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Lideranças religiosas não deveriam se envolver com política

Se assim acontecesse, o mundo da vida e dos céus agradeceriam.

por Cleiton Maciel Brito

Lideranças religiosas não deveriam se envolver com políticaLideranças religiosas não deveriam se envolver com político.
Vários líderes religiosos estão trocando o púlpito pelo palanque ou fazendo do púlpito um palanque e, em muitos casos, transformando a vida em um palanque político. Entretanto, líderes religiosos não deveriam nem estar, nem fazer política sob nenhuma destas formas. Mas, infelizmente, não é isso o que vem ocorrendo.

No tocante ao primeiro aspecto, por exemplo, há uma grande quantidade de religiosos confessionais que migraram para o campo da política sob a justificativa de influenciar o mundo por meio institucional do Estado. Acerca deste item, escrevi neste portal um artigo indicando o sentido sociológico desse deslocamento: https://artigos.gospelprime.com.br/estao-crucificando-o-evangelho/.

Sobre o segundo aspecto, ainda que  os líderes não se candidatem a um cargo eletivo do Estado, estão levando a política para dentro da igreja, seja indicando em quais políticos os membros devem voltar, seja oferecendo o púlpito ao candidato. Dessa forma, a pregação cede lugar ao discurso eminentemente partidário, fazendo com que a mensagem bíblica passe a ser mero adereço dentro das igrejas.

No que diz respeito ao último item, faço referência a uma nova forma de como os líderes religiosos adentram o campo político ou, dialeticamente, como a política tem adentrado as igrejas. Refiro-me às redes sociais.

Nelas, pastores, bispos, presbíteros e padres passam a hastear sua bandeira partidária por meio de posts em vídeos e em texto. Alguns deles têm conotação jocosa e hostil e, em muitos casos, causam discussões sem fim, com conteúdo, inclusive, desrespeitador. Isso nos faz pensar se os líderes têm sopesado esse tipo de atitude ou seja, refletido se atos dessa natureza não estão fazendo com se perca o bom testemunho daqueles que estão fora da igreja, como Paulo nos adverte na carta a I Timóteo 3: 7, criando apenas discussões inúteis? Temo que não. Muitos deles, pode-se dizer, publicam posts provocadores apenas para gerar tumultos virtuais.

Como se percebe, são envolvimentos políticos variados, que colocam um desafio fulcral à igreja contemporânea, pois são os próprios líderes que estão protagonizando um processo que eu considero uma espécie de “desvio” da finalidade do episcopado bíblico, que seja: pastorear o rebanho de Deus, combatendo o bom combate com fé, boa consciência, piedade, contentamento e mansidão, mas sem ira, jactância, desejo de riquezas ou poder, e sem propalação de palavras que só geram contendas e que para nada aproveitam.

Vale destacar que, além das questões que envolvem a laicidade do Estado – amplamente discutidas alhures – estes três espectros de questões são prejudiciais, primeiramente à igreja, porque ao se adentrar o campo da política, ao invés de “influenciá-la”, acaba-se sendo engolido por ela, que é o que está acontecendo hoje em âmbito nacional.

Isso se explica, em parte, em face de o campo da politica ser o campo das relatividades, das verdades, das negociações. O da religião, mormente, as cristãs, é o da norma, dos padrões e da doutrina. E misturar esses dois campos é como que se chocassem partículas de matéria e antimatéria, criando ultra fagias cósmicas.

Por isso, argumento que líderes religiosos não deveriam se envolver, discursiva e eleitoralmente, na política, haja vista que, dentre outras razões, quando eles tomam partido – literalmente, nesse caso – isso acaba criando divisões dentro da própria igreja ou, em um pior resultado, afugenta os membros que pensam diferente, politicamente, dele. Mas sendo o líder o “pastor” de TODA a igreja, a atitude deste deveria ser a do acolhimento e da mediação das diferenças, das variadas formas de visões de mundo que os membros possuem.

Infelizmente, esse elemento axial da liderança cristã tem sido colocado em xeque ao assumir-se, perante a grei, um discurso político, quando, na verdade, o encaminhamento dessas questões deveria ser outro: “deixar” que os membros das igrejas, enquanto cidadãos livres que são, façam a política, e no lugar apropriado – a vida social – sem qualquer cor ou natureza religiosas.

Se assim acontecesse, o mundo da vida e dos céus agradeceriam.Com informações do Gospel Prime.

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Vaticano tem dificuldades de achar exorcistas: “Os padres têm medo”

Exorcista veterano Vincenzo Taraborelli reclama que não encontra sucessores

 

 

Vaticano tem dificuldades de achar exorcistas: “Os padres têm medo”Vaticano tem dificuldades de achar exorcistas: “Os padres têm medo”
Frei Vincenzo Taraborelli conta que recebe dezenas de pessoas diariamente que buscam por libertação. Aos 79 anos, ele lembra que vem praticando exorcismos – rituais para a expulsão de demônios – há 27 anos. Passou a exercer essa atividade “por acaso”, quando foi procurado para ajudar um colega padre.
“Não sabia o que era, não tinha estudado isso”, resume. “Ele me disse o que fazer, eu era completamente ignorante”, contou ele à BBC.

Apesar do início inesperado, Taraborelli continua sendo um dos exorcistas mais ocupados de Roma. Trabalha três dias por semana em uma sala sem janelas no fundo de sua igreja, que fica próxima da Santa Sé. Na parede, está visível um documento oficial que atesta suas qualificações como exorcista. Ele explica que consegue atender até 30 pessoas por jornada.

Sua reclamação agora é que o Vaticano está com dificuldades em achar sacerdotes mais jovens para praticar a atividade. A maioria dos padres não parecem atraídos pela ideia de enfrentar    fiéis perturbados e lidar com espíritos do mal. “Eu disse ao bispo que não consigo encontrar ninguém que queira fazer isso. Muitos têm medo. Mesmo padres têm medo… é uma vida difícil”, reclama Taraborelli.

Há muitos dentro da própria Igreja que são céticos, argumentando que a “possessão” não passa de uma superstição medieval ou um mito. Para eles, as pessoas que alegam estar possuídos por demônios na verdade sofrem de problemas psicológicos ou psiquiátricos

“Antes de fazer exorcismos, insisto com as pessoas para que procurem um psicólogo ou um psiquiatra. Tenho contato com muitos psicólogos, que mandam seus pacientes para cá”, esclarece.

Em geral, ouve o que os fiéis que o procuram têm a dizer, depois os convida a rezar. “Se a pessoa não está muito bem, tento acalmá-la. Convido-a rezar comigo. Mas muitas dessas pessoas já estão perturbadas quando chegam aqui”, conta.

Existem rituais específicos para o exorcismo da Igreja Católica. Em meio à pilha de papéis sobre  sua escrivaninha, mostra a cruz que usa para expulsar os espíritos do mal. Entre as muitas histórias que coleciona a mais notável é de uma mulher casada que ele acompanhou durante  13 anos.

“Um outro homem, um satanista, queria essa mulher”, recapitula o Frei. “Ela disse não. Então esse homem disse a ela: ‘Você vai pagar por isso.’ Duas vezes por semana ele lançava feitiços para atraí-la. Então eles (marido e mulher) vieram me procurar”, recorda. Na primeira sessão de exorcismo, “Eu disse ao demônio ‘Em nome de Jesus, eu ordeno que você se vá’, ela começou a vomitar pequenos alfinetes de metal, cinco de cada vez”. Também regurgitou  tranças de cabelo, pedrinhas, pedaços de madeira. Parece algo do outro mundo, não? Mas é coisa desse mundo.”

A ideia de que uma pessoa ser possuída por demônios é antiga, sendo relatada várias vezes na Bíblia, mas no cenário contemporâneo europeu é visto com ceticismo. O recente assassinato do padre francês Jacques Hamel, de 85 anos, teve um relato curioso. Enquanto ele celebrava a missa em sua igreja na cidade de Rouen, na França, em julho, dois militantes do Estado Islâmico invadiram o local.

Enquanto esfaqueavam Hamel, testemunhas contam que o padre se defendeu gritando “Vá embora, Satanás!”, numa tentativa de fazer um exorcismo. A suposta possessão dos jihadistas é usada para explicar seu comportamento.

Frei Taraborelli parece concordar. “Quem tem fé sabe que o demônio existe, você pode ler nos textos sagrados. Depois, você só precisa olhar (à sua volta) e ver como o mundo está hoje em dia. As coisas nunca estiveram tão ruins. Esses atos de violência não são humanos. Tão terríveis, como o Estado Islâmico”, conclui. Com informações do Gospel Prime.

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Templo de Salomão volta a ser visível em Jerusalém, mas em realidade virtual

Produção tecnológica é mais uma mostra do desejo crescente de se ver o Terceiro Templo

 

 

Templo de Salomão volta a ser visível em Jerusalém, mas em realidade virtualTemplo de Salomão volta a ser visível em Jerusalém. Assista
O projeto de reconstituição da Jerusalém de dois mil anos atrás é resultado da profunda pesquisa, feita por historiadores, rabinos, arqueólogos e estudiosos da arte. Eles usaram muito das narrativas do Talmude, dos escritos de Flavio Josefo, achados arqueológicos e evidências de outras obras da arquitetura romana. A estrutura do Monte do Templo e do próprio Templo foi recriada nos mínimos detalhes e na dimensão real.
“A pesquisa abriu o caminho para reconstituição que inclui desde o tipo de mármore, os pisos e os materiais de construção usados na época”, disse um funcionário da Fundação de Preservação do Muro Ocidental, que prefere o anonimato. “Então uma nova camada foi adicionada aos que se conhece das antigas escavações. Isso permitiu um mapeamento claro da posição de cada elemento na área do Templo”.

Segundo esse funcionário, o objetivo não é a excelência tecnológica. “Para nós, a tecnologia é simplesmente uma ferramenta que deve ser usada com moderação. Não somos a Disneylândia”.

Cerca de 9 milhões de pessoas visitam o Muro das Lamentações todos os anos. Quase 1 milhão deles descem pelos túneis que ficam embaixo da estrutura, em excursões projetadas para grupos. A nova atração, inaugurada este mês é voltada para o indivíduo. Uma turnê em realidade virtual (RV) foi criada pelos designers da empresa ArchTour, visa o indivíduo.

Ela possibilita que, por 15 minutos, a pessoa sente numa cadeira especial e, usando óculos de RV, tenham uma visão em 360º de como era aquele espaço antes da cidade toda ser destruída pelas tropas romanas no ano 70 d.C. O tour está atraindo uma grande quantidade de pessoas, ávidas para verem o esplendor do Templo que representava a presença de Deus na Terra.

Curiosamente, nas últimas semanas uma polêmica decisão da UNESCO negou qualquer ligação dos judeus com o Monte do Templo.

“Queríamos criar um lugar que não seja controverso e focado na peregrinação. Nossa tarefa é mostrar o que estava aqui no passado, para transmitir a herança do Muro Ocidental, que era uma base do Templo”, explica o funcionário.

Ele faz questão de esclarecer: “O Templo que apresentamos aos visitantes não é o Terceiro Templo. Trata-se de uma reconstrução precisa do que existia no passado, para que os visitantes possam entender como era o Muro Ocidental em seu contexto histórico e geográfico”.

“O filme que produzimos trata de nosso anseio. Não é um desejo lógico, é emocional. Queremos que os visitantes saiam daqui com a sensação de que a experiência virtual foi emocionante e estimulante”, finaliza.

Desejo de reconstrução

A nova atração turística da cidade milenar dos judeus é só mais uma maneira de se vislumbrar como ela se parecia nos tempos de Jesus. Ela se junta à maquete gigante que está no Museu de Israel. Lá está um modelo em 3D de Jerusalém no período do Segundo Templo. Representa Jerusalém no ano 66, pouco antes do início da grande revolta dos judeus contra os romanos, que resultou na sua destruição.

A cidade em miniatura foi construída no início dos anos 1960, segundo a interpretação do Professor Michael Avi-Yonah das descrições feitas pelo historiador Flávio Josefo. Abrange cerca de 2.000 metros quadrados em uma escala de 1:50. Sua representação do Templo tornou-se a imagem mais conhecida do Segundo Templo. Ela ficava na entrada de um hotel que acabou fechando.

Em 2006, numa complicada operação de engenharia, o modelo foi cortado em mil pedaços e transferido para o Museu de Israel. No processo, reparos e melhorias foram feitas com base nas informações obtidas por arqueólogos desde sua criação original.

No centro de Jerusalém há uma terceira maneira de se viajar no tempo e ver Jerusalém como ela era antes da destruição. Trata-se do Instituto do Templo, cujo museu fica aberto ao público.

Nele é possível ver, além de uma maquete detalhada do Templo construído por Herodes, todos os apetrechos usados para o serviço sacerdotal. Eles fizeram tudo usando como base a descrição do Antigo Testamento e centenas de estudos rabínicos sobre o tema.

Acreditam que tudo precisa estar pronto para a construção do terceiro templo, que marcará o início da era messiânica.

O Dr. Motti Inbari, professor de religião na Universidade da Carolina do Norte escreveu um livro sobre a relação intrínseca do judaísmo com o Templo.  Ele explica que nos últimos tempos houve mudanças “dramáticas”. Segundo ele, “O assunto não era tão popular há 20 anos como é hoje. O Monte do Templo estava fechado aos judeus então, e para muitos a frustração era gigantesca”.

A reabertura do acesso para judeus, ainda que eles estejam proibidos de fazer orações, renovou o desejo de reconstrução. “Isso naturalmente teve um efeito imediato sobre a necessidade de uma visualização do antigo Templo. A busca por essas visualizações aumentou rapidamente nos últimos anos”.

Para Inbari, o investimento da Fundação de Preservação do Muro Ocidental em projetos de realidade virtual é apenas mais um passo nesse sentido.

“É importante entender que o povo que visita o Muro Ocidental e os fiéis que desejam retomar o Monte do Templo estão envolvidos em um conflito. Durante muitos anos, o Muro das Lamentações foi considerado o lugar mais sagrado para os judeus. Muitos agora dizem que isto não é correto, que o Monte do Templo e o próprio Templo são os lugares mais sagrados”, garante.

O estudioso acredita que esse sentimento deve continuar crescendo e se espalhando entre os judeus.Com informações Haaretz  e Gospel prime.