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As implicações da união com Cristo.

 

Francisco Macena da Costa

Francisco Macena da Costa

Texto base: Colossenses 2:6-15, RA
"Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças. Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade. Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos. E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz. "
Introdução
Enfrentar uma realidade onde pessoas são convocadas a crer em objetos, criaturas e mitos como forma de encontrar segurança e superação de crises não é uma batalha exclusiva dos nossos dias. Na Igreja de Colossos e também na Galácia, já existiam falsos mestres que pregavam uma espécie de legalismo judaico misturado ao entendimento gnóstico que seduzia o povo para aderir a tais práticas. Aos gálatas, Paulo precisou escrever:
"Outrora, porém, não conhecendo a Deus, servíeis a deuses que, por natureza, não o são; mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco." (Gálatas 4:8-11, RA)
Em nossos dias, esta mesma realidade se ergue com uma nova roupagem, onde dentro dos ajuntamentos do evangelicalismo brasileiro, mais e mais pessoas passam a aderir numa estranha crença no poder de óleos, lenços, águas e outros objetos tidos como sagrados. Outros passam a crer em dias santos, como tempo para reflexão e purificação. Os que assim pensam conferem um poder místico aos jejuns, a abstenção de alimentos e bebidas e outras tantas superstições que se cumpridas farão delas pessoas melhores.
No texto que hoje, lemos o apóstolo Paulo nos ensina sobre a natureza da união com Cristo. Existem algumas implicações que emanam do legítimo ensino apostólico e que são profundamente relevantes para os dias que estamos enfrentando.
I. A união com Jesus Cristo implica na submissão de todo nosso ser ao Senhor. (6-8)
O apóstolo Paulo buscando instruir os crentes sobre a natureza da união com Cristo, diz que expressamente que o correto relacionamento com Cristo é aquele onde nós o recebemos como Senhor. Sendo, Jesus o Nosso Senhor, o apóstolo nos convoca a uma total submissão de nossas vidas diante de Cristo. Entretanto, para Paulo a natureza desta submissão se expressa a partir de algumas atitudes, de tal forma que ser submisso a Cristo significa:
1. Andar Nele. Por isso Paulo diz: “Assim andai nele”. Uma das ilustrações mais recorrentes da vida em sua conjunção ética é expressa através das figuras que falam do “andar”. Por isso as Escrituras nos ordenam dizendo: "Tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te." (Deuteronômio 6:7, RA). Segundo o apóstolo Paulo o ato de receber Jesus como o Senhor implica em “andar nele”, ou seja, viver cada momento da existência reconhecendo em tudo o Senhorio absoluto de Cristo, procurando em tudo e em todas as circunstâncias (trabalho, cultura, família e espiritualidade) realizar sua vontade.
2. Ser radicado Nele. Por isso Paulo diz: “nele radicados”. Isto significa que como servos de Cristo devemos estar “radicados – firmados” Nele. De acordo com os ensinos do Senhor, no sermão da montanha, o homem sábio é aquele que edifica sua casa sobre a rocha. De maneira semelhante, mas usando a ilustração das raízes das arvores, o apóstolo nos diz que reconhecer e viver em Cristo como Senhor das nossas vidas implica radicalmente em existirmos firmados em seus ensinos, sem dele nos desviarmos. Assim não seremos "agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro." (Efésios 4:14, RA)
3. Ser Edificado Nele. Paulo diz: “edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos”. Viver em Cristo, segundo o ensino de Paulo, é reconhecer a majestade de Jesus edificando e confirmando a vida na instrução da fé recebida através da mensagem do Evangelho. Logo, reconhecer Cristo como Senhor é viver tendo suas promessas e sua obra como fundamento de todo o nosso ser e isto confirmados na fé – de acordo com a fé expressa do Evangelho.
"Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo." (1 Coríntios 3:11, RA)
"Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração, sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo." (2 Pedro 1:19-21, RA)
4. Crescer Nele. Paulo diz: “crescendo em ações de graças”. O fato de receber e aceitar Cristo como Senhor e Nele viver sem desviar nem para a direita ou para esquerda, não significa uma vida inerte. Pelo contrário, é somente unido a Cristo que temos a chance de crescer de forma segura, perfeita e estável. No dizer de Paulo é com gratidão em nosso ser que devemos buscar crescer em Cristo, a cada dia entregando, enraizando, fundamentando e confirmando nossa vida Nele.
5. Ser Protegido Nele. “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo”. Aqueles que recebem Cristo como Senhor devem ter cuidado para não serem enleados pelos ensinos daqueles que não seguem Cristo, antes seguem tradições humanas, misturadas a filosofias que apenas expressão os rudimentos do mundo. O que Paulo está dizendo é o seguinte: os que estão em Cristo, possuem o suficiente para viver de forma autentica sem a necessidade de apelar para vãs filosofias deste mundo.
Mas será que o fato de seguir Jesus Cristo e perseverar numa submissão a ele nos desviando das vãs filosofias deste mundo, nos concederá uma vida melhor? De acordo com Paulo, não somente uma vida melhor, mais uma vida no caminho da perfeição, pois:
II. A união com Jesus Cristo implica na busca do aperfeiçoamento da vida. (9-12)
Na Igreja de Colossos, ao que podemos inferir do texto, existiam alguns seres que se colocavam como perfeitos através de uma mistura sincrética dos cumprimentos de regras da lei associados aos mitos gnósticos. Contudo, o apóstolo Paulo, nos mostra que o caminho da perfeição é outro bem diferente daquele exposto segundo os rudimentos do mundo, pois no dizer de Paulo, a perfeição é alcançada somente quando nos unimos a Cristo e recebemo-lo como Senhor. A fim de proclamar que toda a perfeição está em Cristo, o apóstolo Paulo refere a algumas verdades fundamentais, a saber:
1. Jesus Cristo é Deus. Paulo reitera que “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade”. Paulo parte da convicção explícita da divindade de Jesus Cristo. Não como se Jesus fosse um “deus” menor ou coisa parecida, mas a certeza de que em Jesus a plenitude de Deus se faz presente. Logo, é somente em Cristo que podemos encontrar o caminho da vida perfeita, porque em Cristo podemos encontrar com Deus e ouvir sua voz, conhecer sua vontade e por fim aceitar sua graça.
2. Jesus Cristo é o Cabeça. O apóstolo diz: “Ele é o cabeça de todo principado e potestade”. Paulo não duvida que existam poderes operando no mundo, sendo que muitos deles agem operando para a morte. Autoridades (políticas e religiosas), potestades do ar, anjos e demônios, são exemplos de tais poderes. Contudo, Paulo afirma expressamente que Jesus Cristo é o Cabeça sobre tudo e sobre todos. Sendo assim a perfeição é sinônimo de submissão a Cristo porque ele é o Cabeça acima de tudo e de todos.
3. Jesus Cristo é a nossa circuncisão. Paulo fala que “Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo”. A circuncisão é um símbolo de pureza, santificação e relacionamento com Deus e sua aliança. Na época de Paulo, os judeus conferiram amplo valor ao rito externo transformando a circuncisão num meio de ser perfeito. Logo, os não circuncidados não seriam perfeitos ainda que fossem seguidores de Cristo, por isso eles deveriam também ser circuncidados. Diante de tal ensino errôneo, Paulo afirma que Cristo nos circuncidou (separou, limpou e selou) não como que por mãos humanas, mas quando despojou a existência carnal de nossas vidas. Sendo assim em Cristo podemos ser perfeitos porque ele não circuncida o corpo, mas corta os vícios do pecado, para assim vivermos de forma santa como povo de coração circuncidado.
4. Jesus é a nossa ressurreição. Paulo afirma: “tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos”. Enquanto na circuncisão a pureza e a separação estavam simbolizadas e apontavam para a obra de Cristo por nós, Paulo passa diretamente para o significado do batismo cristão, indicado seu significado como uma ilustração de nossa união com Cristo em sua morte e ressurreição. Paulo está dizendo que quando somos batizados em Cristo estamos dando testemunho de nossa morte para o mundo e nossa ressurreição para Deus. Este é um ato de fé no poder de Deus e não no rito em si. Conseqüentemente, a perfeição não está nos ritos em si, mas na fé no poder de Deus que em Cristo nos faz provar a verdadeira morte e a verdadeira vida.
Em Cristo, podemos encontrar o verdadeiro caminho da completude e da vida perfeita aos olhos de Deus. Mas como se dão na vida os benefícios de tal perfeição proposta em Cristo? Paulo responde afirmando que:
III. A união com Jesus Cristo implica na vitória sobre os poderes que aprisionam o ser humano. (13-15)
Já vimos anteriormente que, de acordo com entendimento paulino, existe no mundo poderes que escravizam o ser humano. Os teólogos sistemáticos geralmente classificam estes poderes em forma de uma tríade que reúnem a carne, o mundo e o diabo. Na igreja de Colossos existiam alguns que pregavam uma vitória sobre estes poderes, através do cumprimento mecânico de alguns ritos especiais. De certa forma, Paulo descreve essas práticas, quando diz:
"Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade." (Colossenses 2:20-23, RA)
Se tais ritos são nulos, então como poderemos vencer entes poderes? Para encontrar a resposta para tal questão precisamos lembrar que o apóstolo Paulo tem a certeza de que só podemos vencer tais poderes se estivermos unidos com Cristo. Vejamos, pois a forma como Paulo expõe a vitória de Cristo sobre os poderes deste mundo.
1. Somente em Jesus podemos vencer o poder morte. “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele”. A prisão do ser humano não está fora, mas dentro da alma. A morte é o salário do pecado e a manifestação evidente de um coração incircunciso que teima em seguir o caminho contrário em relação a vontade de Deus. Apesar, deste estado miserável logrado ao ser humano por causa do pecado, o Senhor em sua bondade e graça, rompeu as portas da morte e do carne para conceder vida aqueles que estão unidos a Cristo. Sendo assim, só podemos vencer os poderes que matam a humanidade se estivermos antes de tudo unidos a Cristo, para assim vivermos de forma autentica e liberta da carne.
2. Somente em Jesus podemos vencer o poder do pecado. “perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz”. Em outras palavras, em Cristo, Deus nos salvou da condenação do pecado. Cristo pagou o preço do nosso resgate, que por sinal era tão caro, que nem homens ou anjos puderam efetuar este pagamento, contraído pela raça humana por causa das ordenanças quebradas. Logo, aqueles que estão unidos a Cristo, foram crucificados com Cristo e assim estão libertos da condenação do pecado.
3. Somente em Jesus vencer o inimigo das nossas almas. “e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.” Através de Cristo, o intento do inimigo em quebrar a comunhão de Deus com os homens foi vencido através da cruz. Com isto, Paulo deixa claro que a vitória sobre o inimigo não se dá em rituais ou objetos, mas unicamente através da Cruz.
Conclusão
Irmãos e irmãs, em breve estaremos diante de um das semanas mais emblemáticas para o cristianismo ocidental tanto pelo lado romanista como pelo lado protestante que alguma forma foi afetada pela tradição litúrgica da Igreja. Como vivemos um momento de intensa efervescência religiosa fruto dos séculos de mistura sincrética das tradições afros-indígenas-lusitânicas, veremos que a páscoa da cristandade tupiniquim ainda é celebrada em certos círculos (inclusive evangélicos) segundo os rudimentos do mundo, onde a pureza, a perfeição, o relacionamento com Deus e a vitória sobre os poderes são pretensamente alcançados em romarias, rituais de ascese, jejuns, abstenção de alimentos, superstições, culto de objetos, anjos e santos.
Segundo o ensino de Paulo que hoje aprendemos, somos chamados a ter cuidado com tais distorções e desvios da reta doutrina. Como cristãos que seguem apenas a voz do Espírito Santo, somos chamados a descansar na suficiência de nossa união com Cristo.
Não precisamos inventar outro Evangelho, nos basta viver apenas seguindo Jesus Cristo como Senhor. Isto implica em andar nele, estar nele enraizado, edificado e confirmado na fé evangélica anunciada pelos apóstolos, sem dar conta aos rudimentos deste mundo que nada tem haver com o ensino de Jesus. A verdadeira páscoa é aquela onde nos entregamos inteiramente para Cristo e o recebemos como Senhor que guia, orienta e pastoreia todas as áreas de nossas vidas.
Unido a Cristo como Senhor e Salvador, o ser humano pode encontrar o caminho da verdadeira perfeição, que definitivamente não pode ser originada das coisas deste mundo, antes, este caminho vem do alto e nos é dado de graça. Este caminho manifesto em Cristo é o único que pode aperfeiçoar nossas vidas porque somente em Cristo encontramos com o Deus que se revela para ouvirmos sua voz e aprendermos sua vontade e seguirmos na esperança das suas promessas. É através de Cristo que podemos obter perfeita segurança na certeza da primazia de seu poder, acima dos principados e das potestantes. Nele os completos são circuncidados no coração para viverem dia após dia despojando o corpo da carne (desobediência). Nele os batizados na fé cristã, entendem que os ritos em si apenas servem como pregação de nossa união com Cristo, em sua morte para mundo e sua posterior ressurreição para Deus. Logo a páscoa cristã é celebrada sempre procuramos viver para Deus, deixando para trás a desobediência, o mundo e seus rudimentos. Como bem disse Paulo:
"Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências." (Romanos 13:13-14, RA)
A vitória sobre os poderes que aprisionam o homem na maldade, na mentida, no ódio e na impiedade, não podem ser encontras na filosofia, na religião ou no legalismo e dogmatismo das igrejas. Agostinho disse que “a filosofia pode até mostrar o fim, mas não o meio”. O meio para alcançarmos a felicidade está na revelação de Jesus Cristo, por isso a vitória sobre os poderes que nos tornam pessoas piores acontece somente quando nos unimos a Cristo e o aceitamos como Senhor sobre nossas vidas.
Quando passamos a seguir Jesus, confiando no poder de Deus que nos ressuscita para uma nova vida, vivemos a vitória sobre a carne, o mundo e o diabo, e assim encontramos a liberdade para servir a Deus, a obediência no amor, e a sabedoria não da letra que mata, mas do Espírito que vivifica.
Este triunfo não pode ser adquirido por meio de rito, mas apenas por fé na obra realizada pelo nosso redentor. A páscoa cristã é celebrada sempre que vivemos a vida de Cristo em nós. Desta forma atualizamos a vitória do Evangelho todos os dias quando vivemos para Deus, certos de que nem carne, condenação ou demônios podem separar do amor do Pai aqueles que estão em Cristo Jesus.
Rev. Francisco Macena da Costa.
Cambeba, 16 de abril de 2011.
Fortaleza – CE.

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Minas do rei Salomão se encontram em ruínas

 

Revista Defesa da Fé

Muitas histórias românticas têm dramatizado as minas de Salomão. Presume-se que Salomão tinha minas tão distantes quanto a cadeia do Himalaia, as profundezas da floresta equatorial da África e até mesmo a região inca, no moderno Peru, nos Andes. Especula-se a procedência de parte da madeira usada no Templo.
Qualquer mapa moderno de Israel instruirá até o espetacular vale de Timna. Era ali, naquele território de terras estéreis e ressecadas, entre picos denteados, que os antigos mineiros hebreus extraíam toneladas de cobre. No dizer de Deuteronômio 8.9, Israel foi enviado a uma terra … de cujos montes cavarás o cobre. A habilidade de Salomão, trouxe grandes riquezas ao povo de Israel, em uma época que foi o período áureo da nação.
O livro de Primeiro Reis, capítulo 10.14, dá-nos uma informação de que o peso em ouro que chegava às mãos de Salomão, em um ano, era de 666 talentos de ouro. Isso significava um total aproximado de 114 milhões de reais. Naturalmente importava também especiarias raras e outros artigos de luxo. Vale lembrar que a correlação de valores era bem diferente dos nossos dias. Por exemplo, o quilo de linho fino era comprado por dois quilos de ouro fino.
Portanto, sua reputação de homem rico está bem fundamentada. Famosas são as minas de cobre de Salomão, na Arabá, bem como a refinaria real de cobre, descoberta em Ezion-Geber, moderno Tellel-Kheleifeh. O vale do Timna, não muito distante do extremo norte do mar Vermelho, era um lugar rico em cobre, explorado por Salomão.
O rabino Nelson Glueck, explica Russell Champlin em sua Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia, era um israelita aventureiro que amava o deserto. Explorando o remoto vale do Timna, ele descobriu vários antigos locais de fundição, tendo reunido nódulos de cobre e peças quebradas de cerâmica. Essas peças de cerâmica levaram-no à sua maior descoberta – pertenciam à época de Salomão.

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Arqueologia desvenda mistérios da Bíblia

 

As descobertas que mais causaram benefícios para os estudantes da Bíblia foram, sem dúvida, as dos rolos do Mar Morto. Esse achado confirmou a crença de que os escritos da Bíblia são exatos, conforme foram copiados através dos séculos, a partir de uma época anterior ao nascimento de Cristo. Outras descobertas nos ensinam a respeito de costumes nos tempos bíblicos. Alguns nomes específicos e doutrinas mencionados na Bíblia, também foram identificados por meio dessas pesquisas.
Os rolos do Mar Morto que estão completos já foram publicados, como os dois com os manuscritos do profeta Isaías e parte de todos os livros do Antigo Testamento, excetuando-se o de Ester. A única porção ainda não publicada é composta de fragmentos de textos, que são difíceis de serem interpretados. Os eruditos estão idosos e muitas pessoas ficam aborrecidas porque o trabalho de interpretação tem sido vagaroso. Porém, esses fragmentos estão sendo transferidos para profissionais mais jovens, e esperamos que nos próximos anos todos eles sejam publicados. Existe a expectativa de que os resultados trarão novidades animadoras.
Os mais antigos manuscritos, os do Antigo Testamento, são do III século a.C. Os do Novo Testamento datam do II século d.C. Não há diferenças teológicas ou históricas entre os antigos textos e a Bíblia atual. Eles se correspondem exatamente.
Descanso do coração
Possivelmente, o início da civilização ocorreu cinco mil anos atrás, quando começou a urbanização, a especialização de certos trabalhos e a invenção da escrita. Nos escritos dos sumérios, povo que viveu há cinco mil anos, a palavra "sábado" se relaciona com o "sábado de descanso". No caso deles, isso se refere a um dia de descanso semanal. Na língua do sumérios, sábado significa "o descanso do coração". A cada sete dias eles tinham um dia do mal, que não chamavam de sábado.
Os eruditos dizem que o sábado foi trazido pelos israelitas do cativeiro na Babilônia, mas há evidências arqueológicas de que os judeus guardavam o sábado na Palestina antes desse cativeiro. Conforme já disse, na Mesopotâmia, em tempos primitivos, a palavra sábado existia e havia certos dias em seqüência de sete, relacionados com o mês e não com semanas. Isso sugere que existiam sábados de uma forma parecida com o sábado hebreu, mas não exatamente iguais.
O número sete era muito popular nos países do Oriente Médio, mas os judeus foram os únicos que o mantiveram como um dia sagrado. Existem também evidências de que os cristãos continuaram observando o sábado até o terceiro e quarto séculos da Era Cristã. Hoje, embora existam diferenças nos calendários referentes aos anos ou meses, não há desentendimento em relação aos dias da semana.
Dilúvio e Babel
Não temos os ossos para submeter a idade dos antediluvianos a qualquer tipo de análise. Acredito que realmente a idade dos patriarcas chegou a ser em torno de mil anos. É evidente que foi uma era de ouro. As pessoas tinham uma vida muito saudável e feliz. Porém, depois do dilúvio, tornou-se mais difícil viver na face da Terra, e a média de duração da vida dos patriarcas caiu para cem anos.
Há exploradores que vão ao Monte Ararate e tiram fotografias de objetos que atiçam a curiosidade. Também existem muitas histórias e rumores sobre a descoberta da Arca de Noé. Acho que nada disso tem procedência séria e não merece credibilidade. Através de métodos de datação, a ciência indica que restos de uma suposta embarcação encontrada no Ararate remontam ao período bizantino, século VI d.C. Uma era nada antiga em relação ao tempo de Noé.
Só existem as bases da fundação da Torre de Babel. Aparentemente, uma parte da torre resistiu até a época de Alexandre Magno. Quando ele chegou ao local, decidiu reconstruir a torre. Os seus homens cavaram e retiraram as ruínas, começando a preparação de um novo edifício. No entanto, Alexandre morreu nesse intervalo. Se agora visitarmos a região de Babilônia, no Iraque, encontraremos o buraco no qual a torre existiu.
Egito e Arca do Concerto
Na minha opinião, o faraó do Êxodo foi Tutmés III, que morreu em 1450 a.C. A data de sua morte confere com a cronologia bíblica. Apesar da existência da múmia de Tutmés III, no Museu do Cairo, comprovou-se que ela não é a múmia desse faraó. Talvez seja de seu pai ou de seu filho. Pode ser uma múmia substituta que colocaram no lugar do seu túmulo, pois o faraó Tutmés morreu no Mar Vermelho. Chega-se a essa conclusão através de exames de raios X nos ossos da múmia.
Os arqueólogos não encontraram as ruínas dos muros de Jericó porque depois da destruição destes por Josué, a cidade ficou ao relento, sujeita às intempéries da natureza por cerca de 500 anos. A camada mais elevada daquela civilização foi totalmente destruída por erosões, por isso não é possível encontrar remanescentes daquela época. Os arqueólogos encontraram apenas ruínas de túmulos.
O único texto antigo tratando sobre a Arca do Concerto se encontra no segundo livro de Macabeus. O primeiro livro de Macabeus é considerado uma boa fonte histórica, mas o segundo é pouco confiável e, infelizmente, é ele que afirma que Jeremias e seus homens enterraram a Arca no Monte Nebo.
Alguns eruditos dizem que eles não tiveram tempo para transpor o Rio Jordão, e acham que a Arca poderia ter sido escondida no monte em que estava o templo de Salomão. Nesse lugar havia várias cavernas. A verdade é que ela desapareceu durante a destruição de Jerusalém e não sabemos onde ficou. Seria um fato maravilhoso se pudéssemos localizá-la.
Lawrence Geraty, doutor em Arqueologia pela Universidade Harvard, é presidente da Universidade Adventista de La Sierra, na Califórnia, Estados Unidos (texto Baseado em entrevista concedida a Paulo Pinheiro, da Casa Publicadora Brasileira).