Charles Darwin publicarOrigem das Espécies – que o homem foi criado do barro e a mulher veio da costela de Adão. ”Criacionismo não faz parte do programa mínimo de aulas”, diz a coordenadora de educação religiosa da Secretaria Estadual de Educação, a católica Edilea Santos. ”Mas, se o professor quiser falar sobre isso, não temos como saber. Quando ele fecha a porta da sala, só Deus é testemunha”, afirma.

Marcia Foletto/Ag. O Globo

Reprodução


DÚVIDA
”Não acredito na evolução das espécies”, declarou Rosinha

CONSENSUAL
A teoria de Darwin vem sendo comprovada há um século e meio

A lei que oferece aulas confessionais de religião nas escolas públicas do Rio vem de 2002, do governo de Anthony Garotinho, marido da governadora. No ano passado, Rosinha abriu concurso para 500 novos professores confessionais – 342 vagas para católicos, 132 para evangélicos e 26 para os demais credos. Hoje, há 793 professores de religião pagos pelo Estado em escolas de 92 municípios do Rio. A política é obra de uma governadora que anunciou em entrevista a O Globo: ”Não acredito na evolução das espécies. Tudo isso é teoria”.

As posições defendidas pela governadora e sua equipe deixaram a comunidade científica em pânico. ”A teoria criacionista, em contraponto ao evolucionismo, não se sustenta. Pode até gerar confusão na cabeça do aluno. É uma propaganda enganosa”, acusa o físico Ennio Candotti, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). ”É uma instrumentalização pouco ética de usar o poder político para impor tendências, induzir à propagação de crenças ou leituras particulares de textos tradicionalmente sagrados.” A crítica não é contra o ensino religioso, mas contra a pregação de uma crença religiosa como se fosse um argumento científico.

Denise Adams/ÉPOCA

CIENTISTA
Marcia, doutora em Microbiologia pela USP, coordena o núcleo de criacionismo em uma universidade adventista

A briga religiosa contra a biologia surgiu em meados do século XIX, quando o naturalista Charles Darwin lançou uma teoria revolucionária para explicar a diversidade da vida. Segundo Darwin, as espécies evoluem a partir de mutações geradas ao acaso. Os indivíduos com características vantajosas, como um pássaro com bico mais afiado ou um peixe com nadadeiras mais fortes, têm mais chances de sobreviver e passar esses traços às próximas gerações. Assim, gradualmente, as espécies vão se transformando. Essa visão foi criticada pelos religiosos desde o início por tirar do homem o status de ”criado à imagem e semelhança” de Deus, rebaixando-o a um mero macaco aperfeiçoado (o homem tem 98,5% do DNA igual ao do chimpanzé). Desde 1859, quando Darwin lançou seu livro, suas idéias foram sendo em parte comprovadas e em parte aperfeiçoadas por pesquisas – e se tornaram o padrão das Ciências Naturais. Hoje, a teoria da evolução suscita debates na comunidade acadêmica, mas não porque se duvide de sua validade. O que se discute, a partir de novas evidências, são detalhes como qual seria o ritmo da criação de espécies e de que forma alguns fatores – mudanças climáticas, por exemplo – podem acelerar esse processo. Os antropólogos acreditam que nossa espécie é apenas a mais bem-sucedida de um punhado de primatas que, há 6 milhões de anos, se separou do ramo dos macacos atuais. Os humanos de hoje, o Homo sapiens, surgiram entre 250 mil e 150 mil anos atrás.

A maioria das religiões cristãs se adaptou, ao longo do tempo, ao avanço da Ciência. Elas lêem o texto do Gênesis – o livro bíblico que trata da criação do mundo – como um relato simbólico, que não deve ser tomado ao pé da letra. Afinal, era esse o tipo de linguagem que os escribas religiosos judeus usavam por volta do século IX a.C., quando o livro foi escrito. Pensadores católicos ou de várias linhas protestantes de lá para cá reafirmam que a crença não é incompatível com a Ciência, desde que se entenda o relato do Gênesis dentro de seu contexto original. Quem discorda dessa visão são os grupos conhecidos como fundamentalistas – aqueles que defendem a idéia de que a Bíblia deve ser lida de forma literal, como se fosse um livro científico escrito no século XX. O principal hábitat desse grupo, composto de algumas denominações evangélicas, são os Estados Unidos – o país onde o criacionismo nasceu e tornou-se mais difundido. A disputa lá é antiga. Caso célebre foi a condenação, em 1925, de um professor, John Scopes, acusado de ensinar evolucionismo aos alunos. No Estado do Tennessee, onde o fato se deu, o ensino da teoria de Darwin era proibido por lei. Em 1999, o Conselho da Educação do Estado de Kansas também decidiu suprimir a matéria das escolas públicas. Em 2001, ä pressionado pela opinião pública, voltou atrás. Um ano depois, Ohio deixou por conta das escolas a opção de incluir o criacionismo nas aulas de Biologia. Segundo o Instituto Gallup, 90% dos americanos acreditam que Deus desempenhou algum papel na criação. Outras pesquisas apontam que 45% crêem na formação do mundo exatamente como relata o Gênesis. Também é o caso da governadora Rosinha.

Roberto Setton/ÉPOCA

PRÁTICA
A enfermeira Andréa está satisfeita com a confirmação da fé

Os criacionistas brasileiros são descendentes de uma geração de crentes que tenta encontrar razões científicas para comprovar a história do Gênesis bíblico. Chamados de neocriacionistas, eles não são exatamente do tipo que anda com aBíblia embaixo do braço para defender suas idéias, mas enxergam Deus nas menores frestas do darwinismo. Em geral aceitam, até certo ponto, a evolução. Não admitem, no entanto, que ela tenha por si só possibilitado o advento de animais e plantas ditos superiores, uma obra de Deus. Esses neocriacionistas, como seus adversários, têm Ph.D. em universidades americanas. O bioquímico americano Duane Gish, por exemplo, vice-presidente do Institute for Creation Research (ICR), já esteve no Brasil cinco vezes, dando palestras até na Universidade de São Paulo (USP). Gish contesta não apenas a teoria da evolução como a mais aceita sobre a origem do Universo, a do big bang – que, mesmo entre os cientistas, é polêmica.

Idéias como a de Gish são disseminadas pela Sociedade Criacionista Brasileira, com mil associados. ”Nosso objetivo é divulgar a idéia no país”, diz o presidente, professor Ruy Vieira. Sem vínculo com nenhuma entidade religiosa específica, a organização traduz e edita livros sobre o tema para todas as faixas etárias. Tem livros até para os alunos do ensino fundamental. Um dos principais focos de ensino criacionista no Brasil é a rede particular de escolas e universidades adventistas. Há cinco anos, o Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) montou o Núcleo de Estudo das Origens (NEO) para orientar seus cerca de 4 mil alunos. Dentro do currículo dos cursos de graduação, há um curso chamado Ciência das Origens, ministrado por seis acadêmicos de várias áreas. ”Usamos teorias científicas para provar e fortalecer o criacionismo”, diz Euler Pereira Bahia, reitor da universidade.

A Sociedade Criacionista Brasileira produz material didático

Durante o curso, tenta-se apontar falhas da teoria evolucionista. Em uma das aulas, o professor Urias Takatohi mostra slides de uma viagem que ele fez ao Grand Canyon, nos Estados Unidos, para falar de Geologia. São o gancho para que ele diga que aquelas rochas expostas no desfiladeiro não exibem evidências de um período geológico conhecido como ordoviciano, que ocorreu entre 490 milhões e 430 milhões de anos atrás e foi marcado pela explosão de espécies dos mares e pela diversificação na flora dos continentes. ”Isso mostra que pode haver falhas na teoria da evolução”, diz Urias Takatohi, doutor em Física pela USP. Ouvinte atenta, a aluna Andréa Veiga Abreu, de 27 anos, ficou muito satisfeita com a explicação. Filha de pais evangélicos, ela cresceu ouvindo que Deus criou o céu e a terra. Na igreja, recebeu aulas esclarecedoras sobre as passagens bíblicas. ”Na faculdade minha fé está sendo reforçada com exemplos da vida real”, diz Andréa, que está no 3o semestre de enfermagem da Unasp e trabalha no Hospital São Luiz. Já Ingrid Tatiana dos Santos, de 23 anos, no último ano de Biologia, teme não estar se aprofundando o suficiente em conhecimentos essenciais por limitações religiosas. ”O contato com a teoria evolucionista pura, que é importante na minha formação, acontece apenas superficialmente”, reclama a aluna, que ao nascer foi batizada na Igreja Católica.

Na Unasp, 4 mil graduandos têm aulas que questionam Darwin

O curso é justificado pela coordenadora do NEO, Marcia Oliveira de Paula, de 43 anos, doutora em Microbiologia pela USP. ”O resultado é que o aluno aprende mais do que o MEC exige”, diz. Está acostumada a ser alvo de críticas dos colegas. ”Nem sempre as pessoas entendem quem tem idéias diferentes”, diz. A doutora foi criada numa família adventista e adaptou os conhecimentos que adquiriu a sua fé. Quando discute a origem da vida, adverte que o tempo cronológico da formação do Universo segundo os criacionistas diverge da linha aceita pela Ciência. ”O planeta tem apenas de 10 mil a 6 mil anos de existência”, sustenta. A estimativa vem da idade suposta dos patriarcas citados na Bíblia. Mas é difícil dizer que foi naquele tempo que Deus criou o mundo porque, segundo a arqueologia consensual, há 6 mil anos os povos da Mesopotâmia (hoje Iraque) já estavam desenvolvendo a escrita.

As principais diferenças

ELISA MARTINS e VALÉRIA FRANÇA

AS HISTÓRIAS DA VIDA
Segundo os cientistas, a Terra surgiu há cerca de 4,5 bilhões de anos. Mas o grupo criacionista do Núcleo de Estudo das Origens afirma que a história do mundo começou há 6 mil anos

Versão científica da evolução da vida e
da história das civilizações


De 4,6 a 4,5 bilhões de anos

A Terra se forma a partir de matéria solta em torno do Sol


3,8 bilhões de anos

As primeiras bactérias surgem, estimuladas por tempestades elétricas


De 245 a 65 milhões de anos

Os répteis evoluem para os dinossauros, que dominam o planeta


65 milhões de anos

Um cataclismo, provavelmente um meteoro, extingue os dinossauros

Versão científica
Versão criacionista

150 mil anos
O Homo sapiens surge na África a partir de primatas mais primitivos

6.314 anos (4310 a.C.)
Deus criou a Terra, com os
mares, o céu e os bichos

6 mil anos (4000 a.C.)
Povos da Mesopotâmia (atual Iraque) desenvolvem a escrita

6.314 anos
Logo depois de criar o mundo, Deus também fez os seres humanos

5.200 anos (3200 a.C.)
Ascensão da civilização egípcia e construção das pirâmides

4.314 anos (2310 a.C.)
O dilúvio exterminou várias espécies, inclusive os dinossauros

4 mil anos (2000 a.C.)
Organização das cidades-estado na Grécia, como Atenas e Esparta

4.314 anos
Em questão de dias, as águas baixaram, dando lugar à fauna atual

Fotos: Repodução

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Ciência Estudos

Atlantes: Os Deuses da Antiguidade

 

 

Mapa da Atlântida de Platão: uma ilha no meio do Atlântico que desapareceu nas águas 9 mil anos atrás. Todavia, segundo a Doutrina Secreta, essa ilha era apenas território remanescente de um continente muito maior, formado por dez ilhas e que existiu em uma era geológica remota, muito mais antiga, anterior ao surgimento do homo sapiens atual.

Em 30 de junho de 1915 os Atlantes foram o tema de um pequeno mas importante artigo que apareceu no Annual Report of the Board of Regents of The Smithsonian Institution [Relatório Anual do Conselho dos Regentes do Instituto Smithsoniano [Relatório Anual dos Membros do Conselho do Instituto Smithsoniano]*. Eram as notas da “hipótese Atlante”, um texto que, anos antes, em 1912, o autor, M. Pierre Termier, membro da Academy of Sciences [Academia de Ciências] e diretor do Service of the Geologic Chart of France [Carta Geológica da França – Cartografia] tinha apresentado ao Institut Océanographique [Instituto Oceanográfico]. Eis um trecho:

Depois de um longo período de desdenhosa indiferença, observa-se que nos últimos anos [início do século XX] a ciência volta a se interessar pelos Atlantes. Naturalistas, geólogos, zoólogos, botânicos, estão perguntando se Platão não teria registrado para a posteridade, com pequeno exagero, uma página da História da Humanidade. Nenhuma afirmação é, ainda, permitida; porém, parece cada vez mais evidente que uma vasta região, continental ou constituída de grandes ilhas, desapareceu a oeste das Colunas de Hércules, estreito de Gibraltar e que esse desaparecimento ocorreu em passado não muito distante. De todo modo, a questão dos Atlantes novamente se apresenta diante dos cientistas e eu creio que não poderá ser resolvida sem o auxílio da Oceaonagrafia. Por isso, é natural discutir isso aqui, no templo da ciência marítima, lembrando que essa hipótese, por longo tempo deixada de lado, agora, deve ocupar seu lugar entre os interesses dos oceanógrafos e daqueles que, imersos no tumulto das cidades puderem emprestar os ouvidos aos murmúrios distantes do mar.

No texto, Mr. Termier apresenta dados geológicos, geográficos e zoológicos que sustentam a Teoria Atlante. Se o leito do oceano Atlântico fosse drenado seria possível ver que seu relevo irregular, passando por terras emersas em uma linha que vai das Ilhas Açores à Islândia, é constituído de solo vulcânico até 3 mil metros de profundidade. A natureza vulcânica das ilhas e todo o território emerso e submerso hoje existentes no Atlântico reforçam a informação de Platão de que o continente Atlante foi destruído por um cataclismo tectônico-vulcânico. [Ou, segundo a linguagem ocultista, pela água e pelo fogo] Também o zoólogo francês M. Louis Germain, admitiu um continente Atlante conectado com a península Ibérica e a Mauritânia, prolongando-se rumo ao sul, incluindo regiões de clima desértico.

A descrição da civilização Atlante fornecida por Platão, em Crítias, pode ser assim resumida: no princípio dos tempos, os “deuses” dividiram a Terra entre si de acordo com suas respectivas dignidades [poderes e inclinações]. Cada um se tornou divindade principal em seu território onde foram erguidos templos, símbolo da grandeza daqueles “deuses”; templos dirigidos por cleros onde eram realizados rituais, entre os quais, os sacrifícios.

A Poseidon, coube o mar e a continental ilha chamada Atlântida. No centro da ilha existia uma montanha, morada de três seres humanos, primitivos filhos da Terra: Evenor, sua mulher Leucipa e sua única filha, Cleito. A donzela possuía grande beleza. Quando seus pais morreram, foi cortejada por Poseidon e desse namoro nasceram cinco pares de filhos [todos varões]. Poseidon, então, dividiu a ilha-continente em 10 distritos, um para cada filho e designou o mais velho, Atlas, imperador dos nove reinos, líder entre os irmãos. A ilha-continente foi, então, por desejo de Poseidon, chamada Atlântida e o oceano, Atlântico, em honra ao primogênito Atlas. O Império Atlante era geo-politicamente configurado em círculos concêntricos, alternando faixas de terra e faixas de água, marcando as diferentes zonas/reinos. Na região central, duas faixas de terra eram irrigadas por três anéis, de água: dois eram fontes de água morna; um de água fria.

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Ruínas submersas de uma civilização esquecida. Localizam-se nas águas das Bahamas. Na foto do meio, a famosa Estrada de Atlântida. Dir.: Poseidon ou Netuno [para os Romanos], como divindade, regente dos mares; historicamente, seria o fundador da Atlântida.

Platão falou, ainda, das pedras brancas, negras e vermelhas usadas na construção dos edifícios públicos e docas. Cada faixa de terra era delimitada por uma muralha tripla: a exterior, feita de bronze; a do meio, de estanho e a mulralha interior, voltada para a cidadela, era recoberta de oricalco [um mineral atlante misterioso hoje desconhecido]. Além de todos os palácios, templos e edificações preciosas, no centro do centro, havia um santuário dedicado a Cleito [Clito] e Poseidon. Ali tinha sido o local de nascimento dos 10 príncipes de Atlântida onde, todos os anos, seus descendentes entregavam oferendas.

Construção grandiosa da cidadela, o Templo de Poseidon era externamente revestido de prata e suas torres, de ouro. No interior, mármore, mais ouro e prata e oricalco, do piso às pilastras. O templo abrigava uma estátua colossal de Poseidon conduzindo os seis cavalos alados de sua carruagem, acompanhado de centenas de Nereidas cavalgando golfinhos. Nos jardins, estátuas de ouro representando os primeiros dez reis de Atlântida e suas rainhas.

Nos bosques e jardins, fontes de águas quentes e frias, e outros tantos templos dedicados a várias divindades, ginásios esportivos para homens e animais, banhos públicos e pistas para corridas de cavalos. Fortificações erguiam-se em pontos estratégicos dos círculos e um grande porto recebia navios de outras nações do mundo. Em Atlântida havia cidades/distritos tão populosas [os] que os sons de vozes humanas estavam sempre no ar.

A costa da ilha era constituída principalmente de terreno escarpado, muito íngreme mas a cidadela central era plana, rodeada de colinas de grande beleza. Os campos rendiam duas colheitas por ano: no inverno, alimentados por chuvas regulares e, no verão, irrigados pelo sistema de canais, que também era usado como via de transporte. Essas planícies eram divididas em secções; em tempos de guerra cada secção era protegida por um contingente de guerreiros e carruagens.

Na ordem geo-socio-política, os reis eram soberanos tinham total controle sobre seu próprio território mas suas relações mútuas eram regidas por um código, elaborado pelo primeiro rei de Atlântida e gravado em uma coluna de oricalco no templo de Poseidon. Em intervalos de tempo de cinco a seis anos, os reis peregrinavam até o templo. Na ocasião, cada um dos reis renovava seu juramento de fidelidade – diante do código sagrado.

Vestiam túnicas azul-celeste e sentavam-se para deliberar. Ao amanhecer, registravam suas decisões por escrito sobre tábuas de ouro, envolviam as tábuas nos mantos e guardavam tudo em um memorial. A lei máxima dos reis atlantes proibia a guerra entre os reinos-irmãos e estabelecia um compromisso de assistência mútua entre os reinos em caso de ataques externos. A decisão final sobre assuntos de guerra era uma atribuição exclusiva dos descendentes de Atlas, [o primogênito de Poseidon] mas nenhum rei tinha poder de vida e morte sobre os súditos sem o consentimento da maioria do Conselho dos Dez.

Platão finaliza seu relato contando que o grande império Atlante, um dia, atacou as cidades-estados gregas, fato que aconteceu em uma Atlântida já decadente, cujos reis haviam se desviado, irremediavelmente, dos caminhos da sabedoria e da virtude. Tomados por insana ambição, aqueles últimos reis desejaram conquistar todo o mundo. Então, [e aqui documento se mistura com lenda e alegoria], Zeus, percebendo a maldade, degeneração dos atlantes, reuniu os deuses na “santa morada”… E assim termina, em Crítias, abruptamente, a história de Platão sobre a Atlântida. No Timæus, a descrição do fim da Atlântida, mais generosa, é atribuída a Sólon, que teria obtido as informações de um sacerdote egípcio. Nesse texto, o fim da Atlântida e de seus reis ambiciosos e expansionistas precipita-se sob os desígnios de forças naturais; é o cataclismo:

Ocorreram violentos terremotos e inundações e, em um único dia e uma única noite de temporais todos os guerreiros atlantes desapareceram da face da Terra assim como a grande ilha-continente, que submergiu, engolida pelo mar. Essa é a razão pela qual o oceano, naquela região é impenetrável, intransitável, porque as águas, rasas, [aterradas] são densas e impregnadas de lama e lodo; porque ali afundou a grandiosa Atlântida.

Na introdução de sua tradução do Timæus, Thomas Taylor se refere a uma History of Ethiopia [História da Etiópia], escrita por Marcellus, onde a Atlântida é mencionada: Naquele tempo existiam sete ilhas no Oceano Atlântico. Eram ilhas consagradas aos deuses: uma “pertencia” a Proserpina; três outras, de enormes dimensões, eram as terras de Plutão, Amon e Netuno. Crantor [1], comentando Platão, lembra que, segundo os egípcios, a história do reino perdido foi escrita sobre os pilares que ainda restavam, nas ruínas das ruínas, 300 anos antes de Cristo. Ignatius Donnely, que estudou profundamente a Atlântida, acreditava que os cavalos foram animais domesticados pelos Atlantes e, por isso, os cavalos são, por tradição mítica, sagrados em associação com Poseidon.

1. CRANTOR: Filósofo grego que viveu em meados do século IV antes de Cristo.

Ocultismo ─ Altântida Esotérica: [Para muitos estudiosos], a análise da descrição de Atlântida por Platão não pode ser condiderada completamente histórica; antes, seria um relato onde documento histórico e alegoria se misturam. Orígenes, Porfírio, Proclus, Jâmblico e Syrianus entendem que Atlântida de Platão guarda um profundo mistério filosófico: a alegoria Atlante simbolizaria os Três Aspectos da Natureza, tando na dimensão do Universo quanto na dimensão do ser humano. Os dez reis do Império, os tetractys, representam os cinco pares de tendências opostas em conflito, no macrocosmo e no microcosmo [no homem ─ segundo Theon de Smyrna sobre a Doutrina Pitagórica dos opostos]. Os números, de 1 a 10 regem todas as criaturas e os números, por sua vez, estão sob o domínio da Monada – o número 1, o mais antigo, primeiro e gerador de todos os demais.

O cetro de Poseidon, o Tridente, representava o poder daqueles reis sobre os habitantes das dez ilhas [ou distritos?] que configuraram a geo-política atlante. Sete três ilhas menores e três de grandes dimensões que, um dia, abrigaram a civilização Atlante. Ainda do ponto de vista filosófico [e, opina este tradutor, que a interpretação parece um tanto forçada] ─ as três ilhas maiores referem-se aos Três Poderes da Divindade Superior ─ [tradição, como se vê, arcaica, que hoje figura na teologia de grandes religiões, como a trindade Santa do cristãos, a Trimurti hindu]. As sete menores, são os sete regentes que se submetem Àquele que ocupa o Trono [o Princípio de Todas as Coisas].

Considerando a Atlântida do ponto de vista arquetípico, sua submersão, significa a queda do homem racional, queda da consciência organizada na Ilusão, no Reino da impermanência, do irracional, da ignorância mortal. A queda de Atlântida e a alegorias bíblicas das “quedas” de homens e anjos significam a mesma coisa: submissão à matéria bruta e involução espiritual.

Toda essa simbologia não significa que a Atlântida seja apenas um mito. Porém, a imprecisão dos relatos, carência de evidências documentais e mesmo geológicas fazem com que o continente seja muito mais lendário que histórico; tanto mais que a Atlântida tornou-se uma espécie de lugar fantástico por causa das tradições sobre suas origens, dimensões, aparência e, ainda, as contradições de datas, entre esplendor de uma civilização e seu aniquilamento total. Em Platão, o último suspiro de Atlântida aconteceu a 9 mil e seiscentos anos antes de Cristo.

Não existem provas definitivas de que o Império Atlante, um dia, existiu. Todavia, os ecos de sua mitologia presentes nas Cosmogonias e Antropogêneses mais recentes depõem a favor de sua remota realidade. No centro do Império, localizado na ilha central, havia uma montanha grandiosa cuja sombra se projetava em uma área de cinco mil estádios cujo cume tocava uma esfera de æther [matéria espiritual refinada].

Ali era o eixo do mundo, lugar misterioso e sagrado para muitos povos [diferentes e distantes entre si]. A esfera simbolizava a cabeça do Homem onde se organizam os quatro elementos que constituem o corpo. Essa montanha sagrada dos Atlantes é a origem das montanhas sagradas da cultura religiosa de numerosas nações, como o Monte Olimpo dos gregos, o monte Meru do Tibete, Asgard dos nórdicos. A Cidade dos Portões de Ouro, capital de Atlântida, é Cidade dos Deuses; ou, a Cidade Santa, modelo da Nova Jerusalém, cujas ruas são pavimentadas com ouro e seus vinte portões, ornamentados com pedras preciosas.

Sobre essa herança de Atlântida, escreve o pesquisador do tema, Ignatius Donnely: “A história de Atlântida é a chave da mitologia grega. Parece fora de questão que os deuses olímpicos, gregos, foram seres humanos. A tendência de atribuir atributos divinos aos primeiros legisladores da nação é uma prática tradicional, faz parte da natureza humana e era mais do que natural no pensamento dos antigos”.

Donnely assinala, ainda, que as divindades do panteão grego não eram vistas como Criadoras do Universo mas, como regentes de diferentes esferas da vida humana, das emoções às atividades de subsistência [teriam sido os Mestres de uma Humanidade primitiva ou arrasada por desastres naturais].

O “Jardim do Éden”, os paraísos da cosmografia de tantas religiões, de onde os homens foram expulsos pela “espada flamejante” seria, então, uma reminiscência, lembrança das maravilhas de uma Atlântida que estava situada a oeste da Colunas de Hércules e que foi destruída por cataclismos vulcânicos. O Dilúvio, outro acontecimento mítico presente na cultura de muitos povos, corresponderia à inundação de Atlântida e, assim, o “mundo” foi destruído pelo fogo e pela água


Mistérios Atlantes

Nas profundezas do oceano Atlântico, jazem os restos de um continente. …Por todo o litoral atlântico ─ de ambos os lados do oceano ─ tribos e nações não conseguiram esquecer sua existência. …O nome, em grande número de línguas, quase sempre contém os sons A-T-L-N. …Lembranças de um continente desaparecido parecem ser instintivamente compartilhadas até por animais. …Aves, em suas migrações sazonais da Europa para a América do Sul, ficam circulando por sobre a mesma área do Atlântico, talvez à procura, sem sucesso, do local onde seus ancestrais um dia descansaram.

Um Nome ─ Um vestígio:

[Autores antigos, greco-romanos designavam] …as tribos do noroeste da África… como atalantes, atarantes. [Outros] autores clássicos, como atlantioi …As tribos berberes da África setentrional conservavam suas próprias lendas sobre Attala, um reino guerreiro localizado ao largo da costa africana, com ricas minas de ouro, prata e estanho, e que enviavam para a África não apenas esses metais, mas também exércitos conquistadores. Attala está agora submersa no oceano mas, segundo uma profecia, reaparecerá um dia.

Os bascos, habitantes do sudoeste da França e norte da Espanha, acreditam-se descendentes de Atlântida, a que chamam Atlaintika. Marinheiros fenícios e cartagineses eram notoriamente familiarizados com uma próspera ilha ocidental por eles chamada Antilla. Nos Puranas e no Mahabaratha indianos existem referências a Attala ─ a Ilha Branca ─ continente localizado no oceano ocidental. Nas Américas Central e do Sul e parte do território do México, os nativos, astecas, se acreditavam originários de Aztlán, uma ilha que para eles situava-se no oceano oriental.

Herança Atlante: É possível que religião, filosofia e conhecimentos científicos dos sacerdotes da Antiguidade sejam uma herança da civilização Atlante que foi aniquilada levando para o fundo do mar, quase sem deixar vestígios, uma grandiosa página da história da espécie humana. Os Atlantes adoravam o sol, devoção que foi perpetuada entre pagãos e cristãos. A cruz e a serpente eram [e ainda são] emblemas que, entre os atlantes, representavam a sabedoria divina.

Mitologias de muitas nações falam de deuses que “vieram do mar”. Entre nativos americanos, especialmente América Central e América do Norte, os shamans falam de homens adornados com plumas e conchas que saem das águas oceânicas para instruir o povo sobre artes e ofícios. Entre os caldeus [Mesopotâmia], existe Oannes, criatura meio homem, meio anfíbio, que sai do mar para instituir entre os selvagens os princípios da civilização: escrita, leitura, cultivo do solo, cultivo de ervas curativas, a ciência da astronomia, as formas de governo e os mistérios sagrados da religião. Também “deus-Salvador” maia, Quetzalcoatl, saiu do mar e, depois de instruir e civilizar o povo, subiu ao céu e voou, de volta ao mar, à bordo de um barco mágico conduzido por serpentes para escapar da ira do “Espelho Flamejante”, o deus Tezcatlipoca.

Muitos estudiosos acreditam que esses “iniciadores”, “deuses-mestres”, semideuses que povoam as Eras Míticas, foram sacerdotes, homens de ciência ou apenas homens acostumados com artefatos e instituições da civilização que sobreviveram ao aniquilamento da Atlântida. Em todo o mundo, esses Mestres são lembrados como seres gloriosos, que usavam jóias, ouro, de sabedoria assombrosa e que tinham como símbolos do sagrado a cruz e a serpente.

Nos lugares onde viveram, esses Mestres promoveram a construção de pirâmides e templos que remetem à descrição do Grande Santuário da Cidade das Portas Douradas. Essa seria a origem das pirâmides do Egito, México e América Central [e outras, pouco faladas, como as pirâmides Chinesas]; o mesmo se aplica aos mounds [colinas artificiais] da Normandia e da Bretanha e numerosas edificações piramidais espalhadas por todo o globo. Possivelmente, o cataclismo que destruiu Atlântida aconteceu em meio a um processo de colonização, expansão territorial dos Atlantes. Sacerdotes Iniciados da Sagrada Chama, “missionários”, que prometeram voltar às suas colônias, nunca retornaram; e depois do intervalo de séculos a tradição manteve apenas relatos fantásticos sobre deuses que vieram do mar e voltaram ao mar.

A ocultista e pioneira da teosofia no Ocidente, H. P. Blavatsky, escreveu sobre as causas esotéricas da destruição da civilização Atlante correspondente à Quarta Raça Humana [a atual é a Quinta]: “Sob a influência do mal [corrupção] a raça Atlante tornou-se uma nação de magos negros. A primeira consequência foi a guerra. Essencialmente, essa situação foi desfigurada em alegorias como a saga de Caim, os Gigantes, Noé, sua retidão de caráter e sua missão de preservar as sementes da Humanidade em uma Arca.”

A Natureza [Deus] acabou com a guerra e a corrupção afundando a Atlântida em meio ao caos das erupções vulcânicas, terremotos e maremotos. A lembrança dessa tragédia aparece nos livros sagrados contemporâneos, nos Dilúvios, de Gilgamesh ao Antigo Testamento judaico-cristão. A herança Atlante, não é, portanto, um baú de maravilhas: artes, tecnologia, ciências, filosofia, religião; também ódio, conflitos, intolerância, competição, discórdia, perversão constituem um legado desses ancestrais.

Os Atlantes teriam instigado a primeira guerra do mundo; todas as outras guerras subseqüentes foram travadas como esforço infrutífero de justificar aquela primeira e consertar/compensar prejuízos sofridos. Antes da submersão da Atlântida, uma minoria de Iluminados, percebendo que sua terra estava definitivamente amaldiçoada, desviada do Caminho da Luz, migraram para lugares distantes levando consigo a “Doutrina Secreta” de todos os saberes. Entre estes refugiados, houve os que se estabeleceram no Egito onde converteram-se, perante o entendimento do povo, nos “divinos legisladores”. Outros, em outras partes do mundo, desempenharam papel semelhante gerando essa misteriosa cultura global que permeia a evolução de todas as grandes nações e impérios na história da Humanidade atual.

Fonte: Sofa da sala

Atlantis and the Gods of Antiquity por Manly P. Hall
IN The Secret Teachings of All Ages, 1928
tradução e adaptação: Ligia Cabús

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Rev. Ângelo Medrado, Bacharel em Teologia, Doutor em Novo Testamento, referendado pela International Ministry Of Restoration-USA e Multiuniversidade Cristocêntrica é presidente do site Primeira Igreja Virtual do Brasil e da Igreja Batista da Restauração de Vidas em Brasília DF., ex-maçon, autor de diversos livros entre eles: Maçonaria e Cristianismo, O cristão e a Maçonaria, A Religião do antiCristo, Vendas alto nível, com análise transacional e Comportamento Gerencial.

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