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Juristas e Igreja contestam a decisão do STF sobre união homoafetiva

 

Para o arcebispo do Rio, definição de família ‘não nasce do voto ou da opinião de um grupo’; para procurador, não é matéria de jurisdição

05 de maio de 2011 | 21h 16

Alexandre Gonçalves, Fernanda Bassette e Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo

A Igreja Católica e juristas contestaram nesta quinta-feira, 5, a decisão favorável à união estável homoafetiva, que dá aos homossexuais os mesmos direitos de casais heterossexuais, anunciado pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

"A definição do que é uma família não nasce do voto ou da opinião de um grupo majoritário. É algo de direito natural, está inscrito na própria condição humana", afirmou d. Orani João Tempesta, arcebispo do Rio.

D. Orani ressaltou que a Igreja Católica não é contrária aos "legítimos direitos das pessoas". Como exemplo, afirmou que recebem apoio da Igreja leis relacionadas à partilha de bens de pessoas do mesmo sexo que construíram um patrimônio juntas. Contudo, não seria possível admitir a equiparação legal com o casamento heterossexual, com o consequente reconhecimento dos direitos associados a uma família tradicional.

Crítico do ativismo judicial do Supremo, o jurista Ives Gandra Martins, de 76 anos, ex-professor titular de Direito Constitucional da Universidade Mackenzie, defende a mesma opinião. "Pessoalmente sou contra o casamento entre homossexuais, não contra a união. A união pode ser feita e tem outros tipos de garantias, como as patrimoniais. Minha posição doutrinária, sem nenhum preconceito contra os homossexuais, é que o casamento e a constituição de família só pode acontecer entre homem e mulher. Mas o Supremo é que manda e sou só um advogado."

Para Martins, o STF assumiu o papel do Congresso Nacional ao decidir sobre o tema. "Sempre fui contra o ativismo judiciário. O que a Constituição escreveu é o que tem que prevalecer. É evidente que não estou de acordo com os fundamentos da decisão. Entendo que o STF não pode se transformar num constituinte."

Lenio Streck, procurador de Justiça do Rio Grande do Sul, concorda com Martins e diz que a decisão sobre as uniões homoafetivas cabe ao Congresso. "Isso é o espaço para discussão do legislador, como se fez na Espanha e em Portugal. Lá esse assunto foi discutido pelo Parlamento. O Judiciário nesse ponto não pode substituir o legislador."

A partir de agora, a decisão vai prevalecer em todo o País. "Com advogado tenho que reconhecer que, indiscutivelmente, todos os julgadores terão que decidir de acordo com a decisão do STF", diz Martins.

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Em entrevista Silas Malafaia afirma que STF “rasgou a Constituição”

 

O pastor acredita que essa aprovação seja uma porta aberta para outra questão, a aprovação da PL 122

Em entrevista Silas Malafaia afirma que STF “rasgou a Constituição”

Na última sexta-feira o pastor Silas Malafaia concedeu uma entrevista ao SRZD falando sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de aprovar a união estável entre pessoas do mesmo sexo.

A decisão tomada pelos ministros na quinta-feira, 5, deixou o  líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo indignado. Ele, que se manifestou contra essa aprovação e chegou a ser desrespeitado na internet por suas colocações, declarou que os ministros “rasgaram a Constituição Federal”.

“Homem e mulher, a lei define gênero. Para aprovar isso (a união entre homossexuais) teria que mudar a Constituição. O STF rasgou a Constituição. Ficamos a mercê da opinião pública”, disse Malafaia.

O pastor acredita que essa aprovação seja uma porta aberta para outra questão, a aprovação da PL 122 (Projeto de Lei), que criminaliza a homofobia. “Aprovando esta vergonha, os senhores estão abrindo as portas para que a PL 122, que é a lei mais esdrúxula que já vi na vida, seja aprovada no Congresso, favorecendo homossexuais, criminalizando a opinião e os heterossexuais”, afirmou.

Para impedir que isso aconteça  Malafaia  está promovendo uma manifestação contra a  PL 122 e convida a todos a estarem com ele no dia 29 de junho em frente ao Congresso Nacional às 15h. “Vamos fazer um barulho pesado em frente ao Congresso. Convidamos qualquer um que seja contra essa vergonha a vir conosco: padre, deputado, pastor, todo mundo. Será um barulhão, mas uma ordem pacífica, claro.”

Fonte: Gospel Prime

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Depois de choques entre muçulmanos e cristãos, premiê egípcio convoca reunião

 

Essam Sharaf adiou viagem para reunião de emergência; confrontos deixaram dez mortos e mais de cem feridos.

08 de maio de 2011 | 7h 30

O primeiro-ministro do Egito, Essam Sharaf, convocou uma reunião de emergência do gabinete de governo depois dos confrontos entre muçulmanos e cristãos durante a noite no Cairo, que deixaram dez mortos.

Segundo a imprensa estatal do país, Sharaf adiou uma viagem ao Barein e Emirados Árabes Unidos para discutir a violência religiosa no bairro de Imbaba que, além de dez mortos, também deixou mais de cem feridos.

"O primeiro-ministro Sharaf convocou uma reunião de emergência do gabinete de governo para discutir os eventos lamentáveis em Imbaba", afirmou Ahmed al-Saman, porta-voz do governo, à agência de notícias estatal Mena.

Os confrontos começaram depois que centenas de muçulmanos conservadores se reuniram em uma igreja alegando que uma mulher cristã que se converteu ao islamismo estava sendo mantida contra a vontade dentro da igreja.

Segundo a agência Mena, a mulher teria se casado com um muçulmano e queria se converter ao islamismo.

O que teria começado como uma discussão entre manifestantes, seguranças da igreja e moradores das proximidades evoluiu para um confronto envolvendo armas, bombas e pedras.

Duas igrejas e algumas casas do bairro foram incendiadas e foram necessárias algumas horas para que os serviços de emergência e militares controlassem a situação.

Segundo o correspondente da BBC no Cairo Jonathan Head, a ocorrência de outro episódio grave de violência em uma comunidade, enquanto o governo militar lidera um processo de transição hesitante é mais um motivo de preocupação para o Egito.

Movimento salafista

Testemunhas afirmaram que centenas de muçulmanos integrantes do movimento salafista se reuniram na Igreja Copta de Santa Mena, no bairro populoso de Imbaba, na noite de sábado.

Eles protestavam contra a alegação de que uma mulher cristã estava sendo mantida presa na igreja.

No entanto, uma pessoa que estava no local, um blogueiro chamado Mahmoud, disse à BBC que as pessoas que viram o início da violência afirmaram que os que começaram o confronto pareciam "bandidos comuns" ao invés de salafistas.

O blogueiro testemunhou o incêndio em uma segunda igreja e ajudou os bombeiros a apagar as chamas.

O grupo salafista, que adotou uma postura mais expressiva desde que Hosni Mubarak deixou a Presidência em fevereiro, já fez outras denúncias de mulheres sendo mantidas contra a vontade dentro de igrejas.

Em março 13 pessoas morreram em confrontos semelhantes em outro bairro. Em abril, manifestantes na cidade de Qena, sul do Egito, cortaram os transportes para o Cairo durante uma semana em protesto contra a indicação de um governador cristão para a região.

Cerca de 10% da população do Egito é formada por coptas. A maioria é de muçulmanos.

De acordo com o correspondente da BBC, esta minoria cristã agora teme pela própria segurança caso os muçulmanos conservadores consigam bons resultados nas eleições, marcadas para setembro. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.



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