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Pastor reescreve Biblia com linguagem atual e bem humorada e causa polêmica

 

Por Sarah Curty | Correspondente do The Christian Post

Um site que apresenta a Bíblia reescrita com linguagem jovem e bem humarada se espalha pela internet, com vários tanto criticando quanto elogiando o trabalho. O site foi criado em janeiro pelo pastor proeminente do Brasil, Ariovaldo Jr, da Igreja Manifesto, em Uberlândia, Minas Gerais.

  • bíblia freestyle

    (Foto: http://www.bibliafreestyle.com.br)

    Bíblia Freestyle, site criado por Ariovaldo Ramos, onde ele reescreve o Novo Testamento com uma linguagem jovem e bem-humorada.

 

No site Biblia Freestyle www.bibliafreestyle.com.br, Ariovaldo informa que os seus textos têm a intenção de interagir com a geração Y, a geração da internet (jovens nascidos entre os anos 80 e 90).

De acordo com o pastor, o site “não é uma tradução, não possui fins acadêmicos e nem sequer a pretensão de substituir uma leitura bíblica integral. Mas, quem sabe, com um pouco de humor, muitos que nunca tiveram contato algum com as Escrituras, sejam animados a estudar e aprender um pouco mais”.

Utilizando a linguagem popular, o interesse do pastor Ariovaldo é atingir “todo o tipo de gente”. Desde que iniciou sua trajetória como pastor, seu foco sempre foram os grupos “underground”. “Eu sou pastor de uma Igreja que antigamente dizíamos ser “alternativa” por que trabalhávamos com metaleiros, punks e outras subculturas”, explica o pastor.

“De certo modo, percebo que atualmente recebemos convites para pregar não por causa de nosso estereótipo, mas sim pela contundência da mensagem ensinada. Essa tem sido nossa bandeira. Coerência teológica, sólidos fundamentos reformados, uma consciência missiológica profunda e ampla interação com a cultura para que tudo isto possa ser compreendido pelas pessoas desta geração”, acrescenta Ariovaldo.

Os comentários estão liberados no site, o que permite a interação do autor com seus leitores. No entanto, ele tem recebido muitas críticas, ao que comentou em seu Twitter.

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“Pra cada um que diz ‘fui abençoado e aprendi mais sobre Jesus’, aguento uns 5 mil reclamando que ‘Deus não fala desse jeito’”.

Os textos são, de acordo com o pastor, apenas um hobby e ele avisa em sua página: “Se você ficou ofendido com alguma coisa aqui, sinto muito. Este site não é para você. Feche-o e finja que nunca nem ouviu falar dele”.

Ele se dispôs a publicar ao menos um capítulo do Novo Testamento por dia, sem a intenção inicial de fazer o Antigo. Confira um trecho de Mateus, 16:

“E chegando os religiosos pra perturbar mais uma vez, crentes de diversas denominações, tentavam fazer Jesus ser pego em alguma coisa que falava, pra poderem dizer que Ele era um herege. Pediam que ele fizesse alguma mágica bem sinistra pra impressionar a galera. Mas Jesus cortou no ato: ‘Quando a previsão do tempo diz que vai chover, vocês sabem que não rola ir à praia no dia seguinte. Aí vem neguinho posando de malandro e me pedindo sinal pra eu mostrar do que sou capaz? Aham, Claudia… senta lá, vai! Vão esperar sentados. Os sinais tão aí pra quem for esperto deduzir o óbvio.’. E acabou nem perdendo tempo com aquele bando de idiotas.”

“Jesus então falou pros seus seguidores não se misturarem com o Pó Royal dos crentes. Mas como a galera era tapada, pensou que Ele tava dando indireta por eles terem esquecido de comprar pão na padaria. E então, explicou mais mastigado: ‘Ô cambada de gente lerda… vocês não tão lembrados dos Mc Lanche Feliz que eu fiz pra 5 mil pessoas? Por que então eu estaria preocupado com pão? Presta atenção, pô! O Pó Royal dos religiosos é o ensino deles. Aquilo é igual fermento… contamina tudo!’”

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‘Renúncia irritou ala conservadora da Igreja’

 

Para vaticanista, temor de tradicionalistas é o de que decisão de Bento XVI ajude a desmistificar papel do papa

14 de fevereiro de 2013 | 0h 15

  • Estadão.com

Jamil Chade e Filipe Domingues – O Estado de S.Paulo

CIDADE DO VATICANO – A decisão de Bento XVI de renunciar foi um gesto de "realpolitik", pragmático. A avaliação é de um dos principais vaticanistas, o italiano Marco Politi, que acaba de publicar um livro sobre o pontificado de Bento XVI. Em entrevista ao Estado, Politi apontou que, no fundo, a demissão de Bento XVI foi sua "única grande reforma" nos oito anos de seu pontificado. Mas uma iniciativa que ficará para a história e fará muitos pensarem sobre o futuro da Igreja.

Renúncia foi um gesto revolucionário - a única grande reforma de seu pontificado, diz Marco Politi - Jamil Chade/AE

Jamil Chade/AE

Renúncia foi um gesto revolucionário – a única grande reforma de seu pontificado, diz Marco Politi

Segundo o especialista, a ala mais conservadora da Igreja teria ficado irritadíssima com Bento XVI por conta de sua renúncia, temendo uma "desmistificação" do cargo de papa a partir de agora. Eis os principais trechos da entrevista:

Como foi a reação dentro do Vaticano diante da renúncia?

Os conservadores temem a decisão. O temor é de que isso possa causar uma desmistificação do papel do papa. E que, no futuro, um papa possa ser colocado sob pressão para se demitir em determinadas situações. Mas a decisão foi muito lúcida e muito bem planificada. Foi um gesto revolucionário – a única grande reforma de seu pontificado, um exemplo e um estímulo à reflexão. Na Alemanha, há cardeais que já falam abertamente de que seria justo colocar um limite de idade para o papa. Bento XVI completou a reforma de João Paulo II, estabelecendo idades para cardeais e sua participação no conclave. Agora, mandou a mensagem de que um papa pode, sim, renunciar. Nos tempos modernos, não se pode permitir um papa doente.

Fala-se muito de que a renúncia foi um ato político. Como o sr. avalia isso?

Foi um gesto de realpolitik e de reconhecimento da incapacidade sua de cuidar da Igreja, pois não basta ser um intelectual ou teólogo. Para guiar a instituição de 1 bilhão de fiéis, ele precisava de um pulso de governador.

Há o risco de que católicos no mundo não entendam essa decisão de Bento XVI?

Acho que a massa dos fiéis entendeu. Muitos ficaram surpresos e, no começo, desorientados. Mas não houve uma oposição ou mau humor. Na Praça São Pedro, não vimos nenhum grupo pedindo que ele fique. Entenderam que foi justamente uma troca de governo. O papa foi muito pragmático.

Quais são as perspectivas para o conclave, diante dessa situação inédita?

Dentro do conclave, todas as cartas estão embaralhadas. Será um conclave muito complicado. Em 2005, havia um grupo forte de apoio e de mobilização pela candidatura de Ratzinger. Mas ele era o único ator mais forte. O cardeal Martini seria uma opção, mas estava doente. Hoje, temos vários candidatos. Mas nenhum deles tem um pacote de votos claro. O vencedor será um candidato de centro. Não poderá ser alguém de continuidade de Ratzinger. Mas não sabemos se essa pessoa está disposto a fazer as reformas que a Igreja precisa para enfrentar seus desafios.

Quais são esses desafios?

O primeiro é a crise de padres. Não há padres para todas as paróquias. Outro é o papel das mulheres dentro da Vaticano. Há ainda o tema da sensualidade no mundo moderno, o homossexualismo, o divórcio. Finalmente, há a questão do papel do papa.

Um papa do mundo em desenvolvimento estaria sendo considerado?

A primeira questão é se haverá um papa italiano ou não. Os 29 cardeais italianos no conclave estão sobrerrepresentados. Mas isso não quer dizer que todos eles queiram um italiano. Há divisões. No passado, eram os estrangeiros que pediam para que o papa fosse um italiano. Mas há a impressão depois que os escândalos de corrupção foram revelados de que muitos querem que a internacionalização do papado continue. Ele poderá vir da América do Norte ou Sul. Eu dou menos chances aos africanos. Na América Latina existem vários candidatos. Mas há que ver se haverá um mais forte que concentre a atenção. Em 2005, no conclave, os latino-americanos fecharam um acordo de que apoiariam um nome da região se um cardeal começasse a se destacar.

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Número de muçulmanos e evangélicos cresce enquanto católicos estagnam, mostram dados

 

Por Sarah Curty | Correspondente do The Christian Post

Apesar de vários pontos positivos, o papado de Bento XVI foi marcado também por diversas situações adversas, como a pedofilia entre os padres, roubo de documentos, entre outros. E para adicionar ao quadro pouco positivo, dados mostram a queda no número de católicos em diversos lugares do mundo, com uma estagnação em sua participação nas religiões do mundo.

  • igreja católica

    (Foto: Reuters)

    Oração ecoa a defesa do casamento tradicional pelo Papa Bento XVI e os líderes católicos de todo o mundo.

Bento XVI – que irá anunciar sua renúncia em 28 de fevereiro – presenciou a estagnação do número de fieis católicos, juntamente com o crescimento de outras religiões, como o islamismo e o protestantismo.

Segundo dados da Enciclopédia Cristã Mundial, em 2005, quando assumiu o papado, o número de católicos representava 16,8% da população mundial, cerca de 1,1 bilhão de pessoas. Já em 2010, viu que esse número se manteve quase o mesmo em relação ao aumento da população mundial em 390 milhões de pessoas. Ou seja, a população mundial atingiu quase 7 bilhões de pessoas e o número de católicos passou para 1,17 bilhão, mantendo a mesma porcentagem.

A Enciclopédia Cristã aponta ainda o crescimento do total de muçulmanos. Os fieis passaram de 1,41 bilhão, em 2005, para 1,55 bilhão, em 2010, um aumento de 21,8% para 22,5% da população mundial. Em relação ao número de fieis católicos (75 milhões), o número de muçulmanos foi quase o dobro (140 milhões), especialmente em países da Ásia e da África.

Já os protestantes cresceram com mais expressão e mais rapidamente que as demais religiões. Em 2005, entre pentecostais, neopentecostais e carismáticos, havia cerca de 500 milhões de fiéis, representando cerca de 25% da população cristã mundial. Os evangélicos representavam 7,3% da população global.

Entretanto, em 2010, o número de evangélicos saltou para 583,2 milhões, um aumento de quase 17% em cinco anos, que passaram a representar 9% da população mundial. Globalmente, os evangélicos representam a grande maioria dos pouco mais de 800 milhões de protestantes no mundo, segundo a Enciclopédia Cristã Mundial.

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No Brasil, o país mais católico do mundo, os evangélicos também apresentam grande crescimento. Em 2011, o censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou números que mostram que em dez anos (entre 2000 e 2010), os evangélicos saltaram de 26 milhões para pouco mais de 42 milhões de pessoas. De acordo com o censo, a proporção de evangélicos em relação à população brasileira cresceu de 15,5% para 22,2% nesse período.

O número de católicos também modificou. Dos 190 milhões de brasileiros, 64,4% se consideram católicos, de acordo com o último censo.

Na Europa, o European Values Study aponta que, em 2008, o número de católicos representava quase 37% da população europeia. Vinte anos antes, essa porcentagem chegava aos 60%.

De acordo com a Enciclopédia Cristã Mundial, o grande aumento de questionamentos, espírito crítico em relação às religiões, estilo de vida e outros fatores ajudam a explicar o declínio da prática religiosa percebido no mundo nos últimos anos.